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23 Setembro, 2009

The Beatles for Sale

Neste mês de setembro, muito se falou sobre a fab four. Um dos motivos, claro, foi o já comentado lançamento do jogo musical The Beatles: Rock Band, recordista em críticas positivas e sucesso absoluto entre os maníacos por games.

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The Beatles, 1964 – Mal sabiam que 45 anos depois, ainda seriam recodistas de vendas e parte da cultura global

“Coincidentemente” na mesma semana que chegou ao público o jogo sobre o quarteto inglês, foi lançado simultaneamente, uma caixa de rematerizações da obra original da banda. O material é formado por catorze discos de estúdio e a coletânea Past Masters, com os singles que não saíram nos álbuns.

Além de trazer um novo trabalho de remasterização ao obsoleto modelo de gravação em dois canais usado, principalemente, nos primeiros discos dos Beatles, o som está mais pesado nos instrumentos de bateria e baixo, além claro, de uma incrível nitidez sonora, tão impressionante quanto o trabalho desenvolvido para a tilha de Love.

Passados duas semanas da data 09/09/09 que culminou no lançamento da nova onde de produtos da grife “The Beatles”, a gravadora EMI divulgou que somente na América do Norte, Japão e Grã-Bretanha foram vendidos 2,25 milhões de cópias dos novos discos. Lembrando, claro, que no próximo ano ‘comemoramos” nada menos do que quarenta anos do fim da banda.

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Box reúne 15 discos dos Beatles em alta qualidade

Em tempo, a revista Rolling Stone brasileira colocou como matéria de capa da sua edição de setembro, uma reportagem contanto os trádicos dias finais da maior banda de todos os tempos. A matéria é sensacional, muito baseada no recente livro do jornalista Bob Spiltz, The Beatles – A Biografia, trazendo um resgate da tragetória de brigas, desentendimentos, vícios, Yoko Ono, enfim… Vale, e muito, a pena ler o texto de Mikal Gilmore.

Já que estamos fazendo um merchandising descarado dos produtos dos Beatles, dos livros, dos jornalistas e da revista, vale ainda dar uma olhada no texto do brasileiro Pablo Miyazawa sobre o jogo The Beatles: Rock Band.

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Clique na imagem para conferir a edição online da revista

E chega. Daqui em diante não falaremos mais sobre The Beatles: Rock Band, Beatles, e esse tipo de coisa. Era isso.

Fábio Prina_23/09/09

15 Setembro, 2009

A inocência perdida nos contos de fada

E se as princezinhas dos contos de fadas tivessem crescido, encorpado e revivessem as suas histórias com um tom um pouco mais picante?

Na verdade, dizem que a origem dos contos populares dos Irmãos Grimm tinham esse caráter erótico, mas acabaram se tornando propícios para o público infantil, muitos deles imortalizados nas animações de Walt Disney.

De qualquer forma, esse assunto me veio à cabeça hoje, quando passava os olhos numa galeria de imagens do blog Fottus que mostra diversas “princezinhas” reproduzidas em desenhos de uma forma diferente do que estamos acostumados.Achei muito interessante, e também me lembrou, a série em quadrinhos lançada recentemente pelo meste Alan Moore, que entre outros trabalhos, fez Watchmen, V de Vingança e A Liga Extraordinária.

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Lost Girls, de Alan Moore, o fim da inocência nos contos de fada

O nome da série criada por Moore se chama Lost Girls – Meninas Crescidas, e em seu primeiro volume, reúne Alice (de Alice no País das Maravilhas), Wendy (de Peter Pan) e Dorothy (de O Mágico de Oz), que se encontram em uma casa de campo onde descutem sobre fantasias  e o seu despertar sexual. Algo que não deixa de ser curioso.

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O que será que os Três Ursinhos pensaram nesse momento?

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Pobre Branca de Neve, seduzida pela fruta do pecado

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Já a Cinderela, que gata!

Para conferir a galeria completa das beldades dos contos de fada no blog Fottus, clique aqui.  Não deixe de dar uma espiada, as imagens são muito interessantes.

Fábio Prina_15/09/2009

10 Setembro, 2009

Dan Brown de novo

Quem não leu O Código Da Vinci que atire a primeira pedra.

