Dia de Cinema – À Prova de Morte

Três anos após o lançamento, na forma a qual foi concebido, o filme À Prova de Morte, do cineasta americano Quentin Tarantino, chega em circuito alternativo às salas de cinema da Republica Federativa do Brasil.

Em tempos de downloads ilegais, dvd´s importados, youtube, etc… chega a ser uma piada que um trabalho de um dos maiores cineastas de todos os tempos tenha demorado infinitos três anos para aportar aqui. Mas fazer o quê?

Para quem nem lembra mais de onde ouviu falar de À Prova de Morte desde o longínquo ano de 2007, vamos dar uma retomada. Naquele tempo, dois grandes visionários, Tarantino e seu pal Robert Rodriguez, tiveram uma audasiosa ideia, que hoje sabemos – não deu certo. Inspirado nas salas de cinema bagaceiras dos anos 60/70, a dupla realizou uma homenagem aos explotation movies , produções toscas que exploravam violência e sexo e que muitas vezes eram exibidos em cinemas de quinta categoria em sessões duplas, conhecidas como Grindhouse. Eis então, que os diretores juntaram seus talentos e realizaram uma pretenciosa mega produção, chamada exatamente de Grindhouse, com dois seguimentos em longa metragem: Planeta Terror, de Rodriguez; e, À Prova de Morte, de Tarantino, cortada por trailers falsos de outros explotation movies, incluindo Machette, que foi rodado por Rodriguez e chega aos cinemas em outubro.

Como o filme naufragou nas bilheterias norte americanas, a ideia original se dicipou, e a obra foi lançada mundo afora, de forma separada, dando origem aos dois títulos citados. No Brasil não foi diferente, e por motivos de desconfiança da distribuidora Europa Filmes À Prova de Morte ficou engavetado até que seu direitos foram comprados pela PlayArte, e, que, enfim, deu um pingo de esperança para que os fãs tarantinescos pudessem assistir ao trabalho do realizador no meio a qual o projeto foi concebido para ser visto: a sala de cinema.

De tão nostalgico que é relembrar toda via sacra de Grindhouse no Brasil, fui buscar a melhor crítica de cinema já escrita para a produção, do meu velho amigo Felipe Guerra, diretor, crítico, ator, jornalista, bloggueiro, mestrando, curador e cinéfilo. Faz tanto tempo que ele fez esse texto, que nem no novo site do Boca do Inferno é possível localozá-lo. Então, em forma de homenagem, publico uma parte do longuíssimo texto de Grindehouse sobre À Prova de Morte, na íntegra , sem a devida autorização do seu autor. Espero que ele não se importe!

Ainda sobre Felipe, gostaria de agradecer o tal por ter me dado a honra de conhecer pessoalmente, na última semana, o cineasta italiano Luigi Cozzi, que esteve no Brasil participando do Fantaspoa – Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Mas isso não tem nada haver com o resto da história.

Segue a encrenca abaixo:

Grindhouse

por Felipe M. Guerra

Segmento À Prova de Morte

– Você já viu algum filme onde o carro bate de forma tão violenta que não existe forma de alguém sair inteiro de dentro dele? Como você acha que eles fazem isso? – questiona Stuntman Mike McKay, o personagem principal de DEATH PROOF, numa cena-chave da película.

– CGI? – responde a inocente mocinha, fazendo com que o pobre dublê, interpretado por Kurt Russell, chegue a se engasgar!


Este diálogo reflete a insatisfação do próprio Quentin Tarantino, que criou a história para seu segmente de GRINDHOUSE baseado na paixão que tem pelas velhas produções com perseguições e desastres automobilísticos, tipo BULLIT, de Peter Yates, ou OPERAÇÃO FRANÇA, de William Friedkin. Ele odeia o fato de as produções atuais trazerem efeitos e carros criados em computação gráfica, o que facilita bastante o trabalho do diretor e dos dublês, mas por outro lado torna tudo mais artificial e menos emocionante para o público. “Acho que não teve mais nenhuma boa perseguição automobilística desde que eu comecei a filmar, em 1992. Para mim, a última cena fantástica do gênero foi em O EXTERMINADOR DO FUTURO 2, e depois PREMONIÇÃO 2 mostrou um magnífico acidente de carros. Entre estes dois filmes, nada de mais. CGI em perseguições é algo que não faz sentido para mim – como é que uma coisa assim pode parecer impressionante?”, queixou-se o diretor, numa entrevista.

