Macacos me mordam Robin!

Meu super-herói favorito sempre foi o Batman. Um dos motivos é porque ele não tem nada de super, nenhuma super-força, nenhuma super-velocidade, nada. Nem voar ele consegue (em partes). Sempre achei que qualquer um pudesse ser o Batman, era só ter um cinto bacana e um carro que não fizesse curvas. Aliás, ainda acho.

Mas o grande motivo que me fez ser fã do Batman foi a Pepsi. Tinha sete anos quando a campanha de Batman – O Retorno enchia os meus olhos na TV, nas ruas e nas tampinhas de refrigerante (na época não se tomava muita latinha). Foi a Pepsi que me levou ao cinema para ver Batman legendado quando eu ainda assistia desenhos da Disney. Meu Deus! Como eu detestava assistir filmes legendados!

Michael Keaton como Batman (1989): lendária armadura que não deixava o ator mover a cabeça

Pois bem, foi droga pesada. me viciei de uma forma absurda e consumi tudo que existia: Desenhos animados, filmes sessentistas, bonequinhos em miniatura, revistas em quadrinhos e os outros filmes que sairam no cinema (pois é). Batman foi um divisor de águas para mim, o sorriso eterno do coringa, os pinguins no esgoto de Gothan, a lambida da mulher gato, tudo ainda é fresco na minha cabeça desde a primeira vez que vi.

Passados quase vinte anos desde que assistir Batman – O Retorno no cinema me sinto tão feliz e tão fã como naquele tempo. O herói está de volta, os vilões, quase tudo está igual. A diferença, sutil mas devastadora, é que assim como eu mudei nesses anos que separam a continuação de Batman e a continuação de Batman Begins é que eu invelheci e, querendo ou não, amadureci. E o mesmo aconteceu com Batman.

Christian Bale como Batman (2005): Humanização do herói

Os esteriótipos de vilão e as quinquilharias do Sinto de Utilidades deram lugar a uma divisão de armamentos militares e a assassinos lunáticos. O herói intocável desapareceu para surgir um sujeito conturbado e altamente dividido entre sua proposta de existir e sua própria existência.

Como não se emocionar em assistir Batman – O Cavaleiro das Trevas (péssimo título). O filme, querendo ou não, é quase um retrato do cotidiano do planeta, sempre a beira do caos, como poucas produções comerciais ousam ser.

Eis que esse fã, que nem no tempo de Joel Schumacher desacreditou, está feliz outra vez e de bem com seu herói, afinal ele não será um divisor de águas só para mim agora.

Batimam na Feira da Fruta: filme que vem ganhando espaço na filmografia do herói

Fábio Prina_29/07/2008

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Mazaá…

Quem for assitir Batman – O Cavaleiro das Trevas no cinema vai ser agraciado com este trailer. Assista, se não for já de seu conhecimento não tente entender muito. Se for… sacie a sua sede. Vem aí Watchmen.

Do visionário diretor de 300, a mais aclamada Graphic Novel de todos os tempos

A Filmografia da web

Será que seria um novo conceito de conhecimento estar por dentro de tudo que rola na web? Afinal, é tanta informação, tanta gama de fotos, filmes, músicas, jogos, notícias, fofocas, descobertas, bobagens que atravessam as fronteiras globais que seria humanamente, ou até virtualmente impossívem compilar tudo. Nesse emaranhado de hexabytes muita coisa se destaca, outras vão além disso… tarna-se uma espécie de novas obras da “cultura pop” (que Deus permita que eu encontra o ‘inventor’ desse termo para matá-lo pessoalmente).

Assim, algo jogado ao infinito vitual, e que cai no gosto do povo, acaba tornando-se um material original e essêncial na vida das pessoas. Não deu pra pegar o lance? Explico: Como sobreviver a uma roda de amigos sem assistir a tal Dança do Quadrado? Ou o Sanduiche-iche. Bá, lembra daquele vídeo do Tapa na Pantera? Ou o Street Fighter Baby… são tantos que é uma jornada sem fim tentar relembrar. Pois bem, é essa a excencialidade que esse novo filão cultural nos proporciona, e daí que vem nossa inventatividade para torná-la mais essencial.

Aos iniciados, lembrem-se que não é de hoje que a banda Weezer é muito original e competente para criar seus vídeos musicais. Spike Jonze foi o responsável por vários clips da banda, como a clássica reconstrução de Happy Days em Buddy Holly, e o primeiríssimo trabalho deles em um plano-sequência genial, também dirigido por Jonze, simplesmente maravilhoso.

