Texto de Paulo Ribeiro publicado originalmente no jornal Pioneiro (Caxias do Sul – RS – 24/06/09)
A decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo (e misturou cozinha com redação, peixes fritos com ética), é de última instância e sobrou para nós os protestos.
E é preciso que eles sejam conscientes. Escritor, como os românticos de outros tempos, poderia evocar aqui o direito de “ser jornalista” por gostar do hábito da escrita. Bobagem. Hoje, a sociedade, a clientela, quer alguém habilitado, com formação específica, técnica e eticamente preparado para o exercício da atividade jornalística.
Talvez seja válido também recordar aos ministros que liberdade de expressão não é o mesmo que liberdade de informação, que é o que distingue a prática do Jornalismo do direito que a Constituição assegura a todo cidadão.
Mas, por outro ângulo, até que é em boa hora a decisão do Tribunal, que gerou esta onda de protestos. A profissão de jornalista, até aqui, era regulada por um decreto-lei do tempo da ditadura, normalizada por um ato da Junta Militar. Era uma forma de “cassar” jornalistas sem canudo que se manifestassem contra o regime instalado.
Mas os tempos mudaram. As formas de comunicação evoluíram, as ferramentas do jornalismo se tornaram tão específicas que a obrigatoriedade de uma formação universitária é uma realidade imposta pelo mercado. E não só: o compromisso social do jornalismo, as balizas éticas da profissão, a indispensável formação humanística, inerente à atividade, só se adquire mesmo na universidade.
Portanto, somado aos nossos protestos de agora, o que se precisa é um Projeto de Lei no Congresso Nacional que regulamente e normalize a profissão dos Jornalistas, bem como a criação de órgãos que os fiscalize. É o momento, quem sabe, de se encaminhar a criação de um Conselho de Imprensa, instituição que serviria para acompanhar os atos dos profissinais diplomados no exercício de uma profissão que lida com questão tão delicada como a informação.
Como se vê, “liberar geral” o jornalista é uma situação intrincada, perigosa, pois uma notícia, uma opinião, pode ser usada para favorecer grupos econômicos, políticos, corporativos, e fugir da sua função principal, que é o compromisso com a verdade e a responsabilidade social. A reconquista de nosso diploma recomeça agora, com a nossa voz no Congresso, em Brasília.
Prometido para 2010, a versão do diretor Tim Burton (Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura) para o clássico de Lewis CarrollAlice no País das Maravilhascomeça a ganhar forma. No início desta semana foram divulgadas as primeiras fotos oficiais da produção. Além de artes conceituais que detalham muito bem o mundo surreal da história infanto-juvenil, há também fotos do elenco do filme caracterizado na visão singular de Burton.
As imagens foram publicadas em primeiríssima mão pelo tabloide americano USA Today. Entre as fotos podemos conferir Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter (esposa de Burton) como a Rainha Vermelha (uma mistura de a Rainhas de Copas e Vermelha) e Anne Hathaway como a Rainha Branca.
Também foi divulgada uma primeira sinopse do filme, que revela que a trama será uma espécie de sequência do clássico original: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.
A data de estreia prevista para o filmes é 5 de março de 2010.
Mia Wasikowska como Alice
Anne Hathaway como a Rainha Branca
Helena Bohan Carter como a mescla da Rainha de Copas com a Rainha Vermenha – Cortem a cabeça
O eterno “amuleto” do diretor – Johnny Deep é o Chapeleiro Maluco, no estilo Willy Wonka+Sweeney Tood com toques de Edward + Ed Wood
O filme brasileiro Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lung (Domésticas), está na lista dos melhores filmes estrangeiros, em eleição da revista norte-americana Paste. A publicação listou as 25 produções de fora dos Estados Unidos mais importantes da década, havaliando não necessáriamente o número de prêmios. O único filme nacional da lista, tem um extenso currículo de premiações e indicações, destacando o Bafta de Edição/Montagem e as quatro nominações ao Oscar.
Aclamado munidalmente, Cidade de Deus relata de forma brilhante, três décadas do desenvolvimento do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O roteiro indicado ao Oscar, de Bráulio Mantovani, não é linear, mas não é confuso ao espectador, em sua forma crua de registrar diversos fatos descritos no livro homônimo de Paulo Lins. Nos cinemas brasileiros o longa de Meirelles registrou mais de 3 milhões de espectadores.