Todo o conceito de DEATH PROOF é baseado nos “carros à prova de morte”, construídos pelos dublês dos anos 60, 70 e 80 (quando não existia o conforto e a segurança da computação gráfica) para poderem demolir os veículos contra paredes de tijolos a 100 quilômetros por hora e ainda saírem vivos de dentro da ferragem retorcida. O sistema à prova de morte inclui um cinto-de-segurança especial que prende todo o corpo do motorista ao banco (evitando que ele se espatife contra o pára-brisa no momento da colisão) e uma espécie de “gaiola” resistente que isola o banco do motorista de todo o restante do veículo (para que não ele seja esmagado pelas ferragens e pelo bloco do motor quando o carro amassa). Sendo assim, o carro só é “à prova de morte” para o próprio motorista, é claro…


Foi isso que inspirou Tarantino a escrever a história de um psicótico dublê de Hollywood (o “Stuntman Mike”, em bom português “Dublê Mike”) que diverte-se perseguindo belas garotas e matando-as com seu carro “à prova de morte”. Originalmente, o diretor queria Sylvester Stallone na pele do personagem, já que o ator havia interpretado o vilão e piloto de corrida Machine Gun Joe no clássico ANO 2000 – CORRIDA DA MORTE, produzido por Roger Corman. Como Stallone estava filmando seu ROCKY BALBOA na época das gravações de DEATH PROOF (agosto de 2006), Tarantino foi obrigado a buscar uma segunda opção, o ressuscitado Mickey Rourke. O nome do ator chegou a aparecer em alguns pôsteres de divulgação que circularam pela internet, mas Rourke foi “dispensado” por simplesmente não aparecer no set no primeiro dia de filmagens! Assim, o papel de Stuntman Mike acabou com a terceira escolha do diretor, Kurt Russell. Compondo um personagem ao mesmo tempo cômico e ameaçador, Russell não podia ter sido escolha melhor – até porque é um grande ator que vinha se queimando em filmes fracos.

DEATH PROOF começa com uma longa seqüência que acompanha uma garota caminhando – o que só comprova a tara do diretor por pés femininos, vista anteriormente em KILL BILL, JACKIE BROWN e PULP FICTION. Depois, Tarantino apresenta três amigas, Arlene (Vanessa Ferlito), Shanna (Jordan Ladd, de CABANA DO INFERNO) e a disc-jockey “Jungle Julia” (Sydney Tamiia Poitier, filha do ator Sidney Poitier). Para comemorar o aniversário de Julia, o trio vai até um restaurante mexicano em Austin, no Texas, para tomar margaritas e jogar muita conversa fora com os amigos Dov (o cineasta Eli Roth) e Warren (o próprio Tarantino). Julia confessa a Arlene que anunciou, em seu programa de rádio, que o primeiro homem que chegasse na amiga chamando-a de “Butterfly” (borboleta) e recitando o trecho de um poema de Robert Frost, ganharia dela uma “lap dance” (aquela dança típica das prostitutas americanas, que se esfregam sobre um homem sentado numa cadeira).

E eis que chega no local o misterioso Stuntman Mike McKay, vestido como um piloto de corrida e assustando as garotas com a enome cicatriz que tem num dos lados do rosto. Primeiramente, Mike tenta seduzir Arlene, mas percebe que a garota tem medo dele. Num dos diálogos intraduzíveis que brincam com a pronúncia das palavras, típico do Tarantino (lembra de “your dad is dead” e do “Zed is dead”???), Mike pergunta à garota: “Do I frighten you? It’s my scar?” (Eu assusto você? É minha cicatriz?). Arlene responde: “It’s your car” (É o seu carro), referindo-se ao bizarro Chevy Nova SS 1971 todo negro dirigido pelo dublê, e que tem o desenho de uma caveira no capô. Mike então chama Arlente de borboleta e recita o poema, ganhando como presente sua “lap dance”. Embora a dança não seja mostrada, já que entra o aviso de “missing reel” bem na hora só para provocar o espectador, takes desta cena aparecem no trailer do filme; logo, Tarantino realmente filmou tudo!


