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20 de novembro de 2013

Como uma pedra rolando

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Às vésperas de comemorar 50 anos, a música Like a Rolling Stone, do Bob Dylan, ganhou hoje, 20 de novembro de 2013, o seu primeiro vídeo clip oficial, que está hospedado no site do cantor e compositor norte-americano. Claro que o lançamento, um tanto quanto tarde do vídeo não é de graça e vem para divulgar um box gigantesco, chamado Bob Dylan – The Complete Album Collection, Vol 1, que, como o nome sugere, inclui os quarenta e um discos de estúdio de Dylan e mais um pouco.

Voltando a Like a Rolling Stone, talvez esse seja o maior hino do rock americano, talvez do rock mundial. Nem os Beatles tem uma música tão emblemática, que voa através de gerações e segue atual, segue com apelo e encantando jovens – filhos e netos dos que já se deixaram encantar pela canção. Lançada em 1965, como single, chegou a figurar em segundo lugar nas paradas americanas, mais tarde se tornou faixa do disco Highway 61 Reviseted, do mesmo ano. A revista Rolling Stone (que tem esse nome por causa de outra música, chamada Rollin´ Stone, de Muddy Waters), colocou a Rolling Stone de Dylan como a número 1, no seu ranking das 500 maiores canções de todos os tempos, realizado em 2010. Outro grande reconhecimento, é do Rock n´Roll Hall of Fame, que também a elegeu ela como uma das 500 grandes da história.

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Novo lançamento de Bob Dylan reúne os 41 álbuns de estúdio do cantor e compositor

Isso sem contar as inúmeras regravações que ela passou, por artistas como Rolling Stones (olha esse nome de novo), David Bowie, Johnny Thunders, David Gilmour, Michael Bolton, John Mellencamp, Jimi Hendrix, entre tantos e tandos outros. De volta ao seu lançamento, a gravadora de Dylan na época, a Columbia Records, não ficou feliz com o resultado da mixagem final, chegando a expurgar a canção para fora de seu catálogo. Após a inclusão de um improviso com uma gaita harmônica e a produção de Tom Wilson, a música vazou do estúdio e chegou a algumas rádios, onde iniciou o seu ciclo de sucesso, que atingiu todo mundo e se tornou símbolo da contracultura norte-americana.

Passados 48 anos, o lançamento do vídeo clip oficial de Like a Rolling Stone não deixa de ser curioso. Claro que tudo foi pensado para promover o novo (re) lançamento de Dylan e explora da uma forma muito interessante o principal veículo onde os vídeos musicais se disseminam atualmente, a internet. O clip na verdade é um hotsite que simula uma TV, com vários canais, onde a trilha se mantém e, em todos os programas, atores, jornalistas, esportistas, desenhos e afins, articulam as palavras da música. Cabe ao telespectador zapiar de canal para assistir ao clip como achar melhor. Entre a seleção de programas, está um show de Dylan em sua melhor forma, nos anos 60, cantando adivinhe o que?

Criativo e interativo, o clip ainda deixa espaço para fazer aquela observação farofeira, de como a música, apesar de tantos anos, pode se moldar a tantos tipos de situações e, sozinha, se auto-reinventar e blá blá blá. 

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Para assistir/zapiar no vídeo interativo de Like a Rolling Stone clique na imagem acima.

Ainda, toda essa publicidade casada me lembrou outro grande comercial que Bob Dylan estrelou, em 2006. Na época, ele lançava disco Modern Times e recebeu um convite de Steve Jobs pessoalmente para estrelar um comercial do iPod + iTunes. Segundo a lenda, Dylan topou fazer de graça e o resultado foi positivo, porque o público jovem acabou se familiarizando com um dos maiores músicos de todos os tempos. Vale a pena assistir a peça, que faz parte da famosa campanha das silhuetas da Apple.

Fábio Prina_20/11/2013

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12 de agosto de 2013

Tarantino´s Ultimate Collection Soundtrack

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Parece um tanto pretensioso, mas vou tentar fazer.

Acontece o seguinte, desde que assisti ao filme Django Livre, do diretor Quentin Tarantino, fiz uma busca nas trilhas sonoras dos filmes dirigidos por ele, ou até mesmo que ele tenha participado, para fazer uma lista atual, definitiva (até que venham novos filmes) e irreverente, com tudo que se ouviu nos filmes do cara. Batizei essa lista de músicas com o singelo título de “The Quentin Tarantino´s Ultimate Collection Soundtrach by Fábio Prina”. Nada original – eu sei -, mas soa legal.

Para tentar explicar o porquê disso, todos que já assistiram algum filme do diretor sabem que a trilha sonora é um show à parte dentro do contexto. Apesar dos filmes tarantinescos terem uma série de características legais, que os tornam divertidos, as músicas que embalam as histórias acabam ganhando vida própria fora da tela grande. Um fato interessante, por exemplo, é que o álbum Music from the Motion Picture Pulp Fiction chegou a figurar a 21ª posição da Billboard, quando foi lançado, na metade dos anos 90. O misto de rock, surf music e soul, temperado com diálogos do próprio filme, fez tanto sucesso que se tornou trilha de festas e trouxe a tona canções que estavam mortas e enterradas. É o caso da faixa Girl, you´ll be a woman soon, originalmente gravada por Neil Diamond, que foi incluída no filme com um cover da banda Urge Overkill e se tornou hit nas rádios.

Para fazer a minha lista (estou com essa coisa de lista na cabeça faz dias) peguei por base os filmes dirigidos por Quentim Tarantino: Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, À Prova de Morte, Bastárdos Inglórios e Django Livre. Cada um tem pelo menos uma ou duas músicas presentes. Também está na minha lista uma faixa do filme Um Drink no Inferno, em que Tarantino é roteirista e participa com uma performance memorável (é muito legal mesmo)!

Poderia ter incluído ainda outras músicas que estão nos filmes Amor à Queima-Roupa, A Balada do Pistoleiro, Assassinos Por Natureza, Grande Hotel e Sin City, que há sim um dedinho do diretor/ator/roteirista/amigo ali, mas como não conheço bem as trilhas, só algumas faixas soltas, deixei fora pra não cair no mais do mesmo.

Falando nisso, há um disco muito bom, que eu comprei há anos e nem sei se está em catálogo, chamado The Tarantino Collection, que traz músicas da primeira fase do cineasta, incluindo filmes que ele foi roteirista até a consagração com Pulp Fiction. Vale a pena escutar. Inclusive, em uma olhada rápida pela iTunes Store, vi diversas coletâneas baseadas nos filmes do cara. Algumas muito picaretas com covers dos covers, mas enfim, material é o que não falta para curtir toda sonzeira fora dos filmes.

TARANTINO

Vamos a lista, em algumas canções eu postei o link para dar aquela ouvidinha imediata.

The Quentin Tarantino´s Ultimate Collection by Fábio Prina

1 – Battle Without Honor Or Humanity – Tomoyasu Hotei – Kill Bill Vol. 1

Música que embalou os trailers de Kill Bill antes de ser dois filmes, antes de ter atrasado mais de seis meses para estrear no Brasil, antes de ser um megassucesso. Aparece na sequência em que A Noiva localiza a vilã Oren Ishii no Japão.

2 – Across 110th Street – Bobby Womack    – Jackie Brown

Canção que toca nos créditos inicias de Jack Brown e também no desfecho do terceiro filme do cineasta. Coincidentemente (ou não) a música também toca nos créditos iniciais de um famoso filme rodado em Carlos Babosa, chamado Patrícia Genice.

3 – Royale with Cheese [Dialogue] – Samuel L. Jackson & John Travolta – Pulp Fiction

Dialogo entre Jules e Vicent antes de uma violenta retaliação contra um grupo de jovens, no início de Pulp Fiction, pelo diálogo dá para perceber que eles não estão lá muito preocupados com o que vai acontecer em seguida.

4 – Jungle Boogie – Kool & The Gang – Pulp Fiction

Toca ainda na abertura de créditos do filme, como se quem estivesse escutando tivesse trocado de estação de rádio, nos modelos com onde se girava o dial, típico dos anos 90.