Confira abaixo a relação completa das 25 produções “extrangeiras” ou melhor não norte-americanas, que foram apontadas na lista. Alguns, dos que mais me agradaram, estão destaque.
25. Maria Cheia de Graça
24. Persépolis
Menina Iraniana larga o sonho de ser profeta para se tornar revolucionária. Indicado ao Oscar de Animação.
23. Volver
22. Deixe ela Entrar
21. Oldboy
15 anos preso e sedento por explicações e vingança. Fábula sensacional que venceu o Grand Prix em Cannes.
20. Gomorra
19. A Queda – As Últimas Horas de Hitler
Produção alemã que conta os momentos finais do füher é uma obra prima sobre a ruína da ganância.
18. Paradise Now
O outro lado da moeda é visto neste filme sobre a guerra entre Palestinos e Judeus. Filme monosprezado pela academia norte-americana que conquistou o mundo com sua franqueza ao retratar o lado palestino do conflito.
17. Yesterday
16. Entre os Muros da Escola
15. Ninguém pode Saber
14. The best of youth
13. E sua mãe Também
Filme que projetou dois astros: Gael García Bernal e Diego Luna, no drama adolescente do diretor Alfonso Cuerón.
12. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Lírico e encantador. Amelie Poulain conquistou o mundo com uma forma de fazer cinema poético que havia se perdido no tempo. Ainda mensão honrosa para a fotográfia divina da produção.
11. 4 meses, 3 semanas e 2 dias
10. Cache
9. Amores Brutos
Traição, Angústia, Pecado, Egoísmo, Esperança, Dor e Morte. Primeiro capítulo da Trilogia da Perda, do diretor Alejandro Gonzalés Iñarritu, que continou com 21Gramas e Babel.
8. A vida dos Outros
7. Amor à flor da pele
6. A Viagem de Chihiro
5. Fale com Ela
4. Cidade de Deus
Apogeu da Retomada do cinema brasileiro, sucesso de públido e crítica, e a consagração de Fernando Meirelles.
3. O Escafandro e a Borboleta
2. O Tigre e o Dragão
O diretor Ang Lee redireciona o olhar para a China e mostra ao ocidente o grande cinema oriental.
1. O Labirinto do Fauno
O terror da Guerra Civil Espanholaé o pano de fundo para a fábula invendada por uma menina para ousar fugir do mundo real. Filme adulto que explora a mitologia dos contos infantis e a fantasia. Trabalho do diretor Guilhermino Del Toro, que assumiu a adaptação de O Hobbit, do autor de O Senhor dos Anéis.
Mais tradicional que ir ao cinema e comer pipoca durante o filme, é ir ao cinema para assitir a um filme da Pixar e sermos presentados com uma pequena obra prima… tão ou mais gostosa que a pipoca que vai nos acompanhar ao longo da sessão.
Com o lançamento, e consequêntemente, com o sucesso de Up – Altas Aventurasnos cinemas ianques, era mais do que óbvio que o curta-metragem, que tradicionalmente antecede as procuções animadas, surgisse pela rede para podermos dar uma olhada em primeira mão. Isso vem ser um agrado, já que por aqui o novo trabalho da parceria Pixar/Disney só vera a luz do dia, digo, a luz da projeção, no dia 4 de setembro de 2009. Até lá.
Em tempo, segue abaixo o link para conferir Partly Cloudy, trabalho de estreia do animador Peter Sohn, como diretor.
Clique na imagem para conferir em primeira mão o novo curta da Pixar
O ator norte americano David Carradine, conhecido pelas novas gerações como o Bill de Kill Bill, foi encontrado morto em Bangcoc, na Tailândia, na manhã desta quinta-feira, 04 de junho. Carradine estava com 72 anos, e filmava o longa Stretch no páis asiático.
Segundo a CNN, que se informou com o agente do ator, as primeiras evidências sugerem que Carradine se suicidou por enforcamento. O corpo foi encontrado por uma funcionária de um hotel, sentado num armário com uma corda ao redor do pescoço.
Carradine ficou famoso nos anos 70 por estrelar a série de TV Kung Fu, em que vivia Kwai Chang Caine, um monge shaolin que, anos depois da sua instrução nas artes marciais, foge da China para o Velho Oeste dos EUA, onde ajuda pessoas em necessidade contra seus opressores.
