Roger Waters – Us+Them Tour

Na última terça, dia 30, assisti ao show do meu maior ídolo Roger Waters, em Porto Alegre. Tratou-se do show mais aguardado da minha vida. Digo isso, porque os ingressos foram vendidos, e consequentemente comprados, em dezembro do ano passado, então, tivemos uma janela de 10 meses, entre a compra e a entrega. Mas valeu a pena. Digo mais, valeu a galinha inteira.

Há 10 meses, creio eu, quando a mega turnê teve seu agendamento na América Latina, incluindo o Brasil, ninguém deve ter colocado na balança o turbulento período eleitoral brasileiro, que infelizmente, foi mais valorizado pela mídia que o próprio espetáculo em si. Não me entendam mal, eu compactuo com grande parte do ativismo do artista, apenas acho que o foco da imprensa e dos seus fãs acabou se perdendo em meio ao caos político.

Primeiro ponto, em sua quarta passagem de turnê no Brasil, ele proporcionou a sua mais longa passagem por aqui, nada menos que 8 apresentações, em sete cidades, contemplando quatro regiões. Ainda, relembrando, as turnês anteriores: In the Flesh (2002) e The Wall Tour (2012), privilegiaram apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, enquanto Dark Side of the Moon (2007), apenas Rio-SP.

Outro ponto importante que não deveria nem estar nesse texto é que, um show de Roger Waters sempre teve, como marca registrada, o ativismo humanitário. Logo, isso não deveria ser novidade para ninguém que tem o mínimo de conhecimento sobre o artista. Aliás, tornar isso notícia, soa extremamente ridículo ridículo. Mas vamos lá, com o contexto eleitoral em fervor, a manchete sobre o posicionamento do músico acabou ganhando força na mídia e fora dela, inclusive, com um processo instaurado pelo TSE por campanha eleitoral ilegal. Porém, como pretendo discorrer no texto mais a frente, ir ao show de Waters e se abalar ou se entusiasmar com um comentário sobre o Presidente Eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, é digno da pior metáfora da história: “Como ter sua casa invadida e sua família estuprada e registrar ocorrência por um eletrodoméstico roubado”, autor desconhecido.

Mas vamos falar sobre o show-evento da última terça.

“The sun is the same in a relative way but you’re older,
Shorter of breath and one day closer to death.” (Time – Waters, 1973)

Para quem é iniciado nos shows de Waters, Us+Them Tour não trouxe grandes novidades, como a letra de Time acima, o sol é relativamente o mesmo, mas estamos mais velhos. O que fica óbvio é que Waters recicla seu material mais valioso para formar uma storytelling para o seu mais alto grito de resistência ao totalitarismo e ao terrorismo de estado. Assuntos que já haviam sido tratados de forma pontual, principalmente na turnê The Wall.

Em uma praia paradisíaca, onde nada além das ondas e o vento influenciam o ambiente, o show começa. Duas canções clássicas do álbum Dark Side of the Moon (1973), obra prima do Pink Floyd, banda que Waters fundou e foi a maior referência criativa. A instrumental Speak to Me, chama as atenções ao palco, que se ilumina com a banda para executar Breathe, mostrando na gigantesca tela palco, imagens do universo em formação, destoante com um corpulento globo metálico que marca a sua presença engolindo o ambiente. A abertura é ainda composta de mais uma música, que se contrapôs a linda harmonia inicial, trazendo caos à paisagem. One of These Days, do álbum Meddle, de 1971, foi a música mais antiga executada na noite. A suíte instrumental enérgica, foi apresentada com perfeição como foi gravada há quase 50 anos, no sexto disco de estúdio da banda.

A atmosfera sombria logo dá lugar a euforia com a quarta música, o megahit Time, trazendo a clássica animação dos relógios emergindo da tela para o público, utilizado pela banda na década de 70, quando promovia seu maior clássico mundo afora. A força de Waters para cobrir os vocais de David Gilmour é válida, já que o público cumpriu sua parte em cantar junto a monstruosa canção sobre o tempo, precedida de Breathe Reprise, tal qual no disco, entoadas pelo guitarrista Jonathan Wilson, de forma muito competente.

