Roger Waters – Us+Them Tour

Na última terça, dia 30, assisti ao show do meu maior ídolo Roger Waters, em Porto Alegre. Tratou-se do show mais aguardado da minha vida. Digo isso, porque os ingressos foram vendidos, e consequentemente comprados, em dezembro do ano passado, então, tivemos uma janela de 10 meses, entre a compra e a entrega. Mas valeu a pena. Digo mais, valeu a galinha inteira.

Há 10 meses, creio eu, quando a mega turnê teve seu agendamento na América Latina, incluindo o Brasil, ninguém deve ter colocado na balança o turbulento período eleitoral brasileiro, que infelizmente, foi mais valorizado pela mídia que o próprio espetáculo em si. Não me entendam mal, eu compactuo com grande parte do ativismo do artista, apenas acho que o foco da imprensa e dos seus fãs acabou se perdendo em meio ao caos político.

Primeiro ponto, em sua quarta passagem de turnê no Brasil, ele proporcionou a sua mais longa passagem por aqui, nada menos que 8 apresentações, em sete cidades, contemplando quatro regiões. Ainda, relembrando, as turnês anteriores: In the Flesh (2002) e The Wall Tour (2012), privilegiaram apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, enquanto Dark Side of the Moon (2007), apenas Rio-SP.

Outro ponto importante que não deveria nem estar nesse texto é que, um show de Roger Waters sempre teve, como marca registrada, o ativismo humanitário. Logo, isso não deveria ser novidade para ninguém que tem o mínimo de conhecimento sobre o artista. Aliás, tornar isso notícia, soa extremamente ridículo ridículo. Mas vamos lá, com o contexto eleitoral em fervor, a manchete sobre o posicionamento do músico acabou ganhando força na mídia e fora dela, inclusive, com um processo instaurado pelo TSE por campanha eleitoral ilegal. Porém, como pretendo discorrer no texto mais a frente, ir ao show de Waters e se abalar ou se entusiasmar com um comentário sobre o Presidente Eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, é digno da pior metáfora da história: “Como ter sua casa invadida e sua família estuprada e registrar ocorrência por um eletrodoméstico roubado”, autor desconhecido.

Mas vamos falar sobre o show-evento da última terça.

“The sun is the same in a relative way but you’re older,
Shorter of breath and one day closer to death.” (Time – Waters, 1973)

Para quem é iniciado nos shows de Waters, Us+Them Tour não trouxe grandes novidades, como a letra de Time acima, o sol é relativamente o mesmo, mas estamos mais velhos. O que fica óbvio é que Waters recicla seu material mais valioso para formar uma storytelling para o seu mais alto grito de resistência ao totalitarismo e ao terrorismo de estado. Assuntos que já haviam sido tratados de forma pontual, principalmente na turnê The Wall.

Em uma praia paradisíaca, onde nada além das ondas e o vento influenciam o ambiente, o show começa. Duas canções clássicas do álbum Dark Side of the Moon (1973), obra prima do Pink Floyd, banda que Waters fundou e foi a maior referência criativa. A instrumental Speak to Me, chama as atenções ao palco, que se ilumina com a banda para executar Breathe, mostrando na gigantesca tela palco, imagens do universo em formação, destoante com um corpulento globo metálico que marca a sua presença engolindo o ambiente. A abertura é ainda composta de mais uma música, que se contrapôs a linda harmonia inicial, trazendo caos à paisagem. One of These Days, do álbum Meddle, de 1971, foi a música mais antiga executada na noite. A suíte instrumental enérgica, foi apresentada com perfeição como foi gravada há quase 50 anos, no sexto disco de estúdio da banda.

A atmosfera sombria logo dá lugar a euforia com a quarta música, o megahit Time, trazendo a clássica animação dos relógios emergindo da tela para o público, utilizado pela banda na década de 70, quando promovia seu maior clássico mundo afora. A força de Waters para cobrir os vocais de David Gilmour é válida, já que o público cumpriu sua parte em cantar junto a monstruosa canção sobre o tempo, precedida de Breathe Reprise, tal qual no disco, entoadas pelo guitarrista Jonathan Wilson, de forma muito competente.

Apresentação de Time no show teste da turnê, em outubro de 2016

Mais uma vez, respeitando a sequência do disco Dark Side… , as backing singers Jess Wolfe and Holly Laessig of Lucius assumem o protagonismo executando de forma esplêndida os solos vocais de Clare Torry, em The Great Gig in the Sky, alterando um pouco a composição original, para deixar o dueto equilibrado. As cantoras, que se apresentam na turnê com as mesmas vestimentas e perucas, tem a sua imagem sobreposta na tela palco como uma composição com os elementos da natureza, outra marca herdada e respeitada das apresentações originais da banda nos anos 70.

A natureza bela e a sonoridade deliciosa de The Great Gig… dão lugar a outra suíte de difícil absorção aos não iniciados. A pessimista Welcome to the Machine, do álbum Wish you Were Here, começa a ser tocada em uma versão diferente a do estúdio próxima do formato apresentado em In The Flesh, com ritmo de bateria para dar andamento, mas mantendo os vicerais solos de teclado sintetizados, executado pelo competente Jon Carin, parceria de Waters em todas suas turnês. E, que inclusive, esteve ao lado do Pink Floyd, nas apresentações que sucederam o lançamento do disco The Division Bell, de 1994, registrado no clássico show P.U.L.S.E..

Terreno pronto, Waters colou o bloquinho de três canções do seu mais novo disco, Is This the Life We Really Want? seu quinto álbum de estúdio, lançado em 2017, como um manifesto contra todo terrorismo de estado e ascensão do populismo autoritário, o qual ele não mede as palavras para chamar de Neo-Fascismo. Os títulos auto-explicativos provocam o ouvinte a refletir, principalmente sobre o regime apartheid instaurado em Israel sobre os palestinos, as crises de refugiados na Europa e intervenções militares norte-americanas. As canções escolhidas para o bloco foram Déjà Vu, The Last Refugee e Picture That, nessa ordem, abrindo espaço para projeções humanitárias de denuncia sobre as injustiças cometidas pela humanidade.