Sua carreira se estende por 100 filmes, mais de 20 telefilmes e trabalho no teatro. Adeus ao pequeno gafanhoto.
Carradine como Bill, no épico de Quentin Tarantino
Nessa terça-feira, dia 2 de junho, vi duas novidades interessantes no site Omelete. Uma no ramo dos famosos games musicais, mais um novo nicho criado pela indústria do entretenimento pra ganhar alguns vários milhões de verdinhas. E outra está no ramo cinematográfico, com a ressureição de um dos maiores diretores americanos de todos os tempos. Segue abaixo a discrição das novidades.
The Beatles: Rock Band
Depois do sucesso estarecedor do game Guitar Hero, a Microsoft, de Bill Gates, está investindo todas suas fichas nos populares games musicais. Enquanto Guitar Hero divulga o lançamento de seu temático Guiter Hero: Mettalica, e prepara o set list da novíssica quinta versão de seu original, o seu concorrente lançou ontem o primeiro trailer de The Beatles: Rock Band. O trailer foi divulgado durante o evento E3, famoso por suas novidades no mundo dos games, que contou com as presenças nada gratuítas de Paul McCartney e Ringo Starr. Confira a prévia abaixo:
Logo de cara reconhecemos os diversos temas, cenários, vestimentos, fases de trabalho e até o visual dos músicos, que apresentaras as músicas “Day Tripper”, “I Am The Walrus”, “Back In The USSR”, “Tax Man”, “Here Comes The Sun”, “Octopuses Garden”, “Get Back” e “I Feel Fine”. Fora da prévia, outra faixa oficializada é “All You Need Is Love”, que será exclusiva do Xbox 360 e terá toda a sua arrecadação com os downloads, doada ao grupo Médicos Sem Fronteiras.
A Harmonix, empresa por trás da grife Rock Band, informou também que lançará álbuns inteiros nas redes dos consoles. O primeiro, ainda sem data prevista, será o clássico Abbey Road, que tem sua imagem célebre, eternizada na capa do álbum, reproduzida no trailer do jogo.
The Beatles Rock Band terá 45 músicas da banda, gravadas entre 1962 e 1969. O lançamento acontece em 9 de setembro (09/09/09) em diversos formatos: somente o jogo, jogo mais intrumentos Rock Band e edição limitada, com instrumentos. Os preços serão: Game The Beatles: Rock Band (Xbox 360, PS3, Wii): 59,99 dólares. The Beatles: Rock Band Guitarras Avulsas (Xbox 360, PS3, Wii): 99,99 dólares. The Beatles: Rock Band Edição Limitada – game e guitarras (Xbox 360, PS3, Wii): 249,99 dólares.
Abaixo segue uma imagem de divulgação com os instrumentos estilizados para recriar na sala de casa a carreira intocável do fab four.
Imagem promocional do game – o baixista deve ser preferencialmente canhoto.
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James Cameron fala do revolucionário Avatar
Também durante a E3, o diretor norte-amerinano James Cameron (Titanic, O Exterminador do Futuro) mostrou as primeiras imagens e vídeo do game baseado em seu aguardadíssimo – e revolucionário – filme Avatar.
Mais do que isso, na apresentação da Ubisoft, o cineasta surgiu ao público e abriu o baú de segredos sobre a sua nova obra, que está no limbo da produção há 14 anos! Segundo o diretor vencedor do Oscar, a ideia surgiu quando a tecnologia para criar o filme simplesmente não existia.
Uma década depois, a produção foi ressuscitada, já que agora os recursos para torná-la real – como captura de performance corporal e facial – já estão disponíveis.
Sobre a trama, Cameron explicou que o cenário é o século 22, com a ação quase toda acontecendo em um lugar chamado de Pandora (óbia alusão a famosa caixa de pandora), uma lua orbitando um planeta gasoso chamado Poliphemus em Alfa Centauro.
“Pandora é como a Terra, um planeta com formas de vida incríveis, densa vegetação e a civilização dos Na´vi, uma raça humanóide mais primitiva que a nossa, mas muito mais sábia. Eles podem ser guerreiros ferozes quando provocados, mas normalmente vivem pacificamente em suas florestas. Os humanos não podem respirar o ar de Pandora, então para que pudessemos operar por lá foram criados híbridos humano-Na´Vi, chamados de Avatares. Eles são controlados por pilotos humanos, que projetam suas consciências nesses corpos, vivendo através deles.”