Apresentação de Time no show teste da turnê, em outubro de 2016

Mais uma vez, respeitando a sequência do disco Dark Side… , as backing singers Jess Wolfe and Holly Laessig of Lucius assumem o protagonismo executando de forma esplêndida os solos vocais de Clare Torry, em The Great Gig in the Sky, alterando um pouco a composição original, para deixar o dueto equilibrado. As cantoras, que se apresentam na turnê com as mesmas vestimentas e perucas, tem a sua imagem sobreposta na tela palco como uma composição com os elementos da natureza, outra marca herdada e respeitada das apresentações originais da banda nos anos 70.

A natureza bela e a sonoridade deliciosa de The Great Gig… dão lugar a outra suíte de difícil absorção aos não iniciados. A pessimista Welcome to the Machine, do álbum Wish you Were Here, começa a ser tocada em uma versão diferente a do estúdio próxima do formato apresentado em In The Flesh, com ritmo de bateria para dar andamento, mas mantendo os vicerais solos de teclado sintetizados, executado pelo competente Jon Carin, parceria de Waters em todas suas turnês. E, que inclusive, esteve ao lado do Pink Floyd, nas apresentações que sucederam o lançamento do disco The Division Bell, de 1994, registrado no clássico show P.U.L.S.E..

Terreno pronto, Waters colou o bloquinho de três canções do seu mais novo disco, Is This the Life We Really Want? seu quinto álbum de estúdio, lançado em 2017, como um manifesto contra todo terrorismo de estado e ascensão do populismo autoritário, o qual ele não mede as palavras para chamar de Neo-Fascismo. Os títulos auto-explicativos provocam o ouvinte a refletir, principalmente sobre o regime apartheid instaurado em Israel sobre os palestinos, as crises de refugiados na Europa e intervenções militares norte-americanas. As canções escolhidas para o bloco foram Déjà Vu, The Last Refugee e Picture That, nessa ordem, abrindo espaço para projeções humanitárias de denuncia sobre as injustiças cometidas pela humanidade.

Waters sabe, nós sabemos, eles sabem. Tudo o que foi mostrado nas telas é frequentemente ignorado pela mídia e pela opinião pública que repudia a doença da sociedade em se focar no âmbito social e pensar no mercado. Se a economia está bem, o mundo está bem, digamos. Mas ele não deixa barato e põe o dedo na ferida que o planeta vive. Claro, isso não é de hoje, nem dessa turnê, ele sabe que o mundo vive e alarde isso em toda a sua obra, desde Dark Side of The Moon.

A desolação e a tristeza da perda se completam com a faixa-título Wish you Were Here, com uma projeção de mãos tentando se conectar, mas despedaçadas. Épico. Triste. Arrebatador.

O soundhound do estádio denuncia o hit Another Brick in the Wall – precedida de The Happiest Days of Our Lifes, todos conhecem os helicópteros chegando para vigiar os estudantes, eternos aprendizes, que estão sendo alienados pelos instrutores. O superhit da ópera rock The Wall, de 1979, é somado ao terceiro e mais violento movimento do disco Another Brick in the Wall – Part III, para dar ainda mais dimensão a música. Crianças sobem ao palco para emular o backing vocal da música, o que a equipe faz com muita competência, ainda da turnê anterior. Sob uma sobre-roupa laranja, que imita o uniforme presidiário americano, as crianças vestem uma camisa preta com a palavra “Resist” e a mesma palavra que é mantida na tela palco pós o encerramento do primeiro ato do show.

Para tornar didático, no curto intervalo de pouco mais de 10 minutos, a tela projeta diversos alienadores mundiais, incluindo Mark Zuckerberg e os Neo Fascistas atuais, que estão no poder mundo afora. Sempre com a mensagem Resist sobre tantas denúncias feitas em tão pouco tempo.