A noite vai passando e Mike resolve oferecer uma carona para Pam (Rose McGowan novamente, mas agora com os cabelos loiros). No caminho, explica para a garota o que é um “carro à prova de morte”. E também se revela um psicopata, quando começa a dirigir perigosamente para assustar sua vítima. “Você sabe… O carro é à prova de morte. Mas, para isso, você realmente precisaria estar sentada no meu assento…”, diz Mike, que então pisa no freio em alta velocidade e faz com que Pam arrebente a cabeça no pára-brisa do carro. Ainda sedento de sangue, o dublê psicopata pega a estrada, alcança o carro onde estão Arlene, Shanna, Julia e a traficante das moças, Lanna (Monica Staggs, dublê de Daryl Hannah em KILL BILL), e acelera contra elas na contramão, com os faróis apagados. Na violenta colisão frontal, as garotas são feitas em pedaços e morrem instantaneamente.

Este é o grande e inesquecível momento de DEATH PROOF. Acredite: perto desta cena, o acidente automobilístico mostrado no começo de PREMONIÇÃO 2 parece coisa de filme infantil. Tarantino filmou o desastre de quatro ângulos diferentes, usando todos os takes possíveis e imagináveis das moças sendo despedaçadas pela violência do choque entre os dois carros – a motorista é catapultada pelo pára-brisa; outra, que dormia com a perna para fora da janela, tem o membro amputado na altura da coxa, e a roda rasga o rosto de uma das caroneiras no banco de trás! O Detran poderia utilizar a seqüência toda nas aulas de direção defensiva da auto-escola! Apenas Mike sobrevive à batida, saindo com diversos ferimentos graves quando seu carro acaba completamente destruído…


Ele é levado ao hospital e interrogado pela polícia. Como substâncias tóxicas e ilegais foram encontradas no sangue das quatro moças mortas (que passaram a noite se chapando), a polícia resolve liberar Stuntman Mike da acusação de homicídio, sob protestos do texas ranger Earl McGraw (Michael Parks, de novo) e de seu “son number one” (James Parks, filho de Michael na vida real, e que fez o mesmo papel em KILL BILL e UM DRINK NO INFERNO 2). Algum tempo depois, recuperado dos ferimentos e com um novo “carro à prova de morte” (desta vez um Dodge Charger 1969, mas novamente com a caveira pintada no capô), o vilão começa a perseguir um novo grupo de garotas no Tennessee.

Elas são Lee (Mary Elizabeth Winstead, de PREMONIÇÃO 3), Abernathy (Rosario Dawson, de SIN CITY), Kim (Tracie Thoms) e Zoe Bell (dublê de Uma Thurman em KILL BILL, que aqui interpreta ela mesma!!!), garotas que trabalham como dublês de cinema e estão indo comprar um Dodge Challenger 1970 idêntico ao carro que aparece no clássico CORRIDA CONTRA O DESTINO. Durante um test-drive, as meninas são perseguidas por Stuntman Mike numa estrada deserta. O problema é que, desta vez, o psicopata encontrou mulheres fortes e determinadas, que transformam caçador em caça!!!

Embora tenha duas cenas realmente fantásticas (o violento acidente e uma longa perseguição de carros SEM CGI), DEATH PROOF é a parte mais decepcionante de GRINDHOUSE. Eu confesso que esperava mais de Tarantino, uma verdadeira enciclopédia de filmes exploitation, ainda mais após seu trabalho arrebatador em KILL BILL – que é muito, mas muito superior a este DEATH PROOF. Entretanto, desta vez o cineasta entrega um roteiro preguiçoso e burocrático, lembrando até o seu segmento na comédia sem graça GRANDE HOTEL. A maior parte do tempo de projeção é utilizada em diálogos, que raras vezes têm alguma utilidade na trama além de destilar a típica cultura pop Tarantinesca. Além disso, o diretor criou uma estrutura narrativa infeliz: apresenta cinco personagens femininas durante um longo tempo (40 minutos) e mata todas sem dó nem piedade, somente para depois apresentar mais quatro garotas (com direito a mais um montão de diálogos) como futuras vítimas do psicopata.


