Nossa visão do Superbowl

A Rede Globo, maior emissora de TV do Brasil e uma das maiores do mundo, me surpreendeu na manhã desta segunda-feira. Ou eu tenho uma mania de perseguição muito grande, ou realmente ela trata o seu público – nós – como imbecis, ou ainda, nós somos muito desprovidos de inteligência mesmo!

Vi essa matéria hoje de manhã, 4 de fevereiro, sobre o Superbowl 47, que foi transmitido para todo o mundo na noite de ontem e que eu estive acompanhando nas últimas semanas, como um exercício para melhorar a forma de trabalhar eventos aqui no Brasil, já que se trata do máximo em espetáculo para o mundo do esporte.

Quando vi a matéria hoje de manhã achei que, como estava acordando, simplesmente não tinha prestado atenção, já que a preguiça era grande, depois de ter ido dormir por volta das 3h. Mas revendo hoje, a matéria do Bom Dia Brasil, percebi que o editor colocou tudo ali: Quem cantou o hino, quem estava jogando, quem se apresentou no intervalo, quanto custava o comercial, o ingresso, o lanche, enfim..  tudo sobre o Superbowl, só deixaram de fora da matéria um pequeno detalhe: o resultado do jogo.

Não quero aqui fazer apologia para que os nossos noticiários deem mais atenção aos eventos norte-americanos ou qualquer coisa do gênero, mas acho que merecemos o mínimo de informação. Não só o entretenimento e a curiosidade, mas o que aconteceu de fato. Se é um jogo encerrado, pelo menos, quanto foi.

Gostaria de ver a Rede Globo cobrir com essa displicência o Campeonato Brasileiro, ou a final da Copa Libertadores com um time brasileiro, ou o Mundial da FIFA ou mesmo a Copa do Mundo de Futebol. Acho que mais gente ia cair em cima, mas como somos todos burros, um detalhe como esse, num esporte que não é o favorito da maioria, não faz falta.

Em tempo, o Superbowl 47, que foi realizado no Mercedes-Benz Superdome, na cidade de New Orleans-LA, terminou em 34×31 para o Baltimore Ravens sobre o San Francisco 49ers. O Quarterback Joe Flacco foi eleito o melhor jogador da partida. O Ravens venceu o campeonato máximo dos gringos pela segunda vez, enquanto que o 49ers ficou pela primeira vez com o vice no Superbowl, em seis participações, eles são pentacampeões.

Se não deu pra contar o quanto foi emocionante a grande final da NFL 2012/13, pelo menos as principais informações do jogo estão nessas linhas mal traçadas sem grandes firulas.

Eliane Bast mostrando tudo sobre o nada

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Fotografando fotógrafos

Há certas coisas que são simplesmente geniais. Quando digo isso, penso em separar essa expressão e dar ênfase ao simples.

A proposta do fotógrafo americano Tim Mantoani chega ser tola: fotografar fotógrafos. Mas ao mesmo tempo, ela dá cara a uma leva de grandes testemunhas oculares que registraram o nosso tempo.

O negócio é o seguinte: Mantoani retratou entre 2006 e 2011, cerca de 120 grandes nomes da fotografia. A ideia de Tim era simplesmente colocar as imagens, verdadeiros ícones do nosso tempo, junto aos seus autores, pousando de trás da obra. O resultado é maravilhoso e emocionante.

Para dar um pouco mais de charme para essa ideia, o autor do projeto Behind Photographs se propôs a levar seus colegas a um estúdio e fotografá-los com uma câmera instantânea Polaroid de 20×24 polegadas, algo que hoje em dia, é mais do que obsoleto. Só de observar o trambolho no estúdio, com sanfona e chapa para a revelação, dá ares nostalgicos e conceituais a obra.

As imagens de  Behind Photographs viraram um livro que foi recentemente lançado nos EUA, e ainda não tem venda no Brasil. A obra sai por apenas cerca de $60, em uma edição simples, e chega aos $395, um uma limitadíssima edição numerada e autografada. Quando chegar por aqui, preparem os talões de cheques, porque não vai ser barato!

Mas deve valer o investimento, para fazer com que a gente se sinta um pouco mais íntimo destes grandes deuses da fotografia.

Segue abaixo algumas peças que fazem parte da obra, contando que no livro, são mais de 150. Em seguida, também há uma apresentação do projeto de Tim, por ele mesmo, inclusive, detalhando o forma de captura das imagens.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o trabalho, dá pra dar uma visitada na página do projeto.

