Fotografando fotógrafos

Há certas coisas que são simplesmente geniais. Quando digo isso, penso em separar essa expressão e dar ênfase ao simples.

A proposta do fotógrafo americano Tim Mantoani chega ser tola: fotografar fotógrafos. Mas ao mesmo tempo, ela dá cara a uma leva de grandes testemunhas oculares que registraram o nosso tempo.

O negócio é o seguinte: Mantoani retratou entre 2006 e 2011, cerca de 120 grandes nomes da fotografia. A ideia de Tim era simplesmente colocar as imagens, verdadeiros ícones do nosso tempo, junto aos seus autores, pousando de trás da obra. O resultado é maravilhoso e emocionante.

Para dar um pouco mais de charme para essa ideia, o autor do projeto Behind Photographs se propôs a levar seus colegas a um estúdio e fotografá-los com uma câmera instantânea Polaroid de 20×24 polegadas, algo que hoje em dia, é mais do que obsoleto. Só de observar o trambolho no estúdio, com sanfona e chapa para a revelação, dá ares nostalgicos e conceituais a obra.

As imagens de  Behind Photographs viraram um livro que foi recentemente lançado nos EUA, e ainda não tem venda no Brasil. A obra sai por apenas cerca de $60, em uma edição simples, e chega aos $395, um uma limitadíssima edição numerada e autografada. Quando chegar por aqui, preparem os talões de cheques, porque não vai ser barato!

Mas deve valer o investimento, para fazer com que a gente se sinta um pouco mais íntimo destes grandes deuses da fotografia.

Segue abaixo algumas peças que fazem parte da obra, contando que no livro, são mais de 150. Em seguida, também há uma apresentação do projeto de Tim, por ele mesmo, inclusive, detalhando o forma de captura das imagens.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o trabalho, dá pra dar uma visitada na página do projeto.

Vi isso no JacaréBanguela.

Fábio Prina_31/01/2012

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Crowe – o duplo

Passados seis anos do lançamento de Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown), 2005, dois trabalhos do diretor, roteirista e produtor Cameron Crowe chegam aos cinemas em 2011. Primeiro, um documentário realizado com toda autoridade, pelo diretor de Vida de Solteiro (Singles), 1992, sobre uma das bandas responsável pelo movimento grunge nos Estados Unidos: Pearl Jam Twenty. O segundo, um melodrama sofisticado, baseado em uma história verídica, com Matt Damon, Scarlett Johanson e Thomas Hadden Church, encabeçando o elenco, chamado We Bougth a Zoo.

Crowe é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo pra mim. Não só pela destreza em contar uma boa história, mas na maneira autoral em que se inclui nessas histórias, e, acima de tudo, a escolha de histórias que interessam ser contadas.

Antes dos filmes, Cameron Crowe foi jornalista da conceituada revista Rolling Stone, em meados dos anos 70. Sua primeira matéria de capa foi sobre o The Allman Brothers Band, precocemente aos 18 anos, a qual rendeu, juntamente com outras histórias, o roteiro de seu filme mais autoral, Quase Famosos (Almoust Famous), 2000. Nessa época também, conheceu e trabalhou com grandes lendas da imprensa americana, como o editor Ben Fong-Torres e o crítico Lester Bangs.

Drew e Claire, em Elizabethtown

Seu primeiro trabalho, com grande reconhecimento de crítica e público, foi o já citado Vida de Solteiro, ao qual fez uma reflexão sobre um grupo de jovens/adultos na cena grunge de Seattle, na chegada dos anos 90, berço de bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Nirvana.  O trocadilho do título original Singles perdido na tradução para o português, dá conta de citar não apenas as músicas soltas que revolucionariam a indústria mundo afora, mas também o estado civil dos protagonistas. Outros trabalhos que sucederam o sucesso de Vida de Solteiro foram os oscarizados Jerry Maguire – A Grande Virada (1996) e Quase Famosos, o excelente Vanilla Sky (2001), refilmagem do mexicano Abra Los Ojos, e, por fim, Tudo Acontece em Elizabethtown.

No entanto, desde Elizabethtown o diretor não mergulhava no terreno da ficção. Ouve também um outro documentário chamado The Union, sobre o trabalho criativo de Elton John, datado em 2011, mas, que pelo visto, não recebeu lançamento por aqui. No circuito, Crowe ataca em duas frentes completamente diferentes, duas paixões: a música e o cinema autoral.

William Miller ao lado do Stillwater, em Quase Famosos

No cenário dos pomposos documentários sobre bandas e músicos, como exemplo que me ocorre agora, o excepcional Beyond The Lighted Stage, 2010, sobre os canadenses do Rush, Crowe apresenta sua releitura da carreira do Pearl Jam, e seus vinte anos de estrada. Pearl Jam Twenty é um épico biográfico, com imagens inéditas, shows antológicos e confissões intimistas, como a cena que abre o trailer da produção, em uma entrevista ao vocalista Eddie Vedder, feita por ninguém menos que David Linch.

Trailer do documentário

O documentário chega já acompanhado de uma rima de marketing gigantesca ‘celebrando’ os 20 anos da banda. Além do filme lançado oficialmente no Festival de Toronto, no último sábado, dia 10, também está disponível um livro homônimo, escrito por Jonathan Cohen, um CD Duplo que chega às lojas no dia 20 e o DVD, que aporta no dia 25 de outubro. Mas quem quiser conferir o pretensioso filme de Crowe na tela grande do cinema, tem que correr, porque os ingressos já estão à venda para as limitadíssimas sessões, no próximo dia 20 de setembro, em várias cidades do Brasil. Em Porto Alegre a bagunça acontece no Unibanco Arteplex, no Shopping Bourbon Country.

Tudo isso, porém, é um aperitivo para os fãs, que aguardam anciosamente a passagem da turnê do PJ20 pelo país, que contemplará as cidade de PoA, Curitiba, Rio e São Paulo (com duas apresentações), no início de novembro. Pelo visto, a coisa vai ser grande.

Já no campo dos filmes autorais, Crowe foge um pouco dos roteiros a próprio punho, para a adaptação do livro com o mesmo título do jornalista britânico Benjamin Mee, que reconta a época em que adquiriu uma propriedade na Inglaterra, que incluía uma espécie de zoológico falido, chamado Dartmoor Wildlife Park, lar para mais de 200 animais selvagens.

A produção relata a reabilitação da reserva ambiental e o drama familiar de Mee, cuja esposa sofria com um câncer. O filme tem estreia prevista para o Brasil no dia 23 de dezembro, semaninha do natal.