Em suas apresentações em São Paulo, o nome de Jair Bolsonaro esteve presente, sem filtros na primeira apresentação e encoberto por uma tarja com a escrita “Ponto de Vista Censurado” na segunda. Depois de dividir o público, entre aplausos e vaias, a equipe achou por bem retirar o nome, o que não fez a menor diferença ao público de Porto Alegre, que se dividiu entre o grito de guerra “Ele Não” e “Mito”, mostrando que a ignorância é a marca registrada do país do futebol (que acredita que tudo é paradoxal).

“I gotta admit that I’m a little bit confused
Sometimes it seems to me as if I’m just being used” (Dogs – Waters, 1977)

Ainda no intervalo, quatro colunas surgiram no palco. Primeiramente, mostradas na tela palco, com um estrondoso som quadrifônico ensurdecedor, e, em seguida, sobre a tela, dando uma dimensão ainda maior ao espetáculo visual e compondo o cenário para as projeções mapeadas. A “fábrica” capa antológica do disco Animals, de 1977, com seu porco sobrevoando, foi a primeira pirotecnia do show. Lembramos, que esse álbum, tem uma nítida influência do livro A Revolução dos Bichos, escrito por George Orwell em 1945, autor, que também já havia foi mencionado explicitamente, na turnê The Wall, com o seu Big Brother, do livro 1984.

Após as colunas da fábrica se estabilizarem, arrancando a terra do chão, inicia a segunda parte do show. A poderosa Dogs começa a ser tocada pela banda. A música mais longa do show, próxima dos 20 min, proporciona diversas leituras. Neste caso, o direcionamento foi aos autoritários, aos poderosos, aos formadores de opinião pela força. A projeção de um cão raivoso, permanente e amedrontador, deixa isso claro.

Em seguida, outra suíte do mesmo disco inicia. Desta vez Pigs (Three Different Ones), que utiliza a imagem do Presidente Norte-Americano, Donald Trump, para ilustrar a fala de Waters sobre anti-semitismo, xenofobia, racismo, machismo, incesto, pedefilia e outras tantas heranças deixadas por esse desgraçado que assumiu a maior economia mundial, com a promessa de construir um muro entre nações.

Ao mesmo tempo em que os solos de teclado e guitarra sintetizados ocupavam o espaço sonoro, um porco inflável – mais uma das marcas mais clássicas do Pink Floyd – era solto na plateia para ser exterminado. Nele era possível ler “Stay Human”, do doutro lado, “Seja Humano”, em uma das poucas mensagens na língua nativa que Waters trouxe. Ao final de Pigs, ainda se leu: – Trump é um porco!, onde se ouviram aplausos de todo público. Claro, o presidente dos outros a gente sabe que é um merda, o nosso, a gente defende…

Apresentação de Pigs no mesmo show no México. O show ocorreu às vésperas da eleição americana e o vídeo foi postado pelo artista no dia em que Trump foi eleito presidente.

Não satisfeito, a mensagem PIGS permanece na tela, mostrando que “eles venceram”, e outro megahit é apreserntado: Money, novamente do disco Dark Side… . Nos deixamos seduzir pelo riff de baixo e pela linda projeção, mostrando bilionários rindo, banquetes e objetos de luxo. O contraponto acontece ainda durante a canção, que muda o olhar das projeções para situações de extrema pobreza. Assistimos isso diariamente, e somos todos cúmplices da injustiça social ditada pelo mercado. O poder aos ricos e poderosos e os miseráveis, simplesmente miseráveis.

Novamente seguindo o track-on-track do Dark Side of the Moon, chega a canção Us and Then, que dá nome a turnê. Apesar de algumas licenças poéticas no vídeo, as imagens são próximas das projeções floydianas da época do seu lançamento, trazendo o embaraçado mundo, aos pequenos caminhantes anônimos do solo comum. A canção mais bela do disco de `73 deixa claro, o humanismo está presente, mas pouco representativo, numa sociedade de cães e porcos no poder. A construção da mensagem trazida pelo músico, começa a fazer sentido e a encerrar o espetáculo.