Vi isso no JacaréBanguela.

Fábio Prina_31/01/2012

Direto do Quarto da Imprensa

Bom, tarde de folga no interior de São Paulo. Chovendo pra caramba por aqui, então estamos ilhados no hotel. O que poderia ser uma tarde de tédio, na real foi até que… produtiva. Muito porque aqui no, agora popular, Quarto da Imprensa, sempre se tem alguma atividade. Seja o Ivanir Pinto passando um boletim ao vivo pra Rádio Garibaldi, o Julio Martins fazendo alguma matéria para o Olá Serra Gaúcha, ou, esse que vos escreve, preparando algum material para a equipe da ACBF Futsal.

Enfim, nessa tarde o Júlio publicou um texto legal sobre um vídeozinho que está bombando na net e aproveitou para contar um pouco dessa situação de ficar ilhado aqui. Reproduzo abaixo, sem a devida licença do autor.

Galera da Imprensa no famoso Quarto da Imprensa em Orlândia – SP

 

Curtam, como ele mesmo recomenda:

O que você faria sem o Facebook?

by Julio Martins

Ótima pergunta não? A cada dia que passa nos tornamos tão dependentes deste mecanismo que sequer podemos pensar em um futuro sem curtidas, compartilhadas, cutucadas e todo o resto. Mas, como dizem por aí, se tudo que é bom um dia chega ao fim, talvez fosse esse o momento de começarmos a nos preparar para essa verdadeira “tragédia”. Pois é. Acreditem ou não, já tem gente imaginando isso.

Sem muita inspiração para escrever por aqui, e dando prioridade para outras pautas por aqui, achei uma ótima ideia postar esse vídeo.

Depois de quatro dias de calor intenso aqui em Orlândia, onde acompanho a ACBF na Taça Brasil pela Rádio Estação, a tarde foi de folga por aqui – e de chuva também. Estávamos por aqui eu e o Fábio Prina, assessor de imprensa do clube de Carlos Barbosa, ouvindo música e trocando umas ideias quando a “pauta” surgiu, ao som de Echo And The Bunnymen.

 

O Fábio me contava que o vídeo, uma paródia de “A Rede Social”, foi apresentado a ele pela namorada Raquel, hoje pela manhã. Uma baita sacada e que vale umas boas risadas. Sendo assim, resolvi compartilhar com os amigos.

Curtam, compartilhem, comentem… aproveitem enquanto o Facebook ainda tá por aí, à disposição.

PS.: Como sei que o Fábio vai ler e colocar defeito no texto, já deixo o recado. Posta do jeito que quiser, mas lá no teu blog.

Fábio Prina_01/12/2011

O lado sombrio de Star Wars

O lado sombrio da força, que antigamente era conhecido como ‘o ‘lado negro’, mas devido a evolução do politicamente correto foi renomeado, é a turma dos malvados nos filmes Star Wars, aqueles que apesar de serem carismáticos, sempre tem algum podre por trás. Com o passar das últimas décadas, não foi apenas essa nomenclatura que mudou nessa série clássica do cinema.

Antes de mais nada, todo mundo deve saber do que se trata Star Wars, certo? Em poucas palavras, é uma hexalogia de aventuras especiais com mocinhos e vilões de propriedade intelectual de George Lucas, diretor de cinco dos seis filmes. Se isso não é suficiente para você, então não se dê o trabalho de continuar a passar os olhos pela tela do computado, será perda de tempo.

Bom, recapitulando, são seis filmes, lançados em duas trilogias diferentes. Uma entre os anos 70 e 80, conhecida hoje como a Trilogia Clássica, e a uma outra lançada entre os anos 90 e 2000, que eu nem sei como é conhecida. Aquela primeira, que revolucionou os efeitos especiais, as trilhas de ficção científica, o gênero sci-fi , o lançamento dos grandes filmes no cinema, etc… também criou uma série de devotos fãs, que hoje devem conhecer a obra tão bem quanto o seu principal criador. Eis que no final da década de 90, Lucas tirou da gaveta uma ideia muito antiga, de contar o prelúdio da séria, aliás não apenas um simples prelúdio, mas uma nova trilogia para descobrirmos as origens dos personages e, para piorar a situação, da mitologia dessa série. Eis que foi lançado em 1999, Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma, que iniciou o bafafá. Bom, sem rodeios chegamos onde a história está para ser recontada.

