Vamos falar sobre A Teoria da Pixar

Você certamente já deve ter ouvido falar sobre a Teoria Pixar. Mais do que isso, você deve conhecer ela, até de trás pra frente, certo? Não? Então deixa eu compartilhar com você a teoria mais conhecida e mais replicada do cinema de todos os tempos. Como diria o meu amigo Imaginago, essa teoria vai fazer a sua cabeça explodir!!!

Vamos lá… com o advento da internet (não sei se essa frase me dá mais sono ou vontade de me matar) houve uma grande evolução nas teorias mais bizarras que se possa imaginar, que antes, eram renegadas a comunicação off-line. Os chats, e-mails e serviços de mensagens fizeram com que uma inundação de corrente, conspirações ou qualquer bobagem do gênero chegasse aos baldes para nós. A primeira, que eu lembro, nesse sentido foi lá nas priscas eras de 1998, depois da derrota da Seleção Brasileira para a França, na final da Copa do Mundo. Ali surgiu o famoso texto “Se vocês soubessem da verdade, ficariam enojados”, um clássico. 

Com a viralização em grande escala deste tipo de absurdo, que hoje sabemos bem que evoluiu par uma produção industrial de notícias falsas, apareceram mais bizarras e mentirosas teorias mundo afora, como a do 11 de Seembro, que os EUA teriam organizado o ataque contra eles mesmos para construir um escudo anti-mísseis ou mesmo aquela reformulada história de que o Michael Jackson teria morrido em um comercial da Pepsi e substituído por uma sócia branca. Até algumas teorias muito famosas dos tempos offline ganharam novas roupagens no mundo digital e ainda perpetuam, como a Lei de Murphy, Dark Side of Oz e o Fator Bacon (essa última, se você não conhece, vale a pena ir atrás).

Por outro lado, temos também nos últimos anos, nova possibilidades de consumo de filmes em casa, o tal Home Vídeo evoluiu a passos largos. Antes renegado aos VHS, que popularizaram mundialmente as vídeo locadoras, foram precedidos pelos DVDs, Blue-Rays e mídias digitais, agora praticamente absolutas do mercado de consumo doméstico através dos serviços de streaming. Essa evolução possibilitou assistir aos filmes e pausar, dar zoom, ver detalhes que antes nem a qualidade e nem a fita magnética possibilitavam, para enxergar todos os elementos, que numa visitada só no cinema, jamais seria possível perceber. Arrisco dizer, que mundo afora há centenas de pessoas que devem ter assistido filmes inteiros quadro a quadro.

Sabendo disso e entregando a mais nova novidade na indústria cinematográfica na época, a Pixar tratou logo de encher os seus filmes com eater eggs (tradução literal – ovos de páscoa). Essa prática tem esse nome exatamente por causa da brincadeira dos papais e mamães de esconder ovinhos pela casa e pelo quintal, para as crianças caçarem. E claro, não foi a Pixar que inventou o easter egg, na verdade, eu não tenho ideia de onde isso tenha iniciado e nem por quem, mas o maior diretor de cinema de todos os tempos Alfred Hitchcock, já esculhambava seus filmes inserindo em todos eles alguma aparição sua, algumas delas extremamente difíceis de serem localizadas.

Mas sim, a Pixar ajudou a popularizar, desde seu primeiro trabalho, Toy Story de 1995, que trazia citações nada discretas aos curtas produzidos anteriormente pelo estúdio e até mesmo marcas que apareceriam em produções futuras (Pizza Planet e BnL).

Unindo essas duas coisas bem malucas, teorias estapafúrdias e easter eggs, foi que deu a sacada ao escritor americano Jon Negroni de publicar pela primeira vez o seu ensaio sobre a Teoria da Pixar. Segundo entrevista dele, a ideia surgiu quando estava assistindo um quadro no talkshow Conan O’Brian, que falava sobre diversos personagens de animação e desenhos animados. Foi aí que ele imaginou que todos os filmes lançados até então pela Pixar, estariam em uma mesma linha do tempo, em um mesmo universo.

Para validar a sua tese, Negroni fez uma elaborada amarração dos easter eggs que estão presentes em todos os filmes da empresa, desconsiderando mesmo os que se passam em épocas ou locais completamente diferentes (como Valente e O Bom Dinossauro). Além de dizer que os filmes compartilham esse mesmo universo, em sua teoria, Negroni trouxe uma evolução diferente da que tivemos até agora na Terra C-136 (é o nome da dimensão que vivemos), onde objetos inanimados (como brinquedos e carros) possuem vida e animais são inteligentes e socializam com os humanos. Tudo isso acabou se transformando num artigo chamado The Pixar Theory,.

Em um resumo bem rápido a Teoria da Pixar inicia no quarto filme da empresa, Monstros S.A., com a personagem Bu. Ela teria crescido e encontrado uma maneira de visitar o seu amigo monstro Sulley, que na verdade viveria no futuro e não em um mundo de monstros. Só que o experimento dela teria dado errado e ela acaba voltando no tempo, por isso vemos ela no filme Valente, velhinha, vivendo como feiticeira e entalhando ursos em madeira. Além de conseguir viajar no tempo, ela também consegue dar vida a objetos e aumentar a inteligência dos animais, o que acaba desencadeando milhares de ramificações que acabam provocando pequenas modificações nesse universo, refletidas nos filmes que a gente conhece.

Não vou me estender aqui falando sobre a Teoria Pixar porque existem incontáveis materiais sobre ela na internet. Muitos deles completamente ilustrados e excessivamente explicativos. O já citado aqui no texto, Imaginago, é um especialista nessa teoria. Ele possui dezenas de vídeos no seu canal no YouTube, falando sobre e faz colagens a cada novo lançamento do estúdio.

Oficialmente, nem a Pixar nem a Disney jamais se manifestou sobre essa teoria. E sempre que questionados, os diretores e chefões da Pixar desconversam. O que houve nos últimos tempos, foi que as próprias redes sociais da Disney vem oficializando alguns easter eggs, no estilo piscou dançou, que são base para esse trabalho de amarração entre os filmes. Como por exemplo, o Sulley entalhado em Valente, a cueca dos Incríveis em Linguini de Ratatouille, o carro do Pizza Planet em Wall-E, a aparição de Riley, de DivertidaMente, em Procurando Dory, e assim por diante. 

O que isso quer dizer? Provavelmente nada. Afinal, validar easter egg não é lá algo que mude a história do mundo, porque de fato eles estão lá, como em tantos outros filmes da Disney tiveram (lembra do Sebastião de A Pequena Seria aparecendo em Aladdin?). Eu, particularmente, também não acredito que a Teoria da Pixar seja 100% verdadeira, mas desconfio um pouco, sabe. O que não me proíbe de curtir ela e também ficar conjeturando sobre os acontecimentos dentro e fora da timeline dos filmes. Tudo depende do ponto de vista.

Essa é um pouco da história da Teoria da Pixar, que vai ser um dos assuntos da nossa última live desta temporada, falando sobre os filmes deste estúdio. O bate papo rola nesta terça, dia 28 de setembro, a partir das 19h45min, na página do Facebook da Nostalgia Filmes. (depois eu posto o vídeo do youtube aqui)

E você aí, curte a Teoria da Pixar? Qual sua opinião? Qual a maior prova que ela existe ou não? Comenta aí pra retrucar mais tarde. 

Um comentário em “Vamos falar sobre A Teoria da Pixar

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