Waters sabe, nós sabemos, eles sabem. Tudo o que foi mostrado nas telas é frequentemente ignorado pela mídia e pela opinião pública que repudia a doença da sociedade em se focar no âmbito social e pensar no mercado. Se a economia está bem, o mundo está bem, digamos. Mas ele não deixa barato e põe o dedo na ferida que o planeta vive. Claro, isso não é de hoje, nem dessa turnê, ele sabe que o mundo vive e alarde isso em toda a sua obra, desde Dark Side of The Moon.

A desolação e a tristeza da perda se completam com a faixa-título Wish you Were Here, com uma projeção de mãos tentando se conectar, mas despedaçadas. Épico. Triste. Arrebatador.

O soundhound do estádio denuncia o hit Another Brick in the Wall – precedida de The Happiest Days of Our Lifes, todos conhecem os helicópteros chegando para vigiar os estudantes, eternos aprendizes, que estão sendo alienados pelos instrutores. O superhit da ópera rock The Wall, de 1979, é somado ao terceiro e mais violento movimento do disco Another Brick in the Wall – Part III, para dar ainda mais dimensão a música. Crianças sobem ao palco para emular o backing vocal da música, o que a equipe faz com muita competência, ainda da turnê anterior. Sob uma sobre-roupa laranja, que imita o uniforme presidiário americano, as crianças vestem uma camisa preta com a palavra “Resist” e a mesma palavra que é mantida na tela palco pós o encerramento do primeiro ato do show.

Para tornar didático, no curto intervalo de pouco mais de 10 minutos, a tela projeta diversos alienadores mundiais, incluindo Mark Zuckerberg e os Neo Fascistas atuais, que estão no poder mundo afora. Sempre com a mensagem Resist sobre tantas denúncias feitas em tão pouco tempo.

Em suas apresentações em São Paulo, o nome de Jair Bolsonaro esteve presente, sem filtros na primeira apresentação e encoberto por uma tarja com a escrita “Ponto de Vista Censurado” na segunda. Depois de dividir o público, entre aplausos e vaias, a equipe achou por bem retirar o nome, o que não fez a menor diferença ao público de Porto Alegre, que se dividiu entre o grito de guerra “Ele Não” e “Mito”, mostrando que a ignorância é a marca registrada do país do futebol (que acredita que tudo é paradoxal).

“I gotta admit that I’m a little bit confused
Sometimes it seems to me as if I’m just being used” (Dogs – Waters, 1977)

Ainda no intervalo, quatro colunas surgiram no palco. Primeiramente, mostradas na tela palco, com um estrondoso som quadrifônico ensurdecedor, e, em seguida, sobre a tela, dando uma dimensão ainda maior ao espetáculo visual e compondo o cenário para as projeções mapeadas. A “fábrica” capa antológica do disco Animals, de 1977, com seu porco sobrevoando, foi a primeira pirotecnia do show. Lembramos, que esse álbum, tem uma nítida influência do livro A Revolução dos Bichos, escrito por George Orwell em 1945, autor, que também já havia foi mencionado explicitamente, na turnê The Wall, com o seu Big Brother, do livro 1984.

Após as colunas da fábrica se estabilizarem, arrancando a terra do chão, inicia a segunda parte do show. A poderosa Dogs começa a ser tocada pela banda. A música mais longa do show, próxima dos 20 min, proporciona diversas leituras. Neste caso, o direcionamento foi aos autoritários, aos poderosos, aos formadores de opinião pela força. A projeção de um cão raivoso, permanente e amedrontador, deixa isso claro.

Em seguida, outra suíte do mesmo disco inicia. Desta vez Pigs (Three Different Ones), que utiliza a imagem do Presidente Norte-Americano, Donald Trump, para ilustrar a fala de Waters sobre anti-semitismo, xenofobia, racismo, machismo, incesto, pedefilia e outras tantas heranças deixadas por esse desgraçado que assumiu a maior economia mundial, com a promessa de construir um muro entre nações.

Ao mesmo tempo em que os solos de teclado e guitarra sintetizados ocupavam o espaço sonoro, um porco inflável – mais uma das marcas mais clássicas do Pink Floyd – era solto na plateia para ser exterminado. Nele era possível ler “Stay Human”, do doutro lado, “Seja Humano”, em uma das poucas mensagens na língua nativa que Waters trouxe. Ao final de Pigs, ainda se leu: – Trump é um porco!, onde se ouviram aplausos de todo público. Claro, o presidente dos outros a gente sabe que é um merda, o nosso, a gente defende…

Apresentação de Pigs no mesmo show no México. O show ocorreu às vésperas da eleição americana e o vídeo foi postado pelo artista no dia em que Trump foi eleito presidente.

Não satisfeito, a mensagem PIGS permanece na tela, mostrando que “eles venceram”, e outro megahit é apreserntado: Money, novamente do disco Dark Side… . Nos deixamos seduzir pelo riff de baixo e pela linda projeção, mostrando bilionários rindo, banquetes e objetos de luxo. O contraponto acontece ainda durante a canção, que muda o olhar das projeções para situações de extrema pobreza. Assistimos isso diariamente, e somos todos cúmplices da injustiça social ditada pelo mercado. O poder aos ricos e poderosos e os miseráveis, simplesmente miseráveis.

Novamente seguindo o track-on-track do Dark Side of the Moon, chega a canção Us and Then, que dá nome a turnê. Apesar de algumas licenças poéticas no vídeo, as imagens são próximas das projeções floydianas da época do seu lançamento, trazendo o embaraçado mundo, aos pequenos caminhantes anônimos do solo comum. A canção mais bela do disco de `73 deixa claro, o humanismo está presente, mas pouco representativo, numa sociedade de cães e porcos no poder. A construção da mensagem trazida pelo músico, começa a fazer sentido e a encerrar o espetáculo.

Antes do grand finale, sobrou ainda a batida pesada de Smell the Roses, outra faixa do último disco solo de Waters. Em alguns shows, esse momento teve a clássica Mother, do álbum The Wall, deixada de lado. Pelo discurso, entende-se que, talvez pela má aceitação as críticas de governo, não houvesse espaço para ela. Mas a faixa cumpriu o seu papel antes do descomunal fechamento. Ainda, sentiu-se algumas ausências no repertório, como Shine on you Crazy Diamond e músicas do chamado Early Years da banda, onde ainda contava com o controle criativo do falecido Syd Barret. Mas nenhuma ausência ou mudança no repertório comprometeu o espetáculo.