No próximo dia 25 de outubro, chega exclusivamente para o mercado norte-americano, um filme, no mínimo interessante, que discute o lançamento da segunda trilogia de Star Wars, e acima de tudo, o descontentamento dos fãs mais fiéis com esse ‘lado sombrio’ da série. O nome do trabalho é The People vs George Lucas, 2010 (em tradução livre: O Povo Contra George Lucas), realizado por um cara chamado Alexandre O. Philippe.

Esse projeto teve início em meados de 2007, quando foi criado o site www.peoplevcgeorge.com conclamando os fãs da saga para enviarem suas observações sobre a obra completa de Lucas. Mais de 600 horas de imagens vindas dos quatro cantos do planeta, que variavam desde depoimentos, animações, filmes em 8mm e também, hoje os famosos, fanfilms. Assim, foi dada largada para a criação desse documentário, que, como colocou o meu amigo Felipe Guerra, em sua crítica muito bem humorada, “o dúbio sentimento de amor e ódio dos fãs de Star Wars“.

Em entrevista a uma revista ianque, o diretor do documentário classificou o trabalho como um tributo à geração do youtube, que segundo ele, o próprio Lucas deveria ter escutado enqueanto realizava os novos capítulos da série. Em uma matéria muito recente, o site Omelete destacou os comentários nada amigáveis de um antigo produtor dos antigos Star Wars, que afirmou que as continuações carecem de problemas em “vários níveis”. Bom, a coisa não é boa para o lado do adversário do povo nesta história.

Em contraponto, o filme também reserva espaço para mostrar tudo de bom, digamos o que sobraria para o lado claro, dos fãs de Star Wars, desde as criações em vídeo, passando por diversos outros segmentos de arte e entretenimento, e claro, chagando ao fanatismo extremo que alguns desmiolados tem pelos filmes. Isso sem entrar em toda penga de produtos comerciais que surgiram derivados da séria.

Enquanto esse documentário divertido e muito interessante, para quem se interessa por Star Wars, claro, não chega por aqui, fica a dica para um download ilegal, já que existe versões, inclusiva com legendas imbutidas.

Falando em Star Wars, recentemente foi lançado as duas trilogias da série no formato Blue-Ray, que acabaram batendo recordes da curta história da nova mídia. Em números, cerca de 1 milhão de unidades foram vendidas em menos de uma semana do seu lançamento, algo que somou mais 84 milhões de dólares para os bolsos do estúdio Fox e de Lucas. Na real, esse tipo de recorde não é novidade para franquia, que também esteve no topo de vendas com o lançamento das duas caixas em DVD para os filmes, a primeira com as versões modernizadas dos filmes antigos e na segunda, com as versões originais e também as alteradas.

Na real, Star Wars já tem tanto relançamento e versão alternativa, estendida, modificada que eu nem me lembro mais qual foi a porra do filme que eu vi. Mas não pense que acaba por aí, ainda tem muito dinheiro, digo, muito formato para explorar! Em fevereiro de 2012, o primeiro capitulo da nova trilogia, aquele que afundou toda mitologia da série e provocou desgosto entre fãs mundo afora, aporta nos cinemas em 3D!!! Uau, não dá pra ficar de fora dessa, né, então já é bom ficar ligado, comprar os ingressos antes e conferir de perto o mesmo filme que você provavelmente conferiu na Sessão da Tade, em VHS, no relançamento no cinem, em DVD remastezidado, em DVD original chinelão e em Blue-Ray, mais uma vez. Bom, pelo menos eu fiz isso…

De qualquer maneira, para quem se interessar um pouco em conhecer o lado sombrio de Star Wars segue abixo o trailer desse filme que, no mínimo, deve ser muito bacana, aos devotos fãs da série.

Obs1: Este texto contém informações extraídas d’O Globo.

Obs2: Todas as muitas vezes que as palavras Star Wars são mencionadas, elas aparecem grifadas em itálico, para lembrar que isto partence ao seu criador, a LucasFilm e a Fox.

Obs3: Acabei de me flagrar falando sobre abusos comerciais mais uma vez em um dos meus textos. Acho que porquê ando meio quebradaço por esses dias, não ando muito simpático com compras, produtos e eventos caros.

Fábio Prina_ 21_10_2011

Quanto vale ou é por quilo?

Na última sexta-feira, 14 de outubro, sairam os ingressos em pré-venda para o esperadíssimo (pelo menos para este blogueiro de final de semana) show do ex-integrante do Pink Floyd, Roger Waters, no Brasil.

