Tarantino is a basterd

O aguardado novo filme de Quentin Tarantino, Bastasdos Inglóros, já viu a luz do dia. E parece ter agradado os espectadores no Festival de Cannes, que acontece até este domingo no balneário francês. Por terras brasileiras, a produção que reúne elenco de diversos países e aposta numa fábula em meio a Segunda Guerra, deve ancorar nos cinemas apenas em outubro. Isso se não houver nenhuma mudança de ideia das distribuidoras. Abaixo segue um texto sobre a premiere mundial da super produção tarantinesca.

“Faço filmes para todo o planeta Terra”, diz Tarantino em Cannes*

Texto escrito originalmente por Orlando Margarido, direto de Cannes – França, para o portal Terra.

Bastardos Inglórios, o novo filme do diretor Quentin Tarantino apresentado esta manhã em Cannes na competição oficial, poderia ser chamada de uma fantasia de vingança judia em tom de comédia, como definiu um jornalista na entrevista com o cineasta e o elenco da fita logo depois da exibição.

Mas não é como Tarantino prefere chamar essa história fantasiosa sobre uma força rebelde liderada por um americano (Brad Pitt), com integrantes de várias nacionalidades, que luta contra os nazistas na França ocupada. “Alguns me perguntam se é um conto de fadas, pois o que esses homens fazem é o que todo mundo gostaria de ter visto acontecer na Segunda Guerra”, comentou o diretor.

“Há alguns aspectos corretos nessa definição, já que essa trama é fantasiosa, não aconteceu; mas prefiro definir como uma tentativa de mudar o curso da história da maneira mais plausível possível; essa foi o maior desafio do filme”, completou.

Desde o início, o jogo de ficção se impõe, quando um oficial alemão (Christoph Waltz) especialista em descobrir judeus escondidos liquida com a família da jovem judia Shosanna (Mélanie Laurent) e a deixa escapar. Tempos depois, sob uma nova identidade, ela reencontrará o carrasco na sala de cinema da qual é proprietária em Paris, e planeja uma vingança colossal. Em paralelo, os rapazes do bando de Aldo Raine (Brad Pitt), continuam a perseguir oficiais nazistas até tentar chegar a Hitler, numa cena final típica da violência ensurdecedora de Tarantino.

O elenco ainda conta com Eli Roth, Mike Myers, Michael Fassbender e Diane Kruger.

Um dos aspectos fundamentais, segundo Tarantino, para que o filme atingisse a intenção de verossimilhança era que os personagens de várias nacionalidades fossem vividos por atores da respectiva língua. “Não só isso, mas que também fossem fluentes em outra língua quando o papel tivesse a característica, ou nada fluentes quando a situação assim exigisse”.

O exemplo do alemão Daniel Brül, o protagonista de Adeus Lênin, é significativo no papel de um ator famoso e herói de guerra que fala francês com fluência para conquistar Shosana. “Sem esse compromisso dos atores, o filme soaria artificial e não teria o aspecto de veracidade que eu quis buscar”, completou. Bem humorado e às gargalhadas durante toda a entrevista, ele brincou: “o bacana desse filme é que todos os atores estão em seus devidos lugares”.

Tarantino emprestou o título de seu filme de um thriller de espionagem de 1978, Inglorious Bastards, de Enzo Castellari, do qual é fã, e apenas mudou-o no original para Basterds. “Não quero explicar muito isso, mas tem a ver com o sotaque de alguns americanos no filme”.

A trama é nova e não tem a ver com a fita anterior. O roteiro já existia há mais de quatro anos e foi sendo desenvolvido aos poucos, com a chegada de alguns atores. Assim também foi lhe chegando a história. “É um filme de gênero, e eu adoro os gêneros, o faroeste, o musical, o terror…”.

Bem recebido pelos jornalistas, Bastardos Inglórios tem diversas referências ao mundo do cinema, como é habitual na obra de Tarantino, um cinéfilo declarado. “Me inspirei muito em Heaven’s Gate (no Brasil, Portal do Paraíso, de Michael Cimino) para esse filme”.

Sobre o fato de decidir mostrar o filme no Festival de Cannes, ele comentou: “todo o mundo está aqui, jornalistas, atores e diretores de todos os países; isso combina comigo, pois faço filmes para o público de todo o planeta Terra”. A fita tem previsão de estréia no Brasil em 23 de outubro.

Novos posteres:

Não há como negar que o marketing cinematográfico está cada vez melhor:

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Brad Pitt is a Basterd

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Eli Roth is a Basterd

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Diane Kruger is not so Basterd…

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…she neither

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I don´t fucking know who that bastard is!