And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon – (Eclipse – Waters, 1973)

Chegado o ato final, algo magnífico para entregar aos seus fãs, Waters tocou as faixas finais de Dark Side… (aqui cabe falar que, com exceção de On The Run e Any Color You Like, o disco foi tocado na íntegra no show), e além disso proporcionou uma experiência visual única, de estar dentro do prisma, a imagem clássica do álbum de maior sucesso do Pink Floyd. Arrebatador, letra e som fizeram muitos floydianos esquecerem as suas diferenças e cantares um uníssino as frases que fecham o maior disco de rock de todos os tempos. O triangulo equilátero perfeito, formado por lasers e luzes, foi ovacionado por todo o público por diversos minutos ao final da performance.

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Reprodução no ápice do show com o Prisma.

Houve ainda um pequeno intervalo, para que Waters falasse ao público. Ele abdicou. Disse apenas que não queria problemas entre os fãs. Talvez, em outras palavras, ele tenha dito: desisti de vocês Brasil! Pode ser, neste momento, em outras apresentações houve até homenagens para a Vereadora Negra, Mariele, brutalmente executada no Rio de Janeiro e para o mestre capoerista Moa do Katendê, morto a facadas após uma discussão sobre política, em Salvador.

Obviamente, ele nunca pensou assim, ele só se deu por conta que esse não é o espaço de fazer valer a sua mensagem, afinal o show todo, era apenas entretenimento. Essa ironia, por mais patética que pareça, foi entendida por grande parte do público como verdade absoluta, o que me deixa revoltado, por ter uma mensagem dão urgente e tão óbvia, que não foi absorvida por muitos.

Por fim, Confortbly Numb, faixa do álbum The Wall, com seus solos de guitarra, desenhados melodicamente por Gilmour, fecharam o show com o excitasse de todos.

Após o fim da canção, a tela palco ainda se mostrou necessária, fechando o arco dramático da praia paradisíaca. Desta vez, uma mulher apareceu sentada, encarando o horizonte. Segundos depois, uma criança, também menina, apareceu e foi em sua direção. As duas se abraçaram antes do fade out. Apesar do final feliz, será que todos podem dizer que podem abraçar seus pares? Talvez a reflexão tenha sido muito pequena.

 

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Como uma pedra rolando

Sir-Bob-Dylan

Às vésperas de comemorar 50 anos, a música Like a Rolling Stone, do Bob Dylan, ganhou hoje, 20 de novembro de 2013, o seu primeiro vídeo clip oficial, que está hospedado no site do cantor e compositor norte-americano. Claro que o lançamento, um tanto quanto tarde do vídeo não é de graça e vem para divulgar um box gigantesco, chamado Bob Dylan – The Complete Album Collection, Vol 1, que, como o nome sugere, inclui os quarenta e um discos de estúdio de Dylan e mais um pouco.

Voltando a Like a Rolling Stone, talvez esse seja o maior hino do rock americano, talvez do rock mundial. Nem os Beatles tem uma música tão emblemática, que voa através de gerações e segue atual, segue com apelo e encantando jovens – filhos e netos dos que já se deixaram encantar pela canção. Lançada em 1965, como single, chegou a figurar em segundo lugar nas paradas americanas, mais tarde se tornou faixa do disco Highway 61 Reviseted, do mesmo ano. A revista Rolling Stone (que tem esse nome por causa de outra música, chamada Rollin´ Stone, de Muddy Waters), colocou a Rolling Stone de Dylan como a número 1, no seu ranking das 500 maiores canções de todos os tempos, realizado em 2010. Outro grande reconhecimento, é do Rock n´Roll Hall of Fame, que também a elegeu ela como uma das 500 grandes da história.

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Novo lançamento de Bob Dylan reúne os 41 álbuns de estúdio do cantor e compositor

Isso sem contar as inúmeras regravações que ela passou, por artistas como Rolling Stones (olha esse nome de novo), David Bowie, Johnny Thunders, David Gilmour, Michael Bolton, John Mellencamp, Jimi Hendrix, entre tantos e tandos outros. De volta ao seu lançamento, a gravadora de Dylan na época, a Columbia Records, não ficou feliz com o resultado da mixagem final, chegando a expurgar a canção para fora de seu catálogo. Após a inclusão de um improviso com uma gaita harmônica e a produção de Tom Wilson, a música vazou do estúdio e chegou a algumas rádios, onde iniciou o seu ciclo de sucesso, que atingiu todo mundo e se tornou símbolo da contracultura norte-americana.

Passados 48 anos, o lançamento do vídeo clip oficial de Like a Rolling Stone não deixa de ser curioso. Claro que tudo foi pensado para promover o novo (re) lançamento de Dylan e explora da uma forma muito interessante o principal veículo onde os vídeos musicais se disseminam atualmente, a internet. O clip na verdade é um hotsite que simula uma TV, com vários canais, onde a trilha se mantém e, em todos os programas, atores, jornalistas, esportistas, desenhos e afins, articulam as palavras da música. Cabe ao telespectador zapiar de canal para assistir ao clip como achar melhor. Entre a seleção de programas, está um show de Dylan em sua melhor forma, nos anos 60, cantando adivinhe o que?

Criativo e interativo, o clip ainda deixa espaço para fazer aquela observação farofeira, de como a música, apesar de tantos anos, pode se moldar a tantos tipos de situações e, sozinha, se auto-reinventar e blá blá blá. 

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Para assistir/zapiar no vídeo interativo de Like a Rolling Stone clique na imagem acima.

Ainda, toda essa publicidade casada me lembrou outro grande comercial que Bob Dylan estrelou, em 2006. Na época, ele lançava disco Modern Times e recebeu um convite de Steve Jobs pessoalmente para estrelar um comercial do iPod + iTunes. Segundo a lenda, Dylan topou fazer de graça e o resultado foi positivo, porque o público jovem acabou se familiarizando com um dos maiores músicos de todos os tempos. Vale a pena assistir a peça, que faz parte da famosa campanha das silhuetas da Apple.

Fábio Prina_20/11/2013

Tarantino´s Ultimate Collection Soundtrack

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Parece um tanto pretensioso, mas vou tentar fazer.