Antes de entrar no mérito de valores, cabe salientar que esta pré-venda foi realizada exclusivamente para áreas nobres dos espetáculos que passam por PoA, Rio e, em duas datas, em São Paulo, destinadas a fãs que se cadastraram no site oficial da turnê The Wall.

Pois bem, em Porto Alegre (como falamos neste post anterior), onde a função foi remarcada para o dia 25 de março, véspera de aniversário da minha namorada amada, no estádio Beira-Rio, os tickts surgiram à venda com valores de R$280 e R$500, respectivamente para “cadeira coberta” e “plateia VIP”. Para um apreciador de espetáculos elitistas, os valores não assustam, tendo em vista que Bob Dylan, João Gilberto, entre outros, oferecem entradas com valores muito acima desses. Já um corriqueiro expectador de eventos,  tal como eu, fica numa estranha sensação. Quinhentos reais, quase um salário mínimo, para um show, mesmo se tratando de Roger Waters, e mesmo se tratando de The Wall, é algo a ser refletido.

Digo com absoluta certeza, em Porto Alegre, este é o maior valor já colocado ao grande público para um show ao ar livre. Claro que houveram exceções nos camarotes ultra VIP do show do Paul MaCarney ou nas cadeiras premium da vida em outros espetáculos de menor expressão até, mas de pé, na pista, no meio da massaroca, nunca tinha ouvido falar em quinhentão pra ver um show. E quando achei que estava delirando, sentindo o punhal fisgar o bolso, li que em São Paulo, onde Waters se apresenta em dois dias no Morumbi, o valor da plateia VIP é de incabíveis R$900.

Volto a dizer que estamos falando de um espetáculo de proporções bíblicas, ou quase. Mas em censo comum, uma grana dessas nos faz refletir, e muito. Como comentei em alguma discussão no facebook, em 2002, quando alguns amigos e eu fomos conferir o “gênio do Pink Floyd”, como vendia os anúncios e outdoors, pela primeiríssima vez no país, o preço do ingressos mais caros, era o que havíamos comprado por R$50. Simplesmente dez vezes menos do que o atual preço. Há também que salientar que naquela época, não havia pista premium, vip, supervip, plateia gold e afins para os espetáculos, deixando toda boiada junta, sem cobrar muito mais, para aqueles que estivessem dispostos a pagar.

Enfim, feito o desabafo, ainda não adquiri o meu ingresso para o caríssimo show de Roger Waters em PoA, em março do próximo ano, mas ainda estou firme na ideia de prestigiar este, que é um dos grandes, senão o maior, ídolo da música para mim. Mas fica essa reflexão, afinal, quanto vale ou é por quilo?

[Atualizado – 27/10] – Saiu ontem, dia 26 de outubro, os preços e setores completos para a The Wall Tour, em suas quatro apresentações no Brasil. Os preços ficaram naquela mesma média comentada anteriormente, e o ingresso mais caro ficou mesmo aquelas $500 pratas que apavoraram os desavidos. Segue abaixo a lista completa de valores e um mapinha bacana para se localizar melhor no chiqueirão da Padre Cacique, cortesia da Time4Fun.

PORTO ALEGRE – Roger Waters The Wall
Local: Estádio Beira Rio: Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas – Porto Alegre – RS
Data da apresentação: 25/03/2012
Horário show: 20h
Classificação etária: 12 a 13 anos acompanhados dos pais. Acima de 14 anos, desacompanhados.
Capacidade: 48.001 lugares
Acesso para deficientes

Setor
PISTA PRIME R$ 500,00
PISTA R$ 240,00
ANEL INFERIOR R$ 240,00
CADEIRA COBERTA R$ 280,00
CADEIRA DESCOBERTA R$ 180,00
– Pré-venda American Express® Membership Cards e Bradesco Cartões: entre 29 e 31 de outubro de 2011
– Vendas ao público em geral: A partir de 01 de novembro de 2011
– Vendas limitadas a 06 ingressos por pessoa

Fábio Prina_18_10_2011

Crowe – o duplo

Passados seis anos do lançamento de Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown), 2005, dois trabalhos do diretor, roteirista e produtor Cameron Crowe chegam aos cinemas em 2011. Primeiro, um documentário realizado com toda autoridade, pelo diretor de Vida de Solteiro (Singles), 1992, sobre uma das bandas responsável pelo movimento grunge nos Estados Unidos: Pearl Jam Twenty. O segundo, um melodrama sofisticado, baseado em uma história verídica, com Matt Damon, Scarlett Johanson e Thomas Hadden Church, encabeçando o elenco, chamado We Bougth a Zoo.