“O personagem principal é Jake Sully, um fuzileiro naval ferido em combate, paralisado, que vai para Pandora e pode andar novamente em seu Avatar. Conforme a história se desenvolve ele se encontra no meio de um conflito entre os militares humanos e os Na´vi, que se sentem ameaçados pela expansão da nossa raça em seu planeta. Como um Avatar vivendo em Pandora, ele se apaixona por uma garota Na´vi, uma personagem escultural e capaz de feitos incríveis de ação, alguém com quem vocês não querem se meter. Envolvido na cultura e aceito no clã Na´vi, Jake terá que escolher o lado em que ficará nesse conflito – e teremos um confronto maciço ao final do filme, com tecnologias futuristas e toda sorte de armamento sendo empregado contra os gigantes Na´vi e suas montarias selvagens, incluindo algumas aladas e formidáveis”.
Sobre o que será tão revolucionário em seu novo trabalho, o diretor salienta: “Desenvolvemos tecnologias novas para realizá-lo em 3-D estereoscópico com câmeras que levamos 9 anos pra projetar. O resultado é uma experiência 3-D totalmente imersiva que não será exatamente como ver um filme, mas participar de uma jornada, sonhar com os olhos abertos”.
Confesso que a premissa me remeteu rapidamente a ideia genial dos irmãos Wachowski, e seu clássico Matris, de 1999, já que realidade passa por um filtro até um novo corpo submerso na virtualidade, algo que não chega a se chocar exatamente com a ideia de Cameron, mas lembra.
Outra memória recente que me voltou foi o já não tão popular Second Life, uma tentativa que acabou frustrada de criar um ambiente virtual, controlado por Avatares, que representavam seres humanos reais, na frente de computadores. Longe da premissa de Cameron também, a ideia, surgida no início do século 21, pode ser um embrião, talvez, para que algum dia possamos explorara Pandora dessa maneira.
Segue abaixo uma foto promocional do diretor no “set” de filmagem. Ou alguma coisa parecida com isso.
O aguardado novo filme de Quentin Tarantino, Bastasdos Inglóros, já viu a luz do dia. E parece ter agradado os espectadores no Festival de Cannes, que acontece até este domingo no balneário francês. Por terras brasileiras, a produção que reúne elenco de diversos países e aposta numa fábula em meio a Segunda Guerra, deve ancorar nos cinemas apenas em outubro. Isso se não houver nenhuma mudança de ideia das distribuidoras. Abaixo segue um texto sobre a premiere mundial da super produção tarantinesca.
“Faço filmes para todo o planeta Terra”, diz Tarantino em Cannes*
Texto escrito originalmente por Orlando Margarido, direto de Cannes – França, para o portal Terra.
Bastardos Inglórios, o novo filme do diretor Quentin Tarantino apresentado esta manhã em Cannes na competição oficial, poderia ser chamada de uma fantasia de vingança judia em tom de comédia, como definiu um jornalista na entrevista com o cineasta e o elenco da fita logo depois da exibição.
Mas não é como Tarantino prefere chamar essa história fantasiosa sobre uma força rebelde liderada por um americano (Brad Pitt), com integrantes de várias nacionalidades, que luta contra os nazistas na França ocupada. “Alguns me perguntam se é um conto de fadas, pois o que esses homens fazem é o que todo mundo gostaria de ter visto acontecer na Segunda Guerra”, comentou o diretor.
“Há alguns aspectos corretos nessa definição, já que essa trama é fantasiosa, não aconteceu; mas prefiro definir como uma tentativa de mudar o curso da história da maneira mais plausível possível; essa foi o maior desafio do filme”, completou.
Desde o início, o jogo de ficção se impõe, quando um oficial alemão (Christoph Waltz) especialista em descobrir judeus escondidos liquida com a família da jovem judia Shosanna (Mélanie Laurent) e a deixa escapar. Tempos depois, sob uma nova identidade, ela reencontrará o carrasco na sala de cinema da qual é proprietária em Paris, e planeja uma vingança colossal. Em paralelo, os rapazes do bando de Aldo Raine (Brad Pitt), continuam a perseguir oficiais nazistas até tentar chegar a Hitler, numa cena final típica da violência ensurdecedora de Tarantino.