5 – Staggolee – Pacific Gas & Electric – Grindhouse: Death Proof

Bela cansão que está no pior filme do diretor. Mas vale a pena estar na lista.

6 – Dark night – The Blasters – Dusk till Dawn

Outra música que acompanha os créditos, desta vez no filme Um Drink no Inferno.

7 – A Satisfied Mind – Jonny Cash – Kill Bill Vol. 2

 A Satisfied Mind é a música que Budd escuta em seu trailer, aguardando que A Noiva venha para se vingar.

8 – Slaughter (Album Version) – Billy PrestonInglourious Basterds

Essa música serve apenas como vinheta para a apresentação do bastardo Hugo Stiglitz, em Bastardos Inglórios. Detalhe para a voz de Samuel L. Jackson que narra a trajetória do anti-herói no filme.

8 – Ode To Oren Ishii – The RZA – Kill Bill Vol. 1

Essa mistura de rap com a trilha adaptada do filme está na trilha sonora de Kill Bill Vol. 1. O rapper RZA conta a história da vilã Oren Ishii com uma pequena música que está no filme, ela toca no momento que A Noiva corta o tendão de Buck.

9 – Too Old to Die Young – Brother Dege (aka Dege Legg) –Django Unchained

Uma das faixas mais legais de Django Livre dá um pouco de clima country-rock para o filme.

10 – Down In Mexico – The Coasters –Grindhouse: Death Proof

É a música que toca na lap dance que Stuntman Mike ganha da Butterfly. Originalmente a sequência não estava presente, quando À Prova de Morte havia sido lançado junto com Planeta Terror, no projeto Grindhouse.

11 – Stuck in the middle with you – Stealers Wheel – Reservoir dogs

Música está tocando no galpão onde o que restou da gangue aguarda o próximo passo e torna corriqueira a cena mais violenta do filme.

12 – Let’s Stay Together – Al Green – Pulp Fiction

Música de fundo no diálogo entre Marcelus Wallace e Bunch.

13 – Cat People (putting Out the Fire) – David Bowie – Inglourious Basterds

A curiosa concepção de trilha sonora fez com que essa canção de David Bowie tocasse em um filme de segunda guerra sem parecer ridículo.

14 – Stuntman Mike [Dialogue] – Rose McGowan & Kurt Russell – Grindhouse: Death Proof

Diálogo de apresentação do assassino antes de fazer mais uma vítima inocente.

15 – Baby It’s You – SmithGrindhouse: Death Proof

Outra música legal de À Prova de Morte, de fato a trilha mais próxima de ser comercial do diretor.

16 – Little green bag – George Baker Selection – Reservoir dogs

Mais uma música que toca nos créditos de abertura.

17 – Didn’t Blow Your Mind This Time – The Delfonics – Jackie Brown

Uma bela canção que nos remete muito bem ao climão romântico dos anos 70.

18 – “In the Case Django, After You…” [Dialogue] – Christoph Waltz – Django Unchained

Dr. Schultz convida Django para um novo tipo de trabalho.

19 – Django – Luis Bacalov Django Unchained

Além do nome Django e da presença de Franco Nero essa música deve ser a única coisa que o filme tem de comum com os velhos Djangos. Também toca na sequência de créditos iniciais.

20 – Girl, You’ll Be a Woman Soon – Urge OverKill – Pulp Fiction

Antes de ter uma overdose, Mia entra no clima com essa balada que virou sucesso após o filme.

21 – I Got a Name – Jim Croce – Django Unchained

Sequência do tipo propaganda da Malboro em Django Livre é uma preciosidade. A música esquecida embala a fase de transformação do personagem, que tem um nome! Há! Entedeu?

22 – The Last Race – Jack Nitzsche – Grindhouse: Death Proof

Música dos créditos de abertura, também…

23 – The Legend of Pai Mei [Dialogue] – David Carradine –  Kill Bill Vol. 2

Sequência em que Bill conta para A Noiva a lenda de Pai Mei. Diálogo clássico!

24 – A Silhouette of Doom – Enio Morricone – Kill Bill Vol. 2

Morricone tem sido um coringa de Tarantino em seus últimos quatro filmes. Está sempre presente. Esse clássico abre os créditos da segunda parte de Kill Bill.

25 – Six Shots Two Guns [Dialogue] – Samuel L. Jackson – Django Unchained

Dialogo nonsense de Django Livre

26 – Unchained (The Payback/Untouchable) –  James Brown/Tupac –  Django Unchained

Essa é legal! Unchained pega o nome original do filme e mistura duas canções: The Payback, de James Brown, e Untouchable, de Tupac Shakur, ambos figuras emblemáticas da cultura afro norte americana que já faleceram.

27 – Jack Rabbit Slim’s Twist Contest [Dialogue] / You Never Can Tell  – Chuck Berry –  Pulp Fiction

Oura canção que se tornou popular após o filme. Embala o concurso de twist no Jack Rabbit Slim.

28 – The Flower Of Carnage – Meiko Kaji – Kill Bill Vol. 1

Essa é a música dos créditos de encerramento, pelo menos uma pra contrariar o resto.

29 – Pumpkin & Honey Bunny [Dialogue] / Misirlou – Amanda Plummer & Tim Roth / Dick Dale & His Del-Tones – Pulp Fiction

E talvez o maior legado das canções que estão nos filmes de Tarantino, Misirlou abre Pulp Fiction.

Era isso, espero que vocês tenhas curtido!

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Esse post foi escrito originalmente em janeiro de 2013, e tinha como objetivo ir na onda na estreia de Django Livre nos cinemas. Mas por motivos de esquecimento, engavetei esse texto e só reencontrei ele hoje, 12 de agosto de 2013.

18 de outubro de 2011

Quanto vale ou é por quilo?

Na última sexta-feira, 14 de outubro, sairam os ingressos em pré-venda para o esperadíssimo (pelo menos para este blogueiro de final de semana) show do ex-integrante do Pink Floyd, Roger Waters, no Brasil.

Antes de entrar no mérito de valores, cabe salientar que esta pré-venda foi realizada exclusivamente para áreas nobres dos espetáculos que passam por PoA, Rio e, em duas datas, em São Paulo, destinadas a fãs que se cadastraram no site oficial da turnê The Wall.

Pois bem, em Porto Alegre (como falamos neste post anterior), onde a função foi remarcada para o dia 25 de março, véspera de aniversário da minha namorada amada, no estádio Beira-Rio, os tickts surgiram à venda com valores de R$280 e R$500, respectivamente para “cadeira coberta” e “plateia VIP”. Para um apreciador de espetáculos elitistas, os valores não assustam, tendo em vista que Bob Dylan, João Gilberto, entre outros, oferecem entradas com valores muito acima desses. Já um corriqueiro expectador de eventos,  tal como eu, fica numa estranha sensação. Quinhentos reais, quase um salário mínimo, para um show, mesmo se tratando de Roger Waters, e mesmo se tratando de The Wall, é algo a ser refletido.

Digo com absoluta certeza, em Porto Alegre, este é o maior valor já colocado ao grande público para um show ao ar livre. Claro que houveram exceções nos camarotes ultra VIP do show do Paul MaCarney ou nas cadeiras premium da vida em outros espetáculos de menor expressão até, mas de pé, na pista, no meio da massaroca, nunca tinha ouvido falar em quinhentão pra ver um show. E quando achei que estava delirando, sentindo o punhal fisgar o bolso, li que em São Paulo, onde Waters se apresenta em dois dias no Morumbi, o valor da plateia VIP é de incabíveis R$900.

Volto a dizer que estamos falando de um espetáculo de proporções bíblicas, ou quase. Mas em censo comum, uma grana dessas nos faz refletir, e muito. Como comentei em alguma discussão no facebook, em 2002, quando alguns amigos e eu fomos conferir o “gênio do Pink Floyd”, como vendia os anúncios e outdoors, pela primeiríssima vez no país, o preço do ingressos mais caros, era o que havíamos comprado por R$50. Simplesmente dez vezes menos do que o atual preço. Há também que salientar que naquela época, não havia pista premium, vip, supervip, plateia gold e afins para os espetáculos, deixando toda boiada junta, sem cobrar muito mais, para aqueles que estivessem dispostos a pagar.