Trailer do filme, previsto para dezembro

Enfim, para quem estava inativo há pelo menos seis anos, boas notícias estão chegando. Esperamos que esse duplo de Crowe traga bons resultados como o restante de sua filmografia. E que suas histórias continuem construindo experiências únicas num cinema simples e introspectivo, impossível de não gostar.

Fábio Prina_15/09/2011

Entrei em Pânico Parte 2 – Uma crítica nada imparcial

Sou um grande fã de críticas cinematográficas. Até mesmo daqueles textos esdrúxulos de revistas de variedades, onde os pseudo-intelectuais que escrevem entendem menos de filmes que qualquer ratão de videolocadora. Mas não sou muito adepto a escrever críticas, talvez porque eu nem saiba como fazer uma, ou talvez porque eu não me sinta a vontade colocando bedelho nos trabalhos alheios.

Mas pra tudo existe exceção, correto? Então, deixo de lado esses despretensiosismos para malhar o último filme do meu ‘amigo’, colega de profissão, vizinho, blogueiro e antiga parceria de ceva Felipe M. Guerra, também conhecido nas entranhas de Carlos Barbosa como o Shit.

Um brevíssimo histórico para encher salame

Para quem é completamente ignorante da pessoa que falamos, vamos fazer um brevíssimo histórico para contextualizar a coisa. Felipe do Monte Guerra, o Shit, é um jovem de trinta e poucos anos, nascido e criado na bela Carlos Barbosa, cidade onde eu também resido, na Serra Gaúcha. Aficionado por filmes bagaceiros de terror, no início de sua adolescência ele iniciou o hobby que, anos mais tarde, não lhe traria fama e fortuna: fazer filmes amadores com amigos, parentes e conhecidos nas condições mais amadorísticas possíveis.

Seu debut na sétima arte foi com o thriller de ação em média-metragem Ponto de Ebulição, de 1995, exibido apenas em sessões fechadas para íntimos e passado de mão a mão através de tenebrosas cópias em VHS. Hoje é difícil ter acesso a esse material escondido do grande público, com uma certa dose de bom censo, pelo ‘estúdio’ particular de Felipe, a Necrófilos Produções Artísticas.

Em 1998, emerge ao público o primeiro trabalho na filmografia oficial do realizador, a incrível odisséia do jovem que queria comer a guria mais boa de Barbosa. O filme era Patrícia Genice, estrelado por Fabiano Taufer, que, com o passar dos anos, foi reeditado e exibido mundo afora em festivais e mostras cinematográficas.

Alguns projetos cancelados depois, Felipe deu início ao seu filme mais conhecido, mais repercutido e mais importante filme, até então. Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado, de 2001 (veja o trailer aqui). A produção, orçada em R$ 250,00, foi o grande marco na carreira do realizador, com matérias em TV nacional, revistas especializadas e convites para engrenar de vez a carreira cinematográfica do Spielberg da Serra Gaúcha (!). O longa foi lançado com 120min de duração e após alguns anos, voltou ao circuito caseiro/comercial/cult com cerca de 40 minutos a menos.

No auge de suas pretensões de filmar com poucos recursos, sem qualquer equipamento para captação de som, iluminação e outras frescuras cinematográficas gravou após uma pausa de cinco anos outro longa, Canibais & Solidão (que já ganhou mensão neste blog), uma comédia romântica pretensiosa sobre canibalismo. Apesar do título querer vender a história de canibais, tem muito pouco disso no filme, que não passa de uma divertida aventura romântica adolescente.

Ainda há espaços para mais dois trabalhos em curta-metragem: Mistério da Colônia, de 2003, que contou com a participação do apresentador global Luciano Huck, e o novíssimo Extrema Unção, 2010, rodado com a desculpa de testar uma câmera digital nova, estrelando a avó do diretor, Odina do Monte, como uma assombração.

Entrei em Pânico 2 – A Crítica

Só pra avisar: se você ainda não assistiu ao filme, nesse texto contém uma série de informações que talvez vá revelar uma ou outra surpresa. Então, te liga!

Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na sexta-feira 13 do Verão Passado Parte 2 – A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween, sim, esse é o nome completo do filme, não é o melhor trabalho na filmografia de Felipe M. Guerra. Ainda curto mais o nostálgico Patrícia Genice. Mas pra ruim não serve também. Na real, todos os filmes do diretor, lembrando que são feitos de forma amadora, estão naquele naipe “é tão ruim que chega a ser bom”.

Tobão e a namorada curtindo um chimarrão na cena que abre o filme

De cara, os expectadores são apresentados a uma rápida recapitulada aos acontecimentos da história antecessora, que mostrava o massacre de um grupo de jovens na concentração de sua festa de formatura. O assassino em questão era um dos colegas, que sofria com a corneta e a tiração de sarro, muito, por causa do nome, Geison. Vestido com a roupa e a máscara do assassino da série Pânico, Geison matou a faconadas, torneiradas e marteladas seus colegas do tempo de ginásio e outros desavisados. Ao que sabemos, apenas duas pessoas sobreviveram à chacina: Eliseu e Niandra, interpretados respectivamente por Eliseu Demari e Niandra Sartori, que, ao final do primeiro filme prometem retornar na Parte 2 para acabar com a raça do assassino maldito.

Passados sete anos dos acontecimentos que marcaram a história de Carlos Barbosa  com o “massacre da sexta-feira 13”, o medo dos sobreviventes renasce após um duplo homicídio as margens do Lago Cristal (citação mais que pífia). A cena que abre o filme, ao som de Vento Negro, tocada por Tobão (Tobias Sfoggia) retoma de maneira muito competente tudo que ocorrera antes. Mesmo assim, o diretor/roteirista/produtor/editor (estilo Robert Rodrigues-faz-tudo) insiste em explicar mais e mais vezes o que todo mundo já entendeu (ou pelo menos desconfia), tratando e expectador como um completo idiota.

Niandra, ao lado do seu guarda-costas, tentando se recompor do passado

Falando nisso, eu não entendo porque Felipe insiste em explicar tanto, tanto e tanto o que os personagens querem fazer, porque eles fazem e como é que eles fazem, e ao mesmo tempo apela para piadas internas e citações de seus outros filmes, como o manjado jargão “Eu sou gatão, eu sou gatão!” ou a péssima fala “Porco Dio, não me mata!”. Se por um lado ele acha que os espectadores nunca viram um filme na vida, ele também acredita fielmente que, assim como Tarantino, pode ser dar o luxo de citar sua própria obra, porque afinal, todo mundo a conhece!?