Acontece o seguinte, desde que assisti ao filme Django Livre, do diretor Quentin Tarantino, fiz uma busca nas trilhas sonoras dos filmes dirigidos por ele, ou até mesmo que ele tenha participado, para fazer uma lista atual, definitiva (até que venham novos filmes) e irreverente, com tudo que se ouviu nos filmes do cara. Batizei essa lista de músicas com o singelo título de “The Quentin Tarantino´s Ultimate Collection Soundtrach by Fábio Prina”. Nada original – eu sei -, mas soa legal.

Para tentar explicar o porquê disso, todos que já assistiram algum filme do diretor sabem que a trilha sonora é um show à parte dentro do contexto. Apesar dos filmes tarantinescos terem uma série de características legais, que os tornam divertidos, as músicas que embalam as histórias acabam ganhando vida própria fora da tela grande. Um fato interessante, por exemplo, é que o álbum Music from the Motion Picture Pulp Fiction chegou a figurar a 21ª posição da Billboard, quando foi lançado, na metade dos anos 90. O misto de rock, surf music e soul, temperado com diálogos do próprio filme, fez tanto sucesso que se tornou trilha de festas e trouxe a tona canções que estavam mortas e enterradas. É o caso da faixa Girl, you´ll be a woman soon, originalmente gravada por Neil Diamond, que foi incluída no filme com um cover da banda Urge Overkill e se tornou hit nas rádios.

Para fazer a minha lista (estou com essa coisa de lista na cabeça faz dias) peguei por base os filmes dirigidos por Quentim Tarantino: Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, À Prova de Morte, Bastárdos Inglórios e Django Livre. Cada um tem pelo menos uma ou duas músicas presentes. Também está na minha lista uma faixa do filme Um Drink no Inferno, em que Tarantino é roteirista e participa com uma performance memorável (é muito legal mesmo)!

Poderia ter incluído ainda outras músicas que estão nos filmes Amor à Queima-Roupa, A Balada do Pistoleiro, Assassinos Por Natureza, Grande Hotel e Sin City, que há sim um dedinho do diretor/ator/roteirista/amigo ali, mas como não conheço bem as trilhas, só algumas faixas soltas, deixei fora pra não cair no mais do mesmo.

Falando nisso, há um disco muito bom, que eu comprei há anos e nem sei se está em catálogo, chamado The Tarantino Collection, que traz músicas da primeira fase do cineasta, incluindo filmes que ele foi roteirista até a consagração com Pulp Fiction. Vale a pena escutar. Inclusive, em uma olhada rápida pela iTunes Store, vi diversas coletâneas baseadas nos filmes do cara. Algumas muito picaretas com covers dos covers, mas enfim, material é o que não falta para curtir toda sonzeira fora dos filmes.

TARANTINO

Vamos a lista, em algumas canções eu postei o link para dar aquela ouvidinha imediata.

The Quentin Tarantino´s Ultimate Collection by Fábio Prina

1 – Battle Without Honor Or Humanity – Tomoyasu Hotei – Kill Bill Vol. 1

Música que embalou os trailers de Kill Bill antes de ser dois filmes, antes de ter atrasado mais de seis meses para estrear no Brasil, antes de ser um megassucesso. Aparece na sequência em que A Noiva localiza a vilã Oren Ishii no Japão.

2 – Across 110th Street – Bobby Womack    – Jackie Brown

Canção que toca nos créditos inicias de Jack Brown e também no desfecho do terceiro filme do cineasta. Coincidentemente (ou não) a música também toca nos créditos iniciais de um famoso filme rodado em Carlos Babosa, chamado Patrícia Genice.

3 – Royale with Cheese [Dialogue] – Samuel L. Jackson & John Travolta – Pulp Fiction

Dialogo entre Jules e Vicent antes de uma violenta retaliação contra um grupo de jovens, no início de Pulp Fiction, pelo diálogo dá para perceber que eles não estão lá muito preocupados com o que vai acontecer em seguida.

4 – Jungle Boogie – Kool & The Gang – Pulp Fiction

Toca ainda na abertura de créditos do filme, como se quem estivesse escutando tivesse trocado de estação de rádio, nos modelos com onde se girava o dial, típico dos anos 90.

5 – Staggolee – Pacific Gas & Electric – Grindhouse: Death Proof

Bela cansão que está no pior filme do diretor. Mas vale a pena estar na lista.

6 – Dark night – The Blasters – Dusk till Dawn

Outra música que acompanha os créditos, desta vez no filme Um Drink no Inferno.

7 – A Satisfied Mind – Jonny Cash – Kill Bill Vol. 2

 A Satisfied Mind é a música que Budd escuta em seu trailer, aguardando que A Noiva venha para se vingar.

8 – Slaughter (Album Version) – Billy PrestonInglourious Basterds

Essa música serve apenas como vinheta para a apresentação do bastardo Hugo Stiglitz, em Bastardos Inglórios. Detalhe para a voz de Samuel L. Jackson que narra a trajetória do anti-herói no filme.

8 – Ode To Oren Ishii – The RZA – Kill Bill Vol. 1

Essa mistura de rap com a trilha adaptada do filme está na trilha sonora de Kill Bill Vol. 1. O rapper RZA conta a história da vilã Oren Ishii com uma pequena música que está no filme, ela toca no momento que A Noiva corta o tendão de Buck.

9 – Too Old to Die Young – Brother Dege (aka Dege Legg) –Django Unchained

Uma das faixas mais legais de Django Livre dá um pouco de clima country-rock para o filme.

10 – Down In Mexico – The Coasters –Grindhouse: Death Proof

É a música que toca na lap dance que Stuntman Mike ganha da Butterfly. Originalmente a sequência não estava presente, quando À Prova de Morte havia sido lançado junto com Planeta Terror, no projeto Grindhouse.

11 – Stuck in the middle with you – Stealers Wheel – Reservoir dogs

Música está tocando no galpão onde o que restou da gangue aguarda o próximo passo e torna corriqueira a cena mais violenta do filme.

12 – Let’s Stay Together – Al Green – Pulp Fiction

Música de fundo no diálogo entre Marcelus Wallace e Bunch.