Enfim, feito o desabafo, ainda não adquiri o meu ingresso para o caríssimo show de Roger Waters em PoA, em março do próximo ano, mas ainda estou firme na ideia de prestigiar este, que é um dos grandes, senão o maior, ídolo da música para mim. Mas fica essa reflexão, afinal, quanto vale ou é por quilo?

[Atualizado – 27/10] – Saiu ontem, dia 26 de outubro, os preços e setores completos para a The Wall Tour, em suas quatro apresentações no Brasil. Os preços ficaram naquela mesma média comentada anteriormente, e o ingresso mais caro ficou mesmo aquelas $500 pratas que apavoraram os desavidos. Segue abaixo a lista completa de valores e um mapinha bacana para se localizar melhor no chiqueirão da Padre Cacique, cortesia da Time4Fun.

PORTO ALEGRE – Roger Waters The Wall
Local: Estádio Beira Rio: Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas – Porto Alegre – RS
Data da apresentação: 25/03/2012
Horário show: 20h
Classificação etária: 12 a 13 anos acompanhados dos pais. Acima de 14 anos, desacompanhados.
Capacidade: 48.001 lugares
Acesso para deficientes

Setor
PISTA PRIME R$ 500,00
PISTA R$ 240,00
ANEL INFERIOR R$ 240,00
CADEIRA COBERTA R$ 280,00
CADEIRA DESCOBERTA R$ 180,00
– Pré-venda American Express® Membership Cards e Bradesco Cartões: entre 29 e 31 de outubro de 2011
– Vendas ao público em geral: A partir de 01 de novembro de 2011
– Vendas limitadas a 06 ingressos por pessoa

Fábio Prina_18_10_2011

15 de setembro de 2011

Crowe – o duplo

Passados seis anos do lançamento de Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown), 2005, dois trabalhos do diretor, roteirista e produtor Cameron Crowe chegam aos cinemas em 2011. Primeiro, um documentário realizado com toda autoridade, pelo diretor de Vida de Solteiro (Singles), 1992, sobre uma das bandas responsável pelo movimento grunge nos Estados Unidos: Pearl Jam Twenty. O segundo, um melodrama sofisticado, baseado em uma história verídica, com Matt Damon, Scarlett Johanson e Thomas Hadden Church, encabeçando o elenco, chamado We Bougth a Zoo.

Crowe é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo pra mim. Não só pela destreza em contar uma boa história, mas na maneira autoral em que se inclui nessas histórias, e, acima de tudo, a escolha de histórias que interessam ser contadas.

Antes dos filmes, Cameron Crowe foi jornalista da conceituada revista Rolling Stone, em meados dos anos 70. Sua primeira matéria de capa foi sobre o The Allman Brothers Band, precocemente aos 18 anos, a qual rendeu, juntamente com outras histórias, o roteiro de seu filme mais autoral, Quase Famosos (Almoust Famous), 2000. Nessa época também, conheceu e trabalhou com grandes lendas da imprensa americana, como o editor Ben Fong-Torres e o crítico Lester Bangs.

Drew e Claire, em Elizabethtown

Seu primeiro trabalho, com grande reconhecimento de crítica e público, foi o já citado Vida de Solteiro, ao qual fez uma reflexão sobre um grupo de jovens/adultos na cena grunge de Seattle, na chegada dos anos 90, berço de bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Nirvana.  O trocadilho do título original Singles perdido na tradução para o português, dá conta de citar não apenas as músicas soltas que revolucionariam a indústria mundo afora, mas também o estado civil dos protagonistas. Outros trabalhos que sucederam o sucesso de Vida de Solteiro foram os oscarizados Jerry Maguire – A Grande Virada (1996) e Quase Famosos, o excelente Vanilla Sky (2001), refilmagem do mexicano Abra Los Ojos, e, por fim, Tudo Acontece em Elizabethtown.

No entanto, desde Elizabethtown o diretor não mergulhava no terreno da ficção. Ouve também um outro documentário chamado The Union, sobre o trabalho criativo de Elton John, datado em 2011, mas, que pelo visto, não recebeu lançamento por aqui. No circuito, Crowe ataca em duas frentes completamente diferentes, duas paixões: a música e o cinema autoral.

William Miller ao lado do Stillwater, em Quase Famosos

No cenário dos pomposos documentários sobre bandas e músicos, como exemplo que me ocorre agora, o excepcional Beyond The Lighted Stage, 2010, sobre os canadenses do Rush, Crowe apresenta sua releitura da carreira do Pearl Jam, e seus vinte anos de estrada. Pearl Jam Twenty é um épico biográfico, com imagens inéditas, shows antológicos e confissões intimistas, como a cena que abre o trailer da produção, em uma entrevista ao vocalista Eddie Vedder, feita por ninguém menos que David Linch.

Trailer do documentário

O documentário chega já acompanhado de uma rima de marketing gigantesca ‘celebrando’ os 20 anos da banda. Além do filme lançado oficialmente no Festival de Toronto, no último sábado, dia 10, também está disponível um livro homônimo, escrito por Jonathan Cohen, um CD Duplo que chega às lojas no dia 20 e o DVD, que aporta no dia 25 de outubro. Mas quem quiser conferir o pretensioso filme de Crowe na tela grande do cinema, tem que correr, porque os ingressos já estão à venda para as limitadíssimas sessões, no próximo dia 20 de setembro, em várias cidades do Brasil. Em Porto Alegre a bagunça acontece no Unibanco Arteplex, no Shopping Bourbon Country.

Tudo isso, porém, é um aperitivo para os fãs, que aguardam anciosamente a passagem da turnê do PJ20 pelo país, que contemplará as cidade de PoA, Curitiba, Rio e São Paulo (com duas apresentações), no início de novembro. Pelo visto, a coisa vai ser grande.

Já no campo dos filmes autorais, Crowe foge um pouco dos roteiros a próprio punho, para a adaptação do livro com o mesmo título do jornalista britânico Benjamin Mee, que reconta a época em que adquiriu uma propriedade na Inglaterra, que incluía uma espécie de zoológico falido, chamado Dartmoor Wildlife Park, lar para mais de 200 animais selvagens.

A produção relata a reabilitação da reserva ambiental e o drama familiar de Mee, cuja esposa sofria com um câncer. O filme tem estreia prevista para o Brasil no dia 23 de dezembro, semaninha do natal.

Trailer do filme, previsto para dezembro

Enfim, para quem estava inativo há pelo menos seis anos, boas notícias estão chegando. Esperamos que esse duplo de Crowe traga bons resultados como o restante de sua filmografia. E que suas histórias continuem construindo experiências únicas num cinema simples e introspectivo, impossível de não gostar.

Fábio Prina_15/09/2011

19 de julho de 2011

O Muro em Porto Alegre

A notícia não é nova, mas ainda não tinha encontrado aqueles 15min de ócio para registrar aqui. Roger Waters virá a Porto Alegre, com a maior turnê da história do rock progressivo, The Wall.

Isso não é um boato não! Já tem dia e hora marcada, o local ainda está à definir, mas fala-se muito no Olímpico Monumental, já que o campinho do aterro estará em reformas para a Copa na ocasião. O dia histórico será 17 de março, do próximo ano, um sábado que perpetuará na história, assim como aquele longíncuo março de 2003 ainda faz.

Para os pegos de surpresa, Roger Waters, além de ser o Richard Gere do rock, foi baixista, vocalista, fundador e gênio musical da maior e melhor banda de todos os tempos, o Pink Floyd. Desde  de guri, quando tocava com a galera na Universidade de Cambrigde até o início dos anos 80, quando saiu da banda, foi reverenciado pela sua criatividade a frente das letras que marcaram a história da música.