Mas enfim, voltando. Assustado, Eliseu procura por Niandra, que vive agora sob a tutela de um segurança particular, interpretado de forma magnânima por Leandro Fachinni. Paralelamente, Goti (Rodrigo Guerra, irmão do diretor), leva uma vida secreta em Porto Alegre, em uma cadeira de rodas, escondendo de todos a sua sobrevivência ao massacre do primeiro filme. Numa bela manhã ensolarada, Goti decide retornar a Carlos Barbosa acompanhado pelo seu pervertido e putanheiro psiquiatra, interpretado por Kiko Berwanger, após ler uma notícia sobre um assassinato no jornal. Para retomar: no primeiro filme, Goti havia sido atravessado por um facão de açougueiro, enquanto estava deitado na cama. A tosquisse do retorno de Goti é tratado de forma cômica, em um diálogo que explica toda a trajetória do personagem: “Goti, tu foi atravessado por um facão, imagina a probabilidade de sair vivo de algo assim, só em um filme muito ruim mesmo”, divaga o psiquiatra ao paciente.

Goti e o seu psiquiatra decidem voltar para Carlos Barbosa

Saltando um pouco no roteiro, de volta a Carlos Barbosa, numa noite de sexta-feira, 13, um grupo de adolescentes ensaia uma bebedeira antes da sua formatura do colégio. São quatro meninas e um cueca, que são surpreendidos de forma rápida pelo assassino com as mesmas vestes do vilão lá do primeiro filme. O massacre é cruel. O assassino se diverte degolando uma menininha, estripando outra, arrancando o olho do rapaz, etc… Ninguém sobrevive. Niandra e Eliseu vão até a festa para checar se está tudo bem com a galera, mas chegam tarde demais.

Após a calamidade daquela montoeira de sangue, não há mais dúvidas: Geison, o assassino original, está de volta para terminar o serviço. Até então o filme estava em um pique baixo, mesmo com muito sangue e muito humor, na maioria involuntário. A intenção de Felipe em se apoiar aos clichês de filmes de terror é interessante, mas volta e meia incomoda quem espera algo um tanto novo ali. Pelo menos as mortes são mais originais que no antecessor, uma vez que o bairrismo gaúcho inspirou o diretor a colocar chimarrão, salsichão com pão e até uma garrafa velha de vinho nas grotescas cenas sangrentas.

O assassino mascarado obersava suas póximas vítimas

Passados os sustos iniciais, os três remanescentes se encontram após tantos anos, na casa de Niandra. Em uma cena onde poderia ser explorado um pouco mais o lado humano daqueles calhordas, o filme passa reto, e não deixa nenhuma brecha para um pingo de emoção sequer. Dessa forma, os três se unem para fugir/matar o assassino no improviso mesmo.

Um vício que me pareceu presente, quase que como um cacoete do diretor/montador é o uso de fade – out, aquele efeito de terceira utilizado pra escurecer a tela de forma lenta e marcar a passagem de tempo, tipo de um dia pra outro, ou muito mais que isso. Já que o filme se passa todo em três dias, é um exagero usar quatro… cinco… seis vezes… ao longo da história.

No universo estúpido dos filmes de terror existem algumas regras estúpidas, inclusive que o próprio Felipe faz alusão no primeiro filme, com uma reportagem sobre o lançamento de um livro chamado “Porque os Filmes de Terror são tão Estúpidos”. E é baseado nessas regras estúpidas que surge o grande acerto de Entrei em Pânico 2! Os personagens de Goti, Niandra, seu guarda-costas e Eliseu (com sua inseparável espada samurai!) decidem se esconder em um sítio no interior da cidade, rodeado pelo mato e isolado de tudo! Ali, com as janelas e portas envidraçadas e escancaradas, os personagens pretendem se proteger do matador!

O cueca da festinha que acabou caolho

O que acontece depois é uma série de cenas ainda mais estúpidas. Indignado com a facilidade dos acessos da casa, o guarda-costas decide ir até a casa de ferramentas pegar madeira e pregos para fechar portas e janelas. Deixando os três cagões sozinhos na casa e, claro, morrendo esquartejado no galpão mesmo. Aliás, essa cena é a mais engraçada do filme, com um momento musical protagonizado pelo segurança.

No calar da noite, o assassino ataca os personagens principais que a princípio conseguem escapar, se dividindo pelo meio do mato, e se reencontrando para o gran finale, lá sem muita graça, já que a ausência do assassino original pesa muito na conclusão da história. O assassino original, Geison, diga-se de passagem, é interpretado por este que vos escreve essas linhas mal traçadas.

Menininha inocente que também vai pro brejo

O filme ainda guarda espaço para banhos de sangue mais convincentes do que de muitas porcarias que circulam pelos multiplex mundo afora, realizado com maquiagem profissional que dá um pouco mais de seriedade a toda aquela besteira. Os sustos que surpreendem a platéia também são muito interessantes e acredito que um pouco da graça esteja nesse tipo de coisa, que não é lá bem bolada, mas fazem bonito o seu papel.

Há espaço para uma conclusão mais completa, mas o fim da projeção às pressas, faz jus ao final tosco do primeiro filme. Felipe Guerra ainda guardou espaço para uma surpresa, que não engana ninguém, já que um dos diálogos mencionando filmes clássicos de terror dão conta de estragar um pouco desse final surpreendente.

Mas n final das contas vale os 80 minutos gastos, já que consegue fazer o espectador rir, se enjoar, se assustar e, mais que tudo, concluir que nem só de mega-produções vive o homem. O filme foi exibido pela primeira vez no Fantaspoa (Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre), no dia 3 de julho, e, em seguida, ganhou sessões no Cine Ideale, no berço de Carlos Barbosa. Acredito que logo será lançado em DVD, com compras direto com o diretor, mas até lá fique atento a mostras e festivais menores de cinema para dar uma olhada nessa nova obra-prima do meu muy amigo – o Shit!