O elenco ainda conta com Eli Roth, Mike Myers, Michael Fassbender e Diane Kruger.
Um dos aspectos fundamentais, segundo Tarantino, para que o filme atingisse a intenção de verossimilhança era que os personagens de várias nacionalidades fossem vividos por atores da respectiva língua. “Não só isso, mas que também fossem fluentes em outra língua quando o papel tivesse a característica, ou nada fluentes quando a situação assim exigisse”.
O exemplo do alemão Daniel Brül, o protagonista de Adeus Lênin, é significativo no papel de um ator famoso e herói de guerra que fala francês com fluência para conquistar Shosana. “Sem esse compromisso dos atores, o filme soaria artificial e não teria o aspecto de veracidade que eu quis buscar”, completou. Bem humorado e às gargalhadas durante toda a entrevista, ele brincou: “o bacana desse filme é que todos os atores estão em seus devidos lugares”.
Tarantino emprestou o título de seu filme de um thriller de espionagem de 1978, Inglorious Bastards, de Enzo Castellari, do qual é fã, e apenas mudou-o no original para Basterds. “Não quero explicar muito isso, mas tem a ver com o sotaque de alguns americanos no filme”.
A trama é nova e não tem a ver com a fita anterior. O roteiro já existia há mais de quatro anos e foi sendo desenvolvido aos poucos, com a chegada de alguns atores. Assim também foi lhe chegando a história. “É um filme de gênero, e eu adoro os gêneros, o faroeste, o musical, o terror…”.
Bem recebido pelos jornalistas, Bastardos Inglórios tem diversas referências ao mundo do cinema, como é habitual na obra de Tarantino, um cinéfilo declarado. “Me inspirei muito em Heaven’s Gate (no Brasil, Portal do Paraíso, de Michael Cimino) para esse filme”.
Sobre o fato de decidir mostrar o filme no Festival de Cannes, ele comentou: “todo o mundo está aqui, jornalistas, atores e diretores de todos os países; isso combina comigo, pois faço filmes para o público de todo o planeta Terra”. A fita tem previsão de estréia no Brasil em 23 de outubro.
Novos posteres:
Não há como negar que o marketing cinematográfico está cada vez melhor:
Em passagem pelo Brasil, a banda de britpop inglesa Oasis, realizou na noite de ontem, dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, o primeiro de uma série de quatro shows para divulgar o seu último disco, “Dig out your soul”, por aqui. O grupo liderado pelos irmãos Noel e Lian Gallagher não decepcionaou nem os fãs mais otimistas e fez um show equilibrado, mesclando suas as novas canções e os grandes hits, que levaram a banda ao topo das listas de mais vendidos e tocados nos anos 90.
Para quem já é familiar com o comportamento do Oasis não é novidade que a arrogância e a prepôtencia dos caras, muitas vezes, são mais visíveis que o show em si. Tanto que ao longo dos últimos anos, se fossemos olhar um jornal qualquer, era mais comum ler matérias da banda na página geral sobre escândalos e afins, do que no caderno sobre música. Mas isso é só uma parte da história, ali no meio, nas páginas que pulamos, muitas vezes, há muita coisa sobre o trabalho deles. Fazer música.
Formação atual do Oasis – liderado por Liam e Noel a frente… como sempre.
Poucas bandas têm uma discografia tão completa e boa de ouvir como o Oasis. Sucesso instantâneo após seu lançamento, o disco de estreia da banda Definitely Maybe (1994), é um dos grandes marcos do surgimento do britpop, aquela música da velha ilha, que quando ouvimos sabemos de onde vem. Não é bem rock, não é bem balada, é pegajosa e se pode ouvir um milhão de vezes antes de passar para a próxima. Difícil é saber quem é que está tocando, as vezes parece tudo a mesma coisa, mas não é.
Além de ser um dos marcos do surgimento dessa onda, que contemple novas bandas e toda uma nova geração de fãs de música, o primeiro álbum do Oasis alçoou voo para os irmãos de Manchester, para o sucesso. Em 1995, os guris lançaram o disco What´s The Story (Morning Glory) que ainda é o favorido da crítica e do público. Na verdade o que está inserido ali é uma coleção de hits. Wonderwall, Champagne Supernova, Don´t Look Back in Anger, Cast no Shadow, Morning Glory… e assim vai. Impossível não se apaixonar por cada melodia, cada letra… auge da inspiração e do sucesso.