Essa será a segunda passagem do semideus pelos pagos do Rio Grande. Como dito antes, ele esteve por aqui no dia 12 de março de 2003 e quase completará 9 anos da sua histórica apresentação da turnê In the Flesh, a qual fez os fâs derramarem lágrimas no gramado sagrado da Azenha. Waters ainda teve mais uma passagem pelas terras tupiniquins em meados de 2007, mas excluiu a capital gaúcha de sua turnê, Dark Side of the Moon, onde apresentava na íntegra o álgum homônimo dos tempos do Pink Floyd.

Voltando ao que virá, lá se vão 44 anos da fundação do Pink Floyd. Em 1967 era lançado o disco The Pipper at the Gates of Down, que juntamente com o álbum Sgt. Peppers Lonenly Hearts Club Band, dos Beatles, seria o marco inicial da música psicodélica mundo afora. Foram diversos discos históricos, incluindo a fase de ouro da banda, iniciada por Dark Side of the Moon, complexo e dinâmico disco progressivo, em 1973, e encerrado exatamente por The Wall, uma ópera rock sem prescedentes, até hoje reverenciada como a grande obra da banda, em 1977. Aos, 68 anos, Waters é o único membro original da banda que continua na ativa, esbanjando energia e pretenção em suas apresentaçãos.

The Wall, o disco, foi um sucesso absoluto, galardoado com Platina 23 vezes. Chegou ao topo dos mais vendidos logo após o lançamento e parmaneceu ali por muito tempo, hoje é considerado o 3º álbum mais vendido de todos os tempos do concorrido mercado norte-americano. Após seu lançamento, em 1980, as apresentações de The Wall ganharam sua primeira montagem, com 27 shows apenas na Inglaterra, Alemanha e nos EUA, que acabaram dando prejuízo para a banda, devido a sua grandiosidade. Em 21 de julho de 1990, já atuando solo, o músico encenou a mega-produção em Berlin, na Alemanha, na época para fazer o maior concerto ao ar livre de todos os tempos, para homenagear o país pela queda do famoso muro, que acontecera um ano antes. Em diversas partes do planeta o show foi transmitido ao vivo na ocasião e em 2003 ganhou uma versão luxuosa em DVD. No Brasil, ainda pode ser encontrado em uma edição simples, digna de ser vendida em revistas de quinta categoria, em bancas de rodoviária, por aí.

Porém, mesmo com essa bagagem toda, comparada com a nova roupagem de The Wall Tour, os velhos show parecem brincadeiras de jovens despretenciosos. A estrutura agora trata-se de um muro de 137 metros de largura e 11 de altura, montado entre o palco e a plateia. São 424 tijolos que dão forma a super obra, contruída em 45 minutos, enquanto se é apresentada a primeira parte do show. São 172 alto-falantes, incluindo sorrounds e monitores, mais pirotecnias para dar vida ao espetáculo. 23 projetores são responsáveis pelo movimento que será exibido no próprio muro, com animação original de Gerald Scarfe, que também animou frames para o filme Pink Floyd The Wall, de Alan Parker, lançado nos cimemas em 1982. Ainda, há espaço para o Professor, a Esposa e a Mãe, três personagens que ganham forma através de gigantes bonecos infláveis, de 10 metros de altura.

Tudo isso, exibido nos cinco continentes, iniciado em Toronto, no Canadá, dia 15 de janeiro de 2010, e com encerramento previsto, até então, no dia 25 de março de 2012, no Rio de Janeiro. Apenas o palco usado para os shows é o mais caro e ambicioso da história, com o valor estimado em 37 milhões de Euros. No Brasil, a apresentação será realizada  em três cidades, além de Porto Alegre e Rio, também em São Paulo, que ganhará duas datas.

Curiosidade: em um show da turnê na O2 Arena, em Londres, no dia 2 de maio deste ano, Waters convidou ao palco dois remanescentes da formação clássica do Pink Floyd: David Gilmour e Nick Manson, para dar uma canja na música Outside the wall, que encerra o espetáculo. Rick Wright, falecido, foi o único não presente, daqueles mesmos que tornaram a obra realidade.

A expectativa é grande. Os números surpreendentes e o grande espaço que a mídia vem dedicando dão conta que será um dos maiores eventos musicais da história. Ainda não há informação sobre os valores das entradas, mas a abertura das bilheterias está prevista para setembro por aqui.

Mais Pink Floyd para fãs

Coincidentemente, ou não, será lançado por aqui, no calor da febre Waters, uma série de produtos do Pink Floyd, para encher os olhos de qualquer fã e os bolsos de qualquer gravadora. É um verdadeiro ‘pacotão psicodélico’ com o relançamento de toda obra da banda, mais alguns quitutes, chamados também de versões expierence e immersion dos discos.

26 de setembro – Se você não gastar toda sua grana comprando o lugar mais VIP do estádio para o show The Wall, pode passar em uma loja para conferir a versão remasterizada dos 14 álbuns do Pink Floyd, que podem ser comprados separadamente ou em um box chamado Discovery; Ainda, chega ao mercado também as edições Experience e Immersion do disco Dark Side of the Moon, incluindo uma versão com seis discos (credo!!!), em DVD, CD e Blue-Ray, com trechos de gravações, reportagens e afins;

7 de novembro – A Foot In The Door – The Best of Pink Floyd, coletânia com 16 músicas que marcaram a história da banda, com material gravado no show no Wembley Stadium, em 1974; Mais as edições Expierence e Immersion do disco Wish You Were Here;

27 de fevereiro 2012 – Um dia antes do meu aniversário, sairá as edições Expierence e Immersion de The Wall, a segunda, com um total de sete discos, entre CD, DVD e Blue-Ray. Todo material também será lançado em vinil e downloads digitais. Tá aí uma boa dica de presente pra quem quiser me fazer uma surpresinha.

Ufa! Era isso.

[ATUALIZADO – 10/10] Devido ao aumento para oito shows na Argentina, as datas das apresentaçõs de Waters no Brasil foram reagendados. Em Porto Alegre o espetáculo acontece no Estádio Beira-Rio, no dia 25 de março. Valores dos ingressos e outros serviços do show ainda não foram divulgados.

[ATUALIZADO 2 – 14/10] O primeiro lote de ingressos para a turnê The Wall em Porto Alegre, exclusivos para os fãs cadastrados no site oficial do músico, saiu com preços exageradamente salgados e discutido (pelo menos mencionado) neste post aqui.

Fábio Prina_19_07_2011

29 de abril de 2011

Um pouco de Oscar… bem atrasado!

Estava relendo alguns posts mais antigos do meu blog, quando me dei por conta que quebrei uma ‘tradição’ de postagens sobre o Oscar, aquele prêmio famoso do cinema. Se alguém quiser dar uma espiada nos mais antigos é só clicar aqui e aqui.

Em 2011, o Oscar, – de novo – aquele prêmio concedido pela Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, foi uma grande merda. Foi o mais sem graça, mas previsível e o mais apelativo, no sentido de agradar todo mundo, digamos assim. Para começar: os apresentadores, que, ao invés de grandes atros, ou comediantes, ou mesmo o Billy Crystal, foram dois atores da chamada nova geração do cinema ianque: James Franco, vilãozinho da série Homem-Aranha, e Anne Hathaway, de O Diabo Veste Prada, conduziram a cerimônia – juro que tentei lembrar e doutros papéis deles, que poderiam ilustrar melhor, mas não me veio nada.

Então, 2010, não foi um ano ruim de filmes, pelo contrário, cavando pelos cantos, se viu muita coisa boa desbrotar aqui e ali, filmes que poderiam levar mais que uma indicação da festa, mas que, pra variar, foram ignorados pela Academia e devem cair no esquecimento logo logo.

O prêmio máximo da noite, de Melhor Filme, ficou com o burocrático O Discurso do Rei, de um tal de Tom Hooper, que por sua vez, foi escolhido Melhor Diretor. O filme ainda levou o prêmio de Melhor Ator, para o inglês Colin Firth e Melhor Roteiro Original. Se O Discurso do Rei tivesse levado também a premiação de atriz principal teria se igualado aos filmes O Silêncio dos Inocentes e Um Estranho no Ninho, como os únicos a conquistarem as cinco principais categorias da premiação. Um absurdo, tendo em vista que O Discurso não tem bala na agulha pra seguer chegar perto destes grandes trabalhos clássicos! Não que seja um péssimo filme, mas não tem nem um ingrediente a mais, e, assim como outros vencedores equivocados, será esquecido nas prateleiras de videolocadora em pouco tempo.

