Se você já passou alguma vez os olhos nesse blog, sabe que incondicionalmente sou um grande fã da Pixar Animation Studios. A cria dos gênios Steve Jobbs, John Lesseter e Ed Catmull, pioneiríssima na animação gerada por CGI, é hoje, para mim, o estúdio mais criativo do cinema mundial.

Até onde a casa da Pixar pode alcar voo?
Fico boquiaberto com a originalidade e principalmente com a qualidade dos filmes da Pixar. Toy Story, de 1994, juntamente com o brasileiro Cassiopéia, inalgurou uma nova era na animação. Em pleno reinado da Disney, em um dos seus momentos mais criativos e lucrativos, com os lançamentos de A Bela e a Fera (1991), Alladin (1992) e O Rei Leão (1994), o conclomerado se viu pequeno, tamanha a revolução que a novíssima fábrica de sonhos trazia naqueles dias. Não é a toa, que hoje Pixar e Disney dividem a mesma casa, e que quem encabeça o departamento de animação dos dois estúdios é John Lesseter.
Com dez filmes em longa-metragem, lançados nos últimos 15 anos, o estúdio californiano criou um catálogo invejável de clássicos. Tanto que me tornei relutante com os concorrentes diretos da Pixar, ao ponto de assisitr a filmes como Shrek (da Dreamworks/SKG) ou A Era do Gelo (BlueSky Studios) com um certo preconceito, e achando mais defeitos do que as qualidades que eles certamente possuem.
Depois de Toy Story 1/2, Vida de Inseto, Monstros S.A. e o sensacional Procurando Nemo, uma outra era do estúdio despertou mais motivos em mim para adorar o seu trabalho, a contratação de um sujeito chamado Brad Bird. Bird, antes de entrar no time da Pixar, dirigiu apenas um longa animado, lançado pela Warner, em 1999, chamado O Gigante de Ferro. Na casa de Woody e Buzz, o cineasta encontrou na animação por computação gráfica um lugar perfeito para tirar da gaveta um antigo projeto, que se tornou um dos melhores filmes de animação de todos os tempos: Os Incríveis. Na sequência ainda, o diretor retomou um outro projeto do estúdio e transformou a história de um rato de esgoto que gostava de cozinhar no brilhante Rattatoille.
E assim continua… De filme em filme, a Pixar vai acumulando prestígio e mais admiradores como eu. Quando iniciei meu Trabalho de Conclusão de Curso sobre o estúdio, no final de 2008, fiquei impressionado com a quantidade de monografias e teses acadêmicas que trabalham em cima desse foco. Muitas vezes a questão da animação estava muito mais em segundo plano do que o fascínio por estudar a Pixar.
Hoje, 4 de setembro de 2009, chega aos cinemas brasileiros o 10º longa da Pixar: Up – Altas Aventuras. Um filme um tanto despretencioso, longe de querer se tornar uma obra prima, pelo menos a primeira vista, que conta uma história comum. A moral de que nunca é tarde para realizarmos um sonho.
Em uma breve sinopse Carl Fredricksen é um senhor de idade avançada, que ganha a vida vendendo balõe. Aos 78 anos, ele está prestes a perder a casa em que sempre viveu com sua esposa, a falecida Ellie. Após um incidente, que ameaça calocá-lo em um asilo, Carl prende milhares de balões em sua casa, fazendo com que ela levante vôo. O objetivo dele é viajar para uma floresta na América do Sul, um local onde ele e Ellie sempre desejaram morar. Após o início da sua jornada, ele descobre não está sozinho nesta aventura, já que Russell, um escoteiro de 8 anos, estava em sua varanda, no momento em que a casa alçoou voo. O filme tem a direção de Peter Docter, de Monstros S.A.

Carl Fredricksen um novo personagem para a clássica galeria da Pixar
Diferetemente do que nos acostumamos a ver com desenhos animados, a Pixar explora muito mais as histórias, do que simplesmente fazer animais bonitinhos falarem e sairem que nem loucos atrás de algum problema. O grande ‘porém’ de Up, além da qualidade irretocável, está no suporte que será explorado pela primeira vez pelo estúdio: o cinema 3D.
Em tempos de Barak Obama, quando falamos em cinema 3D, estamos muito além daqueles óculos de papel celofane usados nos anos 50. Hoje é uma tecnologia real, que vem causando um grande impacto, principalmente nas bilheterias dos filmes. Tanto, que grandes nomes como James Cameron, Steven Spielberg e Peter Jackson já planejam relançamentos de clássicos, e novos trabalhos explorando ao máximo o novo sistema.
Mas porque a Pixar, pioneiríssima na computação gráfica, deixou passar tanto tempo estrear nesse novo formato cinematográfico? Não cabe aqui desmerecer o estúdio, que realiza um projeto ao ano, não ser o primeiro a lançar um super hit em 3D, uma vez que Up, contrariando todas as previsões de analistas, teve uma grande abertura nas bilheterias e uma arrecadação excelente, por ser um filme sem tanto apelo comercial. Talvez, a resposta para essa pergunta seja simples. Geniais como são, talvez tenham esperado o momento certo de explorar o novo filão, fazendo não apenas mais um grande trabalho cinematográfico, mas lucrando na mesma proporção que conquista admiradores.
Fábio Prina_04/09/2009