Crowe é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo pra mim. Não só pela destreza em contar uma boa história, mas na maneira autoral em que se inclui nessas histórias, e, acima de tudo, a escolha de histórias que interessam ser contadas.

Antes dos filmes, Cameron Crowe foi jornalista da conceituada revista Rolling Stone, em meados dos anos 70. Sua primeira matéria de capa foi sobre o The Allman Brothers Band, precocemente aos 18 anos, a qual rendeu, juntamente com outras histórias, o roteiro de seu filme mais autoral, Quase Famosos (Almoust Famous), 2000. Nessa época também, conheceu e trabalhou com grandes lendas da imprensa americana, como o editor Ben Fong-Torres e o crítico Lester Bangs.

Drew e Claire, em Elizabethtown

Seu primeiro trabalho, com grande reconhecimento de crítica e público, foi o já citado Vida de Solteiro, ao qual fez uma reflexão sobre um grupo de jovens/adultos na cena grunge de Seattle, na chegada dos anos 90, berço de bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Nirvana.  O trocadilho do título original Singles perdido na tradução para o português, dá conta de citar não apenas as músicas soltas que revolucionariam a indústria mundo afora, mas também o estado civil dos protagonistas. Outros trabalhos que sucederam o sucesso de Vida de Solteiro foram os oscarizados Jerry Maguire – A Grande Virada (1996) e Quase Famosos, o excelente Vanilla Sky (2001), refilmagem do mexicano Abra Los Ojos, e, por fim, Tudo Acontece em Elizabethtown.

No entanto, desde Elizabethtown o diretor não mergulhava no terreno da ficção. Ouve também um outro documentário chamado The Union, sobre o trabalho criativo de Elton John, datado em 2011, mas, que pelo visto, não recebeu lançamento por aqui. No circuito, Crowe ataca em duas frentes completamente diferentes, duas paixões: a música e o cinema autoral.

William Miller ao lado do Stillwater, em Quase Famosos

No cenário dos pomposos documentários sobre bandas e músicos, como exemplo que me ocorre agora, o excepcional Beyond The Lighted Stage, 2010, sobre os canadenses do Rush, Crowe apresenta sua releitura da carreira do Pearl Jam, e seus vinte anos de estrada. Pearl Jam Twenty é um épico biográfico, com imagens inéditas, shows antológicos e confissões intimistas, como a cena que abre o trailer da produção, em uma entrevista ao vocalista Eddie Vedder, feita por ninguém menos que David Linch.

Trailer do documentário

O documentário chega já acompanhado de uma rima de marketing gigantesca ‘celebrando’ os 20 anos da banda. Além do filme lançado oficialmente no Festival de Toronto, no último sábado, dia 10, também está disponível um livro homônimo, escrito por Jonathan Cohen, um CD Duplo que chega às lojas no dia 20 e o DVD, que aporta no dia 25 de outubro. Mas quem quiser conferir o pretensioso filme de Crowe na tela grande do cinema, tem que correr, porque os ingressos já estão à venda para as limitadíssimas sessões, no próximo dia 20 de setembro, em várias cidades do Brasil. Em Porto Alegre a bagunça acontece no Unibanco Arteplex, no Shopping Bourbon Country.

Tudo isso, porém, é um aperitivo para os fãs, que aguardam anciosamente a passagem da turnê do PJ20 pelo país, que contemplará as cidade de PoA, Curitiba, Rio e São Paulo (com duas apresentações), no início de novembro. Pelo visto, a coisa vai ser grande.

Já no campo dos filmes autorais, Crowe foge um pouco dos roteiros a próprio punho, para a adaptação do livro com o mesmo título do jornalista britânico Benjamin Mee, que reconta a época em que adquiriu uma propriedade na Inglaterra, que incluía uma espécie de zoológico falido, chamado Dartmoor Wildlife Park, lar para mais de 200 animais selvagens.

A produção relata a reabilitação da reserva ambiental e o drama familiar de Mee, cuja esposa sofria com um câncer. O filme tem estreia prevista para o Brasil no dia 23 de dezembro, semaninha do natal.

Trailer do filme, previsto para dezembro

Enfim, para quem estava inativo há pelo menos seis anos, boas notícias estão chegando. Esperamos que esse duplo de Crowe traga bons resultados como o restante de sua filmografia. E que suas histórias continuem construindo experiências únicas num cinema simples e introspectivo, impossível de não gostar.