Na disputa pelo Melhor Filme estavam, entre outros, Cisne Negro (de Darren Aronovsky), A Origem (de Christopher Nolan), A Rede Social (de David Fincher) e Toy Story 3 (de Lee Unkrich), que são muito melhores que o oscarizado, mas tudo bem.

A Melhor Atriz, foi para a favoritíssima Natalie Portman, pelo filme Cisne Negro, em uma atuação irrepreensível. De arrancar arrepios em grande parte da película. Mas Cisne Negro é ainda melhor do que seu destaque no elenco. Vale dizer que foi um dos grandes filmes do ano passado e um outro grande injustiçado na noite.

Da mesma forma, A Rede Social, que ficou “apenas” com os prêmios de Roteiro Original, Montagem e Trilha Sonora. Acredito eu que, dificilmente haverá um filme que revelará a história do nosso tempo com tanto preciosismo como essa jóia do diretor de Clube da Luta e Se7en. A Rede… é um achado, que denuncia uma geração inquieta, dislexa, genial e mal-interpretada, uma pena mesmo, que se tenha dado tão pouca importancia a este filmaço!

Nos papeis secundários, Christian Bale e Melissa Leo, ganharam os Oscars de coadjuvantes (cada um em seu sexo), pelo filme O Vencedor. A Melhor Animação, foi para o filme Toy Story 3, da grande parceria Pixar/Disney, que não poderia ser diferente. O filme é ainda melhor e surpreendente que os antecessores e não seria nenhuma grande surpresa se levasse também o prêmio de Melhor Filme. A animação também ficou com o prêmio de Melhor Canção.

Por fim, A Origem, do diretor que não sabe fazer filmes ruins, Christopher Nolan, papou os chamados prêmios técnicos, nas categorias Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Efeitos Visuais. O novo trabalho do diretor de Batman Begins e O Cavaleiro das Trevas, trás diversas discussões, interpretações e possíveis desfechos, assim como há 12 anos Matrix fez e também foi laureado apenas com prêmios por suas pirotecnias ilustrativas na história.

Os outros premiados da noite foram:

Melhor filme em lingua estrangeira: Em um Mundo Melhor

Melhor direção de arte e Melhor figurino: Alice no País das Maravilhas

Melhor documentário: Trabalho Interno

Melhor documentário em curta-metragem: Strangers no More

Melhor Maquiagem: O Lobisomem

Melhor Curta-metragem de animação: The Lost Thing

Melhor Curta-metragem: God of Love


Sem mais para o momento, deixo com um atraso considerável o meu registro por aqui.

A próxima retomada do blog será o Top10 da Maxin. Abraço!

Fábio Prina_29/04/2011

27 de abril de 2011

To the sea – Tour 2011

Dia 2 de junho,próximo, se eu não estiver em viagem de trabalho, vou conferir um dos meus grandes ídolos da música de perto. Apesar de que sempre que manisfesto isso, me transformo em alvo de bullyng de amigos e conhecidos roqueiros. O cara em questão é um certo havaiano surfista, formado em cinema em Los Angeles, chamado Jack Johnson.

Se alguém, algum dia já visitou esse blog, sabe que já proferi minha admiração pelo sub-gênero surf music e que também já comentei sobre o álbum Sleep Through the Static e disco ao vivo En Concert do artista em questão. O esquema é que Johnson estará em Porto Alegre, no mês dos namorados, trazendo a turnê de seu último disco de estúdio To The Sea, gravado completamente com recursos naturais, dentro da militância ecológia do artista.

Jack Johnson já esteve por essas bandas, em 2006, quando também fez um show histórico no estacionamento do Anhambi, em São Paulo, que acabou se tornando um best-download, entre os mp3 piratas da internet. Na ocasião, seu melhor disco, In Between Dreams, estava no auge, com reprises enjoativas nas rádios e fãs histéricas se acotovelando para alcançar o ex-surfista no palco.

Não que isso tenha tenha mudado muito, acredito que um dos grandes preconceitos para quem não conhece muito do músico é a popularidade de alguns hits, que volta e meia estão por aí, e também pela “fama” de bonitinho das adolescentes. Sei lá, alguma coisa assim.

Mas de fato, existe uma ótima música em seus discos. Uma música tranquila, com temas que vão do mar ao budismo, passando pelo romance e pela vida simples, e até mesmo, temas infatis, como na trilha sonora do filme George Curioso, feita por ele mesmo. A simplicidade dos acordes, o ritmo lento, ganham ares de genialidade, ao ser percebido, como o mais corriqueiro, pode se tornar tão inovador e bonito.

Ao lado do bambambam Johnson, estão outros músicos/surfistas que da mesma forma, esbanjam talento nas notas econômicas: Adam Topol é o baterista, Zach Gill é o pianista e Merlo Podlewoski cuida do baixo. Essa é a formação que acompanhará o contor em sua passagem pelo Brasil, que além de PoA, passa também por Floripa, Sampa, BH, Brasília e Fortaleza, em oito performances.

Uma curiosidade interessante, que particularmente me impressiona muito, é que 100% da renda pessoal de Jack Johnson, dos show desta turnê, são doados para ONGs de caridade, algumas inclusive, fundadas por ele mesmo. Como havíamos comentado anteriormente, sua militância em questões ecológicas e contra a pobreza é quase um fanatismo religioso para o músico, que não fica chateando com discursos hipócritas no meio dos shows ou em encontros políticos de fachada, mas põe a mão na massa mesmo, criando instituições e incentivando meios alternativos de se viver em estabilidade com o meio ambiente. Nada incomum para um surfista boa praça como ele, mas quando chega ao ponto de abrir mão das verdinhas para ajudar o próximo, sem apelar a mídia pra mostrar que está fazendo uma boa ação, aí é que mora o meu espanto. Daí eu me pergunto, e como vive essa excêntrica persona, e diria ele: “de modo simples, com a venda de CDs e a produção de álbuns para amigos e outros artistas locais, dá pra levar uma vida bacana assim”.

Pois é, se todo mundo se contentasse com o que realmente precisa e se esforçasse pra fazer um bem maior, a coisa seria diferente. Mas deixando os delírios de lado, voltamos ao mundo real.

A função acontece, como dito anteriormente, no dia 2 de junho, no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, as 21h. Para maior conforto do planeta, o anfitrião convida a todos a comparecerem utilizando transportes coletivos e evitar o despejo de lixo pelas ruas e arredores do local. Nada que seja tão difícil assim, de fazer todos os dias. Até lá.

Fábio Prina_27/04/2011

8 de outubro de 2010

Um Beatle ao meu alcance

Filed under: Artes,Música,Publicidade,Televisão — fprina @ 11:22

Um dos boatos mais clássicos que venho escutando há uns dois, três anos é que Paul McCarney iria tocar no Brasil. Já em Porto Alegre era uma ideia estapafurzia demais, pra chegar se quer a ser um boato. Lembro do meu amigo Gustavo Baldasso, o Avo, que, em qualquer conversa, jogava aos quatro ventos uma nova informação varzeana: “O meu, viram que tão falando que o Paul vem ainda esse ano, ´tá quase certo”. Mal sabia eu que ele tinha razão.

Para a surpresa de muitos, inclusive a minha, que já fazia parte daqueles que nem se iludiam mais essa hipótese, Paul McCarney, o baixista canhoto dos Beatles, lá de Liverpool, que compôs meio milhão de músicas ao lado de John Lennon vem mesmo ao Brasil, e digo mais, vem mesmo a Porto Alegre; exatamente no dia 7 de novembro de 201o, para apresentar a sua turnê Up and Coming, no estádio do aterro, quer dizer, Beira Rio Stadium, às 21h.