Tudo bem, pode ser que você não tenha lido o livro, mas viu o filme. Se não fez nenhum dos dois, provavelemente você não use telefone celular, nem internet. Ache que o melhor meio de transporte é o dirigível e o jornal que chega na sua casa toda manhã é o Notícias Populares.

Caso contrário, siga o texto e vamos dispensar as apresentações do quarto livro de Dan Brown, que passou a casa das 100 milhões de unidades vendidas.

Após o sucesso estrondoso do Código, que, além da adapatão cinematográfica (ruim, diga-se de passagem), e de sua sequência – que na verdade era a adaptação da obra anterior, Anjos & Demônios – houve uma demandas surpreendente nas vendas dos outros romances do autor. Uma bibliografia pequena, formada pelos dois títulos já citados e também Ponto de Impacto e Fortaleza Digital.

Da Vinci e Demônios tem em comum, além do sucesso e dos lucros, o protagonista Robert Langdon, simbologista de Harvard que conquista mulheres maravilhosas, coicidentemente, envolvidas em tramas ultra-complexas envolvendo sociedades secretas, símbolos, instituições poderosas, tecnologia de ponta e religião.

Se o sucesso do quarto quarto livro do autor americano conseguiu desengavetar as obras iniciais, que não contam com o mesmo apelo que o último. Imagine o furdúncio que aconteceria se o escritor lançasse seu novo trabalho. Algo mais ou menos como estamos vendo agora.

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Ainda não comprei o meu

Há menos de uma semana de seu lançamento, o novo romance do autor americano O Símbolo Perdido, já fez história ao se tornar o livro para adultos mais vendido pelo site da Amazon, antes mesmo de entrar no mercado.

Em entrevista para a Agência Efe, a responsável pelo setor de livros do site de vendas, Daphne Durhan, disse nunca ter visto um interesse similar com um romance para adultos que ainda não foi lançado. A obra chega aos leitores na terça-feira, dia 15 de setembro.

A expectativa para conhecer o conteúdo do livro resultou em milhares de reservas da obra, o que a transformaram na número 1 na lista de vários sites de vendas on-line. Na Amazon, as novas aventuras de Robert Langdon já estão há nada menos do que 142 dias entre os 100 títulos mais vendidos.

Desde o anúncio do lançamento da publicação em abril, a Random House, editoria que lançará o livro nos Estados Unidos e no Canadá, guarda fortemente os segredos envolvendo a obra. O que foi adiantado ao úblico, é que Langdon voltará a ser o protagonista, e a história se passará em Washington, em um intervalo de 12 horas e se centrando nos segredos da Maçonaria.

Sobre as vendas, especula-se que a editora preparou cinco milhões de cópias para a primeira edição do livro, só na América do Norte. O número de reservadas na Amazon não foi informado, mas já se comenta  na casa das dezenas de milhares de exemplares de O Símbolo Perdido.

A Amazon promete a todos os seus clientes que  O Símbolo Perdido será entregue no dia 15 de setembro, e se comprometeu a devolver o dinheiro se a promessa não for cumprida. Haja bala para tanta agulha, assim como bolso para tanto dinheiro.

Dan Brown enriquecendo com a nossa literatura.

[atualizado] Segundo o jornalista Roger Lerina publicou no jornal Zero Hora desta sexta-feira, 11 de setembro, a obra chega às livrarias brasileiras no dia 4 de dezembro.

Fonte: YaHoo! Notícias.

Fábio Prina_10/09/2009

7 Agosto, 2009

É proibido fumar!!!

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A coisa que mais me deixou triste com todas essas leis e incentivos de compate ao fumo foi a publicidade. Não a publicidade contra o fumo, mas o fim daquela que promovia ele. Achava o máximo pegar uma caixa de Marlboro e dizer que era o carro do Senna. Ou senão ver aqueles caras da Hollywood escalar montanhas na Austrália, surfar no Havaí ou esquiar no Alaska, e, logo em seguida, acenter um branquinho fininho.