O problema é que como se trata de uma sessão dupla, o espectador já vem de um longa-metragem inteiro (PLANET TERROR) cheio de personagens, ação constante e um festival de violência; quando começa a parte de Tarantino, o ritmo cai vertiginosamente e há mais um montão de personagens para apresentar ao público. Pode até soar estranho para a maior parte da humanidade: alguns minutos antes você estava vendo uma batalha campal entre militares, sobreviventes e zumbis-mutantes, com sangue a rodo, tiros e explosões, e agora terá pela frente um blá-blá-blá interminável e Tarantinesco, incluindo uma cena tecnicamente irrepreensível, mas muito chata, onde a câmera acompanha quatro garotas conversando durante mais de 10 minutos, sem qualquer corte, enquanto tomam café! Se fosse um filme independente talvez o resultado não iria parecer tão arrastado, mas como metade final de um único projeto com três horas de duração, sim, DEATH PROOF realmente cansa, e chega a dar sono! Talvez teria sido melhor se DEATH PROOF viesse ANTES de PLANET TERROR…

Tarantino ainda comete um erro grotesco: mesmo com toneladas de diálogos, ele não consegue dar características e profundidade aos seus personagens. Se Stuntman Mike é um personagem rico e interessantíssimo, interpretado por um ator brilhante (Russell parece estar se divertindo muito como vilão), o roteiro simplesmente desperdiça sua existência, já que sabemos pouco ou quase nada sobre quem é ele e por que faz o que faz. No que concerne às personagens femininas, o diretor mais uma vez prefere enfocar mulheres fortes, lutadoras e determinadas (o que vem fazendo desde JACKIE BROWN), mas falha por não conseguir criar figuras realmente interessantes e com quem o espectador possa simpatizar – até esqueci seus nomes durante a história… E confesso que já estou ficando cansado dos “diálogos de negão” de Tarantino, que enche as frases de expressões “black” como “motherfucka”, “black ass” e “bitch”, mesmo quando são duas garotas branquelas que estão conversando!

Felizmente, o diretor consegue se redimir na conclusão do seu segmento, que é quando DEATH PROOF realmente brilha: o espectador fica na ponta do sofá (ou poltrona, no caso do cinema) acompanhando uma tensa e agonizante perseguição automobilística das boas, como nos velhos tempos, sem computação gráfica e com uma estupenda atuação da dublê Zoe Bell – ela fica pendurada no capô do Dodge em altíssima velocidade, enquanto Stuntman Mike, em seu carrão à prova de morte, tenta derrubá-la. Não tem como não ficar com os olhos grudados na tela, ainda mais quando você sabe que a própria dublê está realmente lutando pela vida no capô do carro, e cada vez mais perto de cair. E a seqüência continua com uma longa perseguição pela estrada, até a fraca conclusão que deixa um gostinho de “quero mais”, sem explicar muita coisa.

O cineasta complementa a brincadeira com as tradicionais “auto-citações” e homenagens a outros filmes. Entre as principais, cabe destacar:

– Uma personagem é vista bebendo o refrigerante da rede de lanchonetes fictícia “Acuña Boys” (nome de uma quadrilha citada em KILL BILL, filme anterior do cineasta)

– O personagem interpretado por Jonathan Loughran dá risadas sinistras idênticas às que o mesmo ator mostrou como o estuprador de KILL BILL

– A vitrola do bar onde as garotas estão, no início do filme, tem a canção “Misirlou” (da abertura de PULP FICTION) entre as mais tocadas.

O Chevy Nova dirigido pelo vilão é do mesmo modelo que o utilizado por John Travolta e Samuel L. Jackson em PULP FICTION.

– CORRIDA CONTRA O DESTINO é citado o tempo inteiro, inclusive no carro dirigido pelas garotas na metade final.

– Outros filmes sobre carros velozes e perseguições pela estrada são lembrados pelas garotas. Ao citar GONE IN 60 SECONDS, uma das personagens diz: “O original, não aquela merda com a Angelina Jolie”. hehehehe.

– Stuntman Mike tem a cicatriz no olho esquerdo, mesmo olho em que Snake Plissken, também interpretado por Kurt Russell, usava tapa-olho em FUGA DE NOVA YORK e FUGA DE LOS ANGELES.

– A velha cabana que aparece ao fundo quando as garotas vão comprar o carro seria a mesma utilizada por Sam Raimi em EVIL DEAD.

– Uma das garotas chama Stuntman Mike de “Zatoichi”, samurai cego dos quadrinhos orientais que já teve diversas adaptações cinematográficas.

– Mike cita a lanchonete “Big Kahuna Burger” (inventada por Tarantino em PULP FICTION).

