Peixes fritos e diploma

Texto de Paulo Ribeiro publicado originalmente no jornal Pioneiro (Caxias do Sul – RS – 24/06/09)

A decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo (e misturou cozinha com redação, peixes fritos com ética), é de última instância e sobrou para nós os protestos.

E é preciso que eles sejam conscientes. Escritor, como os românticos de outros tempos, poderia evocar aqui o direito de “ser jornalista” por gostar do hábito da escrita. Bobagem. Hoje, a sociedade, a clientela, quer alguém habilitado, com formação específica, técnica e eticamente preparado para o exercício da atividade jornalística.

Talvez  seja válido também recordar aos ministros que liberdade de expressão não é o mesmo que liberdade de informação, que é o que distingue a prática do Jornalismo do direito que a Constituição assegura a todo cidadão.

Mas, por outro ângulo, até que é em boa hora a decisão do Tribunal, que gerou esta onda de protestos. A profissão de jornalista, até aqui, era regulada por um decreto-lei do tempo da ditadura, normalizada por um ato da Junta Militar. Era uma forma de “cassar” jornalistas sem canudo que se manifestassem contra o regime instalado.

Mas os tempos mudaram. As formas de comunicação evoluíram, as ferramentas do jornalismo se tornaram tão específicas que a obrigatoriedade de uma formação universitária é uma realidade imposta pelo mercado. E não só: o compromisso social do jornalismo, as balizas éticas da profissão, a indispensável formação humanística, inerente à atividade, só se adquire mesmo na universidade.

Portanto, somado aos nossos protestos de agora, o que se precisa é um Projeto de Lei no Congresso Nacional que regulamente e normalize a profissão dos Jornalistas, bem como a criação de órgãos que os fiscalize. É o momento, quem sabe, de se encaminhar a criação de um Conselho de Imprensa, instituição que serviria para acompanhar os atos dos profissinais diplomados no exercício de uma profissão que lida com questão tão delicada como a informação.

Como se vê, “liberar geral” o jornalista é uma situação intrincada, perigosa, pois uma notícia, uma opinião, pode ser usada para favorecer grupos econômicos, políticos, corporativos, e fugir da sua função principal, que é o compromisso com a verdade e a responsabilidade social. A reconquista de nosso diploma recomeça agora, com a nossa voz no Congresso, em Brasília.

Fábio Prina_26/06/2009

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Tim Burton no País das Maravilhas

Prometido para 2010, a versão do diretor Tim Burton (Ed Wood, Edward Mãos de Tesoura) para o clássico de Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas começa a ganhar forma. No início desta semana foram divulgadas as primeiras fotos oficiais da produção. Além de artes conceituais que detalham muito bem o mundo surreal da história infanto-juvenil, há também fotos do elenco do filme caracterizado na visão singular de Burton.

As imagens foram publicadas em primeiríssima mão pelo tabloide americano USA Today. Entre as fotos podemos conferir Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, Helena Bonham Carter (esposa de Burton) como a Rainha Vermelha (uma mistura de a Rainhas de Copas e Vermelha) e Anne Hathaway como a Rainha Branca.

Também foi divulgada uma primeira sinopse do filme, que revela que a trama será uma espécie de sequência do clássico original: Alice (Mia Wasikowska), ao 17 anos, vai a uma festa vitoriana e descobre que está prestes a ser pedida em casamento perante centenas de socialites. Ela então foge, seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou há dez anos mas não se lembrava.

A data de estreia prevista para o filmes é 5 de março de 2010.


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Mia Wasikowska como Alice

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Anne Hathaway como a Rainha Branca

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Helena Bohan Carter como a mescla da Rainha de Copas com a Rainha Vermenha – Cortem a cabeça

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O eterno “amuleto” do diretor – Johnny Deep é o Chapeleiro Maluco, no estilo Willy Wonka+Sweeney Tood com toques de Edward + Ed Wood

Fonte: Omelete

Fábio Prina_ 23/06/2009

Cidade de Deus no topo

O filme brasileiro Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lung (Domésticas), está na lista dos melhores filmes estrangeiros, em eleição da revista norte-americana Paste. A publicação listou as 25 produções de fora dos Estados Unidos mais importantes da década, havaliando não necessáriamente o número de prêmios. O único filme nacional da lista, tem um extenso currículo de premiações e indicações, destacando o Bafta de Edição/Montagem e as quatro nominações ao Oscar.