O resto de uma das vítimas do novo massacre da concentra de formatura

Ficha Técnica:

Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado Parte II  – (2011) – Horror
Brasil – 80 min – Classificação: 18 anos

Direção: Felipe M. Guerra
Roteiro: Felipe M. Guerra
Produção: Eliseu Demari, Felipe M. Guerra, Rodrigo M. Guerra
Efeitos especiais: Ricardo Ghiorzi
Maquiagem: Ricardo Ghiorzi

Elenco

Eliseu Demari (Eliseu)
Niandra Sartori (Niandra)
Leandro Facchini (Guarda-costas)
Rodrigo M. Guerra (Goti)
Kiko Berwanger (Dr. Samuel Lumis)
Oldina Cerutti do Monte (Dona Pamela)
Bruna Seimetz (Bruna)
Maiara Pessi (Maia)
Angélica Dalsin (Angélica)
Thaís Cristina Formentini (Thaís)
Cleo Meurer (Cleo)
Felipe da Silva (Pato)
Thobias Sfoggia (Thobão)
Kasha (Dominatrix)
Ana Carolina Lufiego (Namorada de Thobão)
Zica Fajardini (Mãe de Bruna)

Fábio Prina_27/07/2011

O Muro em Porto Alegre

A notícia não é nova, mas ainda não tinha encontrado aqueles 15min de ócio para registrar aqui. Roger Waters virá a Porto Alegre, com a maior turnê da história do rock progressivo, The Wall.

Isso não é um boato não! Já tem dia e hora marcada, o local ainda está à definir, mas fala-se muito no Olímpico Monumental, já que o campinho do aterro estará em reformas para a Copa na ocasião. O dia histórico será 17 de março, do próximo ano, um sábado que perpetuará na história, assim como aquele longíncuo março de 2003 ainda faz.

Para os pegos de surpresa, Roger Waters, além de ser o Richard Gere do rock, foi baixista, vocalista, fundador e gênio musical da maior e melhor banda de todos os tempos, o Pink Floyd. Desde  de guri, quando tocava com a galera na Universidade de Cambrigde até o início dos anos 80, quando saiu da banda, foi reverenciado pela sua criatividade a frente das letras que marcaram a história da música.

Essa será a segunda passagem do semideus pelos pagos do Rio Grande. Como dito antes, ele esteve por aqui no dia 12 de março de 2003 e quase completará 9 anos da sua histórica apresentação da turnê In the Flesh, a qual fez os fâs derramarem lágrimas no gramado sagrado da Azenha. Waters ainda teve mais uma passagem pelas terras tupiniquins em meados de 2007, mas excluiu a capital gaúcha de sua turnê, Dark Side of the Moon, onde apresentava na íntegra o álgum homônimo dos tempos do Pink Floyd.

Voltando ao que virá, lá se vão 44 anos da fundação do Pink Floyd. Em 1967 era lançado o disco The Pipper at the Gates of Down, que juntamente com o álbum Sgt. Peppers Lonenly Hearts Club Band, dos Beatles, seria o marco inicial da música psicodélica mundo afora. Foram diversos discos históricos, incluindo a fase de ouro da banda, iniciada por Dark Side of the Moon, complexo e dinâmico disco progressivo, em 1973, e encerrado exatamente por The Wall, uma ópera rock sem prescedentes, até hoje reverenciada como a grande obra da banda, em 1977. Aos, 68 anos, Waters é o único membro original da banda que continua na ativa, esbanjando energia e pretenção em suas apresentaçãos.

The Wall, o disco, foi um sucesso absoluto, galardoado com Platina 23 vezes. Chegou ao topo dos mais vendidos logo após o lançamento e parmaneceu ali por muito tempo, hoje é considerado o 3º álbum mais vendido de todos os tempos do concorrido mercado norte-americano. Após seu lançamento, em 1980, as apresentações de The Wall ganharam sua primeira montagem, com 27 shows apenas na Inglaterra, Alemanha e nos EUA, que acabaram dando prejuízo para a banda, devido a sua grandiosidade. Em 21 de julho de 1990, já atuando solo, o músico encenou a mega-produção em Berlin, na Alemanha, na época para fazer o maior concerto ao ar livre de todos os tempos, para homenagear o país pela queda do famoso muro, que acontecera um ano antes. Em diversas partes do planeta o show foi transmitido ao vivo na ocasião e em 2003 ganhou uma versão luxuosa em DVD. No Brasil, ainda pode ser encontrado em uma edição simples, digna de ser vendida em revistas de quinta categoria, em bancas de rodoviária, por aí.

Porém, mesmo com essa bagagem toda, comparada com a nova roupagem de The Wall Tour, os velhos show parecem brincadeiras de jovens despretenciosos. A estrutura agora trata-se de um muro de 137 metros de largura e 11 de altura, montado entre o palco e a plateia. São 424 tijolos que dão forma a super obra, contruída em 45 minutos, enquanto se é apresentada a primeira parte do show. São 172 alto-falantes, incluindo sorrounds e monitores, mais pirotecnias para dar vida ao espetáculo. 23 projetores são responsáveis pelo movimento que será exibido no próprio muro, com animação original de Gerald Scarfe, que também animou frames para o filme Pink Floyd The Wall, de Alan Parker, lançado nos cimemas em 1982. Ainda, há espaço para o Professor, a Esposa e a Mãe, três personagens que ganham forma através de gigantes bonecos infláveis, de 10 metros de altura.

Tudo isso, exibido nos cinco continentes, iniciado em Toronto, no Canadá, dia 15 de janeiro de 2010, e com encerramento previsto, até então, no dia 25 de março de 2012, no Rio de Janeiro. Apenas o palco usado para os shows é o mais caro e ambicioso da história, com o valor estimado em 37 milhões de Euros. No Brasil, a apresentação será realizada  em três cidades, além de Porto Alegre e Rio, também em São Paulo, que ganhará duas datas.

Curiosidade: em um show da turnê na O2 Arena, em Londres, no dia 2 de maio deste ano, Waters convidou ao palco dois remanescentes da formação clássica do Pink Floyd: David Gilmour e Nick Manson, para dar uma canja na música Outside the wall, que encerra o espetáculo. Rick Wright, falecido, foi o único não presente, daqueles mesmos que tornaram a obra realidade.

A expectativa é grande. Os números surpreendentes e o grande espaço que a mídia vem dedicando dão conta que será um dos maiores eventos musicais da história. Ainda não há informação sobre os valores das entradas, mas a abertura das bilheterias está prevista para setembro por aqui.

Mais Pink Floyd para fãs

Coincidentemente, ou não, será lançado por aqui, no calor da febre Waters, uma série de produtos do Pink Floyd, para encher os olhos de qualquer fã e os bolsos de qualquer gravadora. É um verdadeiro ‘pacotão psicodélico’ com o relançamento de toda obra da banda, mais alguns quitutes, chamados também de versões expierence e immersion dos discos.