Antes do grand finale, sobrou ainda a batida pesada de Smell the Roses, outra faixa do último disco solo de Waters. Em alguns shows, esse momento teve a clássica Mother, do álbum The Wall, deixada de lado. Pelo discurso, entende-se que, talvez pela má aceitação as críticas de governo, não houvesse espaço para ela. Mas a faixa cumpriu o seu papel antes do descomunal fechamento. Ainda, sentiu-se algumas ausências no repertório, como Shine on you Crazy Diamond e músicas do chamado Early Years da banda, onde ainda contava com o controle criativo do falecido Syd Barret. Mas nenhuma ausência ou mudança no repertório comprometeu o espetáculo.

And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon – (Eclipse – Waters, 1973)

Chegado o ato final, algo magnífico para entregar aos seus fãs, Waters tocou as faixas finais de Dark Side… (aqui cabe falar que, com exceção de On The Run e Any Color You Like, o disco foi tocado na íntegra no show), e além disso proporcionou uma experiência visual única, de estar dentro do prisma, a imagem clássica do álbum de maior sucesso do Pink Floyd. Arrebatador, letra e som fizeram muitos floydianos esquecerem as suas diferenças e cantares um uníssino as frases que fecham o maior disco de rock de todos os tempos. O triangulo equilátero perfeito, formado por lasers e luzes, foi ovacionado por todo o público por diversos minutos ao final da performance.

prisma

Reprodução no ápice do show com o Prisma.

Houve ainda um pequeno intervalo, para que Waters falasse ao público. Ele abdicou. Disse apenas que não queria problemas entre os fãs. Talvez, em outras palavras, ele tenha dito: desisti de vocês Brasil! Pode ser, neste momento, em outras apresentações houve até homenagens para a Vereadora Negra, Mariele, brutalmente executada no Rio de Janeiro e para o mestre capoerista Moa do Katendê, morto a facadas após uma discussão sobre política, em Salvador.

Obviamente, ele nunca pensou assim, ele só se deu por conta que esse não é o espaço de fazer valer a sua mensagem, afinal o show todo, era apenas entretenimento. Essa ironia, por mais patética que pareça, foi entendida por grande parte do público como verdade absoluta, o que me deixa revoltado, por ter uma mensagem dão urgente e tão óbvia, que não foi absorvida por muitos.

Por fim, Confortbly Numb, faixa do álbum The Wall, com seus solos de guitarra, desenhados melodicamente por Gilmour, fecharam o show com o excitasse de todos.

Após o fim da canção, a tela palco ainda se mostrou necessária, fechando o arco dramático da praia paradisíaca. Desta vez, uma mulher apareceu sentada, encarando o horizonte. Segundos depois, uma criança, também menina, apareceu e foi em sua direção. As duas se abraçaram antes do fade out. Apesar do final feliz, será que todos podem dizer que podem abraçar seus pares? Talvez a reflexão tenha sido muito pequena.

 

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O Muro em Porto Alegre

A notícia não é nova, mas ainda não tinha encontrado aqueles 15min de ócio para registrar aqui. Roger Waters virá a Porto Alegre, com a maior turnê da história do rock progressivo, The Wall.

Isso não é um boato não! Já tem dia e hora marcada, o local ainda está à definir, mas fala-se muito no Olímpico Monumental, já que o campinho do aterro estará em reformas para a Copa na ocasião. O dia histórico será 17 de março, do próximo ano, um sábado que perpetuará na história, assim como aquele longíncuo março de 2003 ainda faz.

Para os pegos de surpresa, Roger Waters, além de ser o Richard Gere do rock, foi baixista, vocalista, fundador e gênio musical da maior e melhor banda de todos os tempos, o Pink Floyd. Desde  de guri, quando tocava com a galera na Universidade de Cambrigde até o início dos anos 80, quando saiu da banda, foi reverenciado pela sua criatividade a frente das letras que marcaram a história da música.