13 – Cat People (putting Out the Fire) – David Bowie – Inglourious Basterds

A curiosa concepção de trilha sonora fez com que essa canção de David Bowie tocasse em um filme de segunda guerra sem parecer ridículo.

14 – Stuntman Mike [Dialogue] – Rose McGowan & Kurt Russell – Grindhouse: Death Proof

Diálogo de apresentação do assassino antes de fazer mais uma vítima inocente.

15 – Baby It’s You – SmithGrindhouse: Death Proof

Outra música legal de À Prova de Morte, de fato a trilha mais próxima de ser comercial do diretor.

16 – Little green bag – George Baker Selection – Reservoir dogs

Mais uma música que toca nos créditos de abertura.

17 – Didn’t Blow Your Mind This Time – The Delfonics – Jackie Brown

Uma bela canção que nos remete muito bem ao climão romântico dos anos 70.

18 – “In the Case Django, After You…” [Dialogue] – Christoph Waltz – Django Unchained

Dr. Schultz convida Django para um novo tipo de trabalho.

19 – Django – Luis Bacalov Django Unchained

Além do nome Django e da presença de Franco Nero essa música deve ser a única coisa que o filme tem de comum com os velhos Djangos. Também toca na sequência de créditos iniciais.

20 – Girl, You’ll Be a Woman Soon – Urge OverKill – Pulp Fiction

Antes de ter uma overdose, Mia entra no clima com essa balada que virou sucesso após o filme.

21 – I Got a Name – Jim Croce – Django Unchained

Sequência do tipo propaganda da Malboro em Django Livre é uma preciosidade. A música esquecida embala a fase de transformação do personagem, que tem um nome! Há! Entedeu?

22 – The Last Race – Jack Nitzsche – Grindhouse: Death Proof

Música dos créditos de abertura, também…

23 – The Legend of Pai Mei [Dialogue] – David Carradine –  Kill Bill Vol. 2

Sequência em que Bill conta para A Noiva a lenda de Pai Mei. Diálogo clássico!

24 – A Silhouette of Doom – Enio Morricone – Kill Bill Vol. 2

Morricone tem sido um coringa de Tarantino em seus últimos quatro filmes. Está sempre presente. Esse clássico abre os créditos da segunda parte de Kill Bill.

25 – Six Shots Two Guns [Dialogue] – Samuel L. Jackson – Django Unchained

Dialogo nonsense de Django Livre

26 – Unchained (The Payback/Untouchable) –  James Brown/Tupac –  Django Unchained

Essa é legal! Unchained pega o nome original do filme e mistura duas canções: The Payback, de James Brown, e Untouchable, de Tupac Shakur, ambos figuras emblemáticas da cultura afro norte americana que já faleceram.

27 – Jack Rabbit Slim’s Twist Contest [Dialogue] / You Never Can Tell  – Chuck Berry –  Pulp Fiction

Oura canção que se tornou popular após o filme. Embala o concurso de twist no Jack Rabbit Slim.

28 – The Flower Of Carnage – Meiko Kaji – Kill Bill Vol. 1

Essa é a música dos créditos de encerramento, pelo menos uma pra contrariar o resto.

29 – Pumpkin & Honey Bunny [Dialogue] / Misirlou – Amanda Plummer & Tim Roth / Dick Dale & His Del-Tones – Pulp Fiction

E talvez o maior legado das canções que estão nos filmes de Tarantino, Misirlou abre Pulp Fiction.

Era isso, espero que vocês tenhas curtido!

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Esse post foi escrito originalmente em janeiro de 2013, e tinha como objetivo ir na onda na estreia de Django Livre nos cinemas. Mas por motivos de esquecimento, engavetei esse texto e só reencontrei ele hoje, 12 de agosto de 2013.

Quanto vale ou é por quilo?

Na última sexta-feira, 14 de outubro, sairam os ingressos em pré-venda para o esperadíssimo (pelo menos para este blogueiro de final de semana) show do ex-integrante do Pink Floyd, Roger Waters, no Brasil.

Antes de entrar no mérito de valores, cabe salientar que esta pré-venda foi realizada exclusivamente para áreas nobres dos espetáculos que passam por PoA, Rio e, em duas datas, em São Paulo, destinadas a fãs que se cadastraram no site oficial da turnê The Wall.

Pois bem, em Porto Alegre (como falamos neste post anterior), onde a função foi remarcada para o dia 25 de março, véspera de aniversário da minha namorada amada, no estádio Beira-Rio, os tickts surgiram à venda com valores de R$280 e R$500, respectivamente para “cadeira coberta” e “plateia VIP”. Para um apreciador de espetáculos elitistas, os valores não assustam, tendo em vista que Bob Dylan, João Gilberto, entre outros, oferecem entradas com valores muito acima desses. Já um corriqueiro expectador de eventos,  tal como eu, fica numa estranha sensação. Quinhentos reais, quase um salário mínimo, para um show, mesmo se tratando de Roger Waters, e mesmo se tratando de The Wall, é algo a ser refletido.

Digo com absoluta certeza, em Porto Alegre, este é o maior valor já colocado ao grande público para um show ao ar livre. Claro que houveram exceções nos camarotes ultra VIP do show do Paul MaCarney ou nas cadeiras premium da vida em outros espetáculos de menor expressão até, mas de pé, na pista, no meio da massaroca, nunca tinha ouvido falar em quinhentão pra ver um show. E quando achei que estava delirando, sentindo o punhal fisgar o bolso, li que em São Paulo, onde Waters se apresenta em dois dias no Morumbi, o valor da plateia VIP é de incabíveis R$900.

Volto a dizer que estamos falando de um espetáculo de proporções bíblicas, ou quase. Mas em censo comum, uma grana dessas nos faz refletir, e muito. Como comentei em alguma discussão no facebook, em 2002, quando alguns amigos e eu fomos conferir o “gênio do Pink Floyd”, como vendia os anúncios e outdoors, pela primeiríssima vez no país, o preço do ingressos mais caros, era o que havíamos comprado por R$50. Simplesmente dez vezes menos do que o atual preço. Há também que salientar que naquela época, não havia pista premium, vip, supervip, plateia gold e afins para os espetáculos, deixando toda boiada junta, sem cobrar muito mais, para aqueles que estivessem dispostos a pagar.