26 de setembro – Se você não gastar toda sua grana comprando o lugar mais VIP do estádio para o show The Wall, pode passar em uma loja para conferir a versão remasterizada dos 14 álbuns do Pink Floyd, que podem ser comprados separadamente ou em um box chamado Discovery; Ainda, chega ao mercado também as edições Experience e Immersion do disco Dark Side of the Moon, incluindo uma versão com seis discos (credo!!!), em DVD, CD e Blue-Ray, com trechos de gravações, reportagens e afins;

7 de novembro – A Foot In The Door – The Best of Pink Floyd, coletânia com 16 músicas que marcaram a história da banda, com material gravado no show no Wembley Stadium, em 1974; Mais as edições Expierence e Immersion do disco Wish You Were Here;

27 de fevereiro 2012 – Um dia antes do meu aniversário, sairá as edições Expierence e Immersion de The Wall, a segunda, com um total de sete discos, entre CD, DVD e Blue-Ray. Todo material também será lançado em vinil e downloads digitais. Tá aí uma boa dica de presente pra quem quiser me fazer uma surpresinha.

Ufa! Era isso.

[ATUALIZADO – 10/10] Devido ao aumento para oito shows na Argentina, as datas das apresentaçõs de Waters no Brasil foram reagendados. Em Porto Alegre o espetáculo acontece no Estádio Beira-Rio, no dia 25 de março. Valores dos ingressos e outros serviços do show ainda não foram divulgados.

[ATUALIZADO 2 – 14/10] O primeiro lote de ingressos para a turnê The Wall em Porto Alegre, exclusivos para os fãs cadastrados no site oficial do músico, saiu com preços exageradamente salgados e discutido (pelo menos mencionado) neste post aqui.

Fábio Prina_19_07_2011

Top 10 Maxim 2011

Como é postado tradicionalmente, ano pós ano, neste refúgio de cultura inútil na internet, reproduzo a ‘lista definitiva’ das mulheres mais bonitas do mundo. Pelo menos essa é a chamada da revista Maxim quando anúncia sua Hot 100 list.

O esquema, como muitos sabem, é que talvez não seja de consenso de todos, mas com certeza é de apreciação da maioria, que nesta relação estão as personalidades feliminas mais quentes, as mais gatas ou as mais sexys da atualidade. Enfim, essa é a grande lista de mulheres, que há 11 anos, mapeia as celebridades em todo mundo na busca pelo ideal de beleza.

Sem mais delongas, segue abaixo as dez mulheres que encabeçam a Hot 100 List da Maxim em 2011. Tudo mulher bonita pra galera da obra dar uma espiada…. e coisa boa!

Em tempo, se quiserem conferir as Top10 dos anos anteriores, publicadas neste humilde blog, seguem os links: 2010, 2009 e 2008. E, mais uma! Olha só a barbadinha, se clicar sobre as fotos das gatas, cai no link direto da Maxim com mais fotos, perfil e até vídeos das beudades! Como diria meu amigo Roger Lerina… benzadeus!

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Fábio Prina_11/05/11

Titanic 2 (!?)

Sei que ando um pouco afastado dos meus compromissos com este blog, e que cada vez mais escrevo menos. Mas sempre que me surpreendo com alguma coisa legal por aí, direciono cinco minutinhos do meu tempo tri corrido (até parece) para registrar o que eu ando pensando ou fazendo. Daqui há alguns anos quero rever isso e rir ou chorar com o tempo disperdiçado nesse diário virtual que tanto me orgulha.

A pauta de hoje é dedicada a um trailer mais do que bizarro que vi no blog Kibeloco. Titanic 2, um filme sério. Isso mesmo, nada haver com aquelas histórias de fan-films, trailers falsos e recut scenes. Não nada disso, uma legítima produção B, ao melhor estilo Roger Corman irá contar a história de um novo transatlântico, chamado… Titanic 2, que naufraga em sua viagem inalgural!

Mas voltando ao que mais surpreende a torcida nisso tudo. O filme realmente existe e pior do que isso, vai ser lançado mês que vem!!!! Tanto que dei uma catada no Google e tá aí a ficha completa dele no IMDb (Internet Movie Data Base).

O elenco da superprodução reúne o ator Bruce Davison (de X-men) e Brooke Burns (da série Baywatch). A sinopse oficial conta que um luxuoso navio é desafortunadamente batizado de Titanic 2 em homenagem ao centenário do naufráfio do transatlântico que levava Leonardo DiCaprio à morte e James Cameron aos quase 2 bilhões de dolares em bilheteria, o que ele conseguiu 12 anos depois com Avatar, mas isso é outra história. A tragédia, desta vez, acontece com um novo iceberg assassino, que é movido por um tsunami e vai de encontro ao pobres viventes.

Com roteiro e direção de Shane Van Dyke, Titanic 2 sai nos EUA direto em DVD no dia 24 de agosto.

Confira abaixo o fenomenal trailer de Titanic 2, com ênfase para a frase “Looks like history is repeating itself“! Disparada por um qualquer no meio da tramoia, que provavelmente fez uma análise mais do que significativa do que se passava com os roteiristas da encrenca!

Enfim… tá aí a diossa:

Para quem não estiver satisfeito, entre no site Omelete e veja com os próprios olhos uma nota sobre a produção. E de quebra, deem uma olhada nas fotos, para ficar com água na boca, afogados com o basbaquismo!

Fábio Prina_30/07/2010

Dia de Cinema – À Prova de Morte

Três anos após o lançamento, na forma a qual foi concebido, o filme À Prova de Morte, do cineasta americano Quentin Tarantino, chega em circuito alternativo às salas de cinema da Republica Federativa do Brasil.

Em tempos de downloads ilegais, dvd´s importados, youtube, etc… chega a ser uma piada que um trabalho de um dos maiores cineastas de todos os tempos tenha demorado infinitos três anos para aportar aqui. Mas fazer o quê?