Essa será a segunda passagem do semideus pelos pagos do Rio Grande. Como dito antes, ele esteve por aqui no dia 12 de março de 2003 e quase completará 9 anos da sua histórica apresentação da turnê In the Flesh, a qual fez os fâs derramarem lágrimas no gramado sagrado da Azenha. Waters ainda teve mais uma passagem pelas terras tupiniquins em meados de 2007, mas excluiu a capital gaúcha de sua turnê, Dark Side of the Moon, onde apresentava na íntegra o álgum homônimo dos tempos do Pink Floyd.

Voltando ao que virá, lá se vão 44 anos da fundação do Pink Floyd. Em 1967 era lançado o disco The Pipper at the Gates of Down, que juntamente com o álbum Sgt. Peppers Lonenly Hearts Club Band, dos Beatles, seria o marco inicial da música psicodélica mundo afora. Foram diversos discos históricos, incluindo a fase de ouro da banda, iniciada por Dark Side of the Moon, complexo e dinâmico disco progressivo, em 1973, e encerrado exatamente por The Wall, uma ópera rock sem prescedentes, até hoje reverenciada como a grande obra da banda, em 1977. Aos, 68 anos, Waters é o único membro original da banda que continua na ativa, esbanjando energia e pretenção em suas apresentaçãos.

The Wall, o disco, foi um sucesso absoluto, galardoado com Platina 23 vezes. Chegou ao topo dos mais vendidos logo após o lançamento e parmaneceu ali por muito tempo, hoje é considerado o 3º álbum mais vendido de todos os tempos do concorrido mercado norte-americano. Após seu lançamento, em 1980, as apresentações de The Wall ganharam sua primeira montagem, com 27 shows apenas na Inglaterra, Alemanha e nos EUA, que acabaram dando prejuízo para a banda, devido a sua grandiosidade. Em 21 de julho de 1990, já atuando solo, o músico encenou a mega-produção em Berlin, na Alemanha, na época para fazer o maior concerto ao ar livre de todos os tempos, para homenagear o país pela queda do famoso muro, que acontecera um ano antes. Em diversas partes do planeta o show foi transmitido ao vivo na ocasião e em 2003 ganhou uma versão luxuosa em DVD. No Brasil, ainda pode ser encontrado em uma edição simples, digna de ser vendida em revistas de quinta categoria, em bancas de rodoviária, por aí.

Porém, mesmo com essa bagagem toda, comparada com a nova roupagem de The Wall Tour, os velhos show parecem brincadeiras de jovens despretenciosos. A estrutura agora trata-se de um muro de 137 metros de largura e 11 de altura, montado entre o palco e a plateia. São 424 tijolos que dão forma a super obra, contruída em 45 minutos, enquanto se é apresentada a primeira parte do show. São 172 alto-falantes, incluindo sorrounds e monitores, mais pirotecnias para dar vida ao espetáculo. 23 projetores são responsáveis pelo movimento que será exibido no próprio muro, com animação original de Gerald Scarfe, que também animou frames para o filme Pink Floyd The Wall, de Alan Parker, lançado nos cimemas em 1982. Ainda, há espaço para o Professor, a Esposa e a Mãe, três personagens que ganham forma através de gigantes bonecos infláveis, de 10 metros de altura.

Tudo isso, exibido nos cinco continentes, iniciado em Toronto, no Canadá, dia 15 de janeiro de 2010, e com encerramento previsto, até então, no dia 25 de março de 2012, no Rio de Janeiro. Apenas o palco usado para os shows é o mais caro e ambicioso da história, com o valor estimado em 37 milhões de Euros. No Brasil, a apresentação será realizada  em três cidades, além de Porto Alegre e Rio, também em São Paulo, que ganhará duas datas.

Curiosidade: em um show da turnê na O2 Arena, em Londres, no dia 2 de maio deste ano, Waters convidou ao palco dois remanescentes da formação clássica do Pink Floyd: David Gilmour e Nick Manson, para dar uma canja na música Outside the wall, que encerra o espetáculo. Rick Wright, falecido, foi o único não presente, daqueles mesmos que tornaram a obra realidade.