– Uma cheerleader tem o nome “Vipers” na blusa, uma referência ao “Esquadrão das Víboras Mortais” de KILL BILL.


Tarantino ainda surge com uma inspirada brincadeira típica dos verdadeiros cinemas grindhouse: o título “original” do seu filme (que seria QUENTIN TARANTINO’S THUNDERBOLT) aparece em menos de uma fração de segundo, sendo logo encoberto por um negativo com o título DEATH PROOF sobreposto. Era um golpe freqüentemente utilizado nas salas de quinta categoria, quando um mesmo filme era relançado (com cenas a mais ou a menos) mudando apenas o título com que ele havia sido exibido antes, e normalmente o nome novo era apenas sobreposto ao anterior – foi o que aconteceu, por exemplo, com A ILHA DOS HOMENS-PEIXE!!!

Continuando nas suas apaixonadas citações cinematográficas, Tarantino também se apropria de músicas de outros filmes em DEATH PROOF, como já havia feito em KILL BILL. A abertura tem “The Last Race”, de Jack Nitzche, chupada da ficção científica VILLAGE OF THE GIANTS (1965), de Bert I. Gordon. Mais adiante, na cena em que Arlene “Butterfly” recebe uma mensagem inesperada pelo telefone celular, toca a triste canção “Sally and Jack”, composta por Pino Donaggio para o excelente UM TIRO NA NOITE, dirigido por Brian DePalma em 1981. Já uma das músicas de tensão é “Paranoia Prima”, da trilha sonora de Ennio Morricone para o giallo O GATO DAS NOVE CAUDAS (1971), de Dario Argento. O restante da trilha dá de dez a zero em PLANET TERROR, mostrando que Tarantino não é apenas viciado em cinema, mas também em música. Vale a pena comprar o CD.

É uma pena que DEATH PROOF não corresponda às expectativas de quem espera por algo no estilo de KILL BILL. O mais irônico é que o filme dificilmente seria exibido num verdadeiro cinema grindhouse, já que não tem ação suficiente e nem sexo (nada de sexo, na verdade) para o tipo de público que freqüentava aquelas sessões duplas. Se tivesse sido produzido por Roger Corman (que fez vários filmes baratos com perseguições de carros nos anos 70, como EAT MY DUST e GRAND THEFT AUTO), ele provavelmente obrigaria Tarantino a cortar os mais de 40 minutos de diálogos, ou pelo menos colocar mais batidas de carros e explosões intercalando estes gigantescos tempos-mortos. Considerando que Tarantino é um especialista no cinema exploitation em geral, fico pensando porque ele preferiu gastar mais da metade do tempo do seu segmento com conversa fiada ao invés de partir direto para a ação esperada numa produção do gênero…

Neste sentido, PLANET TERROR é muito mais exagerado, inconseqüente, divertido e “grindhouse” do que DEATH PROOF. E este segundo segmento dá uma pequena idéia do quanto seria imbecil colocar Quentin para dirigir um episódio da série SEXTA-FEIRA 13, boato ridículo que andou circulando na internet há alguns anos… Não que DEATH PROOF seja ruim, mas com certeza poderia ser bem melhor.

Fábio Prina_16/07/2010

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Dia de Cinema – Homem de Ferro 2

Não é sempre que um filme americano estreia no Brasil antes de chegar aos cinemas ianques. Mais incomum ainda, é um super blockbuster como Homem de Ferro 2 aportar antes por aqui. Mas é o que aconteceu.

Robert Downey Jr é Tony Stark/Homem de Ferro

Programado para chegar aos cinemas do Tio Sam no próximo dia 7 de maio, abre hoje no Brasil a exibição da segunda aventura do enlatado Tony Stark (Robert Downey Jr.), franquia da Marvel Studios que ainda faz parte de um dos mais audaciosos projetos da história do cinema. Já explico isso, antes vamos falar de super-heróis.

Eu adoro super-heróis. Qualquer um que seja. E não sou o único, outros tantos também curtem filmes de encapuzados, disfarçados e honestos (ou não) defensores da lei, com seus inimigos que adoram monólogos bem ensaiados e frequentemente querem conquistar o mundo. Sabendo disso, os estúdios hollywoodianos exploraram, e exploram mesmo, esse filão de mercado enfiando guela a baixo tudo que é tipo de adaptação de video game, séries de TV, animes e, principalmente, histórias em quadrinhos.