Para quem nem lembra mais de onde ouviu falar de À Prova de Morte desde o longínquo ano de 2007, vamos dar uma retomada. Naquele tempo, dois grandes visionários, Tarantino e seu pal Robert Rodriguez, tiveram uma audasiosa ideia, que hoje sabemos – não deu certo. Inspirado nas salas de cinema bagaceiras dos anos 60/70, a dupla realizou uma homenagem aos explotation movies , produções toscas que exploravam violência e sexo e que muitas vezes eram exibidos em cinemas de quinta categoria em sessões duplas, conhecidas como Grindhouse. Eis então, que os diretores juntaram seus talentos e realizaram uma pretenciosa mega produção, chamada exatamente de Grindhouse, com dois seguimentos em longa metragem: Planeta Terror, de Rodriguez; e, À Prova de Morte, de Tarantino, cortada por trailers falsos de outros explotation movies, incluindo Machette, que foi rodado por Rodriguez e chega aos cinemas em outubro.

Como o filme naufragou nas bilheterias norte americanas, a ideia original se dicipou, e a obra foi lançada mundo afora, de forma separada, dando origem aos dois títulos citados. No Brasil não foi diferente, e por motivos de desconfiança da distribuidora Europa Filmes À Prova de Morte ficou engavetado até que seu direitos foram comprados pela PlayArte, e, que, enfim, deu um pingo de esperança para que os fãs tarantinescos pudessem assistir ao trabalho do realizador no meio a qual o projeto foi concebido para ser visto: a sala de cinema.

De tão nostalgico que é relembrar toda via sacra de Grindhouse no Brasil, fui buscar a melhor crítica de cinema já escrita para a produção, do meu velho amigo Felipe Guerra, diretor, crítico, ator, jornalista, bloggueiro, mestrando, curador e cinéfilo. Faz tanto tempo que ele fez esse texto, que nem no novo site do Boca do Inferno é possível localozá-lo. Então, em forma de homenagem, publico uma parte do longuíssimo texto de Grindehouse sobre À Prova de Morte, na íntegra , sem a devida autorização do seu autor. Espero que ele não se importe!

Ainda sobre Felipe, gostaria de agradecer o tal por ter me dado a honra de conhecer pessoalmente, na última semana, o cineasta italiano Luigi Cozzi, que esteve no Brasil participando do Fantaspoa – Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Mas isso não tem nada haver com o resto da história.

Segue a encrenca abaixo:

Grindhouse

por Felipe M. Guerra

Segmento À Prova de Morte

– Você já viu algum filme onde o carro bate de forma tão violenta que não existe forma de alguém sair inteiro de dentro dele? Como você acha que eles fazem isso? – questiona Stuntman Mike McKay, o personagem principal de DEATH PROOF, numa cena-chave da película.

– CGI? – responde a inocente mocinha, fazendo com que o pobre dublê, interpretado por Kurt Russell, chegue a se engasgar!


Este diálogo reflete a insatisfação do próprio Quentin Tarantino, que criou a história para seu segmente de GRINDHOUSE baseado na paixão que tem pelas velhas produções com perseguições e desastres automobilísticos, tipo BULLIT, de Peter Yates, ou OPERAÇÃO FRANÇA, de William Friedkin. Ele odeia o fato de as produções atuais trazerem efeitos e carros criados em computação gráfica, o que facilita bastante o trabalho do diretor e dos dublês, mas por outro lado torna tudo mais artificial e menos emocionante para o público. “Acho que não teve mais nenhuma boa perseguição automobilística desde que eu comecei a filmar, em 1992. Para mim, a última cena fantástica do gênero foi em O EXTERMINADOR DO FUTURO 2, e depois PREMONIÇÃO 2 mostrou um magnífico acidente de carros. Entre estes dois filmes, nada de mais. CGI em perseguições é algo que não faz sentido para mim – como é que uma coisa assim pode parecer impressionante?”, queixou-se o diretor, numa entrevista.

Todo o conceito de DEATH PROOF é baseado nos “carros à prova de morte”, construídos pelos dublês dos anos 60, 70 e 80 (quando não existia o conforto e a segurança da computação gráfica) para poderem demolir os veículos contra paredes de tijolos a 100 quilômetros por hora e ainda saírem vivos de dentro da ferragem retorcida. O sistema à prova de morte inclui um cinto-de-segurança especial que prende todo o corpo do motorista ao banco (evitando que ele se espatife contra o pára-brisa no momento da colisão) e uma espécie de “gaiola” resistente que isola o banco do motorista de todo o restante do veículo (para que não ele seja esmagado pelas ferragens e pelo bloco do motor quando o carro amassa). Sendo assim, o carro só é “à prova de morte” para o próprio motorista, é claro…


Foi isso que inspirou Tarantino a escrever a história de um psicótico dublê de Hollywood (o “Stuntman Mike”, em bom português “Dublê Mike”) que diverte-se perseguindo belas garotas e matando-as com seu carro “à prova de morte”. Originalmente, o diretor queria Sylvester Stallone na pele do personagem, já que o ator havia interpretado o vilão e piloto de corrida Machine Gun Joe no clássico ANO 2000 – CORRIDA DA MORTE, produzido por Roger Corman. Como Stallone estava filmando seu ROCKY BALBOA na época das gravações de DEATH PROOF (agosto de 2006), Tarantino foi obrigado a buscar uma segunda opção, o ressuscitado Mickey Rourke. O nome do ator chegou a aparecer em alguns pôsteres de divulgação que circularam pela internet, mas Rourke foi “dispensado” por simplesmente não aparecer no set no primeiro dia de filmagens! Assim, o papel de Stuntman Mike acabou com a terceira escolha do diretor, Kurt Russell. Compondo um personagem ao mesmo tempo cômico e ameaçador, Russell não podia ter sido escolha melhor – até porque é um grande ator que vinha se queimando em filmes fracos.

DEATH PROOF começa com uma longa seqüência que acompanha uma garota caminhando – o que só comprova a tara do diretor por pés femininos, vista anteriormente em KILL BILL, JACKIE BROWN e PULP FICTION. Depois, Tarantino apresenta três amigas, Arlene (Vanessa Ferlito), Shanna (Jordan Ladd, de CABANA DO INFERNO) e a disc-jockey “Jungle Julia” (Sydney Tamiia Poitier, filha do ator Sidney Poitier). Para comemorar o aniversário de Julia, o trio vai até um restaurante mexicano em Austin, no Texas, para tomar margaritas e jogar muita conversa fora com os amigos Dov (o cineasta Eli Roth) e Warren (o próprio Tarantino). Julia confessa a Arlene que anunciou, em seu programa de rádio, que o primeiro homem que chegasse na amiga chamando-a de “Butterfly” (borboleta) e recitando o trecho de um poema de Robert Frost, ganharia dela uma “lap dance” (aquela dança típica das prostitutas americanas, que se esfregam sobre um homem sentado numa cadeira).