A expectativa é grande. Os números surpreendentes e o grande espaço que a mídia vem dedicando dão conta que será um dos maiores eventos musicais da história. Ainda não há informação sobre os valores das entradas, mas a abertura das bilheterias está prevista para setembro por aqui.

Mais Pink Floyd para fãs

Coincidentemente, ou não, será lançado por aqui, no calor da febre Waters, uma série de produtos do Pink Floyd, para encher os olhos de qualquer fã e os bolsos de qualquer gravadora. É um verdadeiro ‘pacotão psicodélico’ com o relançamento de toda obra da banda, mais alguns quitutes, chamados também de versões expierence e immersion dos discos.

26 de setembro – Se você não gastar toda sua grana comprando o lugar mais VIP do estádio para o show The Wall, pode passar em uma loja para conferir a versão remasterizada dos 14 álbuns do Pink Floyd, que podem ser comprados separadamente ou em um box chamado Discovery; Ainda, chega ao mercado também as edições Experience e Immersion do disco Dark Side of the Moon, incluindo uma versão com seis discos (credo!!!), em DVD, CD e Blue-Ray, com trechos de gravações, reportagens e afins;

7 de novembro – A Foot In The Door – The Best of Pink Floyd, coletânia com 16 músicas que marcaram a história da banda, com material gravado no show no Wembley Stadium, em 1974; Mais as edições Expierence e Immersion do disco Wish You Were Here;

27 de fevereiro 2012 – Um dia antes do meu aniversário, sairá as edições Expierence e Immersion de The Wall, a segunda, com um total de sete discos, entre CD, DVD e Blue-Ray. Todo material também será lançado em vinil e downloads digitais. Tá aí uma boa dica de presente pra quem quiser me fazer uma surpresinha.

Ufa! Era isso.

[ATUALIZADO – 10/10] Devido ao aumento para oito shows na Argentina, as datas das apresentaçõs de Waters no Brasil foram reagendados. Em Porto Alegre o espetáculo acontece no Estádio Beira-Rio, no dia 25 de março. Valores dos ingressos e outros serviços do show ainda não foram divulgados.

[ATUALIZADO 2 – 14/10] O primeiro lote de ingressos para a turnê The Wall em Porto Alegre, exclusivos para os fãs cadastrados no site oficial do músico, saiu com preços exageradamente salgados e discutido (pelo menos mencionado) neste post aqui.

Fábio Prina_19_07_2011

Senta o dedo nessa porra!

Pois é, o festival de frases feitas está para acontecer.

Foi lançado nesta semana o trailer do filme Tropa de Elite 2, continuação do sucesso de pirataria e de plágio de roteiro mais popular no cinema brasileiro nos últimos anos.

Para aqueles que tem memória curta, a saga conta a história da BOPE, do Capitão Nascimento, da corrupção na polícia brasileira, do tráfico, enfim, etc… O primeiro filme, para muitos, é o maior fenômeno da história do cinema nacional, não apenas pela acessibilidade à obra, através de uma cópia de serviço vendida nos camelôs meses antes da estreia da pelicula no cinema. Mas também pela identificação do público com a obra, em especial, com a realidade cotidiana nas metrópoles e pela produção impecável, que trazia cenas de ação convincentes aos certames brasilis. Coisa que é muito rara por aqui.

Ainda na época do lançamento de Tropa de Elite (José Padilha, 2007), muitos camelôs vendiam desenfreadamente uma continuação, também intitulada Tropa de Elite 2, que na verdade era o excepcional documentário Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles e Kátia Lung, lançado nos cinemas e em vídeo pela VideoFilme.

Tropa de Elite 2 chega aos cinemas dia 8 de outubro de 2010, com Wagner Moura e André Nascimento no elenco e a presença de Seu Jorge, como o grande vilão da função. José Padilha (do documentário Ônibus 174) volta à direção da produção.

Confira abaixo o trailer:

Vi isso em @marcelazini

Fábio Prina_29/06/2010

Politicamente Correto!

