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18 de outubro de 2013

Antes do filme acabar

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Celine e Jesse se conhecem e se apaixonam em Antes do Amanhecer (Before Sunrise)

Há filmes que foram feitos exclusivamente para você, seja você quem for. Falo isso porque existe um feito só pra mim. Um que na verdade são três e são casos em que eu me pergunto se a minha vida está imitando a arte, ou a arte imita a minha vida.

Conheci Jesse & Celine quando eles se conheceram. Foi num vhs surrado, que assisti e reassisti, na sala da casa dos meus pais, aquele amor eterno de uma noite. Era jovem naquela época, digo, jovem demais para compreender tudo que o filme me mostrava e não conseguia imaginar como continuaria, tanto filme como a minha própria vida. A reticência no final era um desafio para encarar o meu próprio futuro. Se na tv o amor em Viena tinha ficado no ar, no sofá me perguntava se algum dia ia viver aquilo.

Reencontro do casal em Antes do Pôr do Sol (Before de Sunset)

Reencontro do casal em Antes do Pôr do Sol (Before de Sunset)

Reencontrei Jesse & Celine, quando começava a amadurecer, saia da infância dos filmes em casa, para a adolescência do cinema. Fui para Porto Alegre num final de semana para ver o filme que passava em poucas salas lá. Aqui na Serra, lembro bem, sequer chegou a figurar na programação de um único cinema. Havia lido as notícias de que o casal que havia se despedido numa estação de trem em 1994 se encontraria em Paris, em 2003. E se encontraram. O amor inabalável daquela única noite, nove anos antes, havia se abalado e os dois tinham traçados as suas próprias vidas. Eu também, mas continuava ainda com a nostalgia de que pudesse viver como eles viveram antes. Muito mais do o amor que os dois tiveram há anos atrás, naquele reencontro eles também mostraram que tinham problemas com eles mesmos. Eu também tinha e tinha muito o que decidir.

Tempo, dinheiro, trabalho, romance e outros grandes problmas em Antes da Meia Noite (Before Midnight)

Tempo, dinheiro, trabalho, romance e outros grandes problemas em Antes da Meia Noite (Before Midnight)

Ontem à noite, revisitei Jesse & Celine, agora em 2013, no sofá do meu apartamento. Assisti depois do jantar, preparado pela minha namorada, que vive comigo há mais de dois anos. Esperamos que a nossa pequena filha pegasse no sono e deixamos o volume baixinho para que ela não acordasse. O casal da ficção tem meninas gêmeas, problemas financeiros, dúvidas, pouco tempo, trabalhos sufocantes, lembranças, ciúmes…. Tudo isso, assim como nós. Dessa vez eles estão na Grécia, passando um verão inesquecível em família. Eles observam o amor jovem de um casal de namorados, conversam com os mais experientes, dividem o tempo com os filhos e uma tentativa de romance. A garrafa de vinho ficou sobre a mesa, nem sempre dá para terminar. O telefone toca, não tem como não atender, pode ser uma emergência.

Me estarreceu, o terceiro encontro de Jesse & Celine não termina ambíguo. Ele pede desculpa, ela pede desculpa. É o estresse, é a correria, a brincadeira volta, com tom de deboche, o sorriso chega ao rosto. É quase meia-noite, é hora de dormir. Fomos dormir, nós três, sabendo que vamos continuar juntos, dividindo o tempo, nossa paciência e nosso dinheiro. Jesse & Celine foram aproveitar um pouco o tempo. Amanhã o dia recomeça e a rotina retorna.

As minhas histórias não são exatamente as mesmas de Jesse & Celine. Nunca me apaixonei em Viena, nunca me reencontrei em Paris e nunca passei férias na Grécia, mas não há como não traçar um paralelo. Particularmente me sinto narrado em cada filme, em cada momento. Que grata surpresa assistir cada um dos filmes desses personagens. Eles transcendem o cinema e acabam se transformando em conhecidos, aqueles que se houve uma notícia de vez em quando. Desejo revê-los em uma próxima oportunidade.

16 de agosto de 2013

Jobs – O Filme

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Há vários meses observo as notícias sobre o lançamento de um filme biográfico sobre Steve Jobs. Estou atento porque a pessoa Steve Jobs é, para mim, o grande gênio do início do século XXI, que ainda não teve o devido reconhecimento pela sua contribuição ao progresso da humanidade. Mas claro, isso é apenas a opinião de um mero fã.

Sobre Jobs, o filme, conheço muito pouco. Resisti aos trailers, informações de produção e críticas sobre o trabalho, para que quando tiver a oportunidade, possa assistir da forma mais imparcial possível. Se bem que não vai ser tão imparcial assim. Há uns dois anos ganhei da minha amada companheira a biografia escrita por Walter Isaacsonn sobre Steve Jobs. Um livro pesado, pelo tamanho e conteúdo, que revisita a vida errante, a carreira fracassada/vencedora, as opiniões e um pouco da visão da sua visão do mundo.

Assim como outros grande gênios, Steve Jobs pouco fez, mas fez muito. Seu legado não está na “eureka” de uma invenção maluca, mas sim em juntar um número de pessoas competentes e fazer algo extraordinário. Não é coincidência então, que o seu biógrafo oficial, Walter Isaacsonn, tenha registrado em livro a vida de outro gênio americano, Benjamin Franklin, que teve uma trajetória de invenções próxima de Jobs (na maneira de executá-las, me refiro).

Para contar em poucas palavras, Jobs foi um órfão, criado por pais preocupados com a sua educação – que ele esnobou na vida adulta. A rebeldia da sua adolescência foi acalmado pelo LSD, retiro espiritual, dietas radicais e um temperamento longe de ser suportável. Depois, alicerçou a empresa de informática e eletrônicos mais valiosa do mundo na atualidade, a Apple, juntamente com o amigo Steve Wozniak. A história que muitos conhecem é o período onde ele mudou o mundo com o Macintosh, levou a empresa a quase falência e foi demitido no final dos anos 80. Criou outras empresas que não deram certo, criou a Pixar, voltou para a Apple, em 1997, e revolucionou o mundo mais duas vezes, respectivamente com os lançamentos do iPod, em 2001, e do iPhone, em 2007. O desfecho da sua vida aconteceu prematuramente em 2011, quando foi vítima de um câncer na pâncreas, aos 56 anos.

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As semelhanças entre o ator Ashton Kutcher (à direita) com Steve Jobs foram explorados repetidas vezes para divulgar o filme

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O que promete o filme Jobs é um recorte um tanto longo, que abrangeria o período da juventude do biografado até 2001, quando foi lançado a primeira versão do iPod. Particularmente, eu detesto assistir em duas horas aquele tipo de filme pasteurizado, que mostra a vida inteira de uma pessoa, ainda mais pessoas que tiveram uma trajetória tão complexa como Steve Jobs. Prefiro como ocorreu recentemente,  quando foram lançados três filmes sobre Che Guevara. Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles, com Gael Garcia Bernal como protagonista, e em seguida, Che – Parte 1 – O Argentino, e Che – Parte 2 – Guerrilha, do americano Steven Sodenbergh, com Benicio Del Toro encarnando o ídolo da esquerda. Cada trabalho ilustra de uma forma diferente alguns fatos da vida do personagem. Apesar dos problemas que esses filmes mencionados têm, é muito melhor conferir episódios da vida de uma pessoa com tantas histórias, do que compactar tudo em cento e vinte minutos de frases de efeitos, com caracteres em branco no fundo preto explicando como a coisa acabou, antes dos créditos finais.

Voltando ao filme, é interessante saber que Jobs não é e nem será a primeira e a última presença de Steve Jobs em filmes. Há alguns anos, saiu diretamente para vídeo uma produção independente de baixo orçamento, sobre a revolução da informática no final do anos 80. Piratas do Vale do Silício de 1999, constrói um retrato da mudança na indústria, através da visão de dois protagonistas centrais e suas empresas: Steve Jobs com a Apple e Bill Gates com a Microsoft. E ainda! Jobs não deve ser o filme definitivo sobre o visionário co-fundador da Apple.  A Sony prepara uma adaptação, com o roteiro de Aaron Sorkin, vencedor do Oscar por A Rede Social, que será baseado exatamente na biografia de Walter Isaacsonn, a qual o estúdio é detentor dos direitos. Esperamos isso para um futuro próximo, mas o projeto segue ainda sem nome.

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Possivelmente uma das cenas chave de Jobs, a apresentação do iPod

Jobs, que traz o ator Ashton Kutcher em uma excelente caracterização do pepel-título, estreia hoje, 16 de agosto, nos cinemas americanos. A produção começa a ser exibida no dia 6 de setembro no Brasil. Vale a pena dar uma conferida no site oficial da produção, que tem um visual bacana e uma série de imagens legais do longa. Enquanto o filme não chega, vale a pena ver (no meu caso rever) a lendária apresentação do iPhone, ou como o próprio Jobs exaltou, “a reinvenção do telefone”. Bobagens a parte, apenas seis anos depois, é muito legal sentir as reações da plateia quando o produto foi lançado. Mal sabiam eles que a mudança desde aquele dia em toda indústria de informática e telefonia seria tão grande.