Enfim, feito o desabafo, ainda não adquiri o meu ingresso para o caríssimo show de Roger Waters em PoA, em março do próximo ano, mas ainda estou firme na ideia de prestigiar este, que é um dos grandes, senão o maior, ídolo da música para mim. Mas fica essa reflexão, afinal, quanto vale ou é por quilo?

[Atualizado – 27/10] – Saiu ontem, dia 26 de outubro, os preços e setores completos para a The Wall Tour, em suas quatro apresentações no Brasil. Os preços ficaram naquela mesma média comentada anteriormente, e o ingresso mais caro ficou mesmo aquelas $500 pratas que apavoraram os desavidos. Segue abaixo a lista completa de valores e um mapinha bacana para se localizar melhor no chiqueirão da Padre Cacique, cortesia da Time4Fun.

PORTO ALEGRE – Roger Waters The Wall
Local: Estádio Beira Rio: Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas – Porto Alegre – RS
Data da apresentação: 25/03/2012
Horário show: 20h
Classificação etária: 12 a 13 anos acompanhados dos pais. Acima de 14 anos, desacompanhados.
Capacidade: 48.001 lugares
Acesso para deficientes

Setor
PISTA PRIME R$ 500,00
PISTA R$ 240,00
ANEL INFERIOR R$ 240,00
CADEIRA COBERTA R$ 280,00
CADEIRA DESCOBERTA R$ 180,00
– Pré-venda American Express® Membership Cards e Bradesco Cartões: entre 29 e 31 de outubro de 2011
– Vendas ao público em geral: A partir de 01 de novembro de 2011
– Vendas limitadas a 06 ingressos por pessoa

Fábio Prina_18_10_2011

Crowe – o duplo

Passados seis anos do lançamento de Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown), 2005, dois trabalhos do diretor, roteirista e produtor Cameron Crowe chegam aos cinemas em 2011. Primeiro, um documentário realizado com toda autoridade, pelo diretor de Vida de Solteiro (Singles), 1992, sobre uma das bandas responsável pelo movimento grunge nos Estados Unidos: Pearl Jam Twenty. O segundo, um melodrama sofisticado, baseado em uma história verídica, com Matt Damon, Scarlett Johanson e Thomas Hadden Church, encabeçando o elenco, chamado We Bougth a Zoo.

Crowe é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo pra mim. Não só pela destreza em contar uma boa história, mas na maneira autoral em que se inclui nessas histórias, e, acima de tudo, a escolha de histórias que interessam ser contadas.

Antes dos filmes, Cameron Crowe foi jornalista da conceituada revista Rolling Stone, em meados dos anos 70. Sua primeira matéria de capa foi sobre o The Allman Brothers Band, precocemente aos 18 anos, a qual rendeu, juntamente com outras histórias, o roteiro de seu filme mais autoral, Quase Famosos (Almoust Famous), 2000. Nessa época também, conheceu e trabalhou com grandes lendas da imprensa americana, como o editor Ben Fong-Torres e o crítico Lester Bangs.

Drew e Claire, em Elizabethtown

Seu primeiro trabalho, com grande reconhecimento de crítica e público, foi o já citado Vida de Solteiro, ao qual fez uma reflexão sobre um grupo de jovens/adultos na cena grunge de Seattle, na chegada dos anos 90, berço de bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Nirvana.  O trocadilho do título original Singles perdido na tradução para o português, dá conta de citar não apenas as músicas soltas que revolucionariam a indústria mundo afora, mas também o estado civil dos protagonistas. Outros trabalhos que sucederam o sucesso de Vida de Solteiro foram os oscarizados Jerry Maguire – A Grande Virada (1996) e Quase Famosos, o excelente Vanilla Sky (2001), refilmagem do mexicano Abra Los Ojos, e, por fim, Tudo Acontece em Elizabethtown.

No entanto, desde Elizabethtown o diretor não mergulhava no terreno da ficção. Ouve também um outro documentário chamado The Union, sobre o trabalho criativo de Elton John, datado em 2011, mas, que pelo visto, não recebeu lançamento por aqui. No circuito, Crowe ataca em duas frentes completamente diferentes, duas paixões: a música e o cinema autoral.

William Miller ao lado do Stillwater, em Quase Famosos

No cenário dos pomposos documentários sobre bandas e músicos, como exemplo que me ocorre agora, o excepcional Beyond The Lighted Stage, 2010, sobre os canadenses do Rush, Crowe apresenta sua releitura da carreira do Pearl Jam, e seus vinte anos de estrada. Pearl Jam Twenty é um épico biográfico, com imagens inéditas, shows antológicos e confissões intimistas, como a cena que abre o trailer da produção, em uma entrevista ao vocalista Eddie Vedder, feita por ninguém menos que David Linch.

Trailer do documentário

O documentário chega já acompanhado de uma rima de marketing gigantesca ‘celebrando’ os 20 anos da banda. Além do filme lançado oficialmente no Festival de Toronto, no último sábado, dia 10, também está disponível um livro homônimo, escrito por Jonathan Cohen, um CD Duplo que chega às lojas no dia 20 e o DVD, que aporta no dia 25 de outubro. Mas quem quiser conferir o pretensioso filme de Crowe na tela grande do cinema, tem que correr, porque os ingressos já estão à venda para as limitadíssimas sessões, no próximo dia 20 de setembro, em várias cidades do Brasil. Em Porto Alegre a bagunça acontece no Unibanco Arteplex, no Shopping Bourbon Country.

Tudo isso, porém, é um aperitivo para os fãs, que aguardam anciosamente a passagem da turnê do PJ20 pelo país, que contemplará as cidade de PoA, Curitiba, Rio e São Paulo (com duas apresentações), no início de novembro. Pelo visto, a coisa vai ser grande.

Já no campo dos filmes autorais, Crowe foge um pouco dos roteiros a próprio punho, para a adaptação do livro com o mesmo título do jornalista britânico Benjamin Mee, que reconta a época em que adquiriu uma propriedade na Inglaterra, que incluía uma espécie de zoológico falido, chamado Dartmoor Wildlife Park, lar para mais de 200 animais selvagens.

A produção relata a reabilitação da reserva ambiental e o drama familiar de Mee, cuja esposa sofria com um câncer. O filme tem estreia prevista para o Brasil no dia 23 de dezembro, semaninha do natal.