Fábio Prina_15/09/2011

Entrei em Pânico Parte 2 – Uma crítica nada imparcial

Sou um grande fã de críticas cinematográficas. Até mesmo daqueles textos esdrúxulos de revistas de variedades, onde os pseudo-intelectuais que escrevem entendem menos de filmes que qualquer ratão de videolocadora. Mas não sou muito adepto a escrever críticas, talvez porque eu nem saiba como fazer uma, ou talvez porque eu não me sinta a vontade colocando bedelho nos trabalhos alheios.

Mas pra tudo existe exceção, correto? Então, deixo de lado esses despretensiosismos para malhar o último filme do meu ‘amigo’, colega de profissão, vizinho, blogueiro e antiga parceria de ceva Felipe M. Guerra, também conhecido nas entranhas de Carlos Barbosa como o Shit.

Um brevíssimo histórico para encher salame

Para quem é completamente ignorante da pessoa que falamos, vamos fazer um brevíssimo histórico para contextualizar a coisa. Felipe do Monte Guerra, o Shit, é um jovem de trinta e poucos anos, nascido e criado na bela Carlos Barbosa, cidade onde eu também resido, na Serra Gaúcha. Aficionado por filmes bagaceiros de terror, no início de sua adolescência ele iniciou o hobby que, anos mais tarde, não lhe traria fama e fortuna: fazer filmes amadores com amigos, parentes e conhecidos nas condições mais amadorísticas possíveis.

Seu debut na sétima arte foi com o thriller de ação em média-metragem Ponto de Ebulição, de 1995, exibido apenas em sessões fechadas para íntimos e passado de mão a mão através de tenebrosas cópias em VHS. Hoje é difícil ter acesso a esse material escondido do grande público, com uma certa dose de bom censo, pelo ‘estúdio’ particular de Felipe, a Necrófilos Produções Artísticas.

Em 1998, emerge ao público o primeiro trabalho na filmografia oficial do realizador, a incrível odisséia do jovem que queria comer a guria mais boa de Barbosa. O filme era Patrícia Genice, estrelado por Fabiano Taufer, que, com o passar dos anos, foi reeditado e exibido mundo afora em festivais e mostras cinematográficas.

Alguns projetos cancelados depois, Felipe deu início ao seu filme mais conhecido, mais repercutido e mais importante filme, até então. Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado, de 2001 (veja o trailer aqui). A produção, orçada em R$ 250,00, foi o grande marco na carreira do realizador, com matérias em TV nacional, revistas especializadas e convites para engrenar de vez a carreira cinematográfica do Spielberg da Serra Gaúcha (!). O longa foi lançado com 120min de duração e após alguns anos, voltou ao circuito caseiro/comercial/cult com cerca de 40 minutos a menos.

No auge de suas pretensões de filmar com poucos recursos, sem qualquer equipamento para captação de som, iluminação e outras frescuras cinematográficas gravou após uma pausa de cinco anos outro longa, Canibais & Solidão (que já ganhou mensão neste blog), uma comédia romântica pretensiosa sobre canibalismo. Apesar do título querer vender a história de canibais, tem muito pouco disso no filme, que não passa de uma divertida aventura romântica adolescente.

Ainda há espaços para mais dois trabalhos em curta-metragem: Mistério da Colônia, de 2003, que contou com a participação do apresentador global Luciano Huck, e o novíssimo Extrema Unção, 2010, rodado com a desculpa de testar uma câmera digital nova, estrelando a avó do diretor, Odina do Monte, como uma assombração.

Entrei em Pânico 2 – A Crítica

Só pra avisar: se você ainda não assistiu ao filme, nesse texto contém uma série de informações que talvez vá revelar uma ou outra surpresa. Então, te liga!

Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na sexta-feira 13 do Verão Passado Parte 2 – A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween, sim, esse é o nome completo do filme, não é o melhor trabalho na filmografia de Felipe M. Guerra. Ainda curto mais o nostálgico Patrícia Genice. Mas pra ruim não serve também. Na real, todos os filmes do diretor, lembrando que são feitos de forma amadora, estão naquele naipe “é tão ruim que chega a ser bom”.