12 de agosto de 2013

Tarantino´s Ultimate Collection Soundtrack

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Parece um tanto pretensioso, mas vou tentar fazer.

Acontece o seguinte, desde que assisti ao filme Django Livre, do diretor Quentin Tarantino, fiz uma busca nas trilhas sonoras dos filmes dirigidos por ele, ou até mesmo que ele tenha participado, para fazer uma lista atual, definitiva (até que venham novos filmes) e irreverente, com tudo que se ouviu nos filmes do cara. Batizei essa lista de músicas com o singelo título de “The Quentin Tarantino´s Ultimate Collection Soundtrach by Fábio Prina”. Nada original – eu sei -, mas soa legal.

Para tentar explicar o porquê disso, todos que já assistiram algum filme do diretor sabem que a trilha sonora é um show à parte dentro do contexto. Apesar dos filmes tarantinescos terem uma série de características legais, que os tornam divertidos, as músicas que embalam as histórias acabam ganhando vida própria fora da tela grande. Um fato interessante, por exemplo, é que o álbum Music from the Motion Picture Pulp Fiction chegou a figurar a 21ª posição da Billboard, quando foi lançado, na metade dos anos 90. O misto de rock, surf music e soul, temperado com diálogos do próprio filme, fez tanto sucesso que se tornou trilha de festas e trouxe a tona canções que estavam mortas e enterradas. É o caso da faixa Girl, you´ll be a woman soon, originalmente gravada por Neil Diamond, que foi incluída no filme com um cover da banda Urge Overkill e se tornou hit nas rádios.

Para fazer a minha lista (estou com essa coisa de lista na cabeça faz dias) peguei por base os filmes dirigidos por Quentim Tarantino: Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, À Prova de Morte, Bastárdos Inglórios e Django Livre. Cada um tem pelo menos uma ou duas músicas presentes. Também está na minha lista uma faixa do filme Um Drink no Inferno, em que Tarantino é roteirista e participa com uma performance memorável (é muito legal mesmo)!

Poderia ter incluído ainda outras músicas que estão nos filmes Amor à Queima-Roupa, A Balada do Pistoleiro, Assassinos Por Natureza, Grande Hotel e Sin City, que há sim um dedinho do diretor/ator/roteirista/amigo ali, mas como não conheço bem as trilhas, só algumas faixas soltas, deixei fora pra não cair no mais do mesmo.

Falando nisso, há um disco muito bom, que eu comprei há anos e nem sei se está em catálogo, chamado The Tarantino Collection, que traz músicas da primeira fase do cineasta, incluindo filmes que ele foi roteirista até a consagração com Pulp Fiction. Vale a pena escutar. Inclusive, em uma olhada rápida pela iTunes Store, vi diversas coletâneas baseadas nos filmes do cara. Algumas muito picaretas com covers dos covers, mas enfim, material é o que não falta para curtir toda sonzeira fora dos filmes.

TARANTINO

Vamos a lista, em algumas canções eu postei o link para dar aquela ouvidinha imediata.

The Quentin Tarantino´s Ultimate Collection by Fábio Prina

1 – Battle Without Honor Or Humanity – Tomoyasu Hotei – Kill Bill Vol. 1

Música que embalou os trailers de Kill Bill antes de ser dois filmes, antes de ter atrasado mais de seis meses para estrear no Brasil, antes de ser um megassucesso. Aparece na sequência em que A Noiva localiza a vilã Oren Ishii no Japão.

2 – Across 110th Street – Bobby Womack    – Jackie Brown

Canção que toca nos créditos inicias de Jack Brown e também no desfecho do terceiro filme do cineasta. Coincidentemente (ou não) a música também toca nos créditos iniciais de um famoso filme rodado em Carlos Babosa, chamado Patrícia Genice.

3 – Royale with Cheese [Dialogue] – Samuel L. Jackson & John Travolta – Pulp Fiction

Dialogo entre Jules e Vicent antes de uma violenta retaliação contra um grupo de jovens, no início de Pulp Fiction, pelo diálogo dá para perceber que eles não estão lá muito preocupados com o que vai acontecer em seguida.

4 – Jungle Boogie – Kool & The Gang – Pulp Fiction

Toca ainda na abertura de créditos do filme, como se quem estivesse escutando tivesse trocado de estação de rádio, nos modelos com onde se girava o dial, típico dos anos 90.

5 – Staggolee – Pacific Gas & Electric – Grindhouse: Death Proof

Bela cansão que está no pior filme do diretor. Mas vale a pena estar na lista.

6 – Dark night – The Blasters – Dusk till Dawn

Outra música que acompanha os créditos, desta vez no filme Um Drink no Inferno.

7 – A Satisfied Mind – Jonny Cash – Kill Bill Vol. 2

 A Satisfied Mind é a música que Budd escuta em seu trailer, aguardando que A Noiva venha para se vingar.

8 – Slaughter (Album Version) – Billy PrestonInglourious Basterds

Essa música serve apenas como vinheta para a apresentação do bastardo Hugo Stiglitz, em Bastardos Inglórios. Detalhe para a voz de Samuel L. Jackson que narra a trajetória do anti-herói no filme.

8 – Ode To Oren Ishii – The RZA – Kill Bill Vol. 1

Essa mistura de rap com a trilha adaptada do filme está na trilha sonora de Kill Bill Vol. 1. O rapper RZA conta a história da vilã Oren Ishii com uma pequena música que está no filme, ela toca no momento que A Noiva corta o tendão de Buck.

9 – Too Old to Die Young – Brother Dege (aka Dege Legg) –Django Unchained

Uma das faixas mais legais de Django Livre dá um pouco de clima country-rock para o filme.

10 – Down In Mexico – The Coasters –Grindhouse: Death Proof

É a música que toca na lap dance que Stuntman Mike ganha da Butterfly. Originalmente a sequência não estava presente, quando À Prova de Morte havia sido lançado junto com Planeta Terror, no projeto Grindhouse.

11 – Stuck in the middle with you – Stealers Wheel – Reservoir dogs

Música está tocando no galpão onde o que restou da gangue aguarda o próximo passo e torna corriqueira a cena mais violenta do filme.

12 – Let’s Stay Together – Al Green – Pulp Fiction

Música de fundo no diálogo entre Marcelus Wallace e Bunch.

13 – Cat People (putting Out the Fire) – David Bowie – Inglourious Basterds

A curiosa concepção de trilha sonora fez com que essa canção de David Bowie tocasse em um filme de segunda guerra sem parecer ridículo.

14 – Stuntman Mike [Dialogue] – Rose McGowan & Kurt Russell – Grindhouse: Death Proof

Diálogo de apresentação do assassino antes de fazer mais uma vítima inocente.

15 – Baby It’s You – SmithGrindhouse: Death Proof

Outra música legal de À Prova de Morte, de fato a trilha mais próxima de ser comercial do diretor.

16 – Little green bag – George Baker Selection – Reservoir dogs

Mais uma música que toca nos créditos de abertura.

17 – Didn’t Blow Your Mind This Time – The Delfonics – Jackie Brown

Uma bela canção que nos remete muito bem ao climão romântico dos anos 70.

18 – “In the Case Django, After You…” [Dialogue] – Christoph Waltz – Django Unchained

Dr. Schultz convida Django para um novo tipo de trabalho.

19 – Django – Luis Bacalov Django Unchained

Além do nome Django e da presença de Franco Nero essa música deve ser a única coisa que o filme tem de comum com os velhos Djangos. Também toca na sequência de créditos iniciais.

20 – Girl, You’ll Be a Woman Soon – Urge OverKill – Pulp Fiction

Antes de ter uma overdose, Mia entra no clima com essa balada que virou sucesso após o filme.

21 – I Got a Name – Jim Croce – Django Unchained

Sequência do tipo propaganda da Malboro em Django Livre é uma preciosidade. A música esquecida embala a fase de transformação do personagem, que tem um nome! Há! Entedeu?

22 – The Last Race – Jack Nitzsche – Grindhouse: Death Proof

Música dos créditos de abertura, também…

23 – The Legend of Pai Mei [Dialogue] – David Carradine –  Kill Bill Vol. 2

Sequência em que Bill conta para A Noiva a lenda de Pai Mei. Diálogo clássico!

24 – A Silhouette of Doom – Enio Morricone – Kill Bill Vol. 2

Morricone tem sido um coringa de Tarantino em seus últimos quatro filmes. Está sempre presente. Esse clássico abre os créditos da segunda parte de Kill Bill.

25 – Six Shots Two Guns [Dialogue] – Samuel L. Jackson – Django Unchained

Dialogo nonsense de Django Livre

26 – Unchained (The Payback/Untouchable) –  James Brown/Tupac –  Django Unchained

Essa é legal! Unchained pega o nome original do filme e mistura duas canções: The Payback, de James Brown, e Untouchable, de Tupac Shakur, ambos figuras emblemáticas da cultura afro norte americana que já faleceram.

27 – Jack Rabbit Slim’s Twist Contest [Dialogue] / You Never Can Tell  – Chuck Berry –  Pulp Fiction

Oura canção que se tornou popular após o filme. Embala o concurso de twist no Jack Rabbit Slim.

28 – The Flower Of Carnage – Meiko Kaji – Kill Bill Vol. 1

Essa é a música dos créditos de encerramento, pelo menos uma pra contrariar o resto.

29 – Pumpkin & Honey Bunny [Dialogue] / Misirlou – Amanda Plummer & Tim Roth / Dick Dale & His Del-Tones – Pulp Fiction

E talvez o maior legado das canções que estão nos filmes de Tarantino, Misirlou abre Pulp Fiction.

Era isso, espero que vocês tenhas curtido!

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Esse post foi escrito originalmente em janeiro de 2013, e tinha como objetivo ir na onda na estreia de Django Livre nos cinemas. Mas por motivos de esquecimento, engavetei esse texto e só reencontrei ele hoje, 12 de agosto de 2013.

19 de fevereiro de 2013

E o Oscar 2013?

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Como todo ano eu tento fazer, vou deixar aqui as minhas rápidas impressões sobre o Oscar, a maior (pelo menos a mais badalada) festa do cinema.

Nos últimos anos eu não ando conseguindo assistir a todos os filmes indicados, pelo menos não antes da premiação. Sabe como são as coisas, como escreveu L.F. Verissimo em O cinema e eu, do livro Banquete com os Deuses: “Teve sábado em sua vida em que você foi à sessão das oito, das dez e da meia-noite, depois pegou o último bonde no abrigo, lamentando que só vira três filmes. Hoje é difícil estacionar o carro, os cinemas não têm conforto, tem sempre o mesmo casal na fila de trás que não para de falar, e ainda por cima vão passar um antigo com o Humphrey Bogart na TV…”, mais ou menos assim.

Confesso que ainda não tenho vontade de baixar filmes pela internet, para saciar a vontade de vê-los antes de que cheguem nas videolocadoras ou na TV paga. Ao mesmo tempo, estou perdendo o interesse de ir até a sala grande, entrar na fila do bilhete, da pipoca, sentar e aguentar a menina que precisa ver os recados no feicebuque, o menino que insiste em explicar para namorada o que ele mesmo não sabe, a senhora que se assusta demais, o pedante que quer aplaudir o filme em pé durante os créditos, o rapaz que não sabe comer em silêncio e de quebra não sabe chupar o canudinho. Enfim, tudo desmotiva.

Então, não vi todos os filmes do Oscar 2013, tentei fazer o meu melhor com as últimas estreias, mas não foi o suficiente. Tanto que o favoritíssimo para levar o careca de melhor filme, Argo, foi um filme em que cheguei até ir ao cinema, mas estava cansado das compras e estufado da janta, o melhor era voltar pra casa mesmo. Me arrependo, mas em março chega na locadora.

Outra coisa, com o aumento do número de indicados para melhor filme, ficou difícil ir nove ou dez vezes ao cinema para ver apenas os filmes do Oscar. Cinema é um hobby caro hoje em dia, mesmo com promoção ou com o desconto de fidelidade. São ingressos, janta, lanchinho, estacionamento, gasolina, pedágio, uma compra qualquer, lá se foi um belo bocado de grana, se fizer isso quatro vezes num mês (ou nove como é o caso dos indicamos a melhor filme nesse ano) se vai à falência. Assim vou um tanto desenformado para a frente da TV, como no ano passado.

Mais um ponto de inquietação é a minha decepção com os vencedores das últimas edições. O Oscar tem mostrado como é fácil dizer que um filme ruim é bom. Tento explicar…

No ano passado (2012) venceu O Artista, um filme que não é de todo ruim, se tivesse sido rodado em 1928, com Chaplin no papel principal… Venceu de outro que não é um clássico, A Invenção de Hugo Cabret, mas que de longe é muito melhor que o francês vencedor mudo. Ou sério, alguém realmente ainda acha (depois do fervor da crítica) genial fazer um filme mudo em preto-e-branco nos anos 2010? Alguém que foi assistir O Artista no cinema e ficou tão emocionado com a genialidade da obra que foi procurar os clássicos envelhecidos nas prateleiras das megastores e assistiu tudo e mais um pouco depois? Duvido!

Antes, em 2011, o que dizer d´O Discurso do Rei, que foi o melhor entre Toy Story 3 (sim, o desenho animado), Cisne Negro ou A Rede Social? E no ano anterior ainda (2010) um tal de Guerra ao Terror venceu do blockbuster Avatar! Essa foi piada mesmo. Esse tal Guerra ao Terror ninguém nem deve lembrar mais, ou melhor, ninguém deve ter assistido sem antes ter se iludido com as letras garrafais na caixinha do DVD: “Vencedor do Oscar”. É um filme pequeno, com uma história pra lá de duvidosa, com a atuação de um ‘astro’ chamado Jeremy Renner, ator de uma expressão só. Avatar também não é nenhuma obra prima, mas é o filme de maior bilheteria de todos os tempos, que deu um novo fôlego pra toda industria cinematográfica, tornando rentável o 3D, acima disso, é desse tipo de blockbuster que hollywood vive e não dos filmes de baixo orçamento que fazem seu custo na bilheteria. Mas deixa pra lá, sempre tenho fé de que as coisas irão melhorar!

Sobre esse ano, especificamente, me deixa feliz ver que Steven Spielberg está no páreo com um filme realmente digno de vencer, Lincoln. Espero que a academia premie ele, que já venceu como diretor duas vezes e como filme uma, e não deixe para premiá-lo de novo mais tarde com uma porcaria, como fizeram com o coitado do Scorcese, em Os Infiltrados. O favorito do momento é Argo, que tem o sangue novo de Ben Afleck, um diretor correto, oposto do ator canastrão. Correm por fora, As Aventura de Pi, A Hora mais Escura e o ótimo O Lado Bom da Vida. Ainda, pra completar os indicados, temos o vencedor da Palma de Ouro, Amor; o musical Os Miseráveis; o novo do Tarantino, Django Livre; e o mal traduzido The Beats of Southern Wild, ou como foi lançado no Brasil, Indomável Sonhadora, credo!

Para diretor o vencedor seria obviamente Ben Afleck, se tivesse indicado, mas não está (!?), assim o páreo fica duro: Spielberg ganhar pela terceira vez?; Ang Lee de novo? Um novato? Jogo as minhas fichas que a Academia vai querer uma novidade ali pra ter mais um cara que tenha força de cavocar mais uns ingressos com o rótulo “Do vencedor do Oscar”, então fico com o tal David O. Russel, de O Lado Bom da Vida, que bateu na trave em 2010 com o bom O Vencedor.

Para ator há uma unanimidade em dizer que Daniel Day-Lewis é o ganhador. Ele já arrematou o careca dourado duas vezes por Meu Pé Esquerdo e por Sangue Negro e concorre pela quinta. Para atriz, eu não sei, tem essa Jessica-não-sei-das-quantas-Chastain que tá em tudo que é filme hoje em dia, nem sabia que ela existia, e tem a bonitinha Jennifer Lawrence, que faz o Jogos Vorazes, que a gurizada gosta. As duas bateram na trave há dois anos, a primeira com o bom Histórias Cruzadas, e a segunda com uma atuação memorável em O Inverno da Alma. Por outro lado, dizem os especialistas, que a atriz que tem grandes chances é veterana francesa Emmanuellle Riva, do nostalgico Hiroshima mon amour, que neste ano concorre por Amor.

Por fim, pela primeira vez, desde que eu me conheço, espero que vença um filme de animação que não é da Pixar. Valente até que é bonzinho, mas acaba por aí. O filme que assisti e me surpreendeu mesmo foi o infantil Detona Ralph, da Disney, que explora o universo dos videogames com um roteiro incrível sobre nosso lugar no mundo. Vale a pena conferir. Nas cópias brasileiras (não sei se mundo afora também) a animação trouxe antes da sua exibição cópias do curta Paperman, que concorre a melhor curta-animado e desde já e o meu favorito!

Então, antes de me alongar aqui, eis meus palpites para o Oscar 2013. Pus um asterisco nos quais, eu acho, que serão os vencedores. Boa sote e depois voltamos com a raspa do tacho.

Melhor filmelincoln-poster_743x1100

  • Argo
  • Django Livre
  • As Aventuras de Pi
  • Lincoln *
  • A Hora Mais Escura
  • Os Miseráveis
  • O Lado Bom da Vida
  • Indomável Sonhadora
  • Amor

Melhor ator

  • Daniel Day-Lewis – Lincoln *
  • Joaquin Phoenix – O Mestre
  • Denzel Washington – O Voo
  • Bradley Cooper – O Lado Bom da Vida
  • Hugh Jackman – Os Miseráveisargo-poster1

Melhor atriz

  • Jessica Chastain –A Hora Mais Escura
  • Naomi Watts – O Impossível
  • Jennifer Lawrence – O Lado Bom da Vida *
  • Emmanuellle Riva –Amor
  • Quvenzhané Wallis – Indomável Sonhadora

Melhor ator coadjuvante

  • Alan Arkin – Argo *
  • Philip Seymour Hoffman – O Mestre
  • Tommy Lee Jones – Lincoln
  • Christoph Waltz – Django Livre
  • Robert De Niro – O Lado Bom da Vida

Melhor atriz coadjuvante

  • Amy Adams – O Mestrezero-dark-thirty-releases-a-uk-poster-121641-00-1000-100
  • Sally Field – Lincoln
  • Anne Hathaway – Os Miseráveis *
  • Helen Hunt – As Sessões
  • Jacki Weaver – O Lado Bom da Vida

Melhor diretor

  • Ang Lee – As Aventuras de Pi
  • Steven Spielberg – Lincoln
  • Michael Haneke – Amor
  • David O. Russell – O Lado Bom da Vida *
  • Benh Zeitlin – Indomável Sonhadora

Melhor roteiro original

  • Mark Boal – A Hora Mais Escura *
  • Quentin Tarantino – Django Livre 
  • Michael Haneke – Amor
  • Wes Anderson, Roman Coppola – Moonrise Kingdomsilver linings playbook
  • John Gatins – O Voo

Melhor roteiro adaptado

  • Chris Terrio – Argo
  • Lucy Alibar, Benh Zeitlin – Indomável Sonhadora
  • David Magee – As Aventuras de Pi
  • Tony Kushner –  Lincoln
  • David O. Russell – O Lado Bom da Vida *

Melhor filme em lingua estrangeira

  • Amor (Áustria) *
  • A Royal Affair (Dinamarca)
  • Kon-Tiki (Noruega)
  • No (Chile)
  • War Witch (Canadá)

Melhor longa animadoDjango-Unchained-Poster

  • Valente 
  • Frankenweenie
  • Detona Ralph *
  • ParaNorman
  • Piratas Pirados!

Melhor trilha sonora original

  • Dario Marianelli – Anna Karenina
  • Alexandre Desplat – Argo
  • Mychael Danna – As Aventuras de Pi
  • John Williams – Lincoln*
  • Thomas Newman – 007 – Operação Skyfall

Melhor canção original

  • “Before My Time” – Chasing Ice
  • “Everybody Needs A Best Friend” – Tedlife of pi
  • “Pi’s Lullaby” – As Aventuras de Pi
  • “Skyfall”- 007 – Operação Skyfall*
  • “Suddenly” – Os Miseráveis

Melhores efeitos visuais

  • O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
  • As Aventuras de Pi
  • Os Vingadores*
  • Prometheus
  • Branca de Neve e o Caçador

Melhor maquiagem

  • Hitchcock
  • O Hobbit: Uma Jornada Inesperada*
  • Os MiseráveisOPCC_01_AMOUR_8.14_Layout 1

Melhor fotografia

  • Anna Karenina
  • Django Livre
  • As Aventuras de Pi
  • Lincoln
  • 007 – Operação Skyfall*

Melhor figurino

  • Anna Karenina
  • Os Miseráveis
  • Lincoln*
  • Espelho, Espelho Meu
  • Branca de Neve e o Caçador

Melhor direção de arte

  • Anna Kareninabeats-of-the-southern-wild-movie-poster
  • O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
  • Os Miseráveis*
  • As Aventuras de Pi
  • Lincoln

Melhor documentário

  • 5 Broken Cameras
  • The Gatekeepers
  • How to Survive a Plague
  • The Invisible War
  • Searching for Sugar Man

Melhor documentário de curta-metragem

  • Inocente
  • Kings Point
  • Mondays at Racine
  • Open Heart
  • Redemption

Melhor montagem

  • Argo
  • As Aventuras de Pi
  • Lincoln
  • O Lado Bom da Vida
  • A Hora Mais Escura*

Melhor curta

  • Asad
  • Buzkashi Boys
  • Curfew
  • Death of a Shadow (Dood van een Schaduw)
  • Henry

Melhor curta animado

  • Adam and Dog
  • Fresh Guacamole
  • Head over Heels
  • Maggie Simpson in “The Longest Daycare”
  • Paperman*

Melhor edição de som

  • Argo
  • Django Livre
  • As Aventuras de Pi
  • 007 – Operação Skyfall*
  • A Hora Mais Escura

Melhor mixagem de som

  • Argo
  • Os Miseráveis
  • As Aventuras de Pi
  • Lincoln
  • 007 – Operação Skyfall*

Ainda sobre o Oscar, saiu para comemorar essa 85º edição um pôster conceitual onde as estatuetas ganharam, em ordem cronológica desde a primeira edição, um formado que representa o filme vencedor. É algo simples, mas muito bem executado que merece os melhores elogios aos publicitários autores da ideia, segue abaixo e é até bacana tentar relembrar e adivinhar o que cada um representa.

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Se alguém aí quiser dar uma olhada nos posts das edições anteriores do Oscar escritas neste blog, seguem os links: 2012, 2011, 2010 e 2009.

Fábio Prina_19/02/2013

9 de fevereiro de 2012

The Oscars 2012 – Os indicados

Bem, como é de costume nesse espaço bizarro na web, vou postar alguma coisa sobre a 84ª Cerimônia de Premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, também conhecido como o Oscar. Desde muito piá que eu acompanho essa festa. Acho tri legal os figurões lá, fazendo piadinha, discursinho e até alguma que outra apresentação interessante.

Porém neste ano, de todos que eu venho acompanhando, digamos desde 1994 ou 95 (tá não sou o Rubens Ewald Filho), não tenho qualquer atração por assistir essa festa. Não sinto que tem aquele filme, que me faça torcer, ou aquele ator/diretor que fez um trabalho fenomenal e eu gostaria que ele saísse com o carequinha dourado debaixo do braço. Esse ano, de todos, me parece o mais sem graça no cinema.

Outro motivo, além desse que eu acho mais infantil e sincero, não ando indo muito ao cinema. Sempre tive a preocupação de não me tornar um desses reclamões xaropes, que ficam achando qualquer picuinha pra não se divertir. Mas no caso do cinema, eu me tornei um muito precoce. Não tenho mais saco pra ir ao cinema. O atendimento é péssimo, o público é mal educado, as salas estão cada vez piores (digo, pelo menos as de Caxias do Sul / Bento Gonçalves / São Leopoldo / Porto Alegre, onde costumo ir), os celulares acendem/tocam toda hora, a conversa paralela pega geral e a latinha de refrigerante TEM que ser aberta exatamente na hora uma cena sentimental ou silenciosa, sei lá… assim por diante!

Sem falar que, além de filmes bons já terem um histórico marginalizado nas modernas salas de cinema, com a disseminação do 3D, agora achar uma produção interessante o suficiente pra se tenha vontade de ver num multiplex de 10 salas é uma raridade. Então larguei a barca de mão.

Feito o desabafo, não vi nenhum filme do Oscar. Às exceções são o último do Woody Allen, Meia Noite em Paris, o qual fui literalmente arrastado para o cinema pela minha namorada, mas o filme é ótimo, e o hermético A Árvore da Vida, de Terrence Milick, que tive que admitir, é demais pra mim. Até quis gostar desse filme, mas na terceira tentativa de ver, na terceira cochilada… não deu certo.

Enfim, o festa do Oscar acontece no domingo, dia 26 de fevereiro, dois dias antes do meu aniversário, à partir das 22h, com transmissão ao vivo da TNT. A Globo também deve transmitir, mas apenas para aqueles que tiverem paciência de aguardar o término do Fantástico e a íntegra de mais um ótimo capítulo da novela Big Brother Brasil. O apresentador da cerimônia será o ator e comediante Billy Crystal, pela enésima vez, pô, nem nisso os caras quiseram inovar um pouco?

Os dois filmes recordistas em indicações são: A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, com 11, seguido pelo filme francês mudo e em preto e branco O Artista, grande favorido da festa. Segue abaixo todos os indicados à premiação. Coloquei um asterisco  nos meus prediletos. Se eles não ganharem também… ah que se dane!

  • Melhor filme

Os Descendentes
A Árvore da Vida
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
O Homem Que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra
O Artista
Meia-Noite em Paris *
Tão Perto e Tão Forte

  • Melhor ator

George Clooney – Os Descendentes * 
Brad Pitt – O Homem Que Mudou o Jogo
Jean Dujardin – O Artista
Demián Bichir – A Better Life
Gary Oldman – O Espião que Sabia Demais

  • Melhor atriz

Glenn Close – Albert Nobbs
Viola Davis – Histórias Cruzadas
Rooney Mara – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres *
Meryl Streep – A Dama de Ferro
Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn

  • Melhor ator coadjuvante

Kenneth Branagh -Sete Dias com Marilyn
Nick Nolte – Guerreiro
Max Von Sidow – Tão Perto e Tão Forte
Jonah Hill – O Homem Que Mudou o Jogo
Christopher Plummer – Toda Forma de Amor

  • Melhor atriz coadjuvante

Bérénice Bejo – O Artista
Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
Janet McTeer – Albert Nobbs
Melissa McCarthy – Missão Madrinha de Casamento *
Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

  • Melhor diretor

Woody Allen – Meia-Noite em Paris *
Terrence Malick – A Árvore da Vida
Alexander Payne – Os Descendentes
Michel Hazanivicous – O Artista
Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret

  • Melhor roteiro adaptado

A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
Os Descendentes
O Espião que Sabia Demais
O Homem Que Mudou o Jogo

  • Melhor roteiro original

Meia-Noite em Paris *
O Artista
Margin Call – O Dia Antes do Fim
Missão Madrinha de Casamento
A Separação

  • Melhor filme em lingua estrangeira

A Separação (Irã)
Bullhead (Bélgica)
Monsieur Lazhar (Canadá)
Footnote (Israel)
In Darkness (Polônia)

  • Melhor longa animado

Gato de Botas
Kung Fu Panda 2
Rango *
Um Gato em Paris
Chico & Rita

  • Melhor trilha sonora original

As Aventuras de Tintim
O Artista
O Espião que Sabia Demais
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra

  • Melhor canção original

“Man or Muppet” – Os Muppets
“Real in Rio” – Rio

  • Melhores efeitos visuais

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Gigantes de Aço
Planeta dos Macacos – A Origem
Transformers: O Lado Oculto da Lua

  • Melhor maquiagem

Albert Nobbs
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A Dama de Ferro

  • Melhor fotografia

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres *
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
A Árvore da Vida
Cavalo de Guerra

  • Melhor figurino

Anônimo
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W.E. – O Romance do Século

  • Melhor direção de arte

O Artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra

  • Melhor documentário

Hell and Back Again
If a Tree Falls
Paradise Lost 3: Purgatory
Pina
Undefeated

  • Melhor documentário de curta-metragem

God is the Bigger Elvis
The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
Incident in New Baghdad
Saving Face
The Tsunami and the Cherry
Blossom

  • Melhor montagem

Os Descendentes
O Artista
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres *
O Homem Que Mudou o Jogo
A Invenção de Hugo Cabret

  • Melhor curta

Pentecost
Raju
The Shore
Time Freak
Tuba Atlantic

  • Melhor curta animado

Dimanche
The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
La Luna
A Morning Stroll
Wild Life

  • Melhor edição de som

Drive
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres *
Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua

  • Melhor mixagem de som

Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres *
Cavalo de Guerra
A Invenção de Hugo Cabret
Transformers: O Lado Oculto da Lua
O Homem Que Mudou o Jogo

Se quiserem dar uma checada nos posts das últimas edições do Oscar, deem uma clicada em 2011, 2010 e 2009.

Fábio Prina_09/02/2012

1 de dezembro de 2011

Direto do Quarto da Imprensa

Bom, tarde de folga no interior de São Paulo. Chovendo pra caramba por aqui, então estamos ilhados no hotel. O que poderia ser uma tarde de tédio, na real foi até que… produtiva. Muito porque aqui no, agora popular, Quarto da Imprensa, sempre se tem alguma atividade. Seja o Ivanir Pinto passando um boletim ao vivo pra Rádio Garibaldi, o Julio Martins fazendo alguma matéria para o Olá Serra Gaúcha, ou, esse que vos escreve, preparando algum material para a equipe da ACBF Futsal.

Enfim, nessa tarde o Júlio publicou um texto legal sobre um vídeozinho que está bombando na net e aproveitou para contar um pouco dessa situação de ficar ilhado aqui. Reproduzo abaixo, sem a devida licença do autor.

Galera da Imprensa no famoso Quarto da Imprensa em Orlândia – SP

 

Curtam, como ele mesmo recomenda:

O que você faria sem o Facebook?

by Julio Martins

Ótima pergunta não? A cada dia que passa nos tornamos tão dependentes deste mecanismo que sequer podemos pensar em um futuro sem curtidas, compartilhadas, cutucadas e todo o resto. Mas, como dizem por aí, se tudo que é bom um dia chega ao fim, talvez fosse esse o momento de começarmos a nos preparar para essa verdadeira “tragédia”. Pois é. Acreditem ou não, já tem gente imaginando isso.

Sem muita inspiração para escrever por aqui, e dando prioridade para outras pautas por aqui, achei uma ótima ideia postar esse vídeo.

Depois de quatro dias de calor intenso aqui em Orlândia, onde acompanho a ACBF na Taça Brasil pela Rádio Estação, a tarde foi de folga por aqui – e de chuva também. Estávamos por aqui eu e o Fábio Prina, assessor de imprensa do clube de Carlos Barbosa, ouvindo música e trocando umas ideias quando a “pauta” surgiu, ao som de Echo And The Bunnymen.

 

O Fábio me contava que o vídeo, uma paródia de “A Rede Social”, foi apresentado a ele pela namorada Raquel, hoje pela manhã. Uma baita sacada e que vale umas boas risadas. Sendo assim, resolvi compartilhar com os amigos.

Curtam, compartilhem, comentem… aproveitem enquanto o Facebook ainda tá por aí, à disposição.

PS.: Como sei que o Fábio vai ler e colocar defeito no texto, já deixo o recado. Posta do jeito que quiser, mas lá no teu blog.

Fábio Prina_01/12/2011

21 de outubro de 2011

O lado sombrio de Star Wars

O lado sombrio da força, que antigamente era conhecido como ‘o ‘lado negro’, mas devido a evolução do politicamente correto foi renomeado, é a turma dos malvados nos filmes Star Wars, aqueles que apesar de serem carismáticos, sempre tem algum podre por trás. Com o passar das últimas décadas, não foi apenas essa nomenclatura que mudou nessa série clássica do cinema.

Antes de mais nada, todo mundo deve saber do que se trata Star Wars, certo? Em poucas palavras, é uma hexalogia de aventuras especiais com mocinhos e vilões de propriedade intelectual de George Lucas, diretor de cinco dos seis filmes. Se isso não é suficiente para você, então não se dê o trabalho de continuar a passar os olhos pela tela do computado, será perda de tempo.

Bom, recapitulando, são seis filmes, lançados em duas trilogias diferentes. Uma entre os anos 70 e 80, conhecida hoje como a Trilogia Clássica, e a uma outra lançada entre os anos 90 e 2000, que eu nem sei como é conhecida. Aquela primeira, que revolucionou os efeitos especiais, as trilhas de ficção científica, o gênero sci-fi , o lançamento dos grandes filmes no cinema, etc… também criou uma série de devotos fãs, que hoje devem conhecer a obra tão bem quanto o seu principal criador. Eis que no final da década de 90, Lucas tirou da gaveta uma ideia muito antiga, de contar o prelúdio da séria, aliás não apenas um simples prelúdio, mas uma nova trilogia para descobrirmos as origens dos personages e, para piorar a situação, da mitologia dessa série. Eis que foi lançado em 1999, Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma, que iniciou o bafafá. Bom, sem rodeios chegamos onde a história está para ser recontada.

No próximo dia 25 de outubro, chega exclusivamente para o mercado norte-americano, um filme, no mínimo interessante, que discute o lançamento da segunda trilogia de Star Wars, e acima de tudo, o descontentamento dos fãs mais fiéis com esse ‘lado sombrio’ da série. O nome do trabalho é The People vs George Lucas, 2010 (em tradução livre: O Povo Contra George Lucas), realizado por um cara chamado Alexandre O. Philippe.

Esse projeto teve início em meados de 2007, quando foi criado o site www.peoplevcgeorge.com conclamando os fãs da saga para enviarem suas observações sobre a obra completa de Lucas. Mais de 600 horas de imagens vindas dos quatro cantos do planeta, que variavam desde depoimentos, animações, filmes em 8mm e também, hoje os famosos, fanfilms. Assim, foi dada largada para a criação desse documentário, que, como colocou o meu amigo Felipe Guerra, em sua crítica muito bem humorada, “o dúbio sentimento de amor e ódio dos fãs de Star Wars“.

Em entrevista a uma revista ianque, o diretor do documentário classificou o trabalho como um tributo à geração do youtube, que segundo ele, o próprio Lucas deveria ter escutado enqueanto realizava os novos capítulos da série. Em uma matéria muito recente, o site Omelete destacou os comentários nada amigáveis de um antigo produtor dos antigos Star Wars, que afirmou que as continuações carecem de problemas em “vários níveis”. Bom, a coisa não é boa para o lado do adversário do povo nesta história.

Em contraponto, o filme também reserva espaço para mostrar tudo de bom, digamos o que sobraria para o lado claro, dos fãs de Star Wars, desde as criações em vídeo, passando por diversos outros segmentos de arte e entretenimento, e claro, chagando ao fanatismo extremo que alguns desmiolados tem pelos filmes. Isso sem entrar em toda penga de produtos comerciais que surgiram derivados da séria.

Enquanto esse documentário divertido e muito interessante, para quem se interessa por Star Wars, claro, não chega por aqui, fica a dica para um download ilegal, já que existe versões, inclusiva com legendas imbutidas.

Falando em Star Wars, recentemente foi lançado as duas trilogias da série no formato Blue-Ray, que acabaram batendo recordes da curta história da nova mídia. Em números, cerca de 1 milhão de unidades foram vendidas em menos de uma semana do seu lançamento, algo que somou mais 84 milhões de dólares para os bolsos do estúdio Fox e de Lucas. Na real, esse tipo de recorde não é novidade para franquia, que também esteve no topo de vendas com o lançamento das duas caixas em DVD para os filmes, a primeira com as versões modernizadas dos filmes antigos e na segunda, com as versões originais e também as alteradas.

Na real, Star Wars já tem tanto relançamento e versão alternativa, estendida, modificada que eu nem me lembro mais qual foi a porra do filme que eu vi. Mas não pense que acaba por aí, ainda tem muito dinheiro, digo, muito formato para explorar! Em fevereiro de 2012, o primeiro capitulo da nova trilogia, aquele que afundou toda mitologia da série e provocou desgosto entre fãs mundo afora, aporta nos cinemas em 3D!!! Uau, não dá pra ficar de fora dessa, né, então já é bom ficar ligado, comprar os ingressos antes e conferir de perto o mesmo filme que você provavelmente conferiu na Sessão da Tade, em VHS, no relançamento no cinem, em DVD remastezidado, em DVD original chinelão e em Blue-Ray, mais uma vez. Bom, pelo menos eu fiz isso…

De qualquer maneira, para quem se interessar um pouco em conhecer o lado sombrio de Star Wars segue abixo o trailer desse filme que, no mínimo, deve ser muito bacana, aos devotos fãs da série.

Obs1: Este texto contém informações extraídas d’O Globo.

Obs2: Todas as muitas vezes que as palavras Star Wars são mencionadas, elas aparecem grifadas em itálico, para lembrar que isto partence ao seu criador, a LucasFilm e a Fox.

Obs3: Acabei de me flagrar falando sobre abusos comerciais mais uma vez em um dos meus textos. Acho que porquê ando meio quebradaço por esses dias, não ando muito simpático com compras, produtos e eventos caros.

Fábio Prina_ 21_10_2011

15 de setembro de 2011

Crowe – o duplo

Passados seis anos do lançamento de Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown), 2005, dois trabalhos do diretor, roteirista e produtor Cameron Crowe chegam aos cinemas em 2011. Primeiro, um documentário realizado com toda autoridade, pelo diretor de Vida de Solteiro (Singles), 1992, sobre uma das bandas responsável pelo movimento grunge nos Estados Unidos: Pearl Jam Twenty. O segundo, um melodrama sofisticado, baseado em uma história verídica, com Matt Damon, Scarlett Johanson e Thomas Hadden Church, encabeçando o elenco, chamado We Bougth a Zoo.

Crowe é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo pra mim. Não só pela destreza em contar uma boa história, mas na maneira autoral em que se inclui nessas histórias, e, acima de tudo, a escolha de histórias que interessam ser contadas.

Antes dos filmes, Cameron Crowe foi jornalista da conceituada revista Rolling Stone, em meados dos anos 70. Sua primeira matéria de capa foi sobre o The Allman Brothers Band, precocemente aos 18 anos, a qual rendeu, juntamente com outras histórias, o roteiro de seu filme mais autoral, Quase Famosos (Almoust Famous), 2000. Nessa época também, conheceu e trabalhou com grandes lendas da imprensa americana, como o editor Ben Fong-Torres e o crítico Lester Bangs.

Drew e Claire, em Elizabethtown

Seu primeiro trabalho, com grande reconhecimento de crítica e público, foi o já citado Vida de Solteiro, ao qual fez uma reflexão sobre um grupo de jovens/adultos na cena grunge de Seattle, na chegada dos anos 90, berço de bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden e Nirvana.  O trocadilho do título original Singles perdido na tradução para o português, dá conta de citar não apenas as músicas soltas que revolucionariam a indústria mundo afora, mas também o estado civil dos protagonistas. Outros trabalhos que sucederam o sucesso de Vida de Solteiro foram os oscarizados Jerry Maguire – A Grande Virada (1996) e Quase Famosos, o excelente Vanilla Sky (2001), refilmagem do mexicano Abra Los Ojos, e, por fim, Tudo Acontece em Elizabethtown.

No entanto, desde Elizabethtown o diretor não mergulhava no terreno da ficção. Ouve também um outro documentário chamado The Union, sobre o trabalho criativo de Elton John, datado em 2011, mas, que pelo visto, não recebeu lançamento por aqui. No circuito, Crowe ataca em duas frentes completamente diferentes, duas paixões: a música e o cinema autoral.

William Miller ao lado do Stillwater, em Quase Famosos

No cenário dos pomposos documentários sobre bandas e músicos, como exemplo que me ocorre agora, o excepcional Beyond The Lighted Stage, 2010, sobre os canadenses do Rush, Crowe apresenta sua releitura da carreira do Pearl Jam, e seus vinte anos de estrada. Pearl Jam Twenty é um épico biográfico, com imagens inéditas, shows antológicos e confissões intimistas, como a cena que abre o trailer da produção, em uma entrevista ao vocalista Eddie Vedder, feita por ninguém menos que David Linch.

Trailer do documentário

O documentário chega já acompanhado de uma rima de marketing gigantesca ‘celebrando’ os 20 anos da banda. Além do filme lançado oficialmente no Festival de Toronto, no último sábado, dia 10, também está disponível um livro homônimo, escrito por Jonathan Cohen, um CD Duplo que chega às lojas no dia 20 e o DVD, que aporta no dia 25 de outubro. Mas quem quiser conferir o pretensioso filme de Crowe na tela grande do cinema, tem que correr, porque os ingressos já estão à venda para as limitadíssimas sessões, no próximo dia 20 de setembro, em várias cidades do Brasil. Em Porto Alegre a bagunça acontece no Unibanco Arteplex, no Shopping Bourbon Country.

Tudo isso, porém, é um aperitivo para os fãs, que aguardam anciosamente a passagem da turnê do PJ20 pelo país, que contemplará as cidade de PoA, Curitiba, Rio e São Paulo (com duas apresentações), no início de novembro. Pelo visto, a coisa vai ser grande.

Já no campo dos filmes autorais, Crowe foge um pouco dos roteiros a próprio punho, para a adaptação do livro com o mesmo título do jornalista britânico Benjamin Mee, que reconta a época em que adquiriu uma propriedade na Inglaterra, que incluía uma espécie de zoológico falido, chamado Dartmoor Wildlife Park, lar para mais de 200 animais selvagens.

A produção relata a reabilitação da reserva ambiental e o drama familiar de Mee, cuja esposa sofria com um câncer. O filme tem estreia prevista para o Brasil no dia 23 de dezembro, semaninha do natal.

Trailer do filme, previsto para dezembro

Enfim, para quem estava inativo há pelo menos seis anos, boas notícias estão chegando. Esperamos que esse duplo de Crowe traga bons resultados como o restante de sua filmografia. E que suas histórias continuem construindo experiências únicas num cinema simples e introspectivo, impossível de não gostar.

Fábio Prina_15/09/2011

27 de julho de 2011

Entrei em Pânico Parte 2 – Uma crítica nada imparcial

Sou um grande fã de críticas cinematográficas. Até mesmo daqueles textos esdrúxulos de revistas de variedades, onde os pseudo-intelectuais que escrevem entendem menos de filmes que qualquer ratão de videolocadora. Mas não sou muito adepto a escrever críticas, talvez porque eu nem saiba como fazer uma, ou talvez porque eu não me sinta a vontade colocando bedelho nos trabalhos alheios.

Mas pra tudo existe exceção, correto? Então, deixo de lado esses despretensiosismos para malhar o último filme do meu ‘amigo’, colega de profissão, vizinho, blogueiro e antiga parceria de ceva Felipe M. Guerra, também conhecido nas entranhas de Carlos Barbosa como o Shit.

Um brevíssimo histórico para encher salame

Para quem é completamente ignorante da pessoa que falamos, vamos fazer um brevíssimo histórico para contextualizar a coisa. Felipe do Monte Guerra, o Shit, é um jovem de trinta e poucos anos, nascido e criado na bela Carlos Barbosa, cidade onde eu também resido, na Serra Gaúcha. Aficionado por filmes bagaceiros de terror, no início de sua adolescência ele iniciou o hobby que, anos mais tarde, não lhe traria fama e fortuna: fazer filmes amadores com amigos, parentes e conhecidos nas condições mais amadorísticas possíveis.

Seu debut na sétima arte foi com o thriller de ação em média-metragem Ponto de Ebulição, de 1995, exibido apenas em sessões fechadas para íntimos e passado de mão a mão através de tenebrosas cópias em VHS. Hoje é difícil ter acesso a esse material escondido do grande público, com uma certa dose de bom censo, pelo ‘estúdio’ particular de Felipe, a Necrófilos Produções Artísticas.

Em 1998, emerge ao público o primeiro trabalho na filmografia oficial do realizador, a incrível odisséia do jovem que queria comer a guria mais boa de Barbosa. O filme era Patrícia Genice, estrelado por Fabiano Taufer, que, com o passar dos anos, foi reeditado e exibido mundo afora em festivais e mostras cinematográficas.

Alguns projetos cancelados depois, Felipe deu início ao seu filme mais conhecido, mais repercutido e mais importante filme, até então. Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado, de 2001 (veja o trailer aqui). A produção, orçada em R$ 250,00, foi o grande marco na carreira do realizador, com matérias em TV nacional, revistas especializadas e convites para engrenar de vez a carreira cinematográfica do Spielberg da Serra Gaúcha (!). O longa foi lançado com 120min de duração e após alguns anos, voltou ao circuito caseiro/comercial/cult com cerca de 40 minutos a menos.

No auge de suas pretensões de filmar com poucos recursos, sem qualquer equipamento para captação de som, iluminação e outras frescuras cinematográficas gravou após uma pausa de cinco anos outro longa, Canibais & Solidão (que já ganhou mensão neste blog), uma comédia romântica pretensiosa sobre canibalismo. Apesar do título querer vender a história de canibais, tem muito pouco disso no filme, que não passa de uma divertida aventura romântica adolescente.

Ainda há espaços para mais dois trabalhos em curta-metragem: Mistério da Colônia, de 2003, que contou com a participação do apresentador global Luciano Huck, e o novíssimo Extrema Unção, 2010, rodado com a desculpa de testar uma câmera digital nova, estrelando a avó do diretor, Odina do Monte, como uma assombração.

Entrei em Pânico 2 – A Crítica

Só pra avisar: se você ainda não assistiu ao filme, nesse texto contém uma série de informações que talvez vá revelar uma ou outra surpresa. Então, te liga!

Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na sexta-feira 13 do Verão Passado Parte 2 – A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween, sim, esse é o nome completo do filme, não é o melhor trabalho na filmografia de Felipe M. Guerra. Ainda curto mais o nostálgico Patrícia Genice. Mas pra ruim não serve também. Na real, todos os filmes do diretor, lembrando que são feitos de forma amadora, estão naquele naipe “é tão ruim que chega a ser bom”.

Tobão e a namorada curtindo um chimarrão na cena que abre o filme

De cara, os expectadores são apresentados a uma rápida recapitulada aos acontecimentos da história antecessora, que mostrava o massacre de um grupo de jovens na concentração de sua festa de formatura. O assassino em questão era um dos colegas, que sofria com a corneta e a tiração de sarro, muito, por causa do nome, Geison. Vestido com a roupa e a máscara do assassino da série Pânico, Geison matou a faconadas, torneiradas e marteladas seus colegas do tempo de ginásio e outros desavisados. Ao que sabemos, apenas duas pessoas sobreviveram à chacina: Eliseu e Niandra, interpretados respectivamente por Eliseu Demari e Niandra Sartori, que, ao final do primeiro filme prometem retornar na Parte 2 para acabar com a raça do assassino maldito.

Passados sete anos dos acontecimentos que marcaram a história de Carlos Barbosa  com o “massacre da sexta-feira 13”, o medo dos sobreviventes renasce após um duplo homicídio as margens do Lago Cristal (citação mais que pífia). A cena que abre o filme, ao som de Vento Negro, tocada por Tobão (Tobias Sfoggia) retoma de maneira muito competente tudo que ocorrera antes. Mesmo assim, o diretor/roteirista/produtor/editor (estilo Robert Rodrigues-faz-tudo) insiste em explicar mais e mais vezes o que todo mundo já entendeu (ou pelo menos desconfia), tratando e expectador como um completo idiota.

Niandra, ao lado do seu guarda-costas, tentando se recompor do passado

Falando nisso, eu não entendo porque Felipe insiste em explicar tanto, tanto e tanto o que os personagens querem fazer, porque eles fazem e como é que eles fazem, e ao mesmo tempo apela para piadas internas e citações de seus outros filmes, como o manjado jargão “Eu sou gatão, eu sou gatão!” ou a péssima fala “Porco Dio, não me mata!”. Se por um lado ele acha que os espectadores nunca viram um filme na vida, ele também acredita fielmente que, assim como Tarantino, pode ser dar o luxo de citar sua própria obra, porque afinal, todo mundo a conhece!?

Mas enfim, voltando. Assustado, Eliseu procura por Niandra, que vive agora sob a tutela de um segurança particular, interpretado de forma magnânima por Leandro Fachinni. Paralelamente, Goti (Rodrigo Guerra, irmão do diretor), leva uma vida secreta em Porto Alegre, em uma cadeira de rodas, escondendo de todos a sua sobrevivência ao massacre do primeiro filme. Numa bela manhã ensolarada, Goti decide retornar a Carlos Barbosa acompanhado pelo seu pervertido e putanheiro psiquiatra, interpretado por Kiko Berwanger, após ler uma notícia sobre um assassinato no jornal. Para retomar: no primeiro filme, Goti havia sido atravessado por um facão de açougueiro, enquanto estava deitado na cama. A tosquisse do retorno de Goti é tratado de forma cômica, em um diálogo que explica toda a trajetória do personagem: “Goti, tu foi atravessado por um facão, imagina a probabilidade de sair vivo de algo assim, só em um filme muito ruim mesmo”, divaga o psiquiatra ao paciente.

Goti e o seu psiquiatra decidem voltar para Carlos Barbosa

Saltando um pouco no roteiro, de volta a Carlos Barbosa, numa noite de sexta-feira, 13, um grupo de adolescentes ensaia uma bebedeira antes da sua formatura do colégio. São quatro meninas e um cueca, que são surpreendidos de forma rápida pelo assassino com as mesmas vestes do vilão lá do primeiro filme. O massacre é cruel. O assassino se diverte degolando uma menininha, estripando outra, arrancando o olho do rapaz, etc… Ninguém sobrevive. Niandra e Eliseu vão até a festa para checar se está tudo bem com a galera, mas chegam tarde demais.

Após a calamidade daquela montoeira de sangue, não há mais dúvidas: Geison, o assassino original, está de volta para terminar o serviço. Até então o filme estava em um pique baixo, mesmo com muito sangue e muito humor, na maioria involuntário. A intenção de Felipe em se apoiar aos clichês de filmes de terror é interessante, mas volta e meia incomoda quem espera algo um tanto novo ali. Pelo menos as mortes são mais originais que no antecessor, uma vez que o bairrismo gaúcho inspirou o diretor a colocar chimarrão, salsichão com pão e até uma garrafa velha de vinho nas grotescas cenas sangrentas.

O assassino mascarado obersava suas póximas vítimas

Passados os sustos iniciais, os três remanescentes se encontram após tantos anos, na casa de Niandra. Em uma cena onde poderia ser explorado um pouco mais o lado humano daqueles calhordas, o filme passa reto, e não deixa nenhuma brecha para um pingo de emoção sequer. Dessa forma, os três se unem para fugir/matar o assassino no improviso mesmo.

Um vício que me pareceu presente, quase que como um cacoete do diretor/montador é o uso de fade – out, aquele efeito de terceira utilizado pra escurecer a tela de forma lenta e marcar a passagem de tempo, tipo de um dia pra outro, ou muito mais que isso. Já que o filme se passa todo em três dias, é um exagero usar quatro… cinco… seis vezes… ao longo da história.

No universo estúpido dos filmes de terror existem algumas regras estúpidas, inclusive que o próprio Felipe faz alusão no primeiro filme, com uma reportagem sobre o lançamento de um livro chamado “Porque os Filmes de Terror são tão Estúpidos”. E é baseado nessas regras estúpidas que surge o grande acerto de Entrei em Pânico 2! Os personagens de Goti, Niandra, seu guarda-costas e Eliseu (com sua inseparável espada samurai!) decidem se esconder em um sítio no interior da cidade, rodeado pelo mato e isolado de tudo! Ali, com as janelas e portas envidraçadas e escancaradas, os personagens pretendem se proteger do matador!

O cueca da festinha que acabou caolho

O que acontece depois é uma série de cenas ainda mais estúpidas. Indignado com a facilidade dos acessos da casa, o guarda-costas decide ir até a casa de ferramentas pegar madeira e pregos para fechar portas e janelas. Deixando os três cagões sozinhos na casa e, claro, morrendo esquartejado no galpão mesmo. Aliás, essa cena é a mais engraçada do filme, com um momento musical protagonizado pelo segurança.

No calar da noite, o assassino ataca os personagens principais que a princípio conseguem escapar, se dividindo pelo meio do mato, e se reencontrando para o gran finale, lá sem muita graça, já que a ausência do assassino original pesa muito na conclusão da história. O assassino original, Geison, diga-se de passagem, é interpretado por este que vos escreve essas linhas mal traçadas.

Menininha inocente que também vai pro brejo

O filme ainda guarda espaço para banhos de sangue mais convincentes do que de muitas porcarias que circulam pelos multiplex mundo afora, realizado com maquiagem profissional que dá um pouco mais de seriedade a toda aquela besteira. Os sustos que surpreendem a platéia também são muito interessantes e acredito que um pouco da graça esteja nesse tipo de coisa, que não é lá bem bolada, mas fazem bonito o seu papel.

Há espaço para uma conclusão mais completa, mas o fim da projeção às pressas, faz jus ao final tosco do primeiro filme. Felipe Guerra ainda guardou espaço para uma surpresa, que não engana ninguém, já que um dos diálogos mencionando filmes clássicos de terror dão conta de estragar um pouco desse final surpreendente.

Mas n final das contas vale os 80 minutos gastos, já que consegue fazer o espectador rir, se enjoar, se assustar e, mais que tudo, concluir que nem só de mega-produções vive o homem. O filme foi exibido pela primeira vez no Fantaspoa (Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre), no dia 3 de julho, e, em seguida, ganhou sessões no Cine Ideale, no berço de Carlos Barbosa. Acredito que logo será lançado em DVD, com compras direto com o diretor, mas até lá fique atento a mostras e festivais menores de cinema para dar uma olhada nessa nova obra-prima do meu muy amigo – o Shit!

O resto de uma das vítimas do novo massacre da concentra de formatura

Ficha Técnica:

Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado Parte II  – (2011) – Horror
Brasil – 80 min – Classificação: 18 anos

Direção: Felipe M. Guerra
Roteiro: Felipe M. Guerra
Produção: Eliseu Demari, Felipe M. Guerra, Rodrigo M. Guerra
Efeitos especiais: Ricardo Ghiorzi
Maquiagem: Ricardo Ghiorzi

Elenco

Eliseu Demari (Eliseu)
Niandra Sartori (Niandra)
Leandro Facchini (Guarda-costas)
Rodrigo M. Guerra (Goti)
Kiko Berwanger (Dr. Samuel Lumis)
Oldina Cerutti do Monte (Dona Pamela)
Bruna Seimetz (Bruna)
Maiara Pessi (Maia)
Angélica Dalsin (Angélica)
Thaís Cristina Formentini (Thaís)
Cleo Meurer (Cleo)
Felipe da Silva (Pato)
Thobias Sfoggia (Thobão)
Kasha (Dominatrix)
Ana Carolina Lufiego (Namorada de Thobão)
Zica Fajardini (Mãe de Bruna)

Fábio Prina_27/07/2011

19 de julho de 2011

O Muro em Porto Alegre

A notícia não é nova, mas ainda não tinha encontrado aqueles 15min de ócio para registrar aqui. Roger Waters virá a Porto Alegre, com a maior turnê da história do rock progressivo, The Wall.

Isso não é um boato não! Já tem dia e hora marcada, o local ainda está à definir, mas fala-se muito no Olímpico Monumental, já que o campinho do aterro estará em reformas para a Copa na ocasião. O dia histórico será 17 de março, do próximo ano, um sábado que perpetuará na história, assim como aquele longíncuo março de 2003 ainda faz.

Para os pegos de surpresa, Roger Waters, além de ser o Richard Gere do rock, foi baixista, vocalista, fundador e gênio musical da maior e melhor banda de todos os tempos, o Pink Floyd. Desde  de guri, quando tocava com a galera na Universidade de Cambrigde até o início dos anos 80, quando saiu da banda, foi reverenciado pela sua criatividade a frente das letras que marcaram a história da música.

Essa será a segunda passagem do semideus pelos pagos do Rio Grande. Como dito antes, ele esteve por aqui no dia 12 de março de 2003 e quase completará 9 anos da sua histórica apresentação da turnê In the Flesh, a qual fez os fâs derramarem lágrimas no gramado sagrado da Azenha. Waters ainda teve mais uma passagem pelas terras tupiniquins em meados de 2007, mas excluiu a capital gaúcha de sua turnê, Dark Side of the Moon, onde apresentava na íntegra o álgum homônimo dos tempos do Pink Floyd.

Voltando ao que virá, lá se vão 44 anos da fundação do Pink Floyd. Em 1967 era lançado o disco The Pipper at the Gates of Down, que juntamente com o álbum Sgt. Peppers Lonenly Hearts Club Band, dos Beatles, seria o marco inicial da música psicodélica mundo afora. Foram diversos discos históricos, incluindo a fase de ouro da banda, iniciada por Dark Side of the Moon, complexo e dinâmico disco progressivo, em 1973, e encerrado exatamente por The Wall, uma ópera rock sem prescedentes, até hoje reverenciada como a grande obra da banda, em 1977. Aos, 68 anos, Waters é o único membro original da banda que continua na ativa, esbanjando energia e pretenção em suas apresentaçãos.

The Wall, o disco, foi um sucesso absoluto, galardoado com Platina 23 vezes. Chegou ao topo dos mais vendidos logo após o lançamento e parmaneceu ali por muito tempo, hoje é considerado o 3º álbum mais vendido de todos os tempos do concorrido mercado norte-americano. Após seu lançamento, em 1980, as apresentações de The Wall ganharam sua primeira montagem, com 27 shows apenas na Inglaterra, Alemanha e nos EUA, que acabaram dando prejuízo para a banda, devido a sua grandiosidade. Em 21 de julho de 1990, já atuando solo, o músico encenou a mega-produção em Berlin, na Alemanha, na época para fazer o maior concerto ao ar livre de todos os tempos, para homenagear o país pela queda do famoso muro, que acontecera um ano antes. Em diversas partes do planeta o show foi transmitido ao vivo na ocasião e em 2003 ganhou uma versão luxuosa em DVD. No Brasil, ainda pode ser encontrado em uma edição simples, digna de ser vendida em revistas de quinta categoria, em bancas de rodoviária, por aí.

Porém, mesmo com essa bagagem toda, comparada com a nova roupagem de The Wall Tour, os velhos show parecem brincadeiras de jovens despretenciosos. A estrutura agora trata-se de um muro de 137 metros de largura e 11 de altura, montado entre o palco e a plateia. São 424 tijolos que dão forma a super obra, contruída em 45 minutos, enquanto se é apresentada a primeira parte do show. São 172 alto-falantes, incluindo sorrounds e monitores, mais pirotecnias para dar vida ao espetáculo. 23 projetores são responsáveis pelo movimento que será exibido no próprio muro, com animação original de Gerald Scarfe, que também animou frames para o filme Pink Floyd The Wall, de Alan Parker, lançado nos cimemas em 1982. Ainda, há espaço para o Professor, a Esposa e a Mãe, três personagens que ganham forma através de gigantes bonecos infláveis, de 10 metros de altura.

Tudo isso, exibido nos cinco continentes, iniciado em Toronto, no Canadá, dia 15 de janeiro de 2010, e com encerramento previsto, até então, no dia 25 de março de 2012, no Rio de Janeiro. Apenas o palco usado para os shows é o mais caro e ambicioso da história, com o valor estimado em 37 milhões de Euros. No Brasil, a apresentação será realizada  em três cidades, além de Porto Alegre e Rio, também em São Paulo, que ganhará duas datas.

Curiosidade: em um show da turnê na O2 Arena, em Londres, no dia 2 de maio deste ano, Waters convidou ao palco dois remanescentes da formação clássica do Pink Floyd: David Gilmour e Nick Manson, para dar uma canja na música Outside the wall, que encerra o espetáculo. Rick Wright, falecido, foi o único não presente, daqueles mesmos que tornaram a obra realidade.

A expectativa é grande. Os números surpreendentes e o grande espaço que a mídia vem dedicando dão conta que será um dos maiores eventos musicais da história. Ainda não há informação sobre os valores das entradas, mas a abertura das bilheterias está prevista para setembro por aqui.

Mais Pink Floyd para fãs

Coincidentemente, ou não, será lançado por aqui, no calor da febre Waters, uma série de produtos do Pink Floyd, para encher os olhos de qualquer fã e os bolsos de qualquer gravadora. É um verdadeiro ‘pacotão psicodélico’ com o relançamento de toda obra da banda, mais alguns quitutes, chamados também de versões expierence e immersion dos discos.

26 de setembro – Se você não gastar toda sua grana comprando o lugar mais VIP do estádio para o show The Wall, pode passar em uma loja para conferir a versão remasterizada dos 14 álbuns do Pink Floyd, que podem ser comprados separadamente ou em um box chamado Discovery; Ainda, chega ao mercado também as edições Experience e Immersion do disco Dark Side of the Moon, incluindo uma versão com seis discos (credo!!!), em DVD, CD e Blue-Ray, com trechos de gravações, reportagens e afins;

7 de novembro – A Foot In The Door – The Best of Pink Floyd, coletânia com 16 músicas que marcaram a história da banda, com material gravado no show no Wembley Stadium, em 1974; Mais as edições Expierence e Immersion do disco Wish You Were Here;

27 de fevereiro 2012 – Um dia antes do meu aniversário, sairá as edições Expierence e Immersion de The Wall, a segunda, com um total de sete discos, entre CD, DVD e Blue-Ray. Todo material também será lançado em vinil e downloads digitais. Tá aí uma boa dica de presente pra quem quiser me fazer uma surpresinha.

Ufa! Era isso.

[ATUALIZADO – 10/10] Devido ao aumento para oito shows na Argentina, as datas das apresentaçõs de Waters no Brasil foram reagendados. Em Porto Alegre o espetáculo acontece no Estádio Beira-Rio, no dia 25 de março. Valores dos ingressos e outros serviços do show ainda não foram divulgados.

[ATUALIZADO 2 – 14/10] O primeiro lote de ingressos para a turnê The Wall em Porto Alegre, exclusivos para os fãs cadastrados no site oficial do músico, saiu com preços exageradamente salgados e discutido (pelo menos mencionado) neste post aqui.

Fábio Prina_19_07_2011

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