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“Foto acima reproduz uma pessoa de origem afro-brasileira com um chocolate entre os dedos”. Não é impressão, às vezes o politicamente correto soa idiota e preconceituoso

Mas vá lá, o politicamente correto e ficar bem com a opinião pública estão super na moda, então temos que nos adequar aos novos tempos. Para ter uma ideia disso, até os deliciosos Cigarrinhos de Chocolate ® da PAN tiveram que desaparecer do mapa, culpa desse tal de novos tempos. Desse modo, neste dia 7 de agosto, sexta-feira, entra em vigor a Lei Antifumo no estado de São Paulo.  A nova legistação estabelece que fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais. Até mesmo os fumódromos em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes ficam proibidas. A nova legislação estabelece ambientes 100% livres do tabaco.

Para os fumantes e afins, o uso da droga lícita está permitida apenas para o local doméstico, excluindo areas sociais de condomínios e prédios, e também parques e locais abertos. Universidades, bares, festas, e todo o tipo de evento onde dá pra escapar e pegar um ‘ar livre’, agora pode ser uma razão legal para ser multado e até detido.

Essa lei, me lembra além de um post que publiquei sobre o terrorismo nos maços de cigarro, uma outra postagem sobre um texto muito pertinente do cronista gaúcho David Coimbra. A lei é diferente, mas o assunto dialoga, nas palavras dele, o autor recorre ao diálogo entre o Pequeno Príncipe e o rei que ordenava qualquer ser do univerno, no livro de Exupéry, para dizer que cada lei, cada ordem, deve ser dada onde ela possa ser cumprida. Isso, na ocasião, se aplicava a Lei Seca, que por incrível que pareça está em vigor, com severas implicações para os seus infratores.

Acredito friamente que este será um caso de reicidência em vigorar uma lei imbecil. Não que eu seja contra iniciativas legais que possam inibir o uso do Álcool ou do Cigarro, pelo contrário, quero que isso exista, mas de uma forma não estúpida como essa. Afinal, como aponta Coimbra no seu texto “todos sabem que uma ordem impossível de ser cumprida… não será cumprida! (…). A aplicação de tal lei é plausível e até recomendável mas se torna ficção”.

Interessante vai ser voltar ao assunto daqui um tempo, ou até mesmo acompanhar via noticiários, o que mudou com a Lei Antifumo. Se os resultados forem tão espetaculares com a Lei Seca, podemos esperar leitos ocupados por vítimas de imprudência no trânsito, morrendo ao lado de um caso grave de efizema pulmonar. A história insiste em continuar.

É proibido fumar – Sucesso do Skank – ideal para tocar nos bares e boates e lembrarem seus frequentadores do que há uma lei, um aviso e fogo na história

Fábio Prina_07/08/2009

3 Agosto, 2009

Uma rosa miraculosa

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Assim o príncipezinho, apesar da boa vontade do seu amor, logo duvidara dela. Tomara a sério palavras sem importância, e se tornara infeliz.

“Não a devia ter escutado – Confessou-me um dia – não se deve nunca escutar as flores. Basta olha-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me agastara me devia ter enternecido… .

Confessou-me ainda :

“Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava e me iluminava… Não devia jamais ter fugido. Deveria ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar”.

Link para conferir na íntegra a obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery.

Fábio Prina_03/08/2009

17 Julho, 2009

É elementar meu caro Watson!

Essas novas roupagens do cinema americano para personagens consagrados raramente me agradam. Há exceções como o King Kong, de Peter Jackson, ou o Oliver Twist, de Roman Polanski, mas de qualquer forma, fico com um pé atrás quando o assundo é revestir um ícone consagrado.

Mesmo assim, tenho curiosidade em assistir. Falando nisso, quem vai ganhar um novo tipo de aventura, diga-se de passagem ‘modernosa’, é o segundo personagem mais filmado de todos os tempos, perdendo apenas para Jesus Cristo. Sir Sherlock Holmes, o famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, sempre acompanhado de seu parceiro, Watson.

Ele volta às telas lapidado pelas mãos de Guy Ritchie, ex-marido da Madonna, diretor dos ótimos Jogos Trapaças e dois Canos Fumegantes e Snatch. As feições do herói ganham as formas e o carisma de Robert Downey Jr, conhedico agora como o Homem de Ferro.