Tobão e a namorada curtindo um chimarrão na cena que abre o filme

De cara, os expectadores são apresentados a uma rápida recapitulada aos acontecimentos da história antecessora, que mostrava o massacre de um grupo de jovens na concentração de sua festa de formatura. O assassino em questão era um dos colegas, que sofria com a corneta e a tiração de sarro, muito, por causa do nome, Geison. Vestido com a roupa e a máscara do assassino da série Pânico, Geison matou a faconadas, torneiradas e marteladas seus colegas do tempo de ginásio e outros desavisados. Ao que sabemos, apenas duas pessoas sobreviveram à chacina: Eliseu e Niandra, interpretados respectivamente por Eliseu Demari e Niandra Sartori, que, ao final do primeiro filme prometem retornar na Parte 2 para acabar com a raça do assassino maldito.

Passados sete anos dos acontecimentos que marcaram a história de Carlos Barbosa  com o “massacre da sexta-feira 13”, o medo dos sobreviventes renasce após um duplo homicídio as margens do Lago Cristal (citação mais que pífia). A cena que abre o filme, ao som de Vento Negro, tocada por Tobão (Tobias Sfoggia) retoma de maneira muito competente tudo que ocorrera antes. Mesmo assim, o diretor/roteirista/produtor/editor (estilo Robert Rodrigues-faz-tudo) insiste em explicar mais e mais vezes o que todo mundo já entendeu (ou pelo menos desconfia), tratando e expectador como um completo idiota.

Niandra, ao lado do seu guarda-costas, tentando se recompor do passado

Falando nisso, eu não entendo porque Felipe insiste em explicar tanto, tanto e tanto o que os personagens querem fazer, porque eles fazem e como é que eles fazem, e ao mesmo tempo apela para piadas internas e citações de seus outros filmes, como o manjado jargão “Eu sou gatão, eu sou gatão!” ou a péssima fala “Porco Dio, não me mata!”. Se por um lado ele acha que os espectadores nunca viram um filme na vida, ele também acredita fielmente que, assim como Tarantino, pode ser dar o luxo de citar sua própria obra, porque afinal, todo mundo a conhece!?

Mas enfim, voltando. Assustado, Eliseu procura por Niandra, que vive agora sob a tutela de um segurança particular, interpretado de forma magnânima por Leandro Fachinni. Paralelamente, Goti (Rodrigo Guerra, irmão do diretor), leva uma vida secreta em Porto Alegre, em uma cadeira de rodas, escondendo de todos a sua sobrevivência ao massacre do primeiro filme. Numa bela manhã ensolarada, Goti decide retornar a Carlos Barbosa acompanhado pelo seu pervertido e putanheiro psiquiatra, interpretado por Kiko Berwanger, após ler uma notícia sobre um assassinato no jornal. Para retomar: no primeiro filme, Goti havia sido atravessado por um facão de açougueiro, enquanto estava deitado na cama. A tosquisse do retorno de Goti é tratado de forma cômica, em um diálogo que explica toda a trajetória do personagem: “Goti, tu foi atravessado por um facão, imagina a probabilidade de sair vivo de algo assim, só em um filme muito ruim mesmo”, divaga o psiquiatra ao paciente.

Goti e o seu psiquiatra decidem voltar para Carlos Barbosa

Saltando um pouco no roteiro, de volta a Carlos Barbosa, numa noite de sexta-feira, 13, um grupo de adolescentes ensaia uma bebedeira antes da sua formatura do colégio. São quatro meninas e um cueca, que são surpreendidos de forma rápida pelo assassino com as mesmas vestes do vilão lá do primeiro filme. O massacre é cruel. O assassino se diverte degolando uma menininha, estripando outra, arrancando o olho do rapaz, etc… Ninguém sobrevive. Niandra e Eliseu vão até a festa para checar se está tudo bem com a galera, mas chegam tarde demais.

Após a calamidade daquela montoeira de sangue, não há mais dúvidas: Geison, o assassino original, está de volta para terminar o serviço. Até então o filme estava em um pique baixo, mesmo com muito sangue e muito humor, na maioria involuntário. A intenção de Felipe em se apoiar aos clichês de filmes de terror é interessante, mas volta e meia incomoda quem espera algo um tanto novo ali. Pelo menos as mortes são mais originais que no antecessor, uma vez que o bairrismo gaúcho inspirou o diretor a colocar chimarrão, salsichão com pão e até uma garrafa velha de vinho nas grotescas cenas sangrentas.

O assassino mascarado obersava suas póximas vítimas

Passados os sustos iniciais, os três remanescentes se encontram após tantos anos, na casa de Niandra. Em uma cena onde poderia ser explorado um pouco mais o lado humano daqueles calhordas, o filme passa reto, e não deixa nenhuma brecha para um pingo de emoção sequer. Dessa forma, os três se unem para fugir/matar o assassino no improviso mesmo.