Continuando essa lógica de clips bons e originais, os caras compilaram uma gama enorme desses vídeos da internet, popularizados pelo YouTube, e criaram o clip da música Pork and Beans com esses “anônimos conhecidos” para a alegria de quem vive nesse ambiente virtual. O resultado é muito bacana, alguns vídeos não são tão populares no Brasil como aqueles que relembrei acima, mas muitos certamente, qualquer um que navegue e receba emails já tenham visto e revisto. O clip ficou tão bacana que até o todo poderoso Fantástico, da Globo, fez uma matéria especial sobre ele, mas era desnecessário pedir para o Nxzero reproduzir com similares brazuca… vá lá….

Porks and Beans – Weezer

Abaixo estão alguns, senão todos, vídeos que fazem parte do material que originou o clip. Vale a pena assistir cada um deles (se tiver paciência), se você já assistiu, assista mais uma vez.

One Man Band

Numa Numa

Afro Ninja

G I Joe Gay

Guiness World Record for most T-shirts worn at the one time

Dramatic Prairie Dog

Leave Britney Alone!

Diet Coke + Mentos

Miss teen America answered

All your base belong to us

Star Wars Kid

Crank That Soldier Boy

Daft Hands – Harder, Better, Faster, Stronger

Evolution of Dance

Chocolate Rain

K-Fed Popozao

Daft Bodies – Harder, Better, Faster, Stronger

Charlie the Unicorn

It’s Peanut Butter Jelly Time!!!

Will It Blend? – iPhone

Ryan vs. Dorkman

Ps.: A quantidade exagerada de links, hiperlinks e videos é proposital para realçar a idéia de gama de informação, sacou?

Fábio Prina_14/07/2008

Viva la Vida or death to U2

O trocadilho do título não é proposital. Não quero morte a ‘você também’ de jeito nenhum, o U2 alí refere-se a banda Irlandesa que todo mundo tá careca de conhecer. Falar em banda irlandesa, é de conhecimento comum que Brian Eno, produtor do lendário Achtum Baby (1991), quarto disco do US, é também o produtor de Viva la Vida or Death and All His Friends, quarto disco do quarteto britânico Coldplay.

Na verdade, o título do disco era para ser apenas Viva la Vida, e não, nada haver com Rick Martin, e sim a proscedência latina vem do México. O nome é igual a de uma obra clássica da pintora Frida Khalo, aliás o disco é muito inspirado nessa arte plástica, já que trás na capa a pintura de Eugène Delacroix, La liberté guidant le peuple.

Voltando a Brian Eno, as coicidências do seu trabalho com o U2 e o Coldplay, não ficam apenas no fator ordinal do álbum. Está presente, e muito, nas músicas do novo trabalho. É inegável que além de uma pressão da gravadora, para nominar o disco com mais apelo, houve também uma pressão para a música soar não tão diferente, como era a proposta de Chris Martin e seus colegas.

Ao escutar Lovers in Japan, a quinta faixa do álgum, tive dificuldades até de encontrar a voz de Martin naquele emaranhado de Bono Vox. Acordes com delay, que nostalgiam os primeiros álbuns dos filhos de Dublin.

Mas, entre uma influência mais forte aqui e um experimentalismo aqui, já que essa era a proposta de Viva la Vida, temos um novo e bom disco do Coldplay. Pode vir críticas que eles não se renovaram totalmente, assim como haviam prometido em suas declarações, ou também que eles não conseguem se reiventar mais, depois dos grandes sucessos de Parachutes e A Rush of Blood to the Head, mas será mesmo que precisa. A banda está no seu auge, consegue reunir milhões de fãs e vendagens extraordinárias em época de downloads tão fáceis.

Falar nisso, a propaganda para a maior loja on-line de música da Terra ficou sensacional. Viva la Vida Coldplay.

A também vale a pena escutar e assistir o primeiro hit desse novo disco. Longe daquelas baladas oitentistas de X&Y, Violet Hill aposta alto na melodia distorcida e acordes fortes de piano. Excelente canção.


Viva la Vida or Death and All His Friends – Coldplay

Faixas

01. Life in Technicolor
02. Cemeteries of London
03. Lost!
04. 42
05. Lovers in Japan/Reign of Love
06. Yes/Chinese Sleep Chant
07. Viva la Vida
08. Violet Hill
09. Strawberry Swing
10. Death and All His Friends/The Escapist

Fábio Prina_04/07/2008

E a Lei Seca?