Aclamado munidalmente, Cidade de Deus relata de forma brilhante, três décadas do desenvolvimento do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O roteiro indicado ao Oscar, de Bráulio Mantovani, não é linear, mas não é confuso ao espectador, em sua forma crua de registrar diversos fatos descritos no livro homônimo de Paulo Lins. Nos cinemas brasileiros o longa de Meirelles registrou mais de 3 milhões de espectadores.

Confira abaixo a relação completa das 25 produções “extrangeiras” ou melhor não norte-americanas, que foram apontadas na lista. Alguns, dos que mais me agradaram, estão destaque.

25. Maria Cheia de Graça

24. Persépolis

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Menina Iraniana larga o sonho de ser profeta para se tornar revolucionária. Indicado ao Oscar de Animação.

23. Volver

22. Deixe ela Entrar

21. Oldboy

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15 anos preso e sedento por explicações e vingança. Fábula sensacional que venceu o Grand Prix em Cannes.

20. Gomorra

19. A Queda – As Últimas Horas de Hitler

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Produção alemã que conta os momentos finais do füher é uma obra prima sobre a ruína da ganância.

18. Paradise Now

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O outro lado da moeda é visto neste filme sobre a guerra entre Palestinos e Judeus. Filme monosprezado pela academia norte-americana que conquistou o mundo com sua franqueza ao retratar o lado palestino do conflito.

17. Yesterday

16. Entre os Muros da Escola

15. Ninguém pode Saber

14. The best of youth

13. E sua mãe Também

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Filme que projetou dois astros: Gael García Bernal e Diego Luna, no drama adolescente do diretor Alfonso Cuerón.

12. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

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Lírico e encantador. Amelie Poulain conquistou o mundo com uma forma de fazer cinema poético que havia se perdido no tempo. Ainda mensão honrosa para a fotográfia divina da produção.

11. 4 meses, 3 semanas e 2 dias

10. Cache

9. Amores Brutos

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Traição, Angústia, Pecado, Egoísmo, Esperança, Dor e Morte. Primeiro capítulo da Trilogia da Perda, do diretor Alejandro Gonzalés Iñarritu, que continou com 21Gramas e Babel.

8. A vida dos Outros

7. Amor à flor da pele

6. A Viagem de Chihiro

5. Fale com Ela

4. Cidade de Deus

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Apogeu da Retomada do cinema brasileiro, sucesso de públido e crítica, e a consagração de Fernando Meirelles.

3. O Escafandro e a Borboleta

2. O Tigre e o Dragão

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O diretor Ang Lee redireciona o olhar para a China e mostra ao ocidente o grande cinema oriental.

1. O Labirinto do Fauno

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O terror da Guerra Civil Espanhola é o pano de fundo para a fábula invendada por uma menina para ousar fugir do mundo real. Filme adulto que explora a mitologia dos contos infantis e a fantasia. Trabalho do diretor Guilhermino Del Toro, que assumiu a adaptação de O Hobbit, do autor de O Senhor dos Anéis.

Fonte: CineClik

Fábio Prina_17/06/2009

Partly Cloudy

Mais tradicional que ir ao cinema e comer pipoca durante o filme, é ir ao cinema para assitir a um filme da Pixar e sermos presentados com uma pequena obra prima… tão ou mais gostosa que a pipoca que vai nos acompanhar ao longo da sessão.