Uma vez vampiro era vampiro…verdadeiro vampiro” Cacá – Velho Reclamão

Genial… vi esse vídeo no blog do colega de jornalismo Vinícius Ghise! Isso é para termos uma ideia de como o politicamente correto acabou com o nosso mundo! E como se tem porcaria hoje em dia como se tinha antigamente.

O quadro se chama Massaroca, e faz parte do programa Metrópolis da TV Cultura. Vale e muito a pena dar uma espiada.

Você acha que isso é um programa de comédia?

Fábio Prina_05/02/2010

Salve Geral vai ser o Brasil no Oscar

O filme brasileiro escolhido para tentar uma indicação ao Oscar 2010 é Salve Geral, do diretor Sérgio Rezende. Que venceu a disputa pela vaga entre com outras nove produções do cinema nacional.

Inspirado no fatídico Dia das Mães de 2006, onde o estado de São Paulo foi tomado por rebeliões conduzidas pelo Primeiro Comando Capital (PCC), o filme conta a história de Lúcia (Andréia Beltrão) uma viúva de classe média que sonha em tirar o filho Rafael (Lee Thalor) da prisão.

Em suas frequentes visitas à penitenciária, Lúcia conhece a advogada Ruiva (Denise Weinberg) ligada à organização criminosa. Precisando do dinheiro, ela aceita realizar pequenas tarefas que também a conectam a facção. Paralelamente o PCC passa por uma luta interna pelo poder, ampliada pelo confronto dos prisioneiros com o sistema carcerário.

Quando o governo decide transferir, de uma só vez, centenas de presos para penitenciárias de segurança máxima no interior do estado, o Comando envia a ordem para que seus integrantes realizem uma série de ataques.

Trailer de Salve Geral

A produção é da Toscana Filmes e a distribuição é realizada pela Sony. Salve Geral chega aos cinemas no dia 2 de outubro.

A cerimônia do Oscar acontece no dia 5 de março de 2010, no Kodak Theater, em Los Angeles, EUA. A lista final dos indicados em todas as categorias para concorrer ao prêmio mais conhecido do cinema mundial sái no final do mês de janeiro.

Fábio Prina_21/09/2009

É proibido fumar!!!

Campanha_Lei_Antifumo_Governo_de_São-Paulo

A coisa que mais me deixou triste com todas essas leis e incentivos de compate ao fumo foi a publicidade. Não a publicidade contra o fumo, mas o fim daquela que promovia ele. Achava o máximo pegar uma caixa de Marlboro e dizer que era o carro do Senna. Ou senão ver aqueles caras da Hollywood escalar montanhas na Austrália, surfar no Havaí ou esquiar no Alaska, e, logo em seguida, acenter um branquinho fininho.

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“Foto acima reproduz uma pessoa de origem afro-brasileira com um chocolate entre os dedos”. Não é impressão, às vezes o politicamente correto soa idiota e preconceituoso

Mas vá lá, o politicamente correto e ficar bem com a opinião pública estão super na moda, então temos que nos adequar aos novos tempos. Para ter uma ideia disso, até os deliciosos Cigarrinhos de Chocolate ® da PAN tiveram que desaparecer do mapa, culpa desse tal de novos tempos. Desse modo, neste dia 7 de agosto, sexta-feira, entra em vigor a Lei Antifumo no estado de São Paulo.  A nova legistação estabelece que fica proibido fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares, restaurantes, casas noturnas e outros estabelecimentos comerciais. Até mesmo os fumódromos em ambientes de trabalho e as áreas reservadas para fumantes em restaurantes ficam proibidas. A nova legislação estabelece ambientes 100% livres do tabaco.

Para os fumantes e afins, o uso da droga lícita está permitida apenas para o local doméstico, excluindo areas sociais de condomínios e prédios, e também parques e locais abertos. Universidades, bares, festas, e todo o tipo de evento onde dá pra escapar e pegar um ‘ar livre’, agora pode ser uma razão legal para ser multado e até detido.