Os primeiros trailers mostram uma produção de arte digna incrível sobre a era vitoriana, mas junto estão as marcas clássicas de autoria do diretor, os tão celebrados excessos na edição, câmera lemta, ângulos e enquadramentos bizzaors, enfim, tudo aquipe que acabu conquistando fãs mundo afora com os trabalhos citados.

O que esperar então a respeito do novo Holmes? É elementar meu caro Watson. Só o tempo nos dirá.

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Se Downey Jr. é Sir Sherlock Holmes…

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… seria Law Sancho Pança?

Fábio Prina_17/07/2009

23 Junho, 2009

Tim Burton no País das Maravilhas

Prometido para 2010, a versão do diretor Tim Burton (Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura) para o clássico de Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas começa a ganhar forma. No início desta semana foram divulgadas as primeiras fotos oficiais da produção. Além de artes conceituais que detalham muito bem o mundo surreal da história infanto-juvenil, há também fotos do elenco do filme caracterizado na visão singular de Burton.

As imagens foram publicadas em primeiríssima mão pelo tabloide americano USA Today. Entre as fotos podemos conferir Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter (esposa de Burton) como a Rainha Vermelha (uma mistura de a Rainhas de Copas e Vermelha) e Anne Hathaway como a Rainha Branca.

Também foi divulgada uma primeira sinopse do filme, que revela que a trama será uma espécie de sequência do clássico original: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.

A data de estreia prevista para o filmes é 5 de março de 2010.


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Mia Wasikowska como Alice

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Anne Hathaway como a Rainha Branca

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Helena Bohan Carter como a mescla da Rainha de Copas com a Rainha Vermenha – Cortem a cabeça

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O eterno “amuleto” do diretor – Johnny Deep é o Chapeleiro Maluco, no estilo Willy Wonka+Sweeney Tood com toques de Edward + Ed Wood

Fonte: Omelete

Fábio Prina_ 23/06/2009

5 Março, 2009

Who Watches the Watchmen?

É isso. Amanhã, a mais aclamada história em quadrinhos da história (redundante não), chega as telas de cinema de todo mundo. No mesmo filão de mercado que quase redefiniu o gênero “filme de herói”, Watchmen – O Filme segue a linha de Homem-Aranha, Batman, Sin City e V de Vingança para se tornar outra grande obra prima do cinema surgida nos comics.

Assim que passar os meus olhos na obra, terei a petulância de fazer uma análise e publicar por aqui. Por enquanto, deixo um belo texto de Matheus Potumati, publicado no site G1 que aponta diversos motivos para ver e para não ver a produção. Segundo ele, o texto é para leigos, que nunca tiveram em contato com a obra, mas ele vai um pouco além, meio que na inocência. No G1 há também uma segunda crítica destinada aos fãs dos quadrinhos, vale a pena se você realmente conhece a obra, senão, vai perder boa parte da graça do filme.

Até amanhã na sala de cinema mais próxima.

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O comediante voa janela abaixo, seguido pelo seu botton.

Falta de bons atores prejudica desempenho de ‘Watchmen’

de Matheus Potumati, publicado no site G1

A partir desta sexta, o mundo de fãs de quadrinhos se mobiliza para cumprir uma obrigação solene: assistir à estreia de “Watchmen - O filme” – a mais aguardada, patrulhada e conturbada adaptação de uma HQ para o cinema na história. Se você não se enquadra necessariamente nessa categoria (o que, pela matemática, provavelmente é o caso), talvez esteja se perguntando, “o que eu tenho a ver com isso?”

Quem vai ao cinema sem conhecer a história e espera um filme de ação cheio de pancadaria, efeitos e trama policial, precisa entender umas coisas antes. “Watchmen” não é uma história de super-herói qualquer. E isso, por mais que pareça o papo daquele amigo nerd que tentava convencê-lo a ler gibi, é bem sério. “Watchmen” se situa junto às melhores obras de ficção científica e política do século XX. É pesado, perturbador e complexo.

A história é hermética, construída sobre referências ao universo dos heróis – o Comediante, por exemplo, é uma versão psicologicamente deformada do Capitão América; Dan Dreiberg, alter-ego do Coruja, é como um Clark Kent que resolveu levar uma vida normal.