Mais polêmico que o “coice-de-mula-mansa” que Rena aplicou em Rodrigo Mendes no último domingo, para a minha felicidade e de outros tantos, é a, já histórica, Lei Seca Brasileira. Em sua terceira semana em vigor, não faltam opiniões, críticas, teorias e qualquer outro tipo de papo de buteco a respeito. Enfim, antes que apareça o Al Capone à Brazilian, publico um texto de David Coimbra, aquele cara lá que sempre fala de futebol e mulher pelada no Zero Hora. O rapaz escreveu um daqueles ensaios impactantes que logo se transformam em spam nos e-mails dos afortunados de tempo. Vale a pena dar uma lida.

O Pequeno Príncipe

Todos os dias, mas todos os dias mesmo, sem faltar um, a Redação de Zero Hora é visitada por misses. Ou rainhas. Rainha do Nabo, Rainha do Aipim, há muitos tubérculos necessitando de rainhas neste Estado gigante da agricultura. Elas vêm sempre em trio, a rainha ladeada por suas duas princesas. Excluindo sábados e domingos, são 15 rainhas ou princesas por semana, 60 por mês, 720 por ano. Muita realeza. Mas mesmo sendo tantas, todas sabem de verdades que os legisladores brasileiros desconhecem. Por quê? Porque leram O Pequeno Príncipe, as misses têm o hábito de ler O Pequeno Príncipe. Se os deputados também o tivessem, lembrariam de um trecho célebre no qual o principezinho encontra o rei de um minúsculo planeta. Tratava-se de um monarca absoluto, que fazia questão fechada de que suas ordens fossem obedecidas. Como não havia mais ninguém no planeta, o principezinho perguntou sobre o que o rei reinava. Ele respondeu que sobre tudo, o seu planeta, as estrelas, tudo.

– E as estrelas vos obedecem? – indagou o principezinho.- Sem dúvida. Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.

Encantado com tamanho poder, o Pequeno Príncipe pediu para ver um pôr-do-sol. Ao que o rei observou:

– Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem, ele ou eu, estaria errado?

– Vós – respondeu com firmeza o principezinho.

– Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar – replicou o rei. – A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.

– E meu pôr-do-sol? – lembrou o principezinho, que nunca esquecia a pergunta que houvesse formulado.

– Teu pôr-do-sol, tu o terás. Eu o exigirei. Mas eu esperarei, na minha ciência de governo, que as condições sejam favoráveis.

– Quando serão? – indagou o principezinho.

– Hem? – respondeu o rei, que consultou inicialmente um grosso calendário. – Será lá por volta de por volta de sete horas e quarenta, esta noite. E tu verás como sou bem obedecido.

As misses, as rainhas, as princesas, o rei do Pequeno Príncipe, todos sabem que uma ordem impossível de ser cumprida… não será cumprida! Caso da Lei Seca, ora promulgada. A aplicação de tal lei é plausível e até recomendável nas estradas, mas nas cidades se torna ficção. São incontáveis as chances de uma pessoa ser denunciada pelo bafômetro com os rígidos limites impostos, desde o mamão papaia com cassis e o bombom com licor à única taça de champanha consumida no brinde durante uma recepção, passando pela saída não planejada com a colega de trabalho. Se a polícia quiser encher ainda mais os presídios, basta colocar viaturas a circular por Porto Alegre todas as noites a partir da uma da madrugada. Duas, 3 mil pessoas serão encarceradas por dia. E nem isso fará com que a lei seja observada. Até porque a maioria das pessoas que bebe não se embriaga. São essas as pessoas, as mais sensatas, que vão desafiar a legislação. Uma pena, porque eis aí uma lei bem-intencionada. Foram tantas as boas intenções dos que a escreveram, que exageraram. A lei perderá a credibilidade. E, ao invés de irmos para frente, iremos para trás. Só porque os parlamentares não leram O Pequeno Príncipe, só porque não sabem que a autoridade repousa sobre a razão.

David Coimbra

* Acrescento, ainda, que ao brasileiro não são dadas alternativas viáveis de transporte – seja público ou privado – por alto custo, precariedade, insegurança etc. Ou seja, quem bebe fica sem poder sair do lugar em que está. Ninguém pode sair caminhando pelas ruas desertas nas noites e madrugadas brasileiras, nem contará com ônibus ou metrôs circulando com segurança. Resta o táxi, caro.

Lei Seca: Motoristas embreagados são alvo

Fábio Prina_01/07/2008