Com o lançamento, e consequêntemente, com o sucesso de Up – Altas Aventuras nos cinemas ianques, era mais do que óbvio que o curta-metragem, que tradicionalmente antecede as procuções animadas, surgisse pela rede para podermos dar uma olhada em primeira mão. Isso vem ser um agrado,  já que por aqui o novo trabalho da parceria Pixar/Disney só vera a luz do dia, digo, a luz da projeção, no dia 4 de setembro de 2009. Até lá.

Em tempo, segue abaixo o link para conferir Partly Cloudy, trabalho de estreia do animador Peter Sohn, como diretor. partlycloudy_02

Clique na imagem para conferir em primeira mão o novo curta da Pixar

Fábio Prina_10/06/2009

David Carradine (1932-2009)

O ator norte americano David Carradine, conhecido pelas novas gerações como o Bill de Kill Bill, foi encontrado morto em Bangcoc, na Tailândia, na manhã desta quinta-feira, 04 de junho. Carradine estava com 72 anos, e filmava o longa Stretch no páis asiático.

Segundo a CNN, que se informou com o agente do ator, as primeiras evidências sugerem que Carradine se suicidou por enforcamento. O corpo foi encontrado por uma funcionária de um hotel, sentado num armário com uma corda ao redor do pescoço.

Carradine ficou famoso nos anos 70 por estrelar a série de TV Kung Fu, em que vivia Kwai Chang Caine, um monge shaolin que, anos depois da sua instrução nas artes marciais, foge da China para o Velho Oeste dos EUA, onde ajuda pessoas em necessidade contra seus opressores.

Sua carreira se estende por 100 filmes, mais de 20 telefilmes e trabalho no teatro. Adeus ao pequeno gafanhoto.

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Carradine como Bill, no épico de Quentin Tarantino

Fonte: Site Omelete.

Fábio Prina_04/06/2009

Duas boas novidades

Nessa terça-feira, dia 2 de junho, vi duas novidades interessantes no site Omelete. Uma no ramo dos famosos games musicais, mais um novo nicho criado pela indústria do entretenimento pra ganhar alguns vários milhões de verdinhas. E outra está no ramo cinematográfico, com a ressureição de um dos maiores diretores americanos de todos os tempos. Segue abaixo a discrição das novidades.

The Beatles: Rock Band


Depois do sucesso estarecedor do game Guitar Hero, a Microsoft, de Bill Gates, está investindo todas suas fichas nos populares games musicais. Enquanto Guitar Hero divulga o lançamento de seu temático Guiter Hero: Mettalica, e prepara o set list da novíssica quinta versão de seu original, o seu concorrente lançou ontem o primeiro trailer de The Beatles: Rock Band. O trailer foi divulgado durante o evento E3, famoso por suas novidades no mundo dos games, que contou com as presenças nada gratuítas de Paul McCartney e Ringo Starr. Confira a prévia abaixo:

Logo de cara reconhecemos os diversos temas, cenários, vestimentos, fases de trabalho e até o visual dos músicos, que apresentaras as músicas “Day Tripper”, “I Am The Walrus”, “Back In The USSR”, “Tax Man”, “Here Comes The Sun”, “Octopuses Garden”, “Get Back” e “I Feel Fine”. Fora da prévia, outra faixa oficializada é “All You Need Is Love”, que será exclusiva do Xbox 360 e terá toda a sua arrecadação com os downloads, doada ao grupo Médicos Sem Fronteiras.

A Harmonix, empresa por trás da grife Rock Band, informou também que lançará álbuns inteiros nas redes dos consoles. O primeiro, ainda sem data prevista, será o clássico Abbey Road, que tem sua imagem célebre, eternizada na capa do álbum, reproduzida no trailer do jogo.

The Beatles Rock Band terá 45 músicas da banda, gravadas entre 1962 e 1969. O lançamento acontece em 9 de setembro (09/09/09) em diversos formatos: somente o jogo, jogo mais intrumentos Rock Band e edição limitada, com instrumentos. Os preços serão: Game The Beatles: Rock Band (Xbox 360, PS3, Wii): 59,99 dólares. The Beatles: Rock Band Guitarras Avulsas (Xbox 360, PS3, Wii): 99,99 dólares. The Beatles: Rock Band Edição Limitada – game e guitarras (Xbox 360, PS3, Wii): 249,99 dólares.