Um vício que me pareceu presente, quase que como um cacoete do diretor/montador é o uso de fade – out, aquele efeito de terceira utilizado pra escurecer a tela de forma lenta e marcar a passagem de tempo, tipo de um dia pra outro, ou muito mais que isso. Já que o filme se passa todo em três dias, é um exagero usar quatro… cinco… seis vezes… ao longo da história.

No universo estúpido dos filmes de terror existem algumas regras estúpidas, inclusive que o próprio Felipe faz alusão no primeiro filme, com uma reportagem sobre o lançamento de um livro chamado “Porque os Filmes de Terror são tão Estúpidos”. E é baseado nessas regras estúpidas que surge o grande acerto de Entrei em Pânico 2! Os personagens de Goti, Niandra, seu guarda-costas e Eliseu (com sua inseparável espada samurai!) decidem se esconder em um sítio no interior da cidade, rodeado pelo mato e isolado de tudo! Ali, com as janelas e portas envidraçadas e escancaradas, os personagens pretendem se proteger do matador!

O cueca da festinha que acabou caolho

O que acontece depois é uma série de cenas ainda mais estúpidas. Indignado com a facilidade dos acessos da casa, o guarda-costas decide ir até a casa de ferramentas pegar madeira e pregos para fechar portas e janelas. Deixando os três cagões sozinhos na casa e, claro, morrendo esquartejado no galpão mesmo. Aliás, essa cena é a mais engraçada do filme, com um momento musical protagonizado pelo segurança.

No calar da noite, o assassino ataca os personagens principais que a princípio conseguem escapar, se dividindo pelo meio do mato, e se reencontrando para o gran finale, lá sem muita graça, já que a ausência do assassino original pesa muito na conclusão da história. O assassino original, Geison, diga-se de passagem, é interpretado por este que vos escreve essas linhas mal traçadas.

Menininha inocente que também vai pro brejo

O filme ainda guarda espaço para banhos de sangue mais convincentes do que de muitas porcarias que circulam pelos multiplex mundo afora, realizado com maquiagem profissional que dá um pouco mais de seriedade a toda aquela besteira. Os sustos que surpreendem a platéia também são muito interessantes e acredito que um pouco da graça esteja nesse tipo de coisa, que não é lá bem bolada, mas fazem bonito o seu papel.

Há espaço para uma conclusão mais completa, mas o fim da projeção às pressas, faz jus ao final tosco do primeiro filme. Felipe Guerra ainda guardou espaço para uma surpresa, que não engana ninguém, já que um dos diálogos mencionando filmes clássicos de terror dão conta de estragar um pouco desse final surpreendente.

Mas n final das contas vale os 80 minutos gastos, já que consegue fazer o espectador rir, se enjoar, se assustar e, mais que tudo, concluir que nem só de mega-produções vive o homem. O filme foi exibido pela primeira vez no Fantaspoa (Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre), no dia 3 de julho, e, em seguida, ganhou sessões no Cine Ideale, no berço de Carlos Barbosa. Acredito que logo será lançado em DVD, com compras direto com o diretor, mas até lá fique atento a mostras e festivais menores de cinema para dar uma olhada nessa nova obra-prima do meu muy amigo – o Shit!

O resto de uma das vítimas do novo massacre da concentra de formatura

Ficha Técnica:

Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado Parte II  – (2011) – Horror
Brasil – 80 min – Classificação: 18 anos

Direção: Felipe M. Guerra
Roteiro: Felipe M. Guerra
Produção: Eliseu Demari, Felipe M. Guerra, Rodrigo M. Guerra
Efeitos especiais: Ricardo Ghiorzi
Maquiagem: Ricardo Ghiorzi

Elenco

Eliseu Demari (Eliseu)
Niandra Sartori (Niandra)
Leandro Facchini (Guarda-costas)
Rodrigo M. Guerra (Goti)
Kiko Berwanger (Dr. Samuel Lumis)
Oldina Cerutti do Monte (Dona Pamela)
Bruna Seimetz (Bruna)
Maiara Pessi (Maia)
Angélica Dalsin (Angélica)
Thaís Cristina Formentini (Thaís)
Cleo Meurer (Cleo)
Felipe da Silva (Pato)
Thobias Sfoggia (Thobão)
Kasha (Dominatrix)
Ana Carolina Lufiego (Namorada de Thobão)
Zica Fajardini (Mãe de Bruna)

Fábio Prina_27/07/2011