Trailer do filme, previsto para dezembro

Enfim, para quem estava inativo há pelo menos seis anos, boas notícias estão chegando. Esperamos que esse duplo de Crowe traga bons resultados como o restante de sua filmografia. E que suas histórias continuem construindo experiências únicas num cinema simples e introspectivo, impossível de não gostar.

Fábio Prina_15/09/2011

O Muro em Porto Alegre

A notícia não é nova, mas ainda não tinha encontrado aqueles 15min de ócio para registrar aqui. Roger Waters virá a Porto Alegre, com a maior turnê da história do rock progressivo, The Wall.

Isso não é um boato não! Já tem dia e hora marcada, o local ainda está à definir, mas fala-se muito no Olímpico Monumental, já que o campinho do aterro estará em reformas para a Copa na ocasião. O dia histórico será 17 de março, do próximo ano, um sábado que perpetuará na história, assim como aquele longíncuo março de 2003 ainda faz.

Para os pegos de surpresa, Roger Waters, além de ser o Richard Gere do rock, foi baixista, vocalista, fundador e gênio musical da maior e melhor banda de todos os tempos, o Pink Floyd. Desde  de guri, quando tocava com a galera na Universidade de Cambrigde até o início dos anos 80, quando saiu da banda, foi reverenciado pela sua criatividade a frente das letras que marcaram a história da música.

Essa será a segunda passagem do semideus pelos pagos do Rio Grande. Como dito antes, ele esteve por aqui no dia 12 de março de 2003 e quase completará 9 anos da sua histórica apresentação da turnê In the Flesh, a qual fez os fâs derramarem lágrimas no gramado sagrado da Azenha. Waters ainda teve mais uma passagem pelas terras tupiniquins em meados de 2007, mas excluiu a capital gaúcha de sua turnê, Dark Side of the Moon, onde apresentava na íntegra o álgum homônimo dos tempos do Pink Floyd.

Voltando ao que virá, lá se vão 44 anos da fundação do Pink Floyd. Em 1967 era lançado o disco The Pipper at the Gates of Down, que juntamente com o álbum Sgt. Peppers Lonenly Hearts Club Band, dos Beatles, seria o marco inicial da música psicodélica mundo afora. Foram diversos discos históricos, incluindo a fase de ouro da banda, iniciada por Dark Side of the Moon, complexo e dinâmico disco progressivo, em 1973, e encerrado exatamente por The Wall, uma ópera rock sem prescedentes, até hoje reverenciada como a grande obra da banda, em 1977. Aos, 68 anos, Waters é o único membro original da banda que continua na ativa, esbanjando energia e pretenção em suas apresentaçãos.

The Wall, o disco, foi um sucesso absoluto, galardoado com Platina 23 vezes. Chegou ao topo dos mais vendidos logo após o lançamento e parmaneceu ali por muito tempo, hoje é considerado o 3º álbum mais vendido de todos os tempos do concorrido mercado norte-americano. Após seu lançamento, em 1980, as apresentações de The Wall ganharam sua primeira montagem, com 27 shows apenas na Inglaterra, Alemanha e nos EUA, que acabaram dando prejuízo para a banda, devido a sua grandiosidade. Em 21 de julho de 1990, já atuando solo, o músico encenou a mega-produção em Berlin, na Alemanha, na época para fazer o maior concerto ao ar livre de todos os tempos, para homenagear o país pela queda do famoso muro, que acontecera um ano antes. Em diversas partes do planeta o show foi transmitido ao vivo na ocasião e em 2003 ganhou uma versão luxuosa em DVD. No Brasil, ainda pode ser encontrado em uma edição simples, digna de ser vendida em revistas de quinta categoria, em bancas de rodoviária, por aí.

Porém, mesmo com essa bagagem toda, comparada com a nova roupagem de The Wall Tour, os velhos show parecem brincadeiras de jovens despretenciosos. A estrutura agora trata-se de um muro de 137 metros de largura e 11 de altura, montado entre o palco e a plateia. São 424 tijolos que dão forma a super obra, contruída em 45 minutos, enquanto se é apresentada a primeira parte do show. São 172 alto-falantes, incluindo sorrounds e monitores, mais pirotecnias para dar vida ao espetáculo. 23 projetores são responsáveis pelo movimento que será exibido no próprio muro, com animação original de Gerald Scarfe, que também animou frames para o filme Pink Floyd The Wall, de Alan Parker, lançado nos cimemas em 1982. Ainda, há espaço para o Professor, a Esposa e a Mãe, três personagens que ganham forma através de gigantes bonecos infláveis, de 10 metros de altura.

Tudo isso, exibido nos cinco continentes, iniciado em Toronto, no Canadá, dia 15 de janeiro de 2010, e com encerramento previsto, até então, no dia 25 de março de 2012, no Rio de Janeiro. Apenas o palco usado para os shows é o mais caro e ambicioso da história, com o valor estimado em 37 milhões de Euros. No Brasil, a apresentação será realizada  em três cidades, além de Porto Alegre e Rio, também em São Paulo, que ganhará duas datas.

Curiosidade: em um show da turnê na O2 Arena, em Londres, no dia 2 de maio deste ano, Waters convidou ao palco dois remanescentes da formação clássica do Pink Floyd: David Gilmour e Nick Manson, para dar uma canja na música Outside the wall, que encerra o espetáculo. Rick Wright, falecido, foi o único não presente, daqueles mesmos que tornaram a obra realidade.

A expectativa é grande. Os números surpreendentes e o grande espaço que a mídia vem dedicando dão conta que será um dos maiores eventos musicais da história. Ainda não há informação sobre os valores das entradas, mas a abertura das bilheterias está prevista para setembro por aqui.

Mais Pink Floyd para fãs

Coincidentemente, ou não, será lançado por aqui, no calor da febre Waters, uma série de produtos do Pink Floyd, para encher os olhos de qualquer fã e os bolsos de qualquer gravadora. É um verdadeiro ‘pacotão psicodélico’ com o relançamento de toda obra da banda, mais alguns quitutes, chamados também de versões expierence e immersion dos discos.