Em seguida veio o complexo e pretencioso Be Here Now, para muito um plágio de canções dos Beatles, para outros a obra definitiva da banda. A primeira fase de sucesso encerrou com o lançamento de B-Sides, num disco maravilhoso chamado The Masterplan. Porém, esse último antecedeu a péssima fase, com os fracassos de Standing On The Shoulder Of Giants e Heathen Chemistry, que por pouco não afundaram a carreira da banda.
O retorno às raízes, e fim dos escândalos e das brigas internas entre os próprios irmãos brindou o público com os dois últimos discos de estúdio, em meio a tudo isso teve o lançamento do ao vivo Familiar To Millions e de uma coletânea que não trazia nada de novo.
Don´t Believe the Truth e Dig Out your Soul são a busca de voltar a ser “a melhor banda do mundo”, pelo menos na concepção deles. E isso é o que leva a nova turnê que passa pelo Brasil. O show de ontem, que foi exibido na íntegra pelo canal MultiShow trouxe muito desse novo espírito. A entrada anunciada com o playback de Fuckin´In The Buches, deu o barulho para acordar o público que assistiu o show de abertura com a banda gaúcha Cachorro Grande, e participação especial de Samuel Rosa, do Skank. A primeira música da noite não podia ser mais apropriada: foi a primeira música do primeiro disco, Rock n´Roll Star.
Apesar da insistência do público que pedia Live Forever o Oasisfoi fiel ao repertório divulgado para imprensa e que vazou na internet antes do show. Nenhuma alteração e um show q acabou parecendo uma rotina de escritório. Mas houveram vários destaques, desde as novas Shock of the Ligthing, Falling Down e I´m Outta Time, e claro, os velhos e bons clássicos Supersonic, Slide Way, Masterplan, Songbird e o encerramento com um cover de Beatles gravado no disco The Masterplen, I am the Walrus.
Set List da banda: executado à risca
A banda segue em turnê pelo país, onde faz mais três shows: na Arena Anhembi, em São Paulo, no sábado, dia 9; na Arena Expotrade, em Curitiba, no domingo, 10; e no Gigantinho, em Porto Alegre, na terça, 12. Para nós gaúchos será a primeira oportunidade, em quatro vindas do Oasis ao Brasil, de ver a banda de perto. Até lá.
É isso. Amanhã, a mais aclamada história em quadrinhos da história (redundante não), chega as telas de cinema de todo mundo. No mesmo filão de mercado que quase redefiniu o gênero “filme de herói”, Watchmen – O Filme segue a linha de Homem-Aranha, Batman, Sin City e V de Vingança para se tornar outra grande obra prima do cinema surgida nos comics.
Assim que passar os meus olhos na obra, terei a petulância de fazer uma análise e publicar por aqui. Por enquanto, deixo um belo texto de Matheus Potumati, publicado no site G1 que aponta diversos motivos para ver e para não ver a produção. Segundo ele, o texto é para leigos, que nunca tiveram em contato com a obra, mas ele vai um pouco além, meio que na inocência. No G1 há também uma segunda crítica destinada aos fãs dos quadrinhos, vale a pena se você realmente conhece a obra, senão, vai perder boa parte da graça do filme.
Até amanhã na sala de cinema mais próxima.
O comediante voa janela abaixo, seguido pelo seu botton.
Falta de bons atores prejudica desempenho de ‘Watchmen’
A partir desta sexta, o mundo de fãs de quadrinhos se mobiliza para cumprir uma obrigação solene: assistir à estreia de “Watchmen - O filme” – a mais aguardada, patrulhada e conturbada adaptação de uma HQ para o cinema na história. Se você não se enquadra necessariamente nessa categoria (o que, pela matemática, provavelmente é o caso), talvez esteja se perguntando, “o que eu tenho a ver com isso?”
Quem vai ao cinema sem conhecer a história e espera um filme de ação cheio de pancadaria, efeitos e trama policial, precisa entender umas coisas antes. “Watchmen” não é uma história de super-herói qualquer. E isso, por mais que pareça o papo daquele amigo nerd que tentava convencê-lo a ler gibi, é bem sério. “Watchmen” se situa junto às melhores obras de ficção científica e política do século XX. É pesado, perturbador e complexo.