O contexto político também exige algum embasamento: o mundo onde se passa a trama é uma realidade paralela situada nos anos 1980, que faz os reacionários anos Reagan parecerem o governo Obama. Nele, os EUA ganharam a Guerra do Vietnã – com a ajuda dos heróis –, e a tensão entre EUA e URSS está prestes a esquentar a Guerra Fria. O presidente do país, pela terceira vez consecutiva, é o ultra-conservador Richard Nixon, que na vida real renunciou em 1974 após o escândalo Watergate.

É uma realidade distante até dos jovens americanos de hoje, quanto mais dos brasileiros. “Watchmen” exige um comprometimento muito maior do que “Homem-Aranha”, e estômago mais forte do que “Batman – O cavaleiro das trevas”. Não é filme para levar a namorada, a não ser que a sua namorada realmente goste de ver filmes. Portanto, só vá ao cinema se você estiver disposto a entender isso – e nesse caso vá mesmo, que a sessão vale o ingresso.

Se você, ao contrário, já sabe mais ou menos o que esperar, a conversa é outra. A principal pergunta que todos se faziam, desde que a história toda começou, era: “vai ser fiel à HQ?” Isso, você também já deve saber, está garantido. Qualquer adaptação para o cinema sempre engole algumas coisas e enxuga outras, mas o principal está ali, imaculado até às citações textuais exatas – exceção feita ao final, diferente na solução mas essencialmente o mesmo.

Trailer sombrio apresenta personagens e envoca Smashing Pumpkins

O fato de seguir à risca uma história genial, levada às telas com preciosismo técnico e estético incomparável, garante um filme no mínimo bom. Isso, certamente, vai fazer a alegria da grande maioria dos exigentes fãs da história. Mas, fora isso, o que há em “Watchmen”?

Do ponto de vista do elenco, faltam atuações memoráveis. É algo dispensável em filmes comuns de herói, mas um projeto com tantas ambições deveria considerar melhor a possibilidade.

A decisão de não escalar atores famosos aparentemente buscou priorizar a trama, mas personagens fortes saíram prejudicados, como o Comediante (Jeffrey Dean Morgan) e o Dr. Manhattan (Billy Crudup). O único destaque é Jackie Earle Haley, que faz Rorschach, narrador e personagem principal. Firme e soturno, Haley ficou à altura do papel. Mesmo assim, não chega perto da atuação de Heath Ledger em “Cavaleiro das trevas”.

As escolhas da adaptação prejudicaram pelo menos duas cenas fundamentais: as sessões de Rorschach com o psicólogo e as divagações do Dr. Manhattan em Marte. Resumidas demais, ambas perderam em profundidade.

Em outros momentos, quando a adaptação insere elementos alheios ao original, a qualidade dos diálogos e do andamento cai. Isso é perceptível na sequência final, ou na pirotecnia dispensável na cena de orgasmo de Espectral.

Esses detalhes devem excluir o filme da disputa por algum prêmio nobre do cinema e são indícios das deficiências de Snyder, que se sai bem apenas quando se limita à reprodução literal do original. É provável que ele nunca tenha tido tais ambições, mas a história certamente tinha espaço para isso.

Desfecho conservador

Apesar do contexto político distante, também é inevitável pensar nos anos Bush. A história de Alan Moore joga com a ambiguidade entre mentira e verdade, bem e mal, meios e fins, expondo a complexidade das relações éticas e morais humanas. Nada mais adequado, portanto.

Na adaptação, como o andamento é mais superficial, essa discussão fica esvaziada. No final, é quase como se o desfecho conservador fosse justificado, como a invasão de certo país do Oriente Médio mediante a bravata da destruição em massa. Não se trata de acusar Snyder de propaganda republicana, mas o mal-estar esperado, que seria bem vindo, fica amenizado.

Seja como for, “Watchmen – O filme” tem o notável mérito de gerar esse tipo de discussão em torno de uma história em quadrinhos, e amplificá-la em escala geométrica. Resta saber o que você, que não conhece o quadrinho, vai achar.

Fábio Prina_05/03/2008

1 Julho, 2008

E a Lei Seca?