A função dessa história começou com manchetes insicivas, capa de jornais e puta-que-os-pariu, uma vez que o grande responsável pela vinda do ex-Beatle à terra do chimarrão & churrasco foi o Grupo RBS, da família Srotsky. Após a confirmação, a chuva de notícias e a publicidade em cima do homem, ontem a tarde foi colocado a venda o primeiro lote dos 52mil ingressos previstos, que serão disponibilizados para o público. Com muita confusão, filas gigantescas e um atendimento mais do que pífio pelo site que tinha os direitos de venda, todos os bilhetes se vaporizaram na mão dos fãs enlouquecidos em algumas horas. #PaulInPoa apareceu nos TrendsTopics do Twitter, que hoje em dia, por incrível que pareça, quer dizer alguma coisa, enfim… a baderna tomou conta dos ambientes virtuais e reais.

Na carona da modinha Beatle do momento, comprei meu ingresso e vou levar até o meu baixo do The Beatles: Rock Band. Já que eu sou canhoto, certamente o Paul vai se deslubrar e me chamar pra dar uma canjinha com ele no palco. Tomara que ele leve o PS3 dele.

Essa vai ser a grande chance, de um cara que nem eu e toda a minha geração nascida 15 anos depois que o fabfour se desmantelou e 10 anos depois que John Lennon morreu, ver um Beatle real, ou não, ao alcance dos nossos olhos.

Abaixo vai um videozinho do homem apresentando a sua turnê, vale a pena ficar com um pouquinho de frio na barriga e mais ansioso pela vinda do cara. Até o dia 7 de dezembro, Come Together!

Fábio Prina_08/10/2010

16 de julho de 2010

Dia de Cinema – À Prova de Morte

Três anos após o lançamento, na forma a qual foi concebido, o filme À Prova de Morte, do cineasta americano Quentin Tarantino, chega em circuito alternativo às salas de cinema da Republica Federativa do Brasil.

Em tempos de downloads ilegais, dvd´s importados, youtube, etc… chega a ser uma piada que um trabalho de um dos maiores cineastas de todos os tempos tenha demorado infinitos três anos para aportar aqui. Mas fazer o quê?

Para quem nem lembra mais de onde ouviu falar de À Prova de Morte desde o longínquo ano de 2007, vamos dar uma retomada. Naquele tempo, dois grandes visionários, Tarantino e seu pal Robert Rodriguez, tiveram uma audasiosa ideia, que hoje sabemos – não deu certo. Inspirado nas salas de cinema bagaceiras dos anos 60/70, a dupla realizou uma homenagem aos explotation movies , produções toscas que exploravam violência e sexo e que muitas vezes eram exibidos em cinemas de quinta categoria em sessões duplas, conhecidas como Grindhouse. Eis então, que os diretores juntaram seus talentos e realizaram uma pretenciosa mega produção, chamada exatamente de Grindhouse, com dois seguimentos em longa metragem: Planeta Terror, de Rodriguez; e, À Prova de Morte, de Tarantino, cortada por trailers falsos de outros explotation movies, incluindo Machette, que foi rodado por Rodriguez e chega aos cinemas em outubro.

Como o filme naufragou nas bilheterias norte americanas, a ideia original se dicipou, e a obra foi lançada mundo afora, de forma separada, dando origem aos dois títulos citados. No Brasil não foi diferente, e por motivos de desconfiança da distribuidora Europa Filmes À Prova de Morte ficou engavetado até que seu direitos foram comprados pela PlayArte, e, que, enfim, deu um pingo de esperança para que os fãs tarantinescos pudessem assistir ao trabalho do realizador no meio a qual o projeto foi concebido para ser visto: a sala de cinema.

De tão nostalgico que é relembrar toda via sacra de Grindhouse no Brasil, fui buscar a melhor crítica de cinema já escrita para a produção, do meu velho amigo Felipe Guerra, diretor, crítico, ator, jornalista, bloggueiro, mestrando, curador e cinéfilo. Faz tanto tempo que ele fez esse texto, que nem no novo site do Boca do Inferno é possível localozá-lo. Então, em forma de homenagem, publico uma parte do longuíssimo texto de Grindehouse sobre À Prova de Morte, na íntegra , sem a devida autorização do seu autor. Espero que ele não se importe!

Ainda sobre Felipe, gostaria de agradecer o tal por ter me dado a honra de conhecer pessoalmente, na última semana, o cineasta italiano Luigi Cozzi, que esteve no Brasil participando do Fantaspoa – Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Mas isso não tem nada haver com o resto da história.

Segue a encrenca abaixo:

Grindhouse

por Felipe M. Guerra

Segmento À Prova de Morte

– Você já viu algum filme onde o carro bate de forma tão violenta que não existe forma de alguém sair inteiro de dentro dele? Como você acha que eles fazem isso? – questiona Stuntman Mike McKay, o personagem principal de DEATH PROOF, numa cena-chave da película.

– CGI? – responde a inocente mocinha, fazendo com que o pobre dublê, interpretado por Kurt Russell, chegue a se engasgar!


Este diálogo reflete a insatisfação do próprio Quentin Tarantino, que criou a história para seu segmente de GRINDHOUSE baseado na paixão que tem pelas velhas produções com perseguições e desastres automobilísticos, tipo BULLIT, de Peter Yates, ou OPERAÇÃO FRANÇA, de William Friedkin. Ele odeia o fato de as produções atuais trazerem efeitos e carros criados em computação gráfica, o que facilita bastante o trabalho do diretor e dos dublês, mas por outro lado torna tudo mais artificial e menos emocionante para o público. “Acho que não teve mais nenhuma boa perseguição automobilística desde que eu comecei a filmar, em 1992. Para mim, a última cena fantástica do gênero foi em O EXTERMINADOR DO FUTURO 2, e depois PREMONIÇÃO 2 mostrou um magnífico acidente de carros. Entre estes dois filmes, nada de mais. CGI em perseguições é algo que não faz sentido para mim – como é que uma coisa assim pode parecer impressionante?”, queixou-se o diretor, numa entrevista.

Todo o conceito de DEATH PROOF é baseado nos “carros à prova de morte”, construídos pelos dublês dos anos 60, 70 e 80 (quando não existia o conforto e a segurança da computação gráfica) para poderem demolir os veículos contra paredes de tijolos a 100 quilômetros por hora e ainda saírem vivos de dentro da ferragem retorcida. O sistema à prova de morte inclui um cinto-de-segurança especial que prende todo o corpo do motorista ao banco (evitando que ele se espatife contra o pára-brisa no momento da colisão) e uma espécie de “gaiola” resistente que isola o banco do motorista de todo o restante do veículo (para que não ele seja esmagado pelas ferragens e pelo bloco do motor quando o carro amassa). Sendo assim, o carro só é “à prova de morte” para o próprio motorista, é claro…


Foi isso que inspirou Tarantino a escrever a história de um psicótico dublê de Hollywood (o “Stuntman Mike”, em bom português “Dublê Mike”) que diverte-se perseguindo belas garotas e matando-as com seu carro “à prova de morte”. Originalmente, o diretor queria Sylvester Stallone na pele do personagem, já que o ator havia interpretado o vilão e piloto de corrida Machine Gun Joe no clássico ANO 2000 – CORRIDA DA MORTE, produzido por Roger Corman. Como Stallone estava filmando seu ROCKY BALBOA na época das gravações de DEATH PROOF (agosto de 2006), Tarantino foi obrigado a buscar uma segunda opção, o ressuscitado Mickey Rourke. O nome do ator chegou a aparecer em alguns pôsteres de divulgação que circularam pela internet, mas Rourke foi “dispensado” por simplesmente não aparecer no set no primeiro dia de filmagens! Assim, o papel de Stuntman Mike acabou com a terceira escolha do diretor, Kurt Russell. Compondo um personagem ao mesmo tempo cômico e ameaçador, Russell não podia ter sido escolha melhor – até porque é um grande ator que vinha se queimando em filmes fracos.