Abaixo segue uma imagem de divulgação com os instrumentos estilizados para recriar na sala de casa a carreira intocável do fab four.

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Imagem promocional do game – o baixista deve ser preferencialmente canhoto.

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James Cameron fala do revolucionário Avatar

Também durante a E3, o diretor norte-amerinano James Cameron (Titanic, O Exterminador do Futuro) mostrou as primeiras imagens e vídeo do game baseado em seu aguardadíssimo – e revolucionário – filme Avatar.

Mais do que isso, na apresentação da Ubisoft, o cineasta surgiu ao público e abriu o baú de segredos sobre a sua nova obra, que está no limbo da produção há 14 anos!  Segundo o diretor vencedor do Oscar, a ideia surgiu quando a tecnologia para criar o filme simplesmente não existia.

Uma década depois, a produção foi ressuscitada, já que agora os recursos para torná-la real – como captura de performance corporal e facial – já estão disponíveis.

Sobre a trama, Cameron explicou que o cenário é o século 22, com a ação quase toda acontecendo em um lugar chamado de Pandora (óbia alusão a famosa caixa de pandora), uma lua orbitando um planeta gasoso chamado Poliphemus em Alfa Centauro.

“Pandora é como a Terra, um planeta com formas de vida incríveis, densa vegetação e a civilização dos Na´vi, uma raça humanóide mais primitiva que a nossa, mas muito mais sábia. Eles podem ser guerreiros ferozes quando provocados, mas normalmente vivem pacificamente em suas florestas. Os humanos não podem respirar o ar de Pandora, então para que pudessemos operar por lá foram criados híbridos humano-Na´Vi, chamados de Avatares. Eles são controlados por pilotos humanos, que projetam suas consciências nesses corpos, vivendo através deles.”

“O personagem principal é Jake Sully, um fuzileiro naval ferido em combate, paralisado, que vai para Pandora e pode andar novamente em seu Avatar. Conforme a história se desenvolve ele se encontra no meio de um conflito entre os militares humanos e os Na´vi, que se sentem ameaçados pela expansão da nossa raça em seu planeta. Como um Avatar vivendo em Pandora, ele se apaixona por uma garota Na´vi, uma personagem escultural e capaz de feitos incríveis de ação, alguém com quem vocês não querem se meter. Envolvido na cultura e aceito no clã Na´vi, Jake terá que escolher o lado em que ficará nesse conflito – e teremos um confronto maciço ao final do filme, com tecnologias futuristas e toda sorte de armamento sendo empregado contra os gigantes Na´vi e suas montarias selvagens, incluindo algumas aladas e formidáveis”.

Sobre o que será tão revolucionário em seu novo trabalho, o diretor salienta: “Desenvolvemos tecnologias novas para realizá-lo em 3-D estereoscópico com câmeras que levamos 9 anos pra projetar. O resultado é uma experiência 3-D totalmente imersiva que não será exatamente como ver um filme, mas participar de uma jornada, sonhar com os olhos abertos”.

Confesso que a premissa me remeteu rapidamente a ideia genial dos irmãos Wachowski, e seu clássico Matris, de 1999, já que realidade passa por um filtro até um novo corpo submerso na virtualidade, algo que não chega a se chocar exatamente com a ideia de Cameron, mas lembra.

Outra memória recente que me voltou foi o já não tão popular Second Life, uma tentativa que acabou frustrada de criar um ambiente virtual, controlado por Avatares, que representavam seres humanos reais, na frente de computadores. Longe da premissa de Cameron também, a ideia, surgida no início do século 21, pode ser um embrião, talvez, para que algum dia possamos explorara Pandora dessa maneira.

Segue abaixo uma foto promocional do diretor no “set” de filmagem. Ou alguma coisa parecida com isso.

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James Camerom, volta do limbo após 13 anos

Fábio Prina_03/06/2009