Essa última, é a grande nascente dos super-heróis, a maioria vinda de duas grande editoras: DC Comics e Marvel. A DC, para os íntimos, é a casa do Super Homem, Batman, Aquaman, Flash, Mulher Maravilha e afins. A Marvel fica com o Homem-Aranha, X-Men, Demolidor, Hulk, O Justiceiro e assim por diante. Exite uma guerra não anunciada entre os defensores da Marvel e os aficcionados pela DC. Tipo Sega x Nintendo, Gremio x Internacional, Ferrari x McLaren, Nestle x Lacta. É bacana, sempre rende boas conversas de botecos.

Essa onda toda de filmes de super-herói, que vem inundando cada pouco os cinemas com muita porcaria, ganhou admiração e respteito por ser tratada não apenas como produto de entretenimento para adolescentes da geração y. Nos últimos anos, algumas excessões apareceram para mostrar que uma trama com herois e vilões pode ser um grande trabalho cinematográfico, um clássico moderno. Pensando aqui, já escrevi outras vezes no blog sobre filmes de super-heróis, vindos dos quadrinhos, e não é dificil pensar em alguns bons exemplos como Sin City, Watchmen, O Cavaleiro das Trevas, Superman (dos anos 70, claro), Homem Aranha e também o Homem de Ferro, que rendeu um filme super bacana. No elenco da continuação, além de Downey Jr. que reprisa o papel-título estão Don Cheadle, Samuel L. Jackson, Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson, Mickey Rourke e Sam Rockwell.

O Homem da Máscara de Ferro

Na verdade além de um filme jóia, o Homem de Ferro faz parte de uma empreitada punk da Marvel Studios para um filme com um grande número de herois, no caso Os Vingadores. Para quem tem o mínimo de conhecimento da causa, Os Vingadores são um tipo de Liga da Justiça, só que da concorrência. Junta-se o Homem de Ferro, Hulk, Capitão América, Thor, Homem Formiga, Viúva Negra e coloca todo mundo pra brigar com alguém, de preferência um vilão. O final do primeiro filme com o cabeça de lata dá o ponta pé  inicial pra tramoia. Lembram que aparece o assíduo Samuel L. Jackson como Nick Fury. E também tem a formação da SHIELD (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão). Isso também apareceu no segundo filme do Hulk, aquele que aproveitaram tão mal o Edward Norton, que tem gente que nem lembra que o filme existe. Há uma entrevista muito bacana no site Omelete com um dos manda chuvas da Marvel sobre isso.

Mas enfim, uma dos baratos dessa enrolação toda é criar um universo alternativo, repetido em diversos filmes para o terreno estar pronto quando for feito o filme. Os projetos de Thor e Capitão América já estão a todo vapor, e nos próximos anos, é aguardado o super filme juntando a penca de mascarados e afins que foram citados antes.

Enquanto a Iniciativa Vingadores não vem, vale a pena ir acompanhando os outros tantos super herois que aparecem, ainda mais quando dele saem filmes bons, no mínimo, como esse do Homem de Ferro.

Aproveitando o gancho, vou publicar por aqui o vídeo clip da banda australiana AC/DC, Shot to Thrill, que é o tema do filme. Aliás, o AC/DC, que esteve no Brasil no início do ano, é responsável por toda trilha sonora do filme, que também não abre mão, por motivos obvios, da empoeirada Iron Man, do Black Sabath.

Da música, vamos para uma ação marketeira do filme que rolou semana passada na Inglaterra. Os caras usaram um castelo como telão para projetar um vídeo cheio de firulas moderninhas sincronizado com a música do AC/DC. O resultado ficou muito bacana e vale a pena dar uma olhada.

Homem de Ferro 2 é dirigido pelo ator Jon Fraveau e está em cartaz mais cedo no Brasil.

[ATUALIZADO, dia 04/05] Costumo escrever sobre os filmes antes de assisti-los. Nesse caso, me dou o luxo de reiterar o comentário acima, dizendo que o Homem de Ferro 2 é uma porcaria, e não tem nada de bacana. Talvez para adolescentes desmiolados, aqueles mesmos que o texto atacava, mas era isso. Não quero deixar esse peso na minha consciência.

Fábio Prina_30/04/2010

Brasil é campeão mundial de Guitar Hero

O Brasil sagrou-se campeão mundial de Guitar Hero com a vitória do paulista de 14 anos Fábio Jardim na final da World Cyber Games, realizada em Chengdu, na China.

