
Era uma vez quatro rapazes de Liverpool
22 Abril, 2008Assim como a maioria das pessoas, conheci os Beatles e sua música separadamente. Era normal para mim falar, desde criança, que essa era a melhor/maior banda de rock de todos os tempos, mas não conhecia nenhuma música. Por outro lado, ouvia Hey Jude, Love me do, Yesterday nas rádios e não tinha a menor idéia que eram músicas dos Beatles, afinal, sou uma geração e meio após a grande fase do fab four.
Me tornei um assíduo ouvinte das músicas e do talento daqueles quatro, durante o segundo grau no colégio, um pouco por influência dos colegas, um pouco pelo estigma de querer saber porque eles eram tão famosos assim. Foi na verdade essa minha curiosidade demasiada que me fez mergulhar em álbuns, músicas, lendas, livros, histórias e tudo que se possa imaginar no universo Beatles.
Hoje, me considero um inofensivo apreciador, apesar de já ter passado desse estágio por várias vezes, mas quem em sua vida não vai ter uma queda abismal por eles? É simplesmente impossível passar despercebido pela música e pela lenda. Assim foi, e assim será sempre… espero.
Acho que numa dessas grandes recaídas, normais para qualquer ser, que uma moça chamada Julie Taymor, teve uma genial-idéia-simples (desculpe as palavras compostas, mas é um vício que não pretendo largar). explico: Ela inventou, ou decidiu, criar um filme apartir das músicas dos Beatles. Idéia extremamente simples, mas que nunca tinha sido executada dessa forma. A música passa de refresco sonoro, como uma mera trilha, cortesia de várias outras produções, para se tornar a linguagem do filme. E, Não, essa é a resposta da pergunda que permeia a sua cabeça: nunca alguém tinha realizado um filme musical apenas com composicões dos Beatles.
Assim, foi lançado Across the Universe.
Em uma breve sinopse, o filme conta a história de um jovem inglês (adivinhe de onde?) chamado Jude, que viaja para conhecer seu pai nos EUA. Lá ele conhece um outro jovem, Max, e sua irmã, a bela Lucy. Com o decorrer do tempo, Jude e Lucy se apaixonam, e assistem uma grande mudança no comportamente e na sociedade, em tempos de guerra do Vietnã.
Nesse contexto, um tanto até simples, as 29 músicas dos Beatles escolhidas para fazerem parte da trilha sonora, ganham um novo sentido, ou até uma nova vião total do que foi o trabalho da maior banda musical da história.
As canções, sem qualquer metáfora, são a linguagem daquela geração, que é revista e lembrada nesse filme. Somos apresentados àquele mundo de protestos, descobrimentos sexuais, drogas, psicodelia, luta, guerra, paixões, personagens e música. Na verdade é díficil definir tamanha complexidade que foi a virada de década entre 60 e 70, mas é possível sim, ver ela de uma forma poética e real na produção de Julie Taymor.
Em ordem de aparição no filme são apresentadas as seguintes músicas:
- Girl
- Helter Skelter
- Hold Me Tight
- All My Loving
- I Want To Hold Your Hand
- With A Little Help From My Friends
- It Won’t Be Long
- I’ve Just Seen A Face
- Let It Be
- Come Together
- Why Don’t We Do It In The Road
- If I Fell
- I Want You
- Dear Prudence
- Flying
- Blue Jay Way
- I Am The Walrus
- The Benefit Of Mr. Kite
- Because
- Something
- Oh Darling
- Strawberry Fields Forever
- Revolution
- While My Guitar Gently Weeps
- Happiness Is A Warm Gun
- Blackbird
- Hey Jude
- Don’t Let Me Down
- All You Need Is Love
- Lucy In The Sky With Diamonds
Strawberry Fields Forever
Apenas, “Lucy in the Sky…” não faz parte da história do filme, sonorizando os créditos finais. As demais, saem da boca dos personagens, aplicando suas letras geniais a contextos que nem o mais feroz fã poderia imaginar. Basta dizer que “I want to hold…” se transforma em uma espécie de hino lésbico, então imagine o resto.
No filme, estão presentes canções de todas as fases da carreira dos Beatles, assim como todos os momentos ‘fora da música’: Ele começa como um romance adolescente, passa pela fase madura, entra em conflito, perde-se na psicodelia, e re rende de vez ao amadurecimento e a negação do passado. Nada mais honesto.
Muito se comentou negativamente sobre o tempo de duração (131min) e também sobre os excessos como as músicas tocadas na íntegra, personagens de sobra e a extensão das cenas psicodélicas, mas cá para nós, poderiam ter centenas mais. Na minha imaginação doentia, já teria inserido “Magical Mistery Tour”, na cena que Bono (ele mesmo, o vocalista do U2) como um personagem chamado Dr. Robert leva os personagens para uma viagem de onibus através do país. Assim como poderia ter um meloso medley com entre os protagonistas exaltando a primeira fase da banda.
Mas os destaques não são poucos: Joe Cocker aparece três vezes na mesma cena para cantar sua excelente leitura para o filme de “Come Togheder”, o que não desanima a diretora o colocar no final de “With a Little Help …” um pequeno trecho inspirado na sua elogiada versão cover da música.
“Hapinnes is a Warm Gun”, cantada por Salma Hayek, e “Revolution” são maximizadas quanto ao tom de sarcasmo e crítica, em duas sequências grandiosas. Mas o que sem dúvida vale o filme é “I Want You” interpretada por robóticos soldados-alistadores, criando a antológica cena com os ‘novos soldados’ carregando uma imagem da Estátua da Liberdade Vietnã a dentro cantando “she’s so heavy”. Abusurdamente fenomenal!
E claro, Bono, também canta, uma ótima versão de “I’m the Walrus”, com a imagem da tela em negativo. Dá pra imaginar a loucura!!!!
I Want You
Na verdade, são várias cenas de ótimo gosto e produção de cena, que dificultam escolher o que é melhor e o que é pior no filme, só assistindo e tentando reconhecer toda a gama de alusões, detalhes e homenagens é que se tem noção de quanto espetacular é este trabalho.
Espero para os próximos meses, um anúncio de uma versão em DVD complétissima, com Cenas excluídas, não finalizadas, estendidas, entrevistas, documentários e tudo que se tem direito. Afinal, esse é um daqueles filmes para ver, rever, ver nomavente e rever mais e mais e mais…
Para os céticos de plantão, que descreditam a qualidade do filme, alguns vídeos extraídos, sem direitos autorais, do youtube.
Hey Jude
I Want You / She’s so Heavy
Dear Prudence
Revolution
Fábio Prina_22/04/2008