DEATH PROOF começa com uma longa seqüência que acompanha uma garota caminhando – o que só comprova a tara do diretor por pés femininos, vista anteriormente em KILL BILL, JACKIE BROWN e PULP FICTION. Depois, Tarantino apresenta três amigas, Arlene (Vanessa Ferlito), Shanna (Jordan Ladd, de CABANA DO INFERNO) e a disc-jockey “Jungle Julia” (Sydney Tamiia Poitier, filha do ator Sidney Poitier). Para comemorar o aniversário de Julia, o trio vai até um restaurante mexicano em Austin, no Texas, para tomar margaritas e jogar muita conversa fora com os amigos Dov (o cineasta Eli Roth) e Warren (o próprio Tarantino). Julia confessa a Arlene que anunciou, em seu programa de rádio, que o primeiro homem que chegasse na amiga chamando-a de “Butterfly” (borboleta) e recitando o trecho de um poema de Robert Frost, ganharia dela uma “lap dance” (aquela dança típica das prostitutas americanas, que se esfregam sobre um homem sentado numa cadeira).

E eis que chega no local o misterioso Stuntman Mike McKay, vestido como um piloto de corrida e assustando as garotas com a enome cicatriz que tem num dos lados do rosto. Primeiramente, Mike tenta seduzir Arlene, mas percebe que a garota tem medo dele. Num dos diálogos intraduzíveis que brincam com a pronúncia das palavras, típico do Tarantino (lembra de “your dad is dead” e do “Zed is dead”???), Mike pergunta à garota: “Do I frighten you? It’s my scar?” (Eu assusto você? É minha cicatriz?). Arlene responde: “It’s your car” (É o seu carro), referindo-se ao bizarro Chevy Nova SS 1971 todo negro dirigido pelo dublê, e que tem o desenho de uma caveira no capô. Mike então chama Arlente de borboleta e recita o poema, ganhando como presente sua “lap dance”. Embora a dança não seja mostrada, já que entra o aviso de “missing reel” bem na hora só para provocar o espectador, takes desta cena aparecem no trailer do filme; logo, Tarantino realmente filmou tudo!


A noite vai passando e Mike resolve oferecer uma carona para Pam (Rose McGowan novamente, mas agora com os cabelos loiros). No caminho, explica para a garota o que é um “carro à prova de morte”. E também se revela um psicopata, quando começa a dirigir perigosamente para assustar sua vítima. “Você sabe… O carro é à prova de morte. Mas, para isso, você realmente precisaria estar sentada no meu assento…”, diz Mike, que então pisa no freio em alta velocidade e faz com que Pam arrebente a cabeça no pára-brisa do carro. Ainda sedento de sangue, o dublê psicopata pega a estrada, alcança o carro onde estão Arlene, Shanna, Julia e a traficante das moças, Lanna (Monica Staggs, dublê de Daryl Hannah em KILL BILL), e acelera contra elas na contramão, com os faróis apagados. Na violenta colisão frontal, as garotas são feitas em pedaços e morrem instantaneamente.

Este é o grande e inesquecível momento de DEATH PROOF. Acredite: perto desta cena, o acidente automobilístico mostrado no começo de PREMONIÇÃO 2 parece coisa de filme infantil. Tarantino filmou o desastre de quatro ângulos diferentes, usando todos os takes possíveis e imagináveis das moças sendo despedaçadas pela violência do choque entre os dois carros – a motorista é catapultada pelo pára-brisa; outra, que dormia com a perna para fora da janela, tem o membro amputado na altura da coxa, e a roda rasga o rosto de uma das caroneiras no banco de trás! O Detran poderia utilizar a seqüência toda nas aulas de direção defensiva da auto-escola! Apenas Mike sobrevive à batida, saindo com diversos ferimentos graves quando seu carro acaba completamente destruído…


Ele é levado ao hospital e interrogado pela polícia. Como substâncias tóxicas e ilegais foram encontradas no sangue das quatro moças mortas (que passaram a noite se chapando), a polícia resolve liberar Stuntman Mike da acusação de homicídio, sob protestos do texas ranger Earl McGraw (Michael Parks, de novo) e de seu “son number one” (James Parks, filho de Michael na vida real, e que fez o mesmo papel em KILL BILL e UM DRINK NO INFERNO 2). Algum tempo depois, recuperado dos ferimentos e com um novo “carro à prova de morte” (desta vez um Dodge Charger 1969, mas novamente com a caveira pintada no capô), o vilão começa a perseguir um novo grupo de garotas no Tennessee.

Elas são Lee (Mary Elizabeth Winstead, de PREMONIÇÃO 3), Abernathy (Rosario Dawson, de SIN CITY), Kim (Tracie Thoms) e Zoe Bell (dublê de Uma Thurman em KILL BILL, que aqui interpreta ela mesma!!!), garotas que trabalham como dublês de cinema e estão indo comprar um Dodge Challenger 1970 idêntico ao carro que aparece no clássico CORRIDA CONTRA O DESTINO. Durante um test-drive, as meninas são perseguidas por Stuntman Mike numa estrada deserta. O problema é que, desta vez, o psicopata encontrou mulheres fortes e determinadas, que transformam caçador em caça!!!

Embora tenha duas cenas realmente fantásticas (o violento acidente e uma longa perseguição de carros SEM CGI), DEATH PROOF é a parte mais decepcionante de GRINDHOUSE. Eu confesso que esperava mais de Tarantino, uma verdadeira enciclopédia de filmes exploitation, ainda mais após seu trabalho arrebatador em KILL BILL – que é muito, mas muito superior a este DEATH PROOF. Entretanto, desta vez o cineasta entrega um roteiro preguiçoso e burocrático, lembrando até o seu segmento na comédia sem graça GRANDE HOTEL. A maior parte do tempo de projeção é utilizada em diálogos, que raras vezes têm alguma utilidade na trama além de destilar a típica cultura pop Tarantinesca. Além disso, o diretor criou uma estrutura narrativa infeliz: apresenta cinco personagens femininas durante um longo tempo (40 minutos) e mata todas sem dó nem piedade, somente para depois apresentar mais quatro garotas (com direito a mais um montão de diálogos) como futuras vítimas do psicopata.


O problema é que como se trata de uma sessão dupla, o espectador já vem de um longa-metragem inteiro (PLANET TERROR) cheio de personagens, ação constante e um festival de violência; quando começa a parte de Tarantino, o ritmo cai vertiginosamente e há mais um montão de personagens para apresentar ao público. Pode até soar estranho para a maior parte da humanidade: alguns minutos antes você estava vendo uma batalha campal entre militares, sobreviventes e zumbis-mutantes, com sangue a rodo, tiros e explosões, e agora terá pela frente um blá-blá-blá interminável e Tarantinesco, incluindo uma cena tecnicamente irrepreensível, mas muito chata, onde a câmera acompanha quatro garotas conversando durante mais de 10 minutos, sem qualquer corte, enquanto tomam café! Se fosse um filme independente talvez o resultado não iria parecer tão arrastado, mas como metade final de um único projeto com três horas de duração, sim, DEATH PROOF realmente cansa, e chega a dar sono! Talvez teria sido melhor se DEATH PROOF viesse ANTES de PLANET TERROR…

Tarantino ainda comete um erro grotesco: mesmo com toneladas de diálogos, ele não consegue dar características e profundidade aos seus personagens. Se Stuntman Mike é um personagem rico e interessantíssimo, interpretado por um ator brilhante (Russell parece estar se divertindo muito como vilão), o roteiro simplesmente desperdiça sua existência, já que sabemos pouco ou quase nada sobre quem é ele e por que faz o que faz. No que concerne às personagens femininas, o diretor mais uma vez prefere enfocar mulheres fortes, lutadoras e determinadas (o que vem fazendo desde JACKIE BROWN), mas falha por não conseguir criar figuras realmente interessantes e com quem o espectador possa simpatizar – até esqueci seus nomes durante a história… E confesso que já estou ficando cansado dos “diálogos de negão” de Tarantino, que enche as frases de expressões “black” como “motherfucka”, “black ass” e “bitch”, mesmo quando são duas garotas branquelas que estão conversando!