Foi-se aquela época em que havia lógica a glória dos grandes guitarristas. Fala nisso, quem colocou Hendrix com um flying V? Putz chargista!!!!

Fonte: Jacaré Banguela

Fábio Prina_03/12/2009

A inocência perdida nos contos de fada

E se as princezinhas dos contos de fadas tivessem crescido, encorpado e revivessem as suas histórias com um tom um pouco mais picante?

Na verdade, dizem que a origem dos contos populares dos Irmãos Grimm tinham esse caráter erótico, mas acabaram se tornando propícios para o público infantil, muitos deles imortalizados nas animações de Walt Disney.

De qualquer forma, esse assunto me veio à cabeça hoje, quando passava os olhos numa galeria de imagens do blog Fottus que mostra diversas “princezinhas” reproduzidas em desenhos de uma forma diferente do que estamos acostumados.Achei muito interessante, e também me lembrou, a série em quadrinhos lançada recentemente pelo meste Alan Moore, que entre outros trabalhos, fez Watchmen, V de Vingança e A Liga Extraordinária.

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Lost Girls, de Alan Moore, o fim da inocência nos contos de fada

O nome da série criada por Moore se chama Lost Girls – Meninas Crescidas, e em seu primeiro volume, reúne Alice (de Alice no País das Maravilhas), Wendy (de Peter Pan) e Dorothy (de O Mágico de Oz), que se encontram em uma casa de campo onde descutem sobre fantasias  e o seu despertar sexual. Algo que não deixa de ser curioso.

(1)

O que será que os Três Ursinhos pensaram nesse momento?

(3)

Pobre Branca de Neve, seduzida pela fruta do pecado

(6)

Já a Cinderela, que gata!

Para conferir a galeria completa das beldades dos contos de fada no blog Fottus, clique aqui.  Não deixe de dar uma espiada, as imagens são muito interessantes.

Fábio Prina_15/09/2009

Cho Woong, um fã de Star Wars

Se você acha que é uma daqueles fãs inveterados, que gasta milhões com porcarias que não servem pra nada, a não ser pra ocupar espaço e deixar seu canto mais cool. Pense de novo. As fotos abaixo são de um coreiano chamado Cho Woong, um fã de Star Wars.

Se o cara é bem certo, isso eu não sei, mas que tem uma coleção de dar inveja até a George Lucas, isso eu tenho certeza. Em um lugar na sua casa, chamado singelamente de Star Wars Room, o cara tem peças que vão desde o tamanho real de Darth Vader, até mini toys dos soldados imperiais sobre uma mesa de jantar. Isso passando por réplicas reduzidas de diversos personages, diversos mesmo, os principais, secundários, aqueles que ninguém lembra que apareceram em algum lugar e assim por diante. E o pior, não é uma réplica de cada, são diversas. Sé em tamanho grande, o robozinho xarope R2D2 tem 6 exemplares, um deles, que obviamente me deixou com inveja, é um frigobar de cervejas.

Mas enfim, neste caso as imagens valem muito mais do que as palavras. Ainda vale o toque de quem quiser visitar o blog do nosso amigo Cho, ou mesmo conferir mais um pouco desse tipo de fanatismo, não apenas pela saga imortal de Lucas, mas por outros tantos filmes, séries, animes e afins, no blog OtaCool.

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Para conferir a galeria completa das fotos clique aqui.

Obrigado a colega Larissa Oliveira pela dica.

Fábio Prina_28/08/2009

É elementar meu caro Watson!

Essas novas roupagens do cinema americano para personagens consagrados raramente me agradam. Há exceções como o King Kong, de Peter Jackson, ou o Oliver Twist, de Roman Polanski, mas de qualquer forma, fico com um pé atrás quando o assundo é revestir um ícone consagrado.

Mesmo assim, tenho curiosidade em assistir. Falando nisso, quem vai ganhar um novo tipo de aventura, diga-se de passagem ‘modernosa’, é o segundo personagem mais filmado de todos os tempos, perdendo apenas para Jesus Cristo. Sir Sherlock Holmes, o famoso detetive criado por Sir Arthur Conan Doyle, sempre acompanhado de seu parceiro, Watson.