26 de setembro – Se você não gastar toda sua grana comprando o lugar mais VIP do estádio para o show The Wall, pode passar em uma loja para conferir a versão remasterizada dos 14 álbuns do Pink Floyd, que podem ser comprados separadamente ou em um box chamado Discovery; Ainda, chega ao mercado também as edições Experience e Immersion do disco Dark Side of the Moon, incluindo uma versão com seis discos (credo!!!), em DVD, CD e Blue-Ray, com trechos de gravações, reportagens e afins;

7 de novembro – A Foot In The Door – The Best of Pink Floyd, coletânia com 16 músicas que marcaram a história da banda, com material gravado no show no Wembley Stadium, em 1974; Mais as edições Expierence e Immersion do disco Wish You Were Here;

27 de fevereiro 2012 – Um dia antes do meu aniversário, sairá as edições Expierence e Immersion de The Wall, a segunda, com um total de sete discos, entre CD, DVD e Blue-Ray. Todo material também será lançado em vinil e downloads digitais. Tá aí uma boa dica de presente pra quem quiser me fazer uma surpresinha.

Ufa! Era isso.

[ATUALIZADO – 10/10] Devido ao aumento para oito shows na Argentina, as datas das apresentaçõs de Waters no Brasil foram reagendados. Em Porto Alegre o espetáculo acontece no Estádio Beira-Rio, no dia 25 de março. Valores dos ingressos e outros serviços do show ainda não foram divulgados.

[ATUALIZADO 2 – 14/10] O primeiro lote de ingressos para a turnê The Wall em Porto Alegre, exclusivos para os fãs cadastrados no site oficial do músico, saiu com preços exageradamente salgados e discutido (pelo menos mencionado) neste post aqui.

Fábio Prina_19_07_2011

Um pouco de Oscar… bem atrasado!

Estava relendo alguns posts mais antigos do meu blog, quando me dei por conta que quebrei uma ‘tradição’ de postagens sobre o Oscar, aquele prêmio famoso do cinema. Se alguém quiser dar uma espiada nos mais antigos é só clicar aqui e aqui.

Em 2011, o Oscar, – de novo – aquele prêmio concedido pela Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, foi uma grande merda. Foi o mais sem graça, mas previsível e o mais apelativo, no sentido de agradar todo mundo, digamos assim. Para começar: os apresentadores, que, ao invés de grandes atros, ou comediantes, ou mesmo o Billy Crystal, foram dois atores da chamada nova geração do cinema ianque: James Franco, vilãozinho da série Homem-Aranha, e Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada, conduziram a cerimônia – juro que tentei lembrar e doutros papéis deles, que poderiam ilustrar melhor, mas não me veio nada.

Então, 2010, não foi um ano ruim de filmes, pelo contrário, cavando pelos cantos, se viu muita coisa boa desbrotar aqui e ali, filmes que poderiam levar mais que uma indicação da festa, mas que, pra variar, foram ignorados pela Academia e devem cair no esquecimento logo logo.

O prêmio máximo da noite, de Melhor Filme, ficou com o burocrático O Discurso do Rei, de um tal de Tom Hooper, que por sua vez, foi escolhido Melhor Diretor. O filme ainda levou o prêmio de Melhor Ator, para o inglês Colin Firth e Melhor Roteiro Original. Se O Discurso do Rei tivesse levado também a premiação de atriz principal teria se igualado aos filmes O Silêncio dos Inocentes e Um Estranho no Ninho, como os únicos a conquistarem as cinco principais categorias da premiação. Um absurdo, tendo em vista que O Discurso não tem bala na agulha pra seguer chegar perto destes grandes trabalhos clássicos! Não que seja um péssimo filme, mas não tem nem um ingrediente a mais, e, assim como outros vencedores equivocados, será esquecido nas prateleiras de videolocadora em pouco tempo.

Na disputa pelo Melhor Filme estavam, entre outros, Cisne Negro (de Darren Aronovsky), A Origem (de Christopher Nolan), A Rede Social (de David Fincher) e Toy Story 3 (de Lee Unkrich), que são muito melhores que o oscarizado, mas tudo bem.

A Melhor Atriz, foi para a favoritíssima Natalie Portman, pelo filme Cisne Negro, em uma atuação irrepreensível. De arrancar arrepios em grande parte da película. Mas Cisne Negro é ainda melhor do que seu destaque no elenco. Vale dizer que foi um dos grandes filmes do ano passado e um outro grande injustiçado na noite.

Da mesma forma, A Rede Social, que ficou “apenas” com os prêmios de Roteiro Original, Montagem e Trilha Sonora. Acredito eu que, dificilmente haverá um filme que revelará a história do nosso tempo com tanto preciosismo como essa jóia do diretor de Clube da Luta e Se7en. A Rede… é um achado, que denuncia uma geração inquieta, dislexa, genial e mal-interpretada, uma pena mesmo, que se tenha dado tão pouca importancia a este filmaço!

Nos papeis secundários, Christian Bale e Melissa Leo, ganharam os Oscars de coadjuvantes (cada um em seu sexo), pelo filme O Vencedor. A Melhor Animação, foi para o filme Toy Story 3, da grande parceria Pixar/Disney, que não poderia ser diferente. O filme é ainda melhor e surpreendente que os antecessores e não seria nenhuma grande surpresa se levasse também o prêmio de Melhor Filme. A animação também ficou com o prêmio de Melhor Canção.

Por fim, A Origem, do diretor que não sabe fazer filmes ruins, Christopher Nolan, papou os chamados prêmios técnicos, nas categorias Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Efeitos Visuais. O novo trabalho do diretor de Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas, trás diversas discussões, interpretações e possíveis desfechos, assim como há 12 anos Matrix fez e também foi laureado apenas com prêmios por suas pirotecnias ilustrativas na história.

Os outros premiados da noite foram:

Melhor filme em lingua estrangeira: Em um Mundo Melhor

Melhor direção de arte e Melhor figurino: Alice no País das Maravilhas

Melhor documentário: Trabalho Interno

Melhor documentário em curta-metragem: Strangers no More

Melhor Maquiagem: O Lobisomem

Melhor Curta-metragem de animação: The Lost Thing

Melhor Curta-metragem: God of Love


Sem mais para o momento, deixo com um atraso considerável o meu registro por aqui.

A próxima retomada do blog será o Top10 da Maxin. Abraço!

Fábio Prina_29/04/2011