E eis que chega no local o misterioso Stuntman Mike McKay, vestido como um piloto de corrida e assustando as garotas com a enome cicatriz que tem num dos lados do rosto. Primeiramente, Mike tenta seduzir Arlene, mas percebe que a garota tem medo dele. Num dos diálogos intraduzíveis que brincam com a pronúncia das palavras, típico do Tarantino (lembra de “your dad is dead” e do “Zed is dead”???), Mike pergunta à garota: “Do I frighten you? It’s my scar?” (Eu assusto você? É minha cicatriz?). Arlene responde: “It’s your car” (É o seu carro), referindo-se ao bizarro Chevy Nova SS 1971 todo negro dirigido pelo dublê, e que tem o desenho de uma caveira no capô. Mike então chama Arlente de borboleta e recita o poema, ganhando como presente sua “lap dance”. Embora a dança não seja mostrada, já que entra o aviso de “missing reel” bem na hora só para provocar o espectador, takes desta cena aparecem no trailer do filme; logo, Tarantino realmente filmou tudo!


A noite vai passando e Mike resolve oferecer uma carona para Pam (Rose McGowan novamente, mas agora com os cabelos loiros). No caminho, explica para a garota o que é um “carro à prova de morte”. E também se revela um psicopata, quando começa a dirigir perigosamente para assustar sua vítima. “Você sabe… O carro é à prova de morte. Mas, para isso, você realmente precisaria estar sentada no meu assento…”, diz Mike, que então pisa no freio em alta velocidade e faz com que Pam arrebente a cabeça no pára-brisa do carro. Ainda sedento de sangue, o dublê psicopata pega a estrada, alcança o carro onde estão Arlene, Shanna, Julia e a traficante das moças, Lanna (Monica Staggs, dublê de Daryl Hannah em KILL BILL), e acelera contra elas na contramão, com os faróis apagados. Na violenta colisão frontal, as garotas são feitas em pedaços e morrem instantaneamente.

Este é o grande e inesquecível momento de DEATH PROOF. Acredite: perto desta cena, o acidente automobilístico mostrado no começo de PREMONIÇÃO 2 parece coisa de filme infantil. Tarantino filmou o desastre de quatro ângulos diferentes, usando todos os takes possíveis e imagináveis das moças sendo despedaçadas pela violência do choque entre os dois carros – a motorista é catapultada pelo pára-brisa; outra, que dormia com a perna para fora da janela, tem o membro amputado na altura da coxa, e a roda rasga o rosto de uma das caroneiras no banco de trás! O Detran poderia utilizar a seqüência toda nas aulas de direção defensiva da auto-escola! Apenas Mike sobrevive à batida, saindo com diversos ferimentos graves quando seu carro acaba completamente destruído…


Ele é levado ao hospital e interrogado pela polícia. Como substâncias tóxicas e ilegais foram encontradas no sangue das quatro moças mortas (que passaram a noite se chapando), a polícia resolve liberar Stuntman Mike da acusação de homicídio, sob protestos do texas ranger Earl McGraw (Michael Parks, de novo) e de seu “son number one” (James Parks, filho de Michael na vida real, e que fez o mesmo papel em KILL BILL e UM DRINK NO INFERNO 2). Algum tempo depois, recuperado dos ferimentos e com um novo “carro à prova de morte” (desta vez um Dodge Charger 1969, mas novamente com a caveira pintada no capô), o vilão começa a perseguir um novo grupo de garotas no Tennessee.

Elas são Lee (Mary Elizabeth Winstead, de PREMONIÇÃO 3), Abernathy (Rosario Dawson, de SIN CITY), Kim (Tracie Thoms) e Zoe Bell (dublê de Uma Thurman em KILL BILL, que aqui interpreta ela mesma!!!), garotas que trabalham como dublês de cinema e estão indo comprar um Dodge Challenger 1970 idêntico ao carro que aparece no clássico CORRIDA CONTRA O DESTINO. Durante um test-drive, as meninas são perseguidas por Stuntman Mike numa estrada deserta. O problema é que, desta vez, o psicopata encontrou mulheres fortes e determinadas, que transformam caçador em caça!!!

Embora tenha duas cenas realmente fantásticas (o violento acidente e uma longa perseguição de carros SEM CGI), DEATH PROOF é a parte mais decepcionante de GRINDHOUSE. Eu confesso que esperava mais de Tarantino, uma verdadeira enciclopédia de filmes exploitation, ainda mais após seu trabalho arrebatador em KILL BILL – que é muito, mas muito superior a este DEATH PROOF. Entretanto, desta vez o cineasta entrega um roteiro preguiçoso e burocrático, lembrando até o seu segmento na comédia sem graça GRANDE HOTEL. A maior parte do tempo de projeção é utilizada em diálogos, que raras vezes têm alguma utilidade na trama além de destilar a típica cultura pop Tarantinesca. Além disso, o diretor criou uma estrutura narrativa infeliz: apresenta cinco personagens femininas durante um longo tempo (40 minutos) e mata todas sem dó nem piedade, somente para depois apresentar mais quatro garotas (com direito a mais um montão de diálogos) como futuras vítimas do psicopata.


O problema é que como se trata de uma sessão dupla, o espectador já vem de um longa-metragem inteiro (PLANET TERROR) cheio de personagens, ação constante e um festival de violência; quando começa a parte de Tarantino, o ritmo cai vertiginosamente e há mais um montão de personagens para apresentar ao público. Pode até soar estranho para a maior parte da humanidade: alguns minutos antes você estava vendo uma batalha campal entre militares, sobreviventes e zumbis-mutantes, com sangue a rodo, tiros e explosões, e agora terá pela frente um blá-blá-blá interminável e Tarantinesco, incluindo uma cena tecnicamente irrepreensível, mas muito chata, onde a câmera acompanha quatro garotas conversando durante mais de 10 minutos, sem qualquer corte, enquanto tomam café! Se fosse um filme independente talvez o resultado não iria parecer tão arrastado, mas como metade final de um único projeto com três horas de duração, sim, DEATH PROOF realmente cansa, e chega a dar sono! Talvez teria sido melhor se DEATH PROOF viesse ANTES de PLANET TERROR…

Tarantino ainda comete um erro grotesco: mesmo com toneladas de diálogos, ele não consegue dar características e profundidade aos seus personagens. Se Stuntman Mike é um personagem rico e interessantíssimo, interpretado por um ator brilhante (Russell parece estar se divertindo muito como vilão), o roteiro simplesmente desperdiça sua existência, já que sabemos pouco ou quase nada sobre quem é ele e por que faz o que faz. No que concerne às personagens femininas, o diretor mais uma vez prefere enfocar mulheres fortes, lutadoras e determinadas (o que vem fazendo desde JACKIE BROWN), mas falha por não conseguir criar figuras realmente interessantes e com quem o espectador possa simpatizar – até esqueci seus nomes durante a história… E confesso que já estou ficando cansado dos “diálogos de negão” de Tarantino, que enche as frases de expressões “black” como “motherfucka”, “black ass” e “bitch”, mesmo quando são duas garotas branquelas que estão conversando!

