Estúdio Coca-Cola Zero Poa

O esquema é o seguinte: o refrigerante que faz o merchandising convida duas bandas, prioritariamente de estilos diferentes, que fazem apresentações solos e, em seguida, unem-se ao palco para mesclar repertórios e estilos. Só pela discrição dá pra sentir que a história é bacana.

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Pois bem, no último domingo, datado de 8 de junho de 2008, estavam a frente de duas mil pessoas, no palco do Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, o rock´n´roll dos gaúchos Cachorro Grande, e o ska melódico dos mineiros Skank. Se for visto mais de perto, com alguma ajuda dos microscópios da música, vemos que as duas formações têm algo muito parecido, uma influência nem tão sutil do rock sessentista e da música inglesa.

O Skank, que imprimiu uma verdadeira onda, junto ao derradeiro das bandas dos anos 80, com seus primeiros discos, que traziam o ska muito mais ligado ao reagge, teve uma reformulação logo após O Samba Paconé, na verdade ainda nesse disco, as guitarras distorcidas de “Uma partida de Futebol” já davam indícios de uma mudança na banda. Foi no álbum seguinte, Siderado, que ouve-se bem a influência de Beatles, Dylan, Stones e outros dinossauros da década da mudança.

Ali estava uma diferença, em grande parte técnica, já que seus integrantes realmente aprenderam a tocar, e impuseram uma música muito mais melódica, onde a banda ficou com apenas o nome vindo do ska e se tornou muito mais pop (vide trilha das novelas da Globo).

Sinceramente: balada sensível, sério candidato a trilha de novela das 8

Mais ao sul do Brasil, o Cachorro Grande é mais um filho bastardo do Britpop. Assim como uma incomensurável lista de nomes que atravessam fronteiras. Franz Ferdnand (Escócia) Keane (Inglaterra) Killers (EUA), Jet (Canadá), Superguids (Brasil), os caras simplesmente bebem e bebem muito dessa fonte. Com uma óbia influência do rock setentista, dos Page & Plants da vida, os gaúchos constroem uma música pesada e melódica, muito parecida com o resultado da rivalidade que Oasis e Blur protagonizaram nos anos 90.

Eis que vistos mais de perto, não são lá estilos tão diferentes.

Enquanto isso, em Minas a trilha vai para às 7

De volta ao palco do Bourbon, às 18h entraram os gaúchos para abrirem a noitada de música. À vontade, já que estavam em casa, se bem que abandonaram Poa por Sampa para tentar o sucesso nacional, mas isso não vem ao caso, necessariamente. “Você não sabe o que perdeu” abriu o show. Mais algumas músicas, hits, todos entoados letra por letra pela platéia que lotava a casa.

Sempre com os exageros de Beto Bruno, que insiste na pose de badboy, até mesmo para uma platéia inibida de reagentes químicos e em um evento onde não era permitida a venda de álcool e também ao uso de cigarro, uma presença de palco sensacional. Eles têm os porto-alegrenses na mão. “Dia Perfeito”, a nova “Roda Gigante” também fizeram parte do repertório curto.

Quase 19h o Skank entrou. Demorou uma música para eles entrarem na temperatura que o teatro já estava. Foi com a já mencionada “Uma partida de Futebol” que o público foi junto. “Jack Tequila”, “Três Lados” e a música da novela também fizeram parte do repertório.

Foi-se as apresentações solos, iniciou a fusão: um barulheira indicifável abriu o repertório misto. Lamentável, pensei. Eis que o mesário entendeu que som bom não é som estridente e tratou de corrigir alguns exageros. “Sinceramente”, um hit de excelente qualidade, da Cachorro foi a segunda música em conjunto. Belíssima, os bateristas sincronizados, os vocais atravessados de Samuel Rosa e Bruno soaram muito bem. A grandiosidade de duas bandas tão diferentemente parecidas começou a surgir no palco. Daí em diante, Beatles.

“Helter Skelter”, comum nos shows dos gaúchos, ganhou uma versão quase heavy, excelente. De fato, a contrução da iluminação nessa cançao lembrou, e muito, a versão apresentada pelo U2, no filme Rettle and Hun. Ainda ouviu-se “Don´t let me Down” entre outras do fab four. “Day Tripper” fechou, no melhor estilo, empurrado pelo público que saiu satifeito. A misturança na verdade foi homogenea, apesar de alguns deslises, agradou muito. Espera-se logo, um bis, que fez muita falta pela falta de ensaio.

Fábio Prina_06/09/2008

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