Essa lei, me lembra além de um post que publiquei sobre o terrorismo nos maços de cigarro, uma outra postagem sobre um texto muito pertinente do cronista gaúcho David Coimbra. A lei é diferente, mas o assunto dialoga, nas palavras dele, o autor recorre ao diálogo entre o Pequeno Príncipe e o rei que ordenava qualquer ser do univerno, no livro de Exupéry, para dizer que cada lei, cada ordem, deve ser dada onde ela possa ser cumprida. Isso, na ocasião, se aplicava a Lei Seca, que por incrível que pareça está em vigor, com severas implicações para os seus infratores.

Acredito friamente que este será um caso de reicidência em vigorar uma lei imbecil. Não que eu seja contra iniciativas legais que possam inibir o uso do Álcool ou do Cigarro, pelo contrário, quero que isso exista, mas de uma forma não estúpida como essa. Afinal, como aponta Coimbra no seu texto “todos sabem que uma ordem impossível de ser cumprida… não será cumprida! (…). A aplicação de tal lei é plausível e até recomendável mas se torna ficção”.

Interessante vai ser voltar ao assunto daqui um tempo, ou até mesmo acompanhar via noticiários, o que mudou com a Lei Antifumo. Se os resultados forem tão espetaculares com a Lei Seca, podemos esperar leitos ocupados por vítimas de imprudência no trânsito, morrendo ao lado de um caso grave de efizema pulmonar. A história insiste em continuar.

É proibido fumar – Sucesso do Skank – ideal para tocar nos bares e boates e lembrarem seus frequentadores do que há uma lei, um aviso e fogo na história

Fábio Prina_07/08/2009

Peixes fritos e diploma

Texto de Paulo Ribeiro publicado originalmente no jornal Pioneiro (Caxias do Sul – RS – 24/06/09)

A decisão do Superior Tribunal Federal (STF), que extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo (e misturou cozinha com redação, peixes fritos com ética), é de última instância e sobrou para nós os protestos.

E é preciso que eles sejam conscientes. Escritor, como os românticos de outros tempos, poderia evocar aqui o direito de “ser jornalista” por gostar do hábito da escrita. Bobagem. Hoje, a sociedade, a clientela, quer alguém habilitado, com formação específica, técnica e eticamente preparado para o exercício da atividade jornalística.

Talvez  seja válido também recordar aos ministros que liberdade de expressão não é o mesmo que liberdade de informação, que é o que distingue a prática do Jornalismo do direito que a Constituição assegura a todo cidadão.

Mas, por outro ângulo, até que é em boa hora a decisão do Tribunal, que gerou esta onda de protestos. A profissão de jornalista, até aqui, era regulada por um decreto-lei do tempo da ditadura, normalizada por um ato da Junta Militar. Era uma forma de “cassar” jornalistas sem canudo que se manifestassem contra o regime instalado.

Mas os tempos mudaram. As formas de comunicação evoluíram, as ferramentas do jornalismo se tornaram tão específicas que a obrigatoriedade de uma formação universitária é uma realidade imposta pelo mercado. E não só: o compromisso social do jornalismo, as balizas éticas da profissão, a indispensável formação humanística, inerente à atividade, só se adquire mesmo na universidade.

Portanto, somado aos nossos protestos de agora, o que se precisa é um Projeto de Lei no Congresso Nacional que regulamente e normalize a profissão dos Jornalistas, bem como a criação de órgãos que os fiscalize. É o momento, quem sabe, de se encaminhar a criação de um Conselho de Imprensa, instituição que serviria para acompanhar os atos dos profissinais diplomados no exercício de uma profissão que lida com questão tão delicada como a informação.

Como se vê, “liberar geral” o jornalista é uma situação intrincada, perigosa, pois uma notícia, uma opinião, pode ser usada para favorecer grupos econômicos, políticos, corporativos, e fugir da sua função principal, que é o compromisso com a verdade e a responsabilidade social. A reconquista de nosso diploma recomeça agora, com a nossa voz no Congresso, em Brasília.

Fábio Prina_26/06/2009