Mais polêmico que o “coice-de-mula-mansa” que Rena aplicou em Rodrigo Mendes no último domingo, para a minha felicidade e de outros tantos, é a, já histórica, Lei Seca Brasileira. Em sua terceira semana em vigor, não faltam opiniões, críticas, teorias e qualquer outro tipo de papo de buteco a respeito. Enfim, antes que apareça o Al Capone à Brazilian, publico um texto de David Coimbra, aquele cara lá que sempre fala de futebol e mulher pelada no Zero Hora. O rapaz escreveu um daqueles ensaios impactantes que logo se transformam em spam nos e-mails dos afortunados de tempo. Vale a pena dar uma lida.

O Pequeno Príncipe

Todos os dias, mas todos os dias mesmo, sem faltar um, a Redação de Zero Hora é visitada por misses. Ou rainhas. Rainha do Nabo, Rainha do Aipim, há muitos tubérculos necessitando de rainhas neste Estado gigante da agricultura. Elas vêm sempre em trio, a rainha ladeada por suas duas princesas. Excluindo sábados e domingos, são 15 rainhas ou princesas por semana, 60 por mês, 720 por ano. Muita realeza. Mas mesmo sendo tantas, todas sabem de verdades que os legisladores brasileiros desconhecem. Por quê? Porque leram O Pequeno Príncipe, as misses têm o hábito de ler O Pequeno Príncipe. Se os deputados também o tivessem, lembrariam de um trecho célebre no qual o principezinho encontra o rei de um minúsculo planeta. Tratava-se de um monarca absoluto, que fazia questão fechada de que suas ordens fossem obedecidas. Como não havia mais ninguém no planeta, o principezinho perguntou sobre o que o rei reinava. Ele respondeu que sobre tudo, o seu planeta, as estrelas, tudo.

- E as estrelas vos obedecem? – indagou o principezinho.- Sem dúvida. Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.

Encantado com tamanho poder, o Pequeno Príncipe pediu para ver um pôr-do-sol. Ao que o rei observou:

- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem, ele ou eu, estaria errado?

- Vós – respondeu com firmeza o principezinho.

- Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar – replicou o rei. – A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.

- E meu pôr-do-sol? – lembrou o principezinho, que nunca esquecia a pergunta que houvesse formulado.

- Teu pôr-do-sol, tu o terás. Eu o exigirei. Mas eu esperarei, na minha ciência de governo, que as condições sejam favoráveis.

- Quando serão? – indagou o principezinho.

- Hem? – respondeu o rei, que consultou inicialmente um grosso calendário. – Será lá por volta de por volta de sete horas e quarenta, esta noite. E tu verás como sou bem obedecido.

As misses, as rainhas, as princesas, o rei do Pequeno Príncipe, todos sabem que uma ordem impossível de ser cumprida… não será cumprida! Caso da Lei Seca, ora promulgada. A aplicação de tal lei é plausível e até recomendável nas estradas, mas nas cidades se torna ficção. São incontáveis as chances de uma pessoa ser denunciada pelo bafômetro com os rígidos limites impostos, desde o mamão papaia com cassis e o bombom com licor à única taça de champanha consumida no brinde durante uma recepção, passando pela saída não planejada com a colega de trabalho. Se a polícia quiser encher ainda mais os presídios, basta colocar viaturas a circular por Porto Alegre todas as noites a partir da uma da madrugada. Duas, 3 mil pessoas serão encarceradas por dia. E nem isso fará com que a lei seja observada. Até porque a maioria das pessoas que bebe não se embriaga. São essas as pessoas, as mais sensatas, que vão desafiar a legislação. Uma pena, porque eis aí uma lei bem-intencionada. Foram tantas as boas intenções dos que a escreveram, que exageraram. A lei perderá a credibilidade. E, ao invés de irmos para frente, iremos para trás. Só porque os parlamentares não leram O Pequeno Príncipe, só porque não sabem que a autoridade repousa sobre a razão.

David Coimbra

* Acrescento, ainda, que ao brasileiro não são dadas alternativas viáveis de transporte – seja público ou privado – por alto custo, precariedade, insegurança etc. Ou seja, quem bebe fica sem poder sair do lugar em que está. Ninguém pode sair caminhando pelas ruas desertas nas noites e madrugadas brasileiras, nem contará com ônibus ou metrôs circulando com segurança. Resta o táxi, caro.