Felizmente, o diretor consegue se redimir na conclusão do seu segmento, que é quando DEATH PROOF realmente brilha: o espectador fica na ponta do sofá (ou poltrona, no caso do cinema) acompanhando uma tensa e agonizante perseguição automobilística das boas, como nos velhos tempos, sem computação gráfica e com uma estupenda atuação da dublê Zoe Bell – ela fica pendurada no capô do Dodge em altíssima velocidade, enquanto Stuntman Mike, em seu carrão à prova de morte, tenta derrubá-la. Não tem como não ficar com os olhos grudados na tela, ainda mais quando você sabe que a própria dublê está realmente lutando pela vida no capô do carro, e cada vez mais perto de cair. E a seqüência continua com uma longa perseguição pela estrada, até a fraca conclusão que deixa um gostinho de “quero mais”, sem explicar muita coisa.

O cineasta complementa a brincadeira com as tradicionais “auto-citações” e homenagens a outros filmes. Entre as principais, cabe destacar:

– Uma personagem é vista bebendo o refrigerante da rede de lanchonetes fictícia “Acuña Boys” (nome de uma quadrilha citada em KILL BILL, filme anterior do cineasta)

– O personagem interpretado por Jonathan Loughran dá risadas sinistras idênticas às que o mesmo ator mostrou como o estuprador de KILL BILL

– A vitrola do bar onde as garotas estão, no início do filme, tem a canção “Misirlou” (da abertura de PULP FICTION) entre as mais tocadas.

O Chevy Nova dirigido pelo vilão é do mesmo modelo que o utilizado por John Travolta e Samuel L. Jackson em PULP FICTION.

– CORRIDA CONTRA O DESTINO é citado o tempo inteiro, inclusive no carro dirigido pelas garotas na metade final.

– Outros filmes sobre carros velozes e perseguições pela estrada são lembrados pelas garotas. Ao citar GONE IN 60 SECONDS, uma das personagens diz: “O original, não aquela merda com a Angelina Jolie”. hehehehe.

– Stuntman Mike tem a cicatriz no olho esquerdo, mesmo olho em que Snake Plissken, também interpretado por Kurt Russell, usava tapa-olho em FUGA DE NOVA YORK e FUGA DE LOS ANGELES.

– A velha cabana que aparece ao fundo quando as garotas vão comprar o carro seria a mesma utilizada por Sam Raimi em EVIL DEAD.

– Uma das garotas chama Stuntman Mike de “Zatoichi”, samurai cego dos quadrinhos orientais que já teve diversas adaptações cinematográficas.

– Mike cita a lanchonete “Big Kahuna Burger” (inventada por Tarantino em PULP FICTION).

– Uma cheerleader tem o nome “Vipers” na blusa, uma referência ao “Esquadrão das Víboras Mortais” de KILL BILL.


Tarantino ainda surge com uma inspirada brincadeira típica dos verdadeiros cinemas grindhouse: o título “original” do seu filme (que seria QUENTIN TARANTINO’S THUNDERBOLT) aparece em menos de uma fração de segundo, sendo logo encoberto por um negativo com o título DEATH PROOF sobreposto. Era um golpe freqüentemente utilizado nas salas de quinta categoria, quando um mesmo filme era relançado (com cenas a mais ou a menos) mudando apenas o título com que ele havia sido exibido antes, e normalmente o nome novo era apenas sobreposto ao anterior – foi o que aconteceu, por exemplo, com A ILHA DOS HOMENS-PEIXE!!!

Continuando nas suas apaixonadas citações cinematográficas, Tarantino também se apropria de músicas de outros filmes em DEATH PROOF, como já havia feito em KILL BILL. A abertura tem “The Last Race”, de Jack Nitzche, chupada da ficção científica VILLAGE OF THE GIANTS (1965), de Bert I. Gordon. Mais adiante, na cena em que Arlene “Butterfly” recebe uma mensagem inesperada pelo telefone celular, toca a triste canção “Sally and Jack”, composta por Pino Donaggio para o excelente UM TIRO NA NOITE, dirigido por Brian DePalma em 1981. Já uma das músicas de tensão é “Paranoia Prima”, da trilha sonora de Ennio Morricone para o giallo O GATO DAS NOVE CAUDAS (1971), de Dario Argento. O restante da trilha dá de dez a zero em PLANET TERROR, mostrando que Tarantino não é apenas viciado em cinema, mas também em música. Vale a pena comprar o CD.

É uma pena que DEATH PROOF não corresponda às expectativas de quem espera por algo no estilo de KILL BILL. O mais irônico é que o filme dificilmente seria exibido num verdadeiro cinema grindhouse, já que não tem ação suficiente e nem sexo (nada de sexo, na verdade) para o tipo de público que freqüentava aquelas sessões duplas. Se tivesse sido produzido por Roger Corman (que fez vários filmes baratos com perseguições de carros nos anos 70, como EAT MY DUST e GRAND THEFT AUTO), ele provavelmente obrigaria Tarantino a cortar os mais de 40 minutos de diálogos, ou pelo menos colocar mais batidas de carros e explosões intercalando estes gigantescos tempos-mortos. Considerando que Tarantino é um especialista no cinema exploitation em geral, fico pensando porque ele preferiu gastar mais da metade do tempo do seu segmento com conversa fiada ao invés de partir direto para a ação esperada numa produção do gênero…

Neste sentido, PLANET TERROR é muito mais exagerado, inconseqüente, divertido e “grindhouse” do que DEATH PROOF. E este segundo segmento dá uma pequena idéia do quanto seria imbecil colocar Quentin para dirigir um episódio da série SEXTA-FEIRA 13, boato ridículo que andou circulando na internet há alguns anos… Não que DEATH PROOF seja ruim, mas com certeza poderia ser bem melhor.

Fábio Prina_16/07/2010

10 de junho de 2010

Beyond the Lighted Stage

Aquele 20 de novembro trazia uma noite agradável na capital gaúcha. A frente de 41 mil pessoas, o telão de alta definição montado no palco sobre a arquibancada social do Estádio Olímpico mostrava uma animação de um dragão vermelho, bem distante. Era o intervalo da primeira apresentação no país, de um total de três, na única passagem do Rush no Brasil.

Segundos antes de as luzes ligarem, o Dragão cobriu o primeiro plano da tela e literalmente assoprou fogo sobre o público que lotava o gramado sagrado da Azenha. One Little Victory estorou nos autofalantes do estádio enquanto muitos fãs ainda se recuperavam da baforada que levaram. Essa era, mais ou menos, a sensação de quem teve a chance de conferir um dos melhores show que já passou por aqui: a turnê Vapor Trails, do album homônimo, de 2001, do power trio canadense.

Memória refrescada, nos próximos dias outra turnê rápida do Rush, passa exclusivamente em quatro cidades do território nacional, mais uma vez saudando Porto Alegre. Mas diferente de estádios e parques de eventos, como há oito anos atrás, desta vez o trio vai lotar as salas de cinema do Brasil.

Trata-se da exibição do documentário Rush – Beyond the Lighted Stage, da dupla de diretores Sam Dunn e Scot McFadyen, os mesmos realizadores do excelente Iron Maiden: Flight 666, sobre a dama de ferro do heavy metal britânica.

Rush – Beyond the Lighted Stage será exibido somente no dia 17 de junho, próxima quinta-feira, às 21h, nas salas da rede Cinemark de Brasília (Pier 21) , Rio de Janeiro (shoppings Downtown e Botafogo Praia), São Paulo (shoppings Eldorado, Metrô Santa Cruz, União de Osasco, Center Norte e ABC Plaza) e Porto Alegre (Shopping Ipiranga). Os ingressos já estão a venda desde o último dia 4 de junho nas bilheterias das salas ou pela internet.

O documentário abrange os 42 anos de história do trio cultuado entre fãs de rock e heavy metal, traçando perfis de Geddy Lee (vocal e baixo), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) e traz depoimentos de grandes nomes do rock, como Gene Simmons (Kiss), Billy Corgan (Smashing Pumpkins), Kirk Hammet (Metallica), entre outros. Em maio, o filme foi vencedor do prêmio do público no Festival de Tribeca, em Nova York.

Para aqueles que não apreciarão a obra na íntegra, segue a baixo o trailer da encrenca.

Fábio Prina_10/06/2010

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