h1

Dia de cinema – The Rolling Stones – Shine a Light

4 Abril, 2008

Não sou nenhum entusiasta da filmografia de Martin Scorsese. Na verdade sou um crítico, dos mais xaropes a respeito do trabalho do cara. Tudo começou há muito tempo atrás, quando assisti o lançamento de Cassino em VHS. Lembro de que o filme era comprido demais e que tinha uma cena em que o personagem de Joe Pesci enfia uma caneta esferográfica no pescoço de alguém que comprometeu a integridade moral de seu chefe, que era o Robert De Niro.

Aliás, usar o mesmo elenco, assim como o mesmo plano de fundo (máfia) é algo que não me agrada no mesmo cineasta. Claro, existem grandes exceções, mas no caso do grisálio de sombranselhas grossas isso foi uma pedra no sapado para assistir seus filmes. Além de Cassino, que é uma limbo entre continuação/refilmagem/meta-cinema/mesma-coisa de seu ótimo Bons Companheiros, tenho problemas, em especial com sua obra rescente. Gagues de Nova York, O Aviador e, muito em especial, Os Infiltrados.

Destes três, cultivo um certo carinho pelo segundo. Já que a história do excêntrico milionário Howard Hoghes, me comove, na mesma forma que me deixa aflito. Parece um filme sem direção, um filme perdido, mas que está sempre surpeedendo. Na última vez em que assiti, fiquei repetindo durante semanas a frase: “The way of the future”.

taxi_driver_o_large.jpgPorém, como um bom amante de cinema, considero muito os trabalhos mais clássicos de Scorsese: Taxi Driver, Touro Indomável, Cabo do Medo, A Última Tentação de Cristo e, claro, Os Bons Companheiros.

Mesmo com esses clássicos na bagagem, não consigo enxergar nele a genealidade que muitos críticos e cinéfilos apontam e o põe no mesmo pedestal de Hithcock, Kubrick, Copolla e Godard. Todos eles pertencem ao mesmo movivento cinematográfico, mas, diferente de seus colegas citados, a marioria dos trabalho de Scorsese sempre me deixam com a sensação de que faltou algo, para não dizer que errou feio. Ou alguém peroda o final de Os Infiltrados?

Irreparavelmente, uma coisa sempre chama a atenção em seus filmes: o apelo musical pop (sempre mais rock). Até em seus filmes de época como Kundum e Gangues… é possível notar a invasão da música de bandas, de massa, sobresaindo perante a trilha origianal. Esse é um ganho invejável, que no caso de seu trabalho vencedor do Oscar, acaba se transformando no motivo para existir o filme.

Pois bem, talvez a pessoa que mais tenha se dado por conta disso, foi o próprio Martin Scorsese. Como já coloquei em um outro post, é dele a cinebiografia de Bob Dylan, No Direction Home, grande trabalho que traça a carreira do músico folk, sem preconceitos e com um olhar muito direto.

Nesta sexta-feira, 4 de abril, seguindo talvez uma lógia de trasformar astros da música em estrelas das telas por eles mesmos, chega aos cinemas tupiniquins The Rolling Stones – Shine a Light, que não resta dúvida sobre qual banda se trata. O filme é uma mescla entre a apresentação dos britânicos em Nova York, na turnê The Bigger Bang, que inclusive passou pelo Brasil (sem chance para os comuns poderem conferir), em 2005, com uma pitada de documentário, apresentado intrevistas de toda a carreira da banda.

Ainda, para um futuro não muito distante, Scorsese prepara uma outra cinebiografia, agora de um cara um pouco mais ao sul de Dylan: Bob Marley. Isso mesmo, sem preconceitos, passando do folk, para o rock, com uma breve parada no reagge. Imagino que a próxima será no pop, e por que não?

The Rolling Stones – Shine a Light está em cartaz nos cinemas de Porto Alegre, aqui pelo sul. O filme tem curtos 122min, e foi capiturado 100% digitalmente. Em outros países, como EUA, França, Austrália, Argentina, Alemanhã… quem tiver por lá, vai poder conferir o filme nos cinemas IMAX, coitados daqueles que tem que se contentar com a pouca oferta, e ainda em um única e já ultrapassada opção.

shine_wp_800_5.jpg

Live and Loud in IMAX… not here!

Fábio Prina_04/04/08

Deixe um comentário