Lei Seca: Motoristas embreagados são alvo

Fábio Prina_01/07/2008

5 Junho, 2008

O Escritor e o Mago

“A incrível história de Paulo Coelho, o menino que nasceu morto, flertou com o suicídio, sofreu em manicômios, mergulhou nas drogas, experimentou diversas formas de sexo, encontrou-se com o diabo, foi preso pela ditadura, ajudou a revolucionar o rock brasileiro, redescobriu a fé e se transformou em um dos escritores mais lidos do mundo. Fernando Morais, o autor que ajudou a fundar a biografia como gênero literário no Brasil, volta sua verve investigativa para o personagem brasileiro que se converteu no grande mito de nossa história recente”.

Parece propaganda de milagre em igreja evangélica, mas essa é a sinopse oficial do novo livro de Fernando Morais, o “mago” que escreveu as biografias de Assis Chateaubriand (Chatô – O Rei do Brasil, 1994) e Olga Benário (olga, 1985)e também o memorável Na Cova dos Leões (2005), sobre a maior agência publicitária e o maior publicitário do país. Eis que o desafio agora é falar de alguem vivo, alguém que ainda está em forma, uma unimidade que na unidade é controversa. O imortal mago Paulo Coelho.

O autor comentou em entrevista que esteve a cinco metros da praia e não colocou os pés na água por nenhuma vez. Foi dessa maneira que o jornalista Fernando Morais passou um ano para escrever a história de do escritor brasileiro mais lido no mundo. “Sofri conflitos de consciência”, disse Morais. “É muito ruim biografar uma pessoa viva”.

Segundo o autor, o fato de se narrar a vida de Paulo Coelho, tendo convivido com ele por quatro anos, foi o principal desafio para escrever a história. O jornalista mudou-se para a cidade do biografado por nove meses, entrevistou mais de cem pessoas e rodou países da Europa Oriental em busca de material para sua obra. Foi a Hamburgo, na Alemanha, receber prêmios com o escritor. “Você cria um elo afetivo”, conta. “O meu principal dilema era se não estava sendo ético com uma pessoa que foi tão generosa comigo”, afirmou.

Não foram poucas as descobertas de Morais: casos de homosexualidade, satanismo, tentativa de suicídio, envolvimento com drogas, assim como com Raul Seixas e com o rock. “Era uma surpresa atrás da outra”, relata. E Paulo Coelho não fez nenhuma objeção para que o jornalista censurasse algum caso de sua vida.

O ponto mais alto na confiança entre ambos se deu quando Morais descobriu, ao ler o testamento do escritor, que ao morrer um baú com lembranças suas teria de ser incinerado. Para ter acesso ao verdadeiro “guarda-roupa”, que continha 190 cadernos e mais cem fitas cassete de diários dos 10 aos 50 anos da vida de Paulo Coelho, Morais teve de responder a uma pergunta do escritor: “Quem foi o militar que o torturou em agosto de 1969, no Paraná, em plena ditadura?” Seu nome: Índio do Brasil Lemes. Era a chave para o livre acesso ao material, que mudou completamente o livro. “Joguei 200 páginas fora”, afirmou Morais.

Críticas a Paulo Coelho

Um dos pontos que mais chama a atenção da matéria sobre o lançamento da obra, é onde o autor clama em defesa de seu biografado. Na entrevista, o Morais respondeu às críticas à obra de Paulo Coelho. “Esse olho torto para a obra do Paulo você só encontra no Brasil.” Para Morais, o motivo é o “sentimento rasteiro, baixo, de inveja”. O escritor mineiro espera que seu livro ajude a entender melhor o trabalho de Paulo Coelho.

Nada falou-se sobre a ascensão de Coelho ao circuito de elite dos escritores brasileiros, como sua cadeira na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ou sobre sua eterna busca por best-seller onde há, convenientemente, uma grande busca por público-leitor, mas isso são fatos que não serão revelados em entrevistas, mas sim apenas lendo a obra do escritor, que já é um dos grandes trabalhos literarios brasileiros dos últimos tempos.

Baseado na matéria publicada no portal Comunique-se.

Fábio Prina_05/06/2008

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