A história é hermética, construída sobre referências ao universo dos heróis – o Comediante, por exemplo, é uma versão psicologicamente deformada do Capitão América; Dan Dreiberg, alter-ego do Coruja, é como um Clark Kent que resolveu levar uma vida normal.
O contexto político também exige algum embasamento: o mundo onde se passa a trama é uma realidade paralela situada nos anos 1980, que faz os reacionários anos Reagan parecerem o governo Obama. Nele, os EUA ganharam a Guerra do Vietnã – com a ajuda dos heróis –, e a tensão entre EUA e URSS está prestes a esquentar a Guerra Fria. O presidente do país, pela terceira vez consecutiva, é o ultra-conservador Richard Nixon, que na vida real renunciou em 1974 após o escândalo Watergate.
É uma realidade distante até dos jovens americanos de hoje, quanto mais dos brasileiros. “Watchmen” exige um comprometimento muito maior do que “Homem-Aranha”, e estômago mais forte do que “Batman – O cavaleiro das trevas”. Não é filme para levar a namorada, a não ser que a sua namorada realmente goste de ver filmes. Portanto, só vá ao cinema se você estiver disposto a entender isso – e nesse caso vá mesmo, que a sessão vale o ingresso.
Se você, ao contrário, já sabe mais ou menos o que esperar, a conversa é outra. A principal pergunta que todos se faziam, desde que a história toda começou, era: “vai ser fiel à HQ?” Isso, você também já deve saber, está garantido. Qualquer adaptação para o cinema sempre engole algumas coisas e enxuga outras, mas o principal está ali, imaculado até às citações textuais exatas – exceção feita ao final, diferente na solução mas essencialmente o mesmo.
Trailer sombrio apresenta personagens e envoca Smashing Pumpkins
O fato de seguir à risca uma história genial, levada às telas com preciosismo técnico e estético incomparável, garante um filme no mínimo bom. Isso, certamente, vai fazer a alegria da grande maioria dos exigentes fãs da história. Mas, fora isso, o que há em “Watchmen”?
Do ponto de vista do elenco, faltam atuações memoráveis. É algo dispensável em filmes comuns de herói, mas um projeto com tantas ambições deveria considerar melhor a possibilidade.
A decisão de não escalar atores famosos aparentemente buscou priorizar a trama, mas personagens fortes saíram prejudicados, como o Comediante (Jeffrey Dean Morgan) e o Dr. Manhattan (Billy Crudup). O único destaque é Jackie Earle Haley, que faz Rorschach, narrador e personagem principal. Firme e soturno, Haley ficou à altura do papel. Mesmo assim, não chega perto da atuação de Heath Ledger em “Cavaleiro das trevas”.
As escolhas da adaptação prejudicaram pelo menos duas cenas fundamentais: as sessões de Rorschach com o psicólogo e as divagações do Dr. Manhattan em Marte. Resumidas demais, ambas perderam em profundidade.
Em outros momentos, quando a adaptação insere elementos alheios ao original, a qualidade dos diálogos e do andamento cai. Isso é perceptível na sequência final, ou na pirotecnia dispensável na cena de orgasmo de Espectral.
Esses detalhes devem excluir o filme da disputa por algum prêmio nobre do cinema e são indícios das deficiências de Snyder, que se sai bem apenas quando se limita à reprodução literal do original. É provável que ele nunca tenha tido tais ambições, mas a história certamente tinha espaço para isso.
Desfecho conservador
Apesar do contexto político distante, também é inevitável pensar nos anos Bush. A história de Alan Moore joga com a ambiguidade entre mentira e verdade, bem e mal, meios e fins, expondo a complexidade das relações éticas e morais humanas. Nada mais adequado, portanto.
Na adaptação, como o andamento é mais superficial, essa discussão fica esvaziada. No final, é quase como se o desfecho conservador fosse justificado, como a invasão de certo país do Oriente Médio mediante a bravata da destruição em massa. Não se trata de acusar Snyder de propaganda republicana, mas o mal-estar esperado, que seria bem vindo, fica amenizado.
Seja como for, “Watchmen – O filme” tem o notável mérito de gerar esse tipo de discussão em torno de uma história em quadrinhos, e amplificá-la em escala geométrica. Resta saber o que você, que não conhece o quadrinho, vai achar.