Fábio Prina_21/05/2009

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Oasis no Brasil

Em passagem pelo Brasil, a banda de britpop inglesa Oasis, realizou na noite de ontem, dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, o primeiro de uma série de quatro shows para divulgar o seu último disco, “Dig out your soul”, por aqui. O grupo liderado pelos irmãos Noel e Lian Gallagher não decepcionaou nem os fãs mais otimistas e fez um show equilibrado, mesclando  suas as novas canções e os grandes hits, que levaram a banda ao topo das listas de mais vendidos e tocados nos anos 90.

Para quem já é familiar com o comportamento do Oasis não é novidade que a arrogância e a prepôtencia dos caras, muitas vezes, são mais visíveis que o show em si. Tanto que ao longo dos últimos anos, se fossemos olhar um jornal qualquer, era mais comum ler matérias da banda na página geral sobre escândalos e afins, do que no caderno sobre música. Mas isso é só uma parte da história, ali no meio, nas páginas que pulamos, muitas vezes, há muita coisa sobre o trabalho deles. Fazer música.

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Formação atual do Oasis – liderado por Liam e Noel a frente… como sempre.

Poucas bandas têm uma discografia tão completa e boa de ouvir como o Oasis. Sucesso instantâneo após seu lançamento, o disco de estreia da banda Definitely Maybe (1994), é um dos grandes marcos do surgimento do britpop, aquela música da velha ilha, que quando ouvimos sabemos de onde vem. Não é bem rock, não é bem balada, é pegajosa e se pode ouvir um milhão de vezes antes de passar para a próxima. Difícil é saber quem é que está tocando, as vezes parece tudo a mesma coisa, mas não é.

Além de ser um dos marcos do surgimento dessa onda, que contemple novas bandas e toda uma nova geração de fãs de música, o primeiro álbum do Oasis alçoou voo para os irmãos de Manchester, para o sucesso. Em 1995, os guris lançaram o disco What´s The Story (Morning Glory) que ainda é o favorido da crítica e do público. Na verdade o que está inserido ali é uma coleção de hits. Wonderwall, Champagne Supernova, Don´t Look Back in Anger, Cast no Shadow, Morning Glory… e assim vai. Impossível não se apaixonar por cada melodia, cada letra… auge da inspiração e do sucesso.

Em seguida veio o complexo e pretencioso Be Here Now, para muito um plágio de canções dos Beatles, para outros a obra definitiva da banda. A primeira fase de sucesso encerrou com o lançamento de B-Sides, num disco maravilhoso chamado The Masterplan. Porém, esse último antecedeu a péssima fase, com os fracassos de Standing On The Shoulder Of Giants e Heathen Chemistry, que por pouco não afundaram a carreira da banda.

O retorno às raízes, e fim dos escândalos e das brigas internas entre os próprios irmãos brindou o público com os dois últimos discos de estúdio, em meio a tudo isso teve o lançamento do ao vivo Familiar To Millions e de uma coletânea que não trazia nada de novo.

Don´t Believe the Truth e Dig Out your Soul são a busca de voltar a ser “a melhor banda do mundo”, pelo menos na concepção deles. E isso é o que leva a nova turnê que passa pelo Brasil. O show de ontem, que foi exibido na íntegra pelo canal MultiShow trouxe muito desse novo espírito. A entrada anunciada com o playback de Fuckin´In The Buches, deu o barulho para acordar o público que assistiu o show de abertura com a banda gaúcha Cachorro Grande, e participação especial de Samuel Rosa, do Skank. A primeira música da noite não podia ser mais apropriada: foi a primeira música do primeiro disco, Rock n´Roll Star.

Apesar da insistência do público que pedia Live Forever o Oasis foi fiel ao repertório divulgado para imprensa e que vazou na internet antes do show. Nenhuma alteração e um show q acabou parecendo uma rotina de escritório. Mas houveram vários destaques, desde as novas Shock of the Ligthing, Falling Down e I´m Outta Time, e claro, os velhos e bons clássicos Supersonic, Slide Way, Masterplan, Songbird e o encerramento com um cover de Beatles gravado no disco The Masterplen, I am the Walrus.

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Set List da banda: executado à risca

A banda  segue em turnê pelo país, onde faz mais três shows: na Arena Anhembi, em São Paulo, no sábado, dia 9; na Arena Expotrade, em Curitiba, no domingo, 10; e no Gigantinho, em Porto Alegre, na terça, 12. Para nós gaúchos será a primeira oportunidade, em quatro vindas do Oasis ao Brasil, de ver a banda de perto. Até lá.

Fábio Prina_08/05/2009