Felizmente, o diretor consegue se redimir na conclusão do seu segmento, que é quando DEATH PROOF realmente brilha: o espectador fica na ponta do sofá (ou poltrona, no caso do cinema) acompanhando uma tensa e agonizante perseguição automobilística das boas, como nos velhos tempos, sem computação gráfica e com uma estupenda atuação da dublê Zoe Bell – ela fica pendurada no capô do Dodge em altíssima velocidade, enquanto Stuntman Mike, em seu carrão à prova de morte, tenta derrubá-la. Não tem como não ficar com os olhos grudados na tela, ainda mais quando você sabe que a própria dublê está realmente lutando pela vida no capô do carro, e cada vez mais perto de cair. E a seqüência continua com uma longa perseguição pela estrada, até a fraca conclusão que deixa um gostinho de “quero mais”, sem explicar muita coisa.

O cineasta complementa a brincadeira com as tradicionais “auto-citações” e homenagens a outros filmes. Entre as principais, cabe destacar:

– Uma personagem é vista bebendo o refrigerante da rede de lanchonetes fictícia “Acuña Boys” (nome de uma quadrilha citada em KILL BILL, filme anterior do cineasta)

– O personagem interpretado por Jonathan Loughran dá risadas sinistras idênticas às que o mesmo ator mostrou como o estuprador de KILL BILL

– A vitrola do bar onde as garotas estão, no início do filme, tem a canção “Misirlou” (da abertura de PULP FICTION) entre as mais tocadas.

O Chevy Nova dirigido pelo vilão é do mesmo modelo que o utilizado por John Travolta e Samuel L. Jackson em PULP FICTION.

– CORRIDA CONTRA O DESTINO é citado o tempo inteiro, inclusive no carro dirigido pelas garotas na metade final.

– Outros filmes sobre carros velozes e perseguições pela estrada são lembrados pelas garotas. Ao citar GONE IN 60 SECONDS, uma das personagens diz: “O original, não aquela merda com a Angelina Jolie”. hehehehe.

– Stuntman Mike tem a cicatriz no olho esquerdo, mesmo olho em que Snake Plissken, também interpretado por Kurt Russell, usava tapa-olho em FUGA DE NOVA YORK e FUGA DE LOS ANGELES.

– A velha cabana que aparece ao fundo quando as garotas vão comprar o carro seria a mesma utilizada por Sam Raimi em EVIL DEAD.

– Uma das garotas chama Stuntman Mike de “Zatoichi”, samurai cego dos quadrinhos orientais que já teve diversas adaptações cinematográficas.

– Mike cita a lanchonete “Big Kahuna Burger” (inventada por Tarantino em PULP FICTION).

– Uma cheerleader tem o nome “Vipers” na blusa, uma referência ao “Esquadrão das Víboras Mortais” de KILL BILL.


Tarantino ainda surge com uma inspirada brincadeira típica dos verdadeiros cinemas grindhouse: o título “original” do seu filme (que seria QUENTIN TARANTINO’S THUNDERBOLT) aparece em menos de uma fração de segundo, sendo logo encoberto por um negativo com o título DEATH PROOF sobreposto. Era um golpe freqüentemente utilizado nas salas de quinta categoria, quando um mesmo filme era relançado (com cenas a mais ou a menos) mudando apenas o título com que ele havia sido exibido antes, e normalmente o nome novo era apenas sobreposto ao anterior – foi o que aconteceu, por exemplo, com A ILHA DOS HOMENS-PEIXE!!!

Continuando nas suas apaixonadas citações cinematográficas, Tarantino também se apropria de músicas de outros filmes em DEATH PROOF, como já havia feito em KILL BILL. A abertura tem “The Last Race”, de Jack Nitzche, chupada da ficção científica VILLAGE OF THE GIANTS (1965), de Bert I. Gordon. Mais adiante, na cena em que Arlene “Butterfly” recebe uma mensagem inesperada pelo telefone celular, toca a triste canção “Sally and Jack”, composta por Pino Donaggio para o excelente UM TIRO NA NOITE, dirigido por Brian DePalma em 1981. Já uma das músicas de tensão é “Paranoia Prima”, da trilha sonora de Ennio Morricone para o giallo O GATO DAS NOVE CAUDAS (1971), de Dario Argento. O restante da trilha dá de dez a zero em PLANET TERROR, mostrando que Tarantino não é apenas viciado em cinema, mas também em música. Vale a pena comprar o CD.

É uma pena que DEATH PROOF não corresponda às expectativas de quem espera por algo no estilo de KILL BILL. O mais irônico é que o filme dificilmente seria exibido num verdadeiro cinema grindhouse, já que não tem ação suficiente e nem sexo (nada de sexo, na verdade) para o tipo de público que freqüentava aquelas sessões duplas. Se tivesse sido produzido por Roger Corman (que fez vários filmes baratos com perseguições de carros nos anos 70, como EAT MY DUST e GRAND THEFT AUTO), ele provavelmente obrigaria Tarantino a cortar os mais de 40 minutos de diálogos, ou pelo menos colocar mais batidas de carros e explosões intercalando estes gigantescos tempos-mortos. Considerando que Tarantino é um especialista no cinema exploitation em geral, fico pensando porque ele preferiu gastar mais da metade do tempo do seu segmento com conversa fiada ao invés de partir direto para a ação esperada numa produção do gênero…

Neste sentido, PLANET TERROR é muito mais exagerado, inconseqüente, divertido e “grindhouse” do que DEATH PROOF. E este segundo segmento dá uma pequena idéia do quanto seria imbecil colocar Quentin para dirigir um episódio da série SEXTA-FEIRA 13, boato ridículo que andou circulando na internet há alguns anos… Não que DEATH PROOF seja ruim, mas com certeza poderia ser bem melhor.

Fábio Prina_16/07/2010