Ele volta às telas lapidado pelas mãos de Guy Ritchie, ex-marido da Madonna, diretor dos ótimos Jogos Trapaças e dois Canos Fumegantes e Snatch. As feições do herói ganham as formas e o carisma de Robert Downey Jr, conhedico agora como o Homem de Ferro.

Os primeiros trailers mostram uma produção de arte digna incrível sobre a era vitoriana, mas junto estão as marcas clássicas de autoria do diretor, os tão celebrados excessos na edição, câmera lemta, ângulos e enquadramentos bizzaors, enfim, tudo aquipe que acabu conquistando fãs mundo afora com os trabalhos citados.

O que esperar então a respeito do novo Holmes? É elementar meu caro Watson. Só o tempo nos dirá.

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Se Downey Jr. é Sir Sherlock Holmes…

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… seria Law Sancho Pança?

Fábio Prina_17/07/2009

Cidade de Deus no topo

O filme brasileiro Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lung (Domésticas), está na lista dos melhores filmes estrangeiros, em eleição da revista norte-americana Paste. A publicação listou as 25 produções de fora dos Estados Unidos mais importantes da década, havaliando não necessáriamente o número de prêmios. O único filme nacional da lista, tem um extenso currículo de premiações e indicações, destacando o Bafta de Edição/Montagem e as quatro nominações ao Oscar.

Aclamado munidalmente, Cidade de Deus relata de forma brilhante, três décadas do desenvolvimento do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O roteiro indicado ao Oscar, de Bráulio Mantovani, não é linear, mas não é confuso ao espectador, em sua forma crua de registrar diversos fatos descritos no livro homônimo de Paulo Lins. Nos cinemas brasileiros o longa de Meirelles registrou mais de 3 milhões de espectadores.

Confira abaixo a relação completa das 25 produções “extrangeiras” ou melhor não norte-americanas, que foram apontadas na lista. Alguns, dos que mais me agradaram, estão destaque.

25. Maria Cheia de Graça

24. Persépolis

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Menina Iraniana larga o sonho de ser profeta para se tornar revolucionária. Indicado ao Oscar de Animação.

23. Volver

22. Deixe ela Entrar

21. Oldboy

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15 anos preso e sedento por explicações e vingança. Fábula sensacional que venceu o Grand Prix em Cannes.

20. Gomorra

19. A Queda – As Últimas Horas de Hitler

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Produção alemã que conta os momentos finais do füher é uma obra prima sobre a ruína da ganância.

18. Paradise Now

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O outro lado da moeda é visto neste filme sobre a guerra entre Palestinos e Judeus. Filme monosprezado pela academia norte-americana que conquistou o mundo com sua franqueza ao retratar o lado palestino do conflito.

17. Yesterday

16. Entre os Muros da Escola

15. Ninguém pode Saber

14. The best of youth

13. E sua mãe Também

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Filme que projetou dois astros: Gael García Bernal e Diego Luna, no drama adolescente do diretor Alfonso Cuerón.

12. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

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Lírico e encantador. Amelie Poulain conquistou o mundo com uma forma de fazer cinema poético que havia se perdido no tempo. Ainda mensão honrosa para a fotográfia divina da produção.

11. 4 meses, 3 semanas e 2 dias

10. Cache

9. Amores Brutos

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Traição, Angústia, Pecado, Egoísmo, Esperança, Dor e Morte. Primeiro capítulo da Trilogia da Perda, do diretor Alejandro Gonzalés Iñarritu, que continou com 21Gramas e Babel.

8. A vida dos Outros

7. Amor à flor da pele

6. A Viagem de Chihiro

5. Fale com Ela

4. Cidade de Deus

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Apogeu da Retomada do cinema brasileiro, sucesso de públido e crítica, e a consagração de Fernando Meirelles.

3. O Escafandro e a Borboleta

2. O Tigre e o Dragão

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O diretor Ang Lee redireciona o olhar para a China e mostra ao ocidente o grande cinema oriental.

1. O Labirinto do Fauno

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O terror da Guerra Civil Espanhola é o pano de fundo para a fábula invendada por uma menina para ousar fugir do mundo real. Filme adulto que explora a mitologia dos contos infantis e a fantasia. Trabalho do diretor Guilhermino Del Toro, que assumiu a adaptação de O Hobbit, do autor de O Senhor dos Anéis.

Fonte: CineClik

